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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 176

O Olho Mágico do Dragão e o Sinal de Mudança

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Capítulo 176 – O Olho Mágico do Dragão e o Sinal de Mudança

— Eu me rendo…

Caí de costas no chão, esparramado, erguendo a bandeira branca. Impossível. Não dá mesmo. Consegui raspar algumas vezes, mas nenhum golpe decisivo passou. Se pudesse usar magia, dava pra dar um jeito, mas, em técnica de espada pura, não sinto chance nenhuma de vencer. Digno de uma deusa da espada mesmo.

— Não, foi mais perigoso do que eu esperava. Acabei ficando meio sério ali. Se treinar direito, será que não chega ao mesmo nível que eu?

Iaia~. Não tenho intenção nenhuma de virar sucessor dela. Sinceramente, mesmo que eu dominasse a espada a esse ponto, não teria mais ninguém pra lutar além dela mesma.

— Nem consegui ver direito o movimento das espadas de vocês dois, decerto…

— E-eu também… Que incrível, os dois…

A Hilda e a Yae comentavam isso, ainda meio atônitas. Queria dizer que existe um abismo e tanto entre mim e a irmã, mas nem tenho mais forças pra isso.

— Ah, "quase não" quer dizer que conseguiram ver "um pouco", né? Vocês duas são bem promissoras.

A irmã Moroha observava a Hilda e a Yae, animada. As duas erguiam os olhos brilhantes pra Deusa da Espada diante delas. Será que ficaram felizes por serem reconhecidas, ainda que um pouco.

— Daqui a pouco, vou ensinar as duas com calma. Pretendo ficar um tempo hospedada na casa do Touya-kun.

— Sério mesmo!? Irmã Moroha!

— Irmã mais velha! Muito obrigada, decerto!

As duas erguiam os olhos ainda mais brilhantes. Nasceram duas fiéis da Deusa da Espada.

— Argh~. A Moroha-chan roubou duas cunhadas de mim…

— E-eu também… respeito muito a irmã Karen, viu?

— Lindsey-chaan. Que boazinha, abraço, tá?

Sem eu entender direito, a irmã Karen já estava abraçando a Lindsey. A Lu também parecia interessada na irmã Moroha, ainda que não tanto quanto as outras duas. Bom, no caso dela, não é tão fanática por espada quanto as duas.

Já consegui me recuperar o bastante pra me mexer, então lancei [Refresh] pra recuperar a energia. Aah. Então ainda tenho muito a evoluir.

Sem perceber, já se formou uma plateia ao redor. Bom, era natural, depois de uma troca de golpes tão intensa assim.

— Quem é aquela ali?

— Parece que são convidados da tribo Lauri. Mas dizem que não são competidores.

— Tendo essa habilidade toda… por que não competem?

— Sei lá.

Ouvi um cochicho da plateia. Resposta: porque sou homem.

Entre os que observavam de longe, estavam aquele monge careca do bastão e a guerreira dragonoide. Percebendo meu olhar, o monge careca fez uma leve reverência de cabeça, mas a guerreira dragonoide continuava me encarando fixamente. Ué? O olho direito era dourado, mas o esquerdo era vermelho… será que ela tem olho mágico?

Ela continuava me observando assim, mas, percebendo algo perigoso atrás dela, saquei a Brunhild da cintura e puxei o gatilho sem hesitar.

O estampido do tiro ecoou, e, de uma grande árvore atrás da dragonoide, um homem despencou com um baque surdo. Caiu já paralisado por uma bala atordoante. Fui até o local onde ele caiu, e, na mão dele, havia um arco poderoso. Claramente, ele estava mirando na mulher dragonoide agora há pouco.

— Reconhece ele?

Apontei pro homem caído e perguntei à guerreira dragonoide parada atrás de mim.

— …É um dos membros da tribo que enfrentei há pouco.

Entendi. Vingança por rancor. Retaliação por causa da derrota. A tribo Jaja, dos juízes, veio e arrastou o homem imóvel dali.

Emboscada é algo comum nesse "Ritual da Poda", mas, claro, se for descoberta, existe uma penalidade severa: proibição de participar do próximo Ritual da Poda. Diante dessa desonra imposta, a raiva da própria tribo se volta contra o culpado, e a expulsão da vila é quase certa.

Expulso da vila, ele vai ter que viver sozinho neste Grande Mar de Árvores. Essa é a punição.

— Você me salvou. Sou Sonia Palarem. Estou hospedada com a tribo Rurushu.

Dizendo isso, a guerreira dragonoide, Sonia-san, curvou a cabeça.

— Eu sou Renetsu. Muito obrigado por salvar a Sonia-san de um perigo tão sério.

O monge careca do bastão também fez o mesmo gesto, seguindo o exemplo dela. Renetsu… será que é de Eurono ou de Ishen? Cabelo preto, ou melhor, sem cabelo nenhum, então não dá pra saber por aí. Ah, mas, olhando bem, as sobrancelhas são pretas.

— Renetsu-san, de onde você é?

— Hã? Sou de Ishen, mas por quê?

Que bom. Se fosse de Eurono, seria complicado de vários jeitos. Assim como aconteceu com a Yae, o povo de Ishen tem bastante gente que gosta de viajar, muitos correndo o mundo em jornada de treinamento marcial.

Ao contrário, o povo de Eurono raramente viaja por outros países. Ou melhor, antigamente, na política de lá, era difícil demais viajar pra outro país. Difícil, ou melhor, exigia um processo burocrático tão complicado que ninguém queria passar por isso só pra sair do país. Parece que também havia bastante controle de informação.

Bom, isso já ruiu de vez, então agora os refugiados estão abandonando o país aos montes, fluindo pra outros lugares. Em número, a maioria acabou morta pelos Phrase, então não é tão numeroso quanto poderia ser, mas, pros países que recebem, ainda deve ser um baita dor de cabeça.

— Sou Mochizuki Touya. Convidado da tribo Lauri, e, ahn…?

Ao tentar me apresentar, a Sonia-san me observou fixamente de novo. Ué? Será que algum olho mágico foi ativado de novo?

— Ahn… aconteceu alguma coisa?

— …Perdão por perguntar isso, mas por que essa aparência feminina?

Ué? Será que o [Mirage] não tá funcionando? Perguntei baixinho pra Sonia-san, e ela balançou a cabeça de leve, confirmando.

— Ah, não, sei que existem pessoas com esse gosto, mas fiquei um pouco surpresa…

— Pe-pe-pera aí, pera aí! Não é isso! Isso é um mal-entendido!

Do jeito que tá, vou acabar sendo reconhecido como travesti. Digo, travesti nada, é ilusão! Levei os dois pra um lugar mais reservado e expliquei a situação.

Já que não estou competindo como tribo Lauri, não conto como manchar a honra da tribo. Mesmo que outras pessoas descubram, no máximo eu deixo de conseguir assistir — então tanto faz se souberem. E, em último caso, dá pra ficar invisível com [Invisible].

— Aliás, será que o motivo de a ilusão não funcionar é por causa desse olho mágico?

— Sim. Meu olho mágico tem o poder de anular ilusões. Efeitos visuais por magia também não funcionam neste olho direito.

Entendi. Então até flash de luz por magia de Luz é cancelado, pelo menos no olho direito dela. Não, já que não deve estar ativado o tempo todo, talvez funcione se pegar de surpresa.

— Bom, não é nada grave assim, mas fico agradecido se puderem manter em segredo.

— Bom, já que fomos salvos agora há pouco, vamos considerar isso quitado.

Ah, entende bem, hein. Surpreendentemente, esses dois são fáceis de conversar, com personalidade tranquila. Perguntando mais aos dois, descobri que são aventureiros em jornada de treinamento marcial. Durante a viagem, ficaram hospedados com a tribo Rurushu, e, como dois competidores dela adoeceram e não puderam participar, os dois se ofereceram como reforço.

— Vimos o duelo do Touya-san de agora há pouco. Aliás, quem era aquela pessoa que enfrentou você?

— Ah, aquela é a irmã Moroha… minha segunda irmã. Sinceramente, é impossível vencer aquela pessoa. Só na espada, ela é a mais forte que existe.

— A mais forte, é…

Os dois fizeram cara de "isso é exagero demais, né?", mas é mesmo assim. Bom, é natural pensarem isso. Mas é verdade.

Por ora, combinamos que, se acabássemos nos enfrentando amanhã, contávamos um com o outro, e nos despedimos com uma espécie de troca de incentivo mútuo.

— Você tava aqui.

— Ué? Pam?

Depois de me despedir dos dois, a Pam veio até mim. Iluminada pelo luar, a figura dela emergia vaga na escuridão.

— Já que a tribo Balm também perdeu, por enquanto, tá tranquilo.

— Bom, é. Mas quero garantir uma base sólida pro próximo "Ritual da Poda". Ainda quero um filho do Touya, se possível…

— Isso não pode, se vocês vencerem, lembra?

— Eu sei. A tribo Lauri não quebra promessa.

Como se achasse injusto, a Pam fez bico e virou o rosto pro outro lado.

— A regra que vocês vão adicionar ainda é aquela de mandar a tribo Balm pra um canto isolado?

— Hmm, isso até serviria, mas, já que é uma oportunidade, tô pensando em criar uma regra diferente. Claro, que beneficie a tribo Lauri.

A Pam falou isso e ficou pensativa. Benefício pra tribo Lauri, hein… Pensando normal, seria alguma regra vantajosa pra mulheres? A tribo Lauri se opõe firmemente à igualdade de gênero, afinal… Seria bom se as tribos do Grande Mar de Árvores conseguissem se governar por diálogo, sem distinção de gênero.

Aliás, a diferença tão grande assim entre homens e mulheres só existe mesmo nas tribos Lauri e Balm.

Não, pensando bem, na maioria das outras tribos também, a posição da mulher costuma ser mais fraca, de um jeito ou de outro.

— Que tal simplesmente decretar que "só mulheres podem participar do Ritual da Poda"?

— Bobagem. Isso ia causar um motim.

Bom, é verdade mesmo. As outras tribos não iam ficar caladas com isso. Existem algumas tribos onde as mulheres são fortes, mas, na maioria, os homens ainda são maioria.

— Então, que tal dividir o "Ritual da Poda" por gênero?

— Hã? ……………Isso não seria de todo ruim… Se separar por gênero, pelo menos na categoria feminina, nossa tribo Lauri levaria bastante vantagem…

A Pam começou a murmurar, pensativa. Ei, ei, será que ela tá falando sério mesmo? Bom, competir homens e mulheres no mesmo tablado já não é bem familiar pra nós mesmos. Até nas Olimpíadas é separado por gênero. Afinal, a estrutura física entre homem e mulher já é diferente desde a origem, então não tem jeito. Diferenciar não é o mesmo que discriminar.

— Mas, se isso vingar, as outras tribos vão acabar competindo tanto na categoria masculina quanto na feminina, né? A tribo Lauri e a Balm só conseguem participar de uma categoria, tá bom assim?

— Sem problema. Aliás, é exatamente o que eu quero. Se isso vingar, nenhuma tribo vai mais conseguir tratar as mulheres com descaso.

Ah, é verdade. Faz sentido esse pensamento também… As mulheres também vão precisar ser fortes, ganhando, digamos, um espaço de atuação.

Se isso acontecer, mulheres de outras tribos podem despertar pra própria força e buscar um lugar pra usá-la — e talvez acabem naturalmente se voltando pra tribo Lauri. Isso também fortaleceria a tribo Lauri… não é uma má ideia. Não é ruim…

…Ouço esse murmúrio meio perigoso vindo dela. A elevação de status das mulheres não é algo ruim… acho… mas, sendo homem, sinto algo meio complicado nisso… Talvez eu tenha feito uma sugestão desnecessária.

Pro espírito da grande árvore, isso significaria conceder duas regras separadas, uma pra cada gênero, mas acho que não tem problema.

Mesmo dizendo "conceder", o espírito só aprova — na prática, é tudo decisão coletiva mesmo.

— Certo, vou propor isso pro resto da tribo. Isso pode mudar bastante o "Ritual da Poda".

Enquanto eu me perguntava, sério, se tinha feito besteira, vendo a Pam sair correndo animada, percebi que o espírito da grande árvore já estava parado ao meu lado, sem eu notar. Continuava emitindo o mesmo brilho fosforescente verde de sempre.

"Talvez não seja uma má proposta. Isso pode melhorar um pouco a posição das mulheres no Grande Mar de Árvores. Chegar ao nível da tribo Lauri seria exagero demais, mas isso também é individualidade de tribo."

Hmm. Será mesmo. Bom, não deve existir resposta certa pra esse tipo de coisa. Não é sobre quem tá acima ou abaixo.

Carregando esse dilema complexo, voltei em direção a todo mundo. O espírito da grande árvore também tinha desaparecido sem que eu percebesse. Será que ela não comentou nada sobre a irmã Moroha porque o "poder divino" dela estava completamente escondido, então nem percebeu. No meu caso, parece que vaza sem parar. Preciso aprender a controlar isso também, senão sinto que vou acumular mais complicação ainda.

No caminho de volta, olhando casualmente ao redor, percebi algumas figuras entrando mais fundo na floresta, na direção contrária à minha. Aquilo é… a tribo Rivet? Não deve ter tantas tribos usando máscara desse tipo.

Achei que fossem só ao banheiro e não dei muita importância na hora. Só depois viria a perceber que esse foi um erro.


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