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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 180

A Chegada do Inverno e a Cantora

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Capítulo 180 – A Chegada do Inverno e a Cantora

— Uh, que frio. Fazia tanto frio assim mesmo?

Fiquei só três dias fora, mas Brunhild já entrou de vez no inverno. Custa até levantar de manhã.

O Grande Mar de Árvores fica ao sul daqui, e nem no inverno fica tão frio assim. Não sei se foi só eu me acostumar com aquela temperatura, ou se realmente esfriou de repente, mas hoje de manhã fazia um frio e tanto.

Esse mundo é estranho — tem país com estações do ano bem definidas e país sem estação nenhuma, um extremo ou outro. E, pelo que vejo no mapa, isso não parece ter relação nenhuma com latitude ou longitude. Aliás, parece que Leste e Oeste também são diferentes nesse ponto. Será que esse mundo nem é uma esfera, tipo a Terra… Quem sabe embaixo do continente tem um elefante gigante ou uma serpente sustentando tudo.

Dizem que tem relação com o poder dos espíritos, mas os detalhes eu não sei. Será que tem a ver com mana e energia mágica da natureza. Já que existe país de quatro estações bem coladinho a um país de frio extremo, pensar demais nisso é perda de tempo.

Por sorte(?), Brunhild tem as quatro estações normais. Bom, é bem mais familiar assim, parecido com o clima da minha terra natal. Comparado ao Japão, a primavera aqui é um pouco mais longa, e o outono, mais curto.

— Bem que eu queria um ar-condicionado, hein.

Sinceramente, acho que dava até pra fazer um usando [Program]. Mas não chega a ser algo insuportável, e já tem lareira. "Um pouco de inconveniência é fonte de energia", como dizia meu avô já falecido. Vou deixar quieto. …Uma bolsa de água quente pelo menos tá liberado, né?

O "Ritual da Poda" já acabou, e, como combinado, a Pam desistiu de ter um filho comigo. …Que forma estranha de dizer isso. De agora em diante, ela vai atuar como líder da tribo Lauri — não, da "Tribo do Rei das Árvores" — usando bem sua habilidade no Grande Mar de Árvores.

Brunhild foi reconhecido como país amigo por ter salvado as tribos do Grande Mar de Árvores, então dizem que, se precisarmos de algo, eles nos ajudam a qualquer momento. Quando chegar a hora, vou pedir ajuda sem hesitar.

Sobre o que aconteceu depois com a tribo Rivet, que tentou dominar o Grande Mar de Árvores, não sei de nada. A Pam só disse que "receberam o julgamento do Grande Mar de Árvores", e senti que era melhor não perguntar mais, então desisti de investigar.

Saí na varanda mesmo com o frio, e, no campo de treino visível ao longe daqui, alguém já estava se movendo. Difícil de ver direito com a neblina da manhã.

Estendendo a visão com [Long Sense], vi a irmã Moroha duelando. O adversário era… a Lu?

— Logo de manhã cedo assim…

Deve ser aquilo mesmo. Talvez tenha ficado frustrada por ter perdido pro Renetsu-san. Fez cara de quem não se importava, mas todas as minhas noivas são competitivas demais, sem exceção.

Aliás, quando trouxe a irmã Moroha de volta pra casa, todo mundo no castelo ficou surpreso. Bom, é natural, já que eu nunca tinha mencionado nem uma vez que tinha mais uma irmã.

Quando o Kōsaka-san me perguntou "quantos irmãos e irmãs ainda faltam aparecer?", respondi "sei lá…", de forma até honesta, num certo sentido, mas ele entendeu errado de algum jeito e me olhou com um olhar morno, dizendo "deve ser genético…". Parece que colaram o rótulo de "a família Mochizuki gosta de mulher" em mim. Não somos meio-irmãos!? E, aliás, nem somos irmãos de verdade mesmo!

Claro, o que mais surpreendeu todo mundo, mais do que isso, foi a capacidade de combate da irmã Moroha. Pra mostrar a força dela, fizemos um treino livre contra o pessoal da Ordem de Cavaleiros, e ela venceu, com facilidade, 1 contra 80. Nem um único deles chegou a arranhá-la.

E, ainda por cima, ela apontou com precisão os pontos fracos e o que cada um dos 80 devia melhorar. Que especificação absurda é essa, Deusa da Espada.

— Digna irmã de Vossa Majestade…

Desse jeito, sempre que tem tempo livre, a irmã Moroha vem treinando o pessoal da Ordem de Cavaleiros. Daqui a alguns meses, devem dar um salto de nível absurdo. Bom, não é coisa ruim, e ainda por cima é uma ajuda e tanto.

— Bom dia~

— Bom dia, Touya-san.

Depois de me trocar meio sonolento, cheguei ao refeitório, e a Yumina, a Lindsey, a Elsie, a Yae, a Hilda e a irmã Karen já estavam sentadas. Enquanto eu ainda tava meio zonzo, a criada Rene trouxe o chá de ervas pra acordar.

Agradeci e afaguei a cabeça da Rene, quando a porta se abriu e a Lu e a irmã Moroha entraram.

Aqui em casa, o café da manhã é às sete, mas não precisa todo mundo comer junto necessariamente. Bom, quando dá certo o horário, tentamos comer juntos. Então, passando das sete, todo mundo já começa a comer, mas hoje parece que todo mundo se juntou. É raro a irmã Karen estar no café da manhã. Normalmente tá dormindo.

De vez em quando, a Sue entra nesse grupo, mas hoje parece que ela não veio.

O quarto da Sue na mansão Ortlinde e a sala chamada "Sala de Teletransporte" neste castelo estão conectados por um espelho encantado com [Gate]. Claro, só a Sue consegue atravessar, e fica registrado quando ela passa.

Já que somos noivos, dei permissão pra ela vir brincar neste castelo a qualquer momento, mas pedi pra ela fazer as refeições, na medida do possível, na casa dela.

Afinal, acho que é bom pai e filha comerem juntos. O duque também deve sentir falta dela.

Terminado o café da manhã, cada um começa o próprio trabalho ou treino. Yae, Hilda e a irmã Moroha se juntam à Ordem de Cavaleiros pra treino e vistoria pelo país; Yumina e Lu conversam com o senhor Naitō sobre o desenvolvimento urbano; Elsie e Lindsey vão treinar e cuidar do cultivo das novas variedades de plantas; a irmã Karen vai atender sua "sala de consultoria amorosa". Cada uma se move livremente, à vontade.

Não é bem o tipo de coisa que noivas de um rei deveriam fazer, mas todo mundo faz porque quer mesmo.

Já eu, de manhã, se tiver alguém pedindo audiência, atendo; senão, fico livre. Ouço do Kōsaka-san um resumo dos problemas do país, e vou separando: o que precisa de ação imediata, o que precisa pensar um pouco antes, e o que não precisa de ação nenhuma.

Mesmo em casos que eu resolveria fácil se agisse diretamente, o Kōsaka-san prefere, na medida do possível, deixar que o próprio povo resolva. Se eu fizer tudo, o país vai ficar dependente demais de mim. Se algum dia me acontecer alguma coisa, o país precisa conseguir se sustentar sozinho, senão não faz sentido.

Por isso, ele meio que me trata como estorvo nesse tipo de coisa. Bom, assim até que é mais tranquilo pra mim.

— Será que o inverno por aqui é bem frio, hein.

— É verdade. Este ano, acho que não vai ficar tão frio assim. Este ano temos o "tapete quente" que Vossa Majestade criou, então ajuda bastante.

O mordomo Lime-san, que trouxe o chá depois da refeição, comentou isso. O interior do castelo tem muitos cômodos grandes, difíceis de aquecer. Por isso, coloquei tapetes encantados com [Warming], de atributo Fogo, na sala de audiências e no gabinete de trabalho.

E também dei de presente pro Lime-san um terno especial encantado com [Warming]. Um item excelente, com temperatura ajustável. Já que o Lime-san é sempre o primeiro a acordar, se movendo desde antes do amanhecer no frio.

Se eu simplesmente entregasse, ele provavelmente não aceitaria, então, como o aniversário dele estava próximo, aproveitei essa desculpa pra empurrar o presente à força.

Não posso deixar nosso mordomo perfeito pegar um resfriado, afinal.

Bom, hoje não tenho nenhuma audiência marcada, então tô livre. Bom, não é bem "livre", mas. Decidi finalizar o acabamento do piano que comecei a construir desde que voltei do Grande Mar de Árvores.

A estrutura em si não é difícil (afinal, é um piano meio improvisado, que fiz forçando com [Program] nas partes que eu não entendia bem), mas o ajuste do som é trabalhoso. Não tenho ouvido absoluto, então precisei afinar as notas conferindo o som de um aplicativo de piano no smartphone.

E, ainda por cima, como fui além da conta e fiz um piano de cauda, o teclado tem 88 teclas. Talvez fosse melhor ter feito um upright de estúdio com 65 teclas.

Meio inseguro, mas já terminei de afinar todas as teclas. Sentei na cadeira e apertei as teclas. Dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó — na ordem, e depois voltando, dó, si, lá, sol, fá, mi, ré, dó.

Fazia anos que eu não tocava. Quando criança, eu não conseguia fazer a troca de dedo no fá com o polegar, e treinei bastante isso. E, na volta, tinha dificuldade em trocar no mi com o dedo médio. Diferente de agora, meus dedos eram bem curtos.

Sentindo saudade, acabei repetindo várias vezes: dó-ré-mi-fá-sol-lá-si-dó, dó-si-lá-sol-fá-mi-ré-dó, dó-ré-mi-fá-sol-lá-si-dó, dó-si-lá-sol-fá-mi-ré-dó…

E, nesse embalo, comecei a tocar aquela música clássica que todo mundo já tentou tocar alguma vez: "O Gato Pisou". Empolgado, toquei também várias versões arranjadas. Até uma versão jazz eu toquei.

Ao terminar de tocar, ouvi um aplauso vindo de algum lugar. Ao me virar, a Sakura, com a Kōgyoku, estava batendo palmas.

— Isso é um instrumento?

— Sim, é. Se chama "piano". Instrumento de teclado… bom, fica entre percussão e corda, digamos.

— Quero ouvir mais. Alguma outra música.

Bom, mesmo pedindo assim. Hmm, então vamos de algo simples. Já faz tempo que não toco, então não sei se ainda lembro, mas vou tocar uma que combina bem com essa estação.

Comecei a tocar num tempo animado. É clássico da época de Natal, né. Não sei se aqui é dezembro agora, mas.

"Jingle Bells".

Nunca imaginaria, aquele pastor americano que criou essa música há mais de 150 anos, que ela seria tocada num outro mundo assim.

A Sakura balançava a cabeça de leve, de um lado pro outro, no ritmo. Parece que ela gostou. A Kōgyoku também parecia ouvir com os olhos fechados, atenta. Fiquei tão feliz que acabei cantarolando a música junto.

Ao terminar de cantar, recebi aplausos de novo. Que vergonha, hein.

— Ensina essa música. A Sakura também quer cantar.

Com os olhos brilhando, a Sakura me pediu isso. Que raro, ela pedir algo assim. Normalmente, ela é uma garota que quase não expressa emoção.

Atendendo ao pedido, toquei um pouco mais devagar dessa vez, cantando a letra completa desde o início. A Sakura foi cantarolando junto, acompanhando. Terminei de cantar tudo uma vez, e, quando ia sugerir cantar de novo, ela respondeu "já aprendi". …Que rápido.

Então, voltei a tocar no ritmo original, animado, e a Sakura começou a cantar junto. Ei, ei, o que é isso!?

Extremamente bem cantado. Uma voz cristalina e transparente ecoou pelo quarto inteiro. Não sabia que essa garota cantava tão bem assim. Ao terminar de cantar, a Sakura sorriu satisfeita.

— Impressionante… Será que a Sakura era cantora, quem sabe?

— Não sei bem, mas talvez eu goste de cantar. Me ensina mais?

Achando que talvez isso pudesse ser um gatilho pra recuperar a memória, fui tocando, uma atrás da outra, as músicas de que me lembrava. Evitando as clássicas sem letra, cantei pop, música popular, enka, cantiga infantil, sem distinção entre música japonesa e ocidental.

Pra minha surpresa, a Sakura memorizava a letra de todas essas músicas com perfeição, só de ouvir uma vez. Deve ter uma memória excepcional. É meio irônico, uma garota com amnésia ter uma capacidade de memória tão absurda.

Mas esse talento pro canto deve virar uma arma importante pra ela viver a vida. Será que devia produzir ela como idol? Não, pela personalidade dela, acho que ela não quer chamar tanta atenção assim.

Aliás, não construí esse piano pra acompanhamento vocal, mas. Bom, mesmo ensinando piano pra Yumina e as outras, duvido que isso ajude elas a controlar melhor a espada voadora, mas.

Por fim, atraídos pela bela voz da Sakura e pelo meu acompanhamento, todo mundo do castelo foi se reunindo, sem eu perceber, pra ouvir o canto dela.

Ao terminar a apresentação, uma chuva de aplausos caiu sobre nós. A Sakura abaixava a cabeça, meio encabulada, mas, elogiada pela Lindsey, com quem tem boa amizade, abriu um sorriso satisfeito.

Depois disso, um mini-recital da Sakura continuou por um tempo. Mesmo sendo tímida, na frente de conhecidos parece que não se importa tanto, e cantou animada.

Pensando em, da próxima vez, tocar pra ela alguma música do meu smartphone que ela talvez goste, continuei o acompanhamento.


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