Capítulo 181 – A Aliança Leste-Oeste e a Patinação
O Reino de Cavaleiros de Lestia entrou na Aliança do Oeste, e o nome foi mudado de "Aliança do Oeste" pra "Aliança Leste-Oeste". Hoje, recebemos na reunião o irmão da Hilda, o novo rei de Lestia, o rei-cavaleiro sagrado Reinhard.
— Sendo ainda jovem, talvez cometa falhas, mas conto com a colaboração de todos.
— Bom, deixemos de lado cumprimentos formais demais. Aqui, todos falam e discutem em igualdade, se ajudando mutuamente.
Diante do cavaleiro rei, que fez uma reverência tão cortês, a Papisa sorriu gentilmente. Sem perceber, isso já virou meio que um clube de hobby de reis, mas, bom, tudo bem, já que discutimos as coisas sérias direitinho também.
— Eu também sou um rei novato. Conto com sua colaboração, rei de Lestia.
— Obrigado, rei de Riinie.
Os dois novos reis, de Riinie e de Lestia, trocaram um aperto de mão firme. Sendo ambos reis novos, devem ter muito a aprender um com o outro. Eu também sou, tecnicamente, um rei novo, mas, no meu caso, acho que não serve de referência pra ninguém, em vários sentidos.
— Aliás, falando em Lestia… soube, Touya-dono. Parece que você conquistou a amizade das tribos do Grande Mar de Árvores.
Observando os dois, o Rei Ferino de Mismede comentou isso. Que informação rápida, hein. Bom, Mismede tem muitas feras-humanas, e parece que mantêm contato com as tribos do Grande Mar de Árvores, então deve ter vindo por aí.
— Não é bem "conquistei a amizade" — foi mais que, no meio do processo, acabei ajudando e fui agradecido. Não tenho intenção nenhuma de fazer algo com isso.
Por precaução, contei só o que aconteceu no Grande Mar de Árvores. Não é nada que precise esconder.
Depois disso, terminamos de conversar sobre a situação dos refugiados vindos de Eurono e sobre o empréstimo de Frame Gear pra desobstruir estradas bloqueadas por deslizamento de terra, e, na sequência, todo mundo já arrastava o rei-cavaleiro Reinhard pro estádio. Hoje tem um jogo de boas-vindas: Refreese contra Regulus.
Enquanto os soldados de escolta de cada país seguiam também em fileira pro estádio, tive uma ideia repentina e chamei a Papisa de Ramish. Me aproximei e falei baixinho.
— Sua Santidade… na verdade, agora tem dois "deuses" (bom, "duas", já que estão em forma humana) neste castelo. Quer conhecê-las?
— O quê!?
Levando a Papisa, ainda espantada mas balançando a cabeça em concordância, até a mesa onde a irmã Karen e a irmã Moroha tomavam chá, apresentei a Papisa às duas, e, depois, apresentei as duas pra ela, completamente rígida de nervosismo.
— Minhas… digamos, "irmãs". A Deusa do Amor e a Deusa da Espada.
— É meio estranho ser chamada de "Vossa Santidade" pelo Touya-kun…
— É mesmo. Fica meio sem jeito. Ah, você também não precisa ficar assim tão formal. Relaxa, relaxa.
As irmãs fizeram a Papisa, que quase se prostrava no chão, sentar à mesa. Depois disso, a Papisa, ainda hesitante, fez várias perguntas sobre os deuses e o mundo divino, e as irmãs respondiam com leveza, segurando biscoitos, e a conversa parecia render bem. Será que, entre mulheres, é mais fácil quebrar o gelo assim.
Fiquei pensando se isso também não contaria como interferência no mundo humano, mas, já que não estão usando o que se chama de "poder divino" propriamente, deve estar tudo bem. De um jeito estranho, dá pra dizer que ela recebeu um oráculo, ou um ensinamento divino. Ainda que o conteúdo tenha ido virando cada vez mais tipo desabafo: "o deus do comércio é meio sovina", "o deus do vinho fica pegajoso quando bebe"…
Deixando a Papisa entretida com as duas irmãs, teletransportei até o estádio.
O estádio fervilhava com o jogo oficial mensal. Não só nosso próprio povo, mas também dava pra ver gente que parecia ter vindo de Refreese e Regulus. Vendedores de pipoca e chope corriam animados pelas arquibancadas, e a plateia vibrava a cada lance do jogo. Sinceramente, nunca imaginei que fosse ser aceito tão bem assim.
No camarote VIP, o rei-cavaleiro de Lestia já estava completamente fisgado pelo beisebol, acompanhando o jogo com o corpo inclinado pra frente. Ah, foi assim também com o rei de Riinie na época… De vez em quando, fazia perguntas ao rei de Riinie, sentado ao lado, respondendo com acenos de cabeça.
Sendo ambos reis novos, parece que já ficaram bem amigos. Espero que, um dia, virem melhores amigos, tipo o rei de Belfast e o Rei Sacro de Refreese.
Se a primeira princesa de Refreese visse isso, acho que sangraria pelo nariz e sairia escrevendo algum livro suspeito. Os dois são bonitões, exatamente tipo "príncipe encantado" (bom, já rei, mas)… tsc. Mesmo tendo várias noivas, ainda dá pra sentir ciúme de homem bonito. Sim, dá.
Enquanto eu ficava emburrado, de repente um estrondo enorme e um grito de festa envolveram o estádio. Um jogador de Regulus tinha acabado de bater um home run. Digno de ser um jogador popular, marcar ponto justamente nessas horas.
O rei-cavaleiro de Lestia se levantou animado, todo empolgado. Ao contrário, o rei de Belfast, melhor amigo do Rei Sacro de Refreese (cujo time levou o ponto contra), fez uma cara de decepção, tipo "achaa".
Bom, que bom que todo mundo parece estar se dando bem. Na volta, será que dou de presente um kit completo de equipamento de beisebol pro rei-cavaleiro.
No dia seguinte, acordei com um frio absurdo, olhei pela janela, e era um mundo todo prateado.
Neve. Nevou bastante, hein. Não chega a ser nevasca, mas tem mais de 10 centímetros acumulados.
Nesse estado, não dava nem pra treinar, então o pessoal da Ordem de Cavaleiros ficou limpando a neve do quartel e do campo de treino. Cheguei a pensar em derreter tudo com magia de Fogo, mas me disseram que ia deixar tudo encharcado. Bom, faz sentido mesmo.
Ao fazer uma vistoria pela cidade, os adultos limpavam a neve na frente de casa, igual ao pessoal da Ordem, mas as crianças brincavam de guerra de bola de neve.
Convidado a brincar também, fiz um trenó improvisado com caixa vazia e tábua, e criei uma rampa com a neve limpa, e elas, animadas, subiram no trenó e deslizaram.
Me despedindo das crianças, saí pra estrada, e, claro, com a neve, o caminho ficou impossível de identificar. Deve demorar um tempo até os mercadores ambulantes voltarem a passar. Bom, deve derreter em dois ou três dias.
Já que tinha neve, pensei em fazer alguma coisa com isso, fui até o estádio, nivelei o monte do pitcher e derreti de leve a neve acumulada ali. Depois, congelei de novo, criando uma pista improvisada.
— Certo, congelou de um jeito bem liso, uaaa!?
Assim que dei um passo na pista, escorreguei e caí espetacularmente. Ugh, será que é a maldição de todo mundo que já derrubei com [Slip] até agora!? Ai, doeu.
— O que tá fazendo?
Fui flagrado em cheio pelo Logan-san e mais alguns da Ordem de Cavaleiros, que devem ter vindo limpar a neve do estádio, pás na mão. Se tavam aí, podiam ter avisado…
— Ah, não, tava pensando em fazer uma pista de patinação.
— Pati… o quê?
— Ué? Não tem isso por aqui? Tipo, colocar lâmina na sola do pé e deslizar.
— Ah, técnica de deslize, é. Se não me engano, ouvi dizer que no Reino de Elfrau, no norte, no inverno as pessoas deslizam pelos canais congelados como forma de transporte.
Ah, então é meio de locomoção, não diversão. De fato, no inverno, deve ser mais rápido assim. Será que não fazem isso por diversão?
Por ora, fiz umas lâminas e as encaixei na sola dos sapatos. Pisei na pista e deslizei suavemente, "suii".
Ooh, ouvi um murmúrio de admiração, mas não é nada de mais assim… Continuei deslizando por várias voltas, e até fiz umas piruetas. Não me subestimem, sou criado em terra de neve, viu. Bom, sou do lado do Pacífico, então frio não é meu forte.
Fiz lâminas pro Logan-san e os outros também. Não do tipo integrado ao sapato — o tipo que se acopla no calçado. Com receio, subiram na pista, e desabaram de um jeito engraçado.
Ku ku ku, agora não podem mais rir de mim caindo.
Só que, depois de um tempo, todo mundo já deslizava normalmente. Que rápido pra se acostumar! Gente desse mundo tem mesmo um físico bom demais…
Depois de um tempo, o pessoal da cidade também veio, observando a gente deslizando. Já que estava aí mesmo, fiz lâminas pra eles também, deixando patinar livremente. Como dava trabalho entregar uma por uma, deixei algumas extras por ali, liberadas pra uso livre.
— Ugh… por que isso aconteceu, hein…?
Sentei no banco do estádio, resmungando. Depois de um tempo, casais e cônjuges começaram a se destacar, patinando na pista. Uma perfeita atmosfera romântica se formou.
Sem aguentar aquele clima, os solteiros foram saindo da pista, e, no lugar deles, casais recebiam as lâminas e subiam na pista. Que ciclo triste, hein.
Nesse meio, tinha até um bravo guerreiro que, sem desanimar, aprimorava a técnica até conseguir patinar bem, tentando arrumar coragem pra convidar uma garota.
Acabei criando um ponto de encontro romântico bem estranho, hein. As crianças, pelo menos, estão se divertindo genuinamente, patinando.
Ali, uma cena se repetia: mulheres que não sabiam patinar esperavam encostadas na parede, e homens que sabiam patinar as chamavam, e, aos poucos, saíam de mãos dadas, deslizando juntos. Ei, ei, isso é paquera, ou o quê?
Ah, entendi. Sob o pretexto de "ensinar a patinar", dá pra segurar a mão de alguém abertamente. De fato, seria um desperdício não aproveitar isso.
As mulheres também deviam saber disso, porque algumas pareciam fingir que não sabiam patinar de propósito. Bom, é melhor não falar nada.
— Achei que tava tendo algum alvoroço, e não é que era mesmo o Touya-san, hein.
— Esse "não é que era mesmo" me incomoda um pouco, mas, bom, não tá errado.
Ignorei de leve o comentário da Yumina, que chegou sem eu perceber. Bom, acho que não sou sempre a fonte de toda confusão, viu.
Bom, tanto faz. Entreguei uma lâmina pra Yumina também. Com isso, também ganho companhia, então já dá pra subir na pista sem hesitar.
— Vamos patinar, princesa?
— …Será que vai dar tudo certo?
Levei a Yumina, meio receosa por ser a primeira vez, até a pista. Segurando as mãos dela, guiando pra não cair, fui fazendo ela deslizar aos poucos. Cambaleando no início, mas, aos poucos, foi se acostumando, e logo já deslizava suavemente. Sério, será que o pessoal deste mundo tem coordenação motora boa demais? Não, talvez seja o nosso mundo que seja conveniente demais, e a gente tenha perdido várias habilidades por causa disso.
Depois disso, ainda não sabia que "patinar no inverno" viraria um clássico de encontro romântico no Principado de Brunhild.