Capítulo 191 – O Ataque dos Dragões e a Força da Ordem de Cavaleiros
— E é isso, um bando de dragões tá chegando por aqui daqui a pouco. Como dá trabalho, vamos resolver isso rapidinho.
— Baba-dono… eu não sei nem por onde começar a reclamar.
— Fica tranquilo, Yamagata. Eu também não sei.
Na reunião, o velho Yamagata e o velho Baba me lançaram um olhar de quem já tinha desistido de entender.
Depois de eu e a Ruri chegarmos na frente com [Gate], reunimos logo o alto escalão da Ordem de Cavaleiros e contei a situação. Todo mundo ficou de olhos arregalados com a notícia repentina, mas, por fim, a vice-capitã Nicola-san se recuperou do choque e se levantou apressada da cadeira.
— Pe-pera aí, Vossa Majestade. Dragão, tipo aquele que voa e cospe fogo pela boca?
— É, esse dragão mesmo. Parece que uns idiotas se empolgaram e resolveram vir destruir o nosso país.
— O… e quantos são, nesse "bando"…?
— Uns 20 dragões normais? E mais uns 100 dragões alados, tipo Wyvern. Comparado com os Phrase de outro dia, não é lá grande coisa, né?
— "NÃO, NÃO, NÃO"
Respondi ao capitão Rain-san, que ergueu a mão meio hesitante pra perguntar, e a Nicola-san e ele, os dois juntos, balançaram a mão na minha frente, negando.
— Isso é aquilo, né? Que Vossa Majestade vai resolver rapidinho sozinho, né?
A Norn-san falou isso com o rosto meio contraído. As orelhas de lobo dela na cabeça tremiam de leve.
— No começo, era isso que eu tava pensando, mas, já que vai acontecer mesmo assim, achei que dava pra aproveitar a ocasião.
— Aproveitar?
— É. Pensei em usar isso como treino de ação coordenada da Ordem de Cavaleiros. Contra dragão já dá pro gasto, né?
— O QUÊÊ!?
O Rain-san soltou um grito de espanto. Sinceramente, acho que nossa Ordem de Cavaleiros é bem forte, mas, por termos poucas feras mágicas e por estarmos cercados por países amigos, Belfast e Regulus, quase não temos oportunidade de combate de verdade. Por isso, também tinha o pensamento de aproveitar essa chance pra ganhar um pouco de experiência.
— Nossa Ordem, mesmo contando a divisão de inteligência, não chega nem a 100 pessoas! É impossível derrotar mais de um por pessoa! E, além disso, como a gente luta contra um inimigo voador!?
— Os que estiverem voando, eu derrubo. O resto, cuidado com o sopro, e todo mundo junto dá conta. Os escudos da Ordem já têm barreira de resistência a calor, então deve dar certo.
— "Deve dar certo", diz o senhor…
Por precaução, já tenho várias medidas de segurança preparadas. Vou usar a Ruri e o Kohaku também, e nós também vamos entrar de suporte. Sinceramente, não acho que vá dar errado tão fácil assim.
E, além disso, acho que essa é uma oportunidade e tanto. Somos um país recém-formado, mas, se correr a notícia de que a nossa Ordem de Cavaleiros repeliu mais de 100 dragões, talvez isso desanime países idiotas, tipo Eurono, de tentar mexer com a gente tão levianamente no futuro.
— B-bom, com Frame Gear, dá pra derrotar até dragão, né? Se for assim…
— Não vamos usar Frame Gear.
— O QUÊÊÊ!?
Nesse caso, também existe o lado de mostrar aos dragões arrogantes a força de vontade dos humanos. Fazer eles entenderem, na marra, o poder dos humanos que eles desprezam como espécie inferior. Afinal, o objetivo deles é rancor completamente injustificado.
E, além disso, com Frame Gear, seria vitória fácil demais, e isso não serviria de treino pra combate coordenado a corpo aberto. Não quero que fiquem achando que "com Frame Gear a gente é invencível!", confundindo poder emprestado com poder próprio.
— E, mais uma coisa, o mais importante de tudo…
— ?
— Material de dragão vira dinheiro.
— …………..
Isso mesmo. Dragão é negociado por um preço alto — pele, osso, tudo. Um só já vale uma fortuna, imagina mais de 100. É uma chance e tanto de lucro.
— Se tiver dinheiro, ajuda em várias coisas.
— …………..
— Dá pra pagar bônus pra todo mundo.
— VAMOS NESSA!
— "OOOH!"
Fácil demais.
《Já avistei. Faltam mais ou menos 3 minutos pra chegarem aqui.》
Diante da fala da Ruri, estendi a visão com [Long Sense], e, de fato, dava pra ver o bando de dragões se aproximando. Estamos numa planície ao sul da cidade-castelo de Brunhild, esperando os dragões que vêm atacar. Aqui, pelo menos, não deve causar dano nenhum à cidade.
— Parecem estar gritando alguma coisa, hein.
《Estão dizendo "matem todos!" e "queimem tudo!". E também "gyahahaha", risadas grosseiras. Difícil de acreditar que sejam meus próprios súditos, de tão decaídos. Ou será que aquele artefato tem algum efeito que induz insanidade…》
Infelizmente, não entendo língua de dragão, então a Ruri traduziu pra mim. Que bom ouvido, hein. Mas então é isso que estão falando. Então acho que não preciso me conter.
Bom, então, sem contemplação nenhuma, vamos deixar todos eles rastejando no chão.
— Tempestade, corte; lâminas de vento em milhões: [Tempest Edge]!
Ativei contra os dragões a magia antiga de atributo Vento que aprendi na "Biblioteca".
Diante da tempestade que se formou de repente, todos os dragões foram envolvidos, e as lâminas de vento retalharam as asas deles em pedaços.
— GYAOAAAAAAA!!
— GUGYAOOOOOOOO!?
Soltando gritos diversos de dor, os dragões foram caindo um atrás do outro. Se eu quisesse mesmo, dava pra causar dano ainda maior, mas limitei o ataque só a destruir as asas e tirar a capacidade de voo deles.
Assim que derrubei todos os dragões no chão, a Kōgyoku, de volta à forma de pássaro gigante, despejou do ar uma chuva de bolas de fogo enormes sobre os dragões.
— ORDEM DE CAVALEIROS DE BRUNHILD, TODOS AVANÇAR!!
— "OOOOOOOOOH!!"
Aproveitando essa brecha, no comando do capitão Rain-san, nossa Ordem de Cavaleiros, empunhando espadas e escudos de cristal, avançou de uma vez em direção aos dragões.
Diante disso, os dragões, ainda caídos no chão, viraram o pescoço e cuspiram sopro de fogo. Mas foram bloqueados por uma cortina d'água que surgiu de repente, reduzindo o poder do ataque pela metade.
《Que pena, hein. Não vamos deixar tão fácil assim.》
《Originalmente, somos melhores na defesa mesmo.》
Deixei a contramedida contra o sopro por conta do Kokuyō e da Sango. Montado no casco da tartaruga gigante, na forma original dela, olhei pros dragões e vi que a Ordem de Cavaleiros já tinha partido pro ataque.
Sem ficar pra trás, o Kohaku, transformado em tigre grande, correu em direção a um dragão alado e disparou uma onda de choque com o rugido. O dragão alado que recebeu isso foi arremessado com força pra trás.
《Então eu também vou. Não posso deixar tudo por conta do Kohaku.》
— Fica só de suporte pra todo mundo, tá?
《Entendido.》
Abrindo as asas, a Ruri rugiu em direção ao céu, e, ao ouvir isso, os dragões travaram de susto por um instante. Parece que gritou alguma coisa. Mas não entendo língua de dragão. Mesmo com a magia de tradução, [Translation], duvido que chegue até a língua de animal. Se fosse isso, já seria mais tipo [Telepathy]. Esse tipo de magia… procurando, talvez exista.
A Ruri decolou e disparou uma bola de fogo contra os dragões mais ao fundo. Só isso já derrubou vários deles.
Hmm, esses valem dinheiro, então prefiro que não sejam arremessados desse jeito.
Parece que a Ruri já nem considera mais eles como companheiros, então não se opôs a vender os dragões derrotados. Achei até meio frio da parte dela, mas, no mundo natural, onde vale a lei do mais forte, talvez isso não seja tão estranho assim.
— Nós também vamos com magia de suporte.
— Isso mesmo.
Atrás de mim, a Lindsey e a Yumina começaram a conjurar magias de suporte em área. Essa também é uma das magias antigas descobertas na "Biblioteca".
— Chamas, recuem; barreira de resistência ao fogo: [Fire Resist]!
— Vento, conceda; brisa abençoada nas costas: [Tailwind]!
Todo mundo da Ordem de Cavaleiros ficou envolvido em duas luzes fosforescentes, vermelha e verde. Magia de suporte que dá resistência ao fogo, e magia de suporte que aumenta velocidade.
— ESCUDEIROS À FRENTE! TROPA DE ASSALTO, SIGAM ATRÁS!!
《OOOH!!》
Abrindo barreira de defesa, dez escudeiros formaram uma linha e bloquearam o sopro dos dragões com os escudos. E, pelos vãos entre os escudos, os cavaleiros com lanças de cristal longas avançaram junto, perfurando o corpo dos dragões com facilidade.
— GAAAAAAAAA!?
A lança perfurou sem esforço a escama, que devia ser mais dura que aço. O dragão parecia surpreso e confuso com isso, mas isso foi o que decidiu o destino dele.
— HAAAAAAAAAA!!
Aproveitando o poder de salto de fera-humana coelho, o Rain-san saltou por cima da cabeça da tropa de escudo em direção ao dragão. No ar, cravou fundo a espada de cristal desembainhada no topo da cabeça do dragão, deixando a espada ali mesmo e se afastando na hora.
Depois de convulsionar duas ou três vezes com força, o dragão finalmente caiu quieto.
— Certo! Vamos pro próximo!
《Isso!》
Nossa Ordem de Cavaleiros também não é de se jogar fora, hein. Bom, os equipamentos e a magia de suporte ajudam bastante, mas, mesmo assim, derrotar um dragão com menos de dez pessoas já é motivo de orgulho. E, ainda por cima, contra dragões fortalecidos ao nível de espécie superior pela "Agulha do Domínio Sonoro". Não é à toa que apanham todo dia da Deusa da Espada em treino.
— Touya-kun, será que eu não posso ir também?
— Já falei, se a irmã Moroha for, não vira treino, ué.
A deusa da espada, ansiosa pra lutar, tava logo do meu lado. Aliás, mesmo querendo lutar, contra dragão, sem espada de cristal ou arma realmente excepcional, a lâmina ia lascar rápido. Bom, se fosse a irmã Moroha, provavelmente lutaria bem mesmo com uma espada qualquer sem fio.
— Mas, veja bem, existe a possibilidade do imprevisto. Pra conseguir reagir numa situação dessas, acho melhor eu ficar por perto.
— Hmm… hmm. Basicamente, é só suporte, viu? Não pode arrasar sozinha, tá?
— Entendi, entendi. Vai, me dá logo uma espada!
Tirei uma espada grande de cristal do [Storage] e entreguei pra irmã Moroha. No instante seguinte, ela correu animada em direção aos dragões, brandindo a lâmina e cortando fora o tornozelo de cada dragão que encontrava pela frente. Falei pra não arrasar sozinha… Bom, com isso, com certeza não vamos perder. De certa forma, acabei liberando nossa arma secreta mesmo.
— A gente também não pode ir?
— Se vocês também forem, sobra mesmo nada pra Ordem de Cavaleiros fazer, então não.
A Elsie, a Yae, a Lu e a Hilda fizeram bico, emburradas. Nem adianta essa cara. O suporte da irmã Moroha já basta e sobra.
Com tantos dragões assim, o combate tende a virar confusão, mas a Kōgyoku vai contendo bem, a Sango e o Kokuyō defendem, e o Kohaku e a Ruri vão guiando pra criar condições favoráveis pra todo mundo lutar.
Eu, por minha parte, ia curando com magia os feridos que caíam, até certo ponto. Já que a Sango e as outras estão contendo o sopro, duvido que alguém morra na hora, a não ser que se arrisque demais e leve um golpe grande direto.
— Ô?
Um dos dragões alados, com a asa ferida, tentava de algum jeito decolar. Mas, assim que subiu uns 10 metros, foi derrubado por uma bola de fogo da Kōgyoku. Boa.
— URAAAAAAAAA!!
Ali, com um grito de guerra, a grande lança de cristal do velho Baba se cravou na lateral da cabeça do dragão alado. Com esse golpe, o dragão alado morreu na hora.
Com a idade que ele tem, eu queria que ele ficasse no suporte de retaguarda, mas não me dá ouvidos. Ao lado dele, o velho Yamagata brandia a espada grande contra outro dragão alado, cortando fora a pata do bicho.
— Vem, vem, vem! Bora, lagartos!
Será que é porque faz tempo que não lutam de verdade, tão animados assim. O velho Baba e o velho Yamagata não gostam de pilotar Frame Gear. Segundo eles, não sentem que estão lutando de verdade — parece que curtem justamente aquela sensação de disputa de vida ou morte a corpo aberto. Sinceramente, acho que segurança em primeiro lugar é o melhor, mas o sentimento de guerreiro é difícil de entender.
— Fh!
— Yah!
A alabarda da Nicola-san zunia no ar, e as espadas gêmeas da Norn-san dançavam furiosas. Dessa vez, pedi pro capitão Rain-san e os dois pararem de montar em fera invocada.
Parte disso é porque eu queria que eles ficassem no chão, avaliando a situação de perto, mas também porque, montado num grifo ou pégaso, fica difícil bloquear o sopro com escudo. Quem monta fica bem, mas a fera invocada fica desprotegida.
Enquanto isso ia acontecendo, quase todos os dragões já estavam caídos, imóveis.
Os dragões restantes continuavam gritando alguma coisa, mas, como sempre, não entendo o que dizem. Perguntei pro Kokuyō, enrolado no casco da Sango, aos meus pés.
— O que eles tão falando? Hein?
《Hmm, é chuva de xingamento mesmo. "Seres inferiores!", "Fracos que só vencem em bando!", esse tipo de coisa. Olha quem fala.》
De fato mesmo. Vocês foram os primeiros a atacar em bando, ué.
A Ruri despejou seu sopro de fogo mais poderoso sobre o dragão que gritava aquilo, deixando-o completamente carbonizado. Aaah, é por isso que fica impossível de vender…
《A Ruri-chan tá bem furiosa, hein. Bom, é normal ficar com vontade de chorar vendo esse tipo de gente sendo chamada de "sua espécie".》
Por outro lado, o Kohaku, calmo e sereno, ia derrubando com ondas de choque os dragões que atacavam a Ordem de Cavaleiros, rasgando os olhos deles com as garras, incapacitando-os pra lutar sem matar nenhum. Como se dissesse que nem valem a pena como adversário.
《Já tá quase acabando, hein.》
— Será que esses caras realmente tinham força equivalente a espécie superior? Não tão fracos demais?
《Cada um deles, individualmente, talvez até tivesse força próxima disso. Mas o jeito de lutar em grupo é completamente ruim. Cada um só se debate por conta própria, sem coordenação nenhuma. Parece que aquilo não conseguiu elevar a inteligência deles também. Se tivesse pelo menos um "dragão velho" mais experiente entre eles, talvez fosse diferente.》
Afinal, dragão não costuma caçar em grupo. Talvez isso tenha aparecido de forma clara aqui.
Como disse o Kokuyō, a vitória já estava decidida. Mesmo os dragões que ainda respiravam iam sendo abatidos, um atrás do outro, pela Ordem de Cavaleiros.
Por fim, todos os dragões pararam de se mover. Do nosso lado, só alguns feridos leves. Vitória esmagadora.
— GRITEM VITÓRIA!!
— "OOOOOOOOOH!!"
Na planície coberta de cadáveres de dragão, ecoou o grito de vitória. Vencemos. Um pouco decepcionante, sinceramente.
De repente, percebi que, atrás de nós, tinha uma multidão de curiosos. Bom, fazendo um alvoroço desse tamanho, é claro que ia chamar atenção. Parece que muita gente da cidade veio ver. Vendo daqui, dá pra notar que a maioria parece ser aventureiro.
— Vo-Vossa Majestade! O que é isso, afinal…!
Do meio da multidão, apareceu a Relisha-san, mestra da guilda, junto com vários funcionários da guilda. Por um instante, ela se assustou com a Sango e o Kokuyō em tamanho gigante, mas, percebendo que eram minhas feras invocadas, veio correndo sem se importar mais.
— Recebi a informação de que um bando de dragões vinha em direção a Brunhild, então fui até o castelo pra avisar, mas Vossa Majestade não tava lá, nem a Ordem de Cavaleiros…!
— Ah, foi mal por isso. Passamos um pelo outro. Mas já resolvemos, então.
— Pa… parece que sim…
A Relisha-san olhou, meio incrédula, pros corpos dos dragões espalhados. Ah, é verdade, talvez tivesse sido melhor pedir ajuda dos aventureiros também. Bom, vou deixar que eles espalhem, no mínimo, as histórias heroicas da nossa Ordem de Cavaleiros.
— E, bem. Isso aqui, será que dá pra Guilda comprar?
— Tu-tudo isso!? Não, comprar não é problema, mas não consigo pagar tudo de uma vez agora… Uns 10, talvez dê pra pagar na hora…
— Então eu guardo o resto. Pago o restante quando tiver o dinheiro disponível.
Guardando no [Storage], não estraga, então tá tudo bem. Vou assar a carne de alguns e distribuir pela cidade. Dizem que carne de dragão é uma delícia. Vamos compartilhar um pouco.
Falei com todo mundo da Ordem de Cavaleiros, animados com a vitória, projetando com o smartphone no ar.
《Ordem de Cavaleiros, muito obrigado pelo esforço de todos~. Depois vou assar carne de dragão, então comam à vontade e aliviem o cansaço, tá~. E, claro, o bônus também vai sair direitinho, viu~.》
— UOOOOOOOO!! CONSEGUIMOS!!
— CARNE! CARNE!
— TÔ COM FOME!
— AGORA DÁ PRA PAGAR A DÍVIDA…
— VIVA BRUNHILD!
Vários gritos ecoaram pelo campo de batalha. Que bom que ficaram felizes.
《E, ah, amanhã vamos com Frame Gear exterminar de vez o ninho de dragões na Ilha Dragoness, então contem comigo~.》
— "COMO ÉÊÊÊ!?"
Vozes de espanto e olhos arregalados se voltaram todos pra mim, ao mesmo tempo.