Capítulo 199 – A Nova Máquina e a Profecia de Invasão
— O que dá pra fazer com isso?
— Deixa eu ver, iSS… Primeiro, dá pra tornar o líquido de Éter desnecessário. Ah, não, não é que fique desnecessário completamente — quero dizer que não vai precisar mais trocar.
Espalhando na mesa da "Oficina" a planta que conseguiu no "Depósito", a Rosetta explicou. O papel do líquido de Éter é amplificar a energia mágica do piloto e distribuí-la por toda a máquina. Até agora, funcionava consumindo o líquido carregado de energia mágica, mas parece que, no núcleo do novo modelo, vai um dispositivo que absorve mana da luz e do ar, amplificando-a. Seria como uma pilha comum virando painel solar?
E, ainda por cima, o material usado nesse dispositivo é justamente o material de cristal, feito de fragmentos de Phrase. Então a doutora também tinha percebido as características do Phrase e já tinha pensado numa forma de aplicar isso.
— O novo modelo funciona com o conceito de montar, a partir de um núcleo central de sistema principal e alguns tipos de "Ossos de Estrutura" que servem de esqueleto, peças com características específicas encaixadas. Ou seja, não existe uma forma fixa determinada, iSS.
— Dá pra fazer livremente… não, pensando pelo outro lado, quer dizer que, sem decidir que tipo de máquina fazer, não dá nem pra começar, né?
— Exatamente isso. Se me pedir pra fazer qualquer coisa, dá pra fazer, iSS, mas só sai porcaria inútil.
Não posso desperdiçar assim, que perda. Hmm… primeiro, queria fazer algo mais fácil de entender…
— Mobilidade, potência, blindagem, taxa de conversão de energia mágica, precisão, equipamento — vários pontos pra equilibrar, iSS. Naturalmente, se aumentar a blindagem, perde mobilidade; se aumentar potência, piora a taxa de conversão de energia mágica. Se tiver uma quantidade absurda de energia mágica, tipo idiota… quer dizer, uma quantidade impressionante como a do Mestre, dá pra resolver isso ativando várias magias de suporte de qualquer jeito, iSS.
Que "tipo idiota" o quê, hein. Mas, enfim, o que fazer. No meu caso, parece que dá pra ajeitar de qualquer jeito, mas, pra todo mundo, com certeza é melhor uma máquina que aproveite bem as próprias características. Por exemplo, a máquina da Elsie, focada em força e velocidade.
Como a nova máquina é feita completamente sob medida pra cada pessoa, ninguém mais consegue pilotar direito. Pior, como sincroniza com a própria energia mágica pra melhorar a resposta, parece que fica bem difícil até de mover, se for outra pessoa.
— Por ora, vou recuperar os mini-robôs que tinham no "Depósito" e usar como ajuda, iSS. Só eu e a Monica não conseguimos dar conta.
Com toda razão. Observei os robôs auxiliares de corpo curto, correndo de um lado pro outro na "Oficina", "tote-tote". Esses são surpreendentemente hábeis, e, se ensinados, conseguem fazer a maioria das tarefas sem erro. O problema é que não conseguem pensar sozinhos e criar ações novas, mas, como assistentes, são bem úteis.
E, além disso, como a "Oficina" vai trabalhar a todo vapor pra construir a nova máquina, por um tempo vamos suspender a produção em massa de cavaleiros pesados. Já temos produzido uma quantidade razoável, então não tem problema.
— Certo, então… por ora, vamos começar pela máquina da Elsie. Foco em força e velocidade, blindagem reforçada nos braços e pernas. Não precisa se preocupar tanto com a taxa de conversão de energia mágica. O resto ajustamos depois que construir.
— Entendido, iSS.
O motivo de começar pela Elsie é porque o jeito de lutar dela é fácil de entender. Basicamente, socar, chutar, destruir o adversário. Com esse estilo de combate, não precisa de tanto equilíbrio extra. Digamos, um modelo especializado num ponto só.
Deixei o desenvolvimento por conta da Rosetta na "Oficina" e fui em direção ao "Depósito".
— Ora, ora? Bem-vindo de volta, Mestre, iSS.
Ao entrar no "Depósito", a Paruche me recebeu, virada de frente pro monólito. A aparência dela era: tabi e sandália de palha, quimono branco e hakama vermelho — o traje clássico de miko. Se não me engano, miko de cabelo em rabo de cavalo não é bem visto, não é?

Bom, ficar reclamando aqui das regras de lá é bobagem, então vou deixar quieto.
Não me lembro se, entre os materiais que entreguei pro Zanack-san, tinha traje de miko… Já nem lembro tudo o que entreguei, mas essa escolha, hein. Miko desastrada, sério… Os deuses devem achar isso bem incômodo.
— Fiz uma lista de tudo que tem no "Depósito", iSS. No total, 1093 itens.
— Bastante coisa, hein.
Fui folheando a lista entregue, conferindo. Tem coisa que dá pra entender, e coisa completamente incompreensível. …Aquela "roupa íntima de batalha decisiva" e o "biquíni perigoso demais" e a "armadura biquíni" dessa doutora, será que não é melhor lacrar tudo isso de vez?
Ué? "Estimulante pra aumento de busto"? Isso é aquilo mesmo… Vai começar uma guerra, hein.
— Paruche, essa lista e os itens guardados no "Depósito" são estritamente proibidos de serem revelados ou entregues a qualquer pessoa sem minha autorização. Entendido?
— ? Entendido, iSS.
Ser grande ou pequeno, isso é individualidade. Não existe superior ou inferior nisso. Arroz gostoso não significa que pão é ruim. Arroz é gostoso, e pão também é gostoso!
Bom, é fato que existe gente que ama muito arroz, e gente que ama muito pão. Acho que os dois têm seu valor.
Voltando ao assunto.
— Aliás, aqui também tem líquido de Éter guardado, né? Entrega isso pra Rosetta, na "Oficina", e pra Monica, no "Hangar".
— Entendido, iSS.
A Paruche operou o monólito, e nove cubos subiram do chão. Conferindo o conteúdo, como sempre, aquele líquido fácil de confundir com refrigerante de melão estava cheio, guardado em recipientes tipo garrafa PET de 500ml.
Nove mini-robôs colocaram isso na cabeça e saíram do "Depósito" andando, "tote-tote".
— Paruche, essas riscadas na lista, o que significa…
— Ah, são os itens que caíram, iSS.
A Paruche murmurou, murcha, os ombros caídos. Tem a "Pulseira de Absorção de Magia" e a "Pulseira de Barreira" na lista, mas a "Joia da Imortalidade" não tá.
…Não pode ser, será que esse "Olho do Morto" é isso? Sendo nome diferente, talvez seja porque quem achou botou o nome do próprio jeito.
Aliás, se não me engano, aquela pulseira tinha algo gravado por dentro. Deve ser o nome do item mesmo.
— Quer dizer que essa "Espada da Cura" aqui é a Espada Sagrada Lestia. A Ripple deve ser a "Moldura da Vida".
Fora esses, ainda tem alguns itens desaparecidos. Bom, procurar isso agora dá muito trabalho. Se já virou propriedade de alguém, deve ser algo de valor considerável, e não é como se, pedindo pra devolver, fossem devolver mesmo.
Aliás, nem tem como procurar direito. Mesmo sabendo só o nome, minha magia de busca não localiza coisa que nunca vi, ou que não dá pra reconhecer de cara. E, infelizmente, a lista não vem com foto anexada.
《Amo》
《Hm? Kohaku? O que foi?》
De repente, chegou um recado telepático do Kohaku, no castelo. Aconteceu alguma coisa?
《Recebi um relato de que há um Frame Gear vermelho parado na planície oeste do castelo.》
《Frame Gear vermelho?》
Ué, ah, será o Cavaleiro Dragão do Ende? Por que ele tá justamente aí?
Confirmei o local no mapa e teletransportei com [Gate], e, bem no meio da planície, o Cavaleiro Dragão estava parado sozinho, com o Ende deitado no ombro dele.
— Ende!
— Ah, Touya. Quanto tempo. Achei que, esperando aqui, você viria até mim.
Com o cachecol comprido balançando ao vento, o Ende desceu do ombro do Cavaleiro Dragão até o chão. Continua tão ágil como sempre, esse cara.
— Afinal, por que você tá aqui?
— Ah, é que o Cavaleiro Dragão parou de funcionar do nada. Achei que o Touya conseguiria consertar.
Parou de funcionar? …Ah, será que acabou o líquido de Éter. Aguentou um bocado de tempo, hein. Normalmente, mesmo sem usar, deveria parar de funcionar em um mês. O líquido de Éter deveria ir perdendo o efeito aos poucos, tipo refrigerante perdendo o gás.
Será que ele guardou dentro daquele estojo estranho que ele tem? Se aquilo tiver um efeito parecido com meu [Storage], talvez o tempo pare dentro dele.
— Hmm, já que é assim, vou aproveitar e reformar pra não precisar mais de líquido de Éter. Já que dá trabalho ficar vindo aqui toda hora…
— Se puder fazer isso, agradeço demais.
— Vai levar uns três dias, tudo bem?
— Sem problema. Nesse meio tempo, vou dar uma volta por esse país.
Não queria que ele ficasse circulando livremente por aí assim. Bom, parece que ele tá exterminando Phrase, então, como colaborador, é um cara confiável, mas fico preocupado se ele entrar na masmorra e explorar tudo até o fundo. Seria puro prejuízo pro nosso negócio.
— Se consertar em três dias, já ajuda bastante. Sinceramente, lutar com o corpo desprotegido contra a espécie superior é bem chato.
— …………………O quê?
O que ele disse agora mesmo? Espécie superior? Vai aparecer espécie superior de Phrase?
— Ei… espécie superior, é…
— Encontrei por acaso uma distorção espacial. Pelo jeito que tá, deve ser daqui a uma semana a dez dias. Acho que a quantidade que vai aparecer é menor que da última vez.
Não, não, não! Pouco ou muito, o problema não é esse! O problema é que uma espécie superior vai aparecer! É um monstro capaz de destruir uma cidade inteira, viu!?
— Pe-pera aí! Onde você viu essa distorção!?
— Hã? Deixa eu ver, a leste daqui… ah, tem mapa?
Projetei rapidamente o mapa no ar, e o Ende apontou um ponto específico.
— É aqui. Talvez desvie um pouco, mas acho que com certeza vai aparecer. Se tem conhecido por perto, acho melhor evacuar logo.
O lugar que o Ende apontou. Por sorte — ou melhor, não tenho conhecido ali.
— A Federação de Lodmea, hein…

A leste do Império de Regulus, um estado confederado formado por sete províncias. O ponto que o Ende apontou ficava um pouco afastado da província central.
Isso é ruim, hein… Mesmo estando longe da capital, se a espécie superior que aparecer for tipo aquele jacaré de outro dia. Se ele disparar aquele canhão de partículas ou lá o que era, não sobra nada…
Realmente ruim. Com certeza vai causar dano. Preciso, de algum jeito, evacuar os moradores próximos e minimizar o estrago antes de derrotar essa coisa, mas o território é de outro país.
Não sei se, mesmo avisando, vão realmente aceitar levar a sério. É mais provável que não acreditem. Depois do caso de Eurono, quero acreditar que não vão descartar completamente, mas…
— …Vai aparecer mesmo, com certeza?
— Vai aparecer com certeza, sim.
Ele afirmou categoricamente. Droga, é que tudo que esse cara diz sempre acaba acertando mesmo.
Por ora, não tem jeito, vou ter que conversar com o governante de Lodmea — não, se não me engano, naquele país chamam de "Governador-Geral de Todas as Províncias"? Preciso conseguir que me ouçam.
Se pedir pro Imperador de Regulus intermediar… ah, espera, se não me engano, Lodmea e Regulus não têm relação muito boa entre si, né?
Se for assim… só resta pedir pro ex-rei de Lestia, com boas conexões, ou pra Relisha-san, mestra da guilda.
Se for falar primeiro com alguém, deve ser com a Relisha-san mesmo. Lodmea também tem Guilda de Aventureiros. Talvez dê pra evacuar antes de sofrer dano devastador, como aconteceu em Eurono.
Se, através dela, espalhar informação também pros aventureiros, talvez alguns deles decidam evacuar também.
Se é assim, é melhor me apressar. Enviei o Cavaleiro Dragão com [Gate] pra "Oficina", e segui em direção à guilda, onde a Relisha-san está.