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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 198

A Caverna da Ruína e o Talento Desastrado

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Capítulo 198 – A Caverna da Ruína e o Talento Desastrado

A vila de Piton ficava discreta, no sudoeste de Regulus, numa região montanhosa mais próxima de Belfast. Uma vila do interior, com clima bem bucólico.

Achando que apareceria pra chamar atenção se algum morador me visse, pousei na floresta próxima e fiz uma busca por "caverna" no smartphone. Logo veio uma resposta, num ponto um pouco afastado da vila.

— Mais perto do que eu esperava. Bom, faz sentido, já que era ponto de brincadeira de criança.

A caverna ficava na encosta de uma montanha, nos arredores da vila. De fato, é pequena. A entrada dá só pra uma pessoa passar. Parecia um buraco de acesso lateral, mas, ao entrar, era mais espaçoso do que imaginei.

Ou melhor, isso aqui parece ser uma ruína dentro da montanha que ganhou uma abertura lateral acidental. Provavelmente vários corredores ficaram bloqueados por terra e pedra, e acabou virando esse formato.

Avançando um pouco, um morcego gigante atacou, mas revidei sem dificuldade. Hmm, será que esse é um nível justo pra criança enfrentar? Claro, sem uma habilidade razoável com arco ou magia, deve dar trabalho pra derrubar, mas não parece algo que causaria ferimento grave.

Seguindo reto, por fim, apareceu um cubo negro. Uns 7 metros de lado. Toquei na superfície fria, tipo mármore. Sem dúvida. É uma ruína de Babylon.

— Certo, então… deve ter algum tipo de interruptor pra entrar em algum lugar…

Examinei o cubo por completo. Mas não encontrei nada parecido em lugar nenhum. Diferente do caso da Monica, também não tinha sulco nenhum… Como assim isso?

Achando que talvez existisse uma parede que se atravessa ao tocar em algum ponto específico, apalpei em vários locais, de lado, de cima, mas não consegui atravessar em lugar nenhum.

— Hmm… como assim isso, afinal…

Podia simplesmente transformar com [Modeling] e abrir um buraco. …Não, isso parece meio que admitir derrota. Queria encontrar isso pela própria capacidade, se possível…

Continuei examinando de todo jeito, mas não encontrei nada parecido com entrada.

— Hmm, como assim isso, hein? Frente, trás, esquerda, direita, até em cima… ah.

Não pode ser. Embaixo?

Meio incrédulo, usei magia de Terra pra cavar o chão ao redor, fino e fundo, sem deixar o cubo cair, e me enfiei lá pra examinar a base do cubo.

…Tinha mesmo. Igual ao número 1 de um dado, um sulco circular bem no centro.

— Provavelmente, dá pra entrar por aqui…

Encostei a mão no ponto circular, e fui puxado suavemente, levantado pra dentro do cubo.

Olhando ao redor, tinha o círculo de teletransporte de sempre, cercado por seis pilares. No meio de uma luminosidade tênue, as pedras mágicas de cada elemento brilhavam.

Só que, diferente de sempre, o círculo de teletransporte não fica no chão, e sim numa parede lateral. Os pilares com as pedras mágicas também se estendiam de lado, não de baixo pra cima.

— Pera aí. Isso significa que, originalmente, esse lado devia ser o chão? Se fosse assim, daria pra entrar direto de lado.

Ao instalar esse cubo, acho que claramente cometeram um erro. Não faz sentido a entrada ficar embaixo do chão. Falando em dado, o correto seria a face "1" ficar de lado, e a face "2" embaixo. Mas, por erro, a face "1" (entrada) acabou embaixo, e a face "2" ficou de lado. Claro que não dava pra entrar assim.

— Sério, alguém precisa instalar isso direito, viu…

Resmungando, flutuei com [Fly] e fui canalizando energia mágica nas pedras, na ordem. Depois de liberar todos os seis atributos, fiquei de pé na lateral da parede onde estava o círculo de teletransporte. Que sensação estranha. Nem sou ninja pra ficar de pé na parede assim. Técnica ninja: Postura na Parede. Brincadeirinha.

Canalizei energia mágica de atributo Nulo no círculo de teletransporte, ativando-o. Por fim, envolto num redemoinho de luz ofuscante, o teletransporte se completou sem problemas.

— Bem-vindo à Babylon, hawaa!?

— Uguu!?

Assim que o teletransporte terminou e o jorro de luz se dissipou, levei uma cabeçada na barriga do nada. Ugh, ataque de surpresa dói pra caramba!

Parece que alguém — quer dizer, a administradora daqui, com certeza — veio correndo pra me receber, tropeçou no ímpeto, e acabou se chocando comigo.

— Uauau, desculpa, foi mal, iSS! Tava indo te receber e acabei tropeçando, uSS!

— Tá bom, tá bom, já entendi, só sai de cima primeiro!

Eu e a garota que se chocou comigo tínhamos caído no chão, numa posição que parecia claramente eu tendo sido derrubado por baixo dela. Isso é meio constrangedor. E, ainda por cima, essa garota, mesmo não sendo tanto quanto a Flora, tem bastante volume ali, o que só piora a vergonha.

— Já vou sair, isS. Ei, ei, opa!

— O que você tá… !

A garota se levantou apressada, cambaleou, e o pé direito dela, com todo o peso do corpo, pisou em cheio bem na minha virilha!

— OGUOOAAAH!?

Ah… aaah, kuh, kuh…! Kuh…!

Convulsão total. O que mais eu poderia fazer além de rolar no chão, encolhido? Esse foi o dano mais forte que já levei desde que cheguei nesse mundo…!

Isso dói bem mais do que um golpe de Phrase…! Se-será que magia de cura faz efeito nisso…? N-não, n-nesse caso, seria [Refresh]? Uaaa, não dá, não consigo concentrar energia mágica…! Dói, dói demais.

— Ahn… você tá bem?

— N-não… tem, jeito, de tar…

Aguentando a dor subindo pelo abdômen, batia o punho no chão repetidamente. Suor frio escorrendo sem parar, respiração descompassada. Sinceramente… que dor… Eu… sou impotente…

Por fim, a onda de dor foi passando aos poucos, e, cambaleante, me levantei. A garota fez, em resposta, uma pose de continência bem firme. Altura um pouco menor que a Shesca. Com um sorriso cheio de energia, abriu a boca.

— Então, formalmente, seja bem-vindo à "Depósito" de Babylon! Sou o terminal que administra este "Depósito", "Riruru Paruche", isS. Pode me chamar de "Paruche", isS.

— ENTÃO É VOCÊ!!

— Fuweeeeeee!?

Então é você a administradora do "Depósito"!! A responsável por deixar cair a "Joia da Imortalidade", causando a raiz da queda dos Takeda. A que deixou cair a "Pulseira de Absorção de Magia" e a "Pulseira de Barreira", causando o motim no império.

Segundo todas as outras Babylon Numbers, ela é extremamente desastrada, mas agora vivi isso na própria pele!!

— Senta aí um instante! Vou te dar um sermão!

— Q-que isS!? Que iSS!? Por que eu tô sendo repreendida!?

Causar tanto transtorno assim e nem perceber. Preciso explicar bem direitinho pra ela entender.

Contei então, com toda a calma, todos os problemas que os artefatos que a Paruche deixou cair causaram a várias pessoas. Especialmente, com muito detalhe, o quanto eu mesmo fui arrastado nisso.

— Já se arrependeu?

— iSS… Peço desculpas. Nunca imaginei que fosse virar algo assim.

A Paruche baixou os ombros, murcha. Os olhos abaixados, o cabelo cinza preso em rabo de cavalo balançando de leve. Será que fui um pouco duro demais?

— Bom, enfim, tome cuidado daqui pra frente. Todo mundo de Babylon tava preocupado, achando que talvez o "Depósito" tivesse caído em algum lugar, sabia?

— Hmm? Então existem outras Babylon também, além de mim, isS?

— Fora o "Laboratório". Ah, desculpa a demora em me apresentar, sou Mochizuki Touya. Todo mundo de Babylon já me reconheceu como Mestre.

— Ora, ora. Então não tenho escolha a não ser te reconhecer como compatível também, isS. Entendido. A partir de agora, a unidade número 26, nome individual "Riruru Paruche", é transferida a você. Conto com sua colaboração, Mestre.

De novo animada, a Paruche se levantou e fez a pose de continência firme. Que troca de humor rápida, hein. Será que se arrependeu de verdade mesmo?

Direto depois, a Paruche se aproximou de mim e aproximou os lábios. Ah, isso de novo, né…

Já sendo a oitava vez, nem tenho mais vontade de resistir. De qualquer jeito, teria que fazer isso mesmo. Com uma sensação quase de iluminação espiritual, me entreguei, e, nesse momento, a Paruche pisou com força total no meu pé.

— Iii…! Mmh!

A língua invadiu por entre os lábios unidos, mas isso era o de menos. O pé direito! Pra compensar a diferença de altura, ela ficou na ponta dos pés, e o peso todo dela ia direto pro meu pé direito, causando dano contínuo. O dorso do pé dói pra caramba!

Será que isso é o terrível "atributo desastrado"? Mas será que isso ainda conta como "desastrado" mesmo?

— Registro concluído, isS! Memorizei o material genético do Mestre, isS. A partir de agora, a posse do "Depósito" é transferida ao Mestre! …O que foi?

A Paruche inclinou a cabeça, confusa, olhando pra mim, de novo encolhido no chão. Por que ela nem percebe!? Normalmente, dá pra sentir quando pisa em alguém desse jeito! Segurando o pé direito, rolei pelo chão. Será que preciso erguer [Shield] toda vez que ficar perto dessa garota.

— Bom, enfim, vamos, deixa eu te levar até o "Depósito". É por aqui, isS!

Sem se importar nem um pouco com a dor alheia, a Paruche saiu correndo. Ah, tropeçou. Que desastrada mesmo.

Atravessando um arbusto denso, apareceu um prédio em formato de cúpula. Não muito grande — tamanho parecido com uma casa um pouco maior que a média. Aquilo, tipo aquelas casas que os esquimós fazem com blocos de neve compactada — iglu, se não me engano. Parece bastante com aquilo.

Abrindo a porta grande e entrando, era um espaço todo branco, com alguns cubos brancos, de uns 50 centímetros de lado, espalhados pelo chão, bons pra sentar. No centro do cômodo, havia um único monólito negro em pé.

— Falando em "Depósito", eu imaginava algo mais tipo um depósito de tesouros…

— Os artefatos desenvolvidos pela doutora, coleções pessoais, dinheiro, materiais, registros diversos — tudo isso é guardado nesse subsolo aqui, isS. Uma vez, cheguei a quebrar a parede inteira, mas já foi consertado, isS.

Foi naquela hora que caíram a "Joia da Imortalidade" e várias outras coisas, então. Aah, que transtorno danado.

— É com esse dispositivo aqui que chamo as coisas do depósito subterrâneo, isS. Deixa eu ver…

A Paruche canalizou energia mágica no monólito e fez algo tipo uma operação, e um dos cubos espalhados pelo chão afundou de repente, e, no lugar, um cubo parecido subiu do chão bem na minha frente.

Olhando bem, na parte de cima do cubo, no canto superior direito, havia uma pequena inscrição. Língua Parteno antiga. Parece que é algum tipo de numeração.

A Paruche encostou a mão no cubo, e a parte de cima começou a se abrir devagar, tipo baú de tesouro. Ooh! Dentro, havia um monte de moedas de ouro empilhadas.

— Essa caixa só pode ser aberta por mim ou pelo Mestre, isS. Mesmo que a doutora Babylon estivesse presente, ela não conseguiria abrir, isS.

Entendi, então ela transferiu a chave desse baú de tesouro pra mim. Quer dizer que isso tudo agora é meu… Bom, imagino que possa usar como bem entender.

Tirei uma moeda de ouro de dentro da caixa. Um formato que nunca vi… não, já vi uma vez. Parece com a moeda de prata que o Ende tinha na primeira vez que o conheci. Quer dizer que essa é moeda de ouro Parteno.

Pensando bem, é óbvio mesmo. Esse "Depósito" em si já tem 5000 anos.

Esse dinheiro não deve dar pra usar assim, hein. Melhor derreter e usar como ouro puro… Se levar num antiquário, brilha tanto que ninguém acreditaria que é de 5000 anos atrás. Vão achar que é falsificação.

— Ah, é verdade. Tem planta de Frame Gear de nova geração aqui?

— Planta de Frame Gear, isS? Tem sim. Deixa eu ver…

A Paruche operou o monólito de novo, e a caixa com as moedas de ouro afundou no chão, e outra caixa subiu no lugar. Como as duas são igualmente brancas, não dá pra distinguir.

Igual a Paruche fez antes, encostei a mão na caixa, e a tampa de cima se abriu devagar. Olhei o conteúdo… e devagar fechei a tampa de novo.

— Paruche… isso, é diferente. Tá errado. Guarda de volta. Rápido.

— Hã? Ah, é verdade mesmo, isS. Errei o número, isS.

A Paruche operou o monólito, e a caixa diante de mim afundou e sumiu. Como talvez meu rosto tivesse ficado vermelho, virei de costas pra ela.

Ué, o conteúdo da caixa? Era só um brinquedo, viu. …Pra adulto… Aah, não quero nem lembrar, aquela doutora…

Quando a caixa subiu de novo, abri do mesmo jeito, e, dessa vez, dentro tinha vários tubos. Abri um deles, tipo um estojo de diploma, e conferi o conteúdo.

De fato, isso parece ser mesmo planta de projeto. Tá cheio de ilustração de várias peças e texto detalhado, apertado de canto a canto. Claro, não consigo ler. Se usar magia de tradução, deve dar pra ler, né.

Mesmo lendo, vai ser difícil demais de entender mesmo!

Mas, com isso, finalmente vai dar pra criar Frame Gear de um nível superior. Até agora, só conseguia mexer nos modelos já existentes, mas, agora, dá pra construir do zero. Quer dizer que dá pra criar modelo especializado, ou máquina personalizada individual.

Será que faço um com a parte inferior tipo tanque? Transformação deve ser impossível, né. Vou procurar na internet vários tipos diferentes de robô. Tipo blindado pesado, alta mobilidade, suporte de retaguarda, o que mais tem por aí?

Ah, não, tô ficando animado demais. Bom, não tem jeito, sou homem, afinal!


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