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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 297

O Mercado Negro e "Étoile"

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Capítulo 297 – O Mercado Negro e “Étoile”

— Mercado negro?

Que palavra sinistra demais é essa. Já dá pra imaginar mais ou menos que tipo de lugar é, mas será que tá tudo bem ir a um lugar assim?

— Não é só golem, tem de tudo, de item roubado a produto suspeito, e mercadoria proibida — é o território sagrado do comércio clandestino. Lá, dá pra conseguir praticamente qualquer coisa.

— O lugar perigoso, é porque tem alguma organização perigosa envolvida… isso?

— Exatamente isso. Quem controla o mercado negro é uma organização criminosa chamada "Borboleta Negra". Diferente de nós, esses aí fazem qualquer coisa que dê dinheiro. Um dia pretendo destruir eles… ah, é verdade, se o Touya tiver junto, dá pra destruir, né.

A Nia começa a murmurar coisa perigosa com naturalidade.

— Espera, espera, isso tá meio estranho. Não envolve cidadão de bem inocente nisso.

— Cidadão de bem inocente invade tenda de menina trocando de roupa?

Ugh. Isso não tem nada a ver…

— Bom, deixa isso de lado. Pra conseguir golem de corpo antigo, o mercado negro é o caminho mais rápido. Mesmo explorando ruína, não sei se acha.

Se tivesse tempo, explorar ruína também seria opção… mas, dessa vez, não tem jeito, vou ter que desistir disso.

E, sendo mercado negro, talvez tenha algo raro pra conseguir também.

— Comprando normalmente, não tem perigo nenhum, viu. "Não perguntar a origem". Só respeitando isso, tá tudo bem.

A Yuri explica complementando. Faz sentido, sendo item roubado e tal, se ficar investigando, vai levantar suspeita mesmo. Na pior das hipóteses, posso acabar sendo alvo dessa tal "Borboleta Negra".

— Entendido. Me leva até esse lugar. Aviso desde já, não pretendo destruir essa organização, viu?

— Ché. Bom, tudo bem. A gente também queria fazer um reconhecimento do inimigo. Quando a Rouge voltar… ah, voltou.

A Nia olha em direção ao forte. De lá, vejo uma pequena máquina caminhando em nossa direção.

Formato tipo chama ardente, corpo vermelho intenso. Parece um cavaleiro de armadura completa, mas o tamanho é só de uma criança. Mesmo assim, o que carregava no ombro era um javali gigante do tamanho de um carro.

Diferente da aparência, deve ter uma força considerável. Esse pequeno golem largou o javali gigante no chão com um "dosa".

— Bem-vinda de volta. Onde você foi, hein?

— «Lado norte, fundo da floresta. Deu trabalho.»

— Fala, hein…

Parecia som de voz mecânica, mas, sem dúvida, esse golem vermelho falou agora. O golem tipo lobo que encontrei antes… Fenrir, se não me engano. Não era tão fluente quanto ele, ou as Babylon Sisters de casa, mas.

— Rouge, esse é o Touya. É quem me deu o material necessário pro seu conserto. E, Touya, essa é a Rouge, minha parceira. Precisamente, "Blood Rouge", mas, como é comprido, chamo só de Rouge.

— «Ouvi falar. Agradeço.»

— Ah, não… imagina…

O golem vermelho curva levemente a cabeça. Fico meio sem jeito. Golem estranhamente humano, hein. O golem da vice-líder Esto… Akagane, se não me engano. Aquele tinha mais jeitão de "robô" mesmo.

Se não me engano, essa aqui é da Série Coroa, chamada "王冠" ("Coroa")?

Corpo antigo com capacidade especial excepcional, dizem ser o topo de linha dos golems deste mundo… não parece tanto assim, mas.

— Rouge, agora vamos até o "mercado negro". Vem comigo.

— «Entendido, Mestra.»

Diante da fala da Nia, a Rouge assente levemente. De algum jeito, parece uma irmã mais velha dando ordem pro irmão mais novo. Na prática, o "irmãozinho" deve ser bem mais velho, mas.

— E, onde fica o lugar?

Operando o smartphone, projeto no ar o mapa deste mundo.

— Aqui é o forte, localização atual. O mercado negro acontece na cidade de Goldos, ao sul daqui. Goldos é aquela cidade chamada de "Cidade dos Cassinos"…

— Espera aí. É aquela cidade toda brilhante de neon?

— Conhece?

Aquela cidade, é. Antes, me separei da Nia e do pessoal e passei por lá antes de voltar pro mundo original. A cidade dos cassinos. Se chama Goldos, hein.

Foi lá que perdi tudo, ficando completamente sem nada…

— Quem controla essa cidade é a "Borboleta Negra"?

— Não, o mercado negro muda de local todo mês. Dessa vez é Goldos, mas não é que a Borboleta Negra controle Goldos. Bom, devem ter colaboradores lá.

Mudar de local todo mês deve ser pra enganar a vigilância do país. Mas como sabem tanto assim sobre isso, hein.

— Nesse ramo, cobra conhece cobra mesmo. Existe até rota de compra desse tipo de informação, viu.

Dizendo isso, a Yuri levanta o dedo indicador na frente da boca. O "Gato Vermelho" também é bandido justiceiro, mas ainda é negócio clandestino. Esse tipo de informação vira arma poderosa acima de tudo.

Deve estar dizendo, com isso, que não vazariam pra um estranho tipo eu. Bom, mesmo que eu ouvisse, não faria nada mesmo.

— Bom, já que eu já fui naquela cidade de Goldos, dá pra ir na hora… mas será que tá tudo bem mesmo a Nia e o pessoal virem também?

Enquanto hesito se seria certo a líder de um bando de bandidos ir a um lugar tão exposto assim, a Nia balança a mão, rindo alto.

— Não tem tanta gente que sabe que eu sou a líder do "Gato Vermelho", não. E, com a Rouge junto, ela protege da maioria dos perigos.

Então o "Gato Vermelho" é famoso, mas quem sabe a identidade real da líder é limitado, é isso. Bom, se der ruim, eu pretendia disfarçar com [Mirage], mas parece que não precisa se preocupar.

Mesmo assim, por precaução, aviso o destino aos membros do forte, e deixo um rato invocado por magia de invocação, pra caso precise contato de emergência.

Se tiver algo pra avisar do forte, esse rato deve conseguir me comunicar. Vendo a magia de invocação ao vivo, a Nia insistiu pra eu ensinar essa magia também, mas, ao saber que precisa atributo trevas pra aprender, ficou desanimada, ombros caídos.

Na região periférica dos cassinos, na cidade de Goldos. Até nesta cidade brilhante, existe lado sombrio. Digamos, área tipo favela. Estação final onde chegam quem teve o sonho quebrado, onde moram os perdedores.

Abrindo [Gate] num beco desse lugar, nos teletransportamos pra Goldos. Saímos direto pra rua principal, e, andando um pouco, chegamos na rua que leva pra área central.

Sendo dia, o neon não brilha, mas, mesmo sob o sol, é uma cidade chamativa mesmo.

Subindo a ladeira em direção à área central, pago a taxa de entrada ao guarda no portão que brilha dourado ofuscante.

Como já pensei da vez anterior, dá até sensação de pagar entrada de parque de diversões.

— E, onde na área central a gente vai?

Na área central, tem várias cúpulas de cassino, cada uma com dono diferente. Devem ter almas gananciosas disputando ferozmente noite após noite.

Prédios do tamanho de um pequeno estádio esportivo aparecem por todo lado. Ainda de dia, os cassinos ainda não abriram, mas onde será que abre o mercado negro?

— O local é o cassino "Goldman". Precisamente, o lugar que "era" cassino.

— Era?

— Uns meses atrás, o dono de lá foi preso por jogo ilegal e outras coisas mais. Parece que fazia escravo lutar contra golem, tipo luta de morte. A gente tava pensando em dar um castigo divino nele, mas fomos ultrapassados.

Com expressão emburrada, a Nia desvia o rosto. Achando estranha essa reação, a Yuri, ao lado, interrompe.

— Quem levou aquele dono à ruína foi um usuário de "Coroa" preto, igual à líder. Ela tá emburrada porque um rival roubou a presa dela.

— Fala demais.

Bishi! A Nia dá uma "deconpin" (tapa na testa) na Yuri. A Yuri se encolhe segurando a testa, dizendo "dói, viu". Fez um som bem alto, hein.

Coroa vermelha e Coroa preta, é. Será que a Série Coroa tem nome com cores mesmo?

— De qualquer forma, o novo dono que comprou aquela cúpula de cassino é colaborador da "Borboleta Negra".

Entendi. Abrindo o mapa, olho o mapa desta cidade. Achei que fosse complicado se já tivessem trocado o nome do cassino, mas ainda existe com o nome "Goldman".

Caminhando até a frente daquela cúpula de cassino, tinha dois golems de cor aço, de uns 3 metros, bloqueando a entrada feito porteiros. Grandes, hein. Não tanto quanto Frame Gear, mas. Formato atarracado, com jeitão retrô, mas parecem bem fortes.

Na frente deles, tinham alguns homens com jeitão de ex-aventureiro malandro.

— Cliente?

Olhando pra gente, o homem com o rosto mais malvado entre eles nos encara.

— Se veio comprar, é uma moeda de ouro por pessoa. Se veio vender, mostra a mercadoria.

— …Vim comprar. Uma moeda de ouro por pessoa, né?

Quando pergunto isso, o homem assente em silêncio. Deve ser "quer entrar, paga", mesmo.

Taxa de entrada de uns 100 mil ienes por pessoa, hein. Parece que golem não conta. Ao entrar na área central, até a parte da Rouge foi cobrada.

Tiro três moedas de ouro e entrego ao homem. Recebendo, ele indica com o queixo pra entrarmos.

Atravessando a porta grande, passamos por um saguão sem decoração nenhuma. Dentro dessa cúpula de cassino, parece que todo tipo de enfeite foi retirado. Já entrei em outro cassino antes, e aquele era todo brilhante.

Mas aqui não tinha nada de mesa de roleta ou pôquer, balcão de bar, lustre grande, nada disso — dentro da cúpula ampla, só tinha vários estabelecimentos variados espalhados.

Barraquinhas pequenas parecidas com tenda, tipo feira de rua, mas os donos suspeitos demais, e os clientes suspeitos demais. Um mundo tipo caótico se estendia ali.

— Parece feira de pulgas ou mercado de antiguidades, hein…

Tem várias coisas à venda — peça mecânica desconhecida, joias, vaso caro, até animal nunca visto. Só de olhar já é divertido, e acabo olhando ao redor, curioso.

Opa, não posso esquecer o objetivo.

Mas, mesmo olhando ao redor, não vejo nada parecido com golem. Como assim?

— Nesse tipo de mercado negro, golem e mercadoria de alto valor ficam em outro lugar. A Yuri já foi perguntar, então espera.

Pouco depois, a Yuri volta. Parece que golem e mercadoria de alto preço são negociados no subsolo.

Na frente de uma porta pesada revestida de couro preto, de novo tinha um segurança malandro esperando. E, de novo, cobram dinheiro. Ei…

Já tô ficando irritado, mas não adianta contrariar. Pago o dinheiro dos três, como pedido, e coloco o pé na rampa que desce pro subsolo.

Descendo por uma curva suave, na frente tem um local em formato de anfiteatro, onde vários golems diferentes estão expostos. Do grande ao pequeno, do tipo humanoide ao tipo animal, até formatos que nem dá pra saber se são golem.

Que visão espetacular, tantos alinhados assim. Parece uma exposição de alguma coisa.

— Vamos.

— Ah, sim.

Guiado pela Nia e o pessoal, descemos até o local em formato de anfiteatro. Caminhando entre vários golems e clientes, vou confirmando um por um o que chama atenção.

— Não faço a mínima ideia de qual é corpo antigo e qual é de fábrica…

— Se acostumar, dá pra saber pelo design e peças usadas. Por ora, olha o preço. Se for muito mais caro que os outros, geralmente é corpo antigo mesmo. Bom, às vezes tem "sob encomenda", produto moderno superluxuoso.

Corpo antigo escavado de ruína é chamado "Legacy".

Produzido em massa de fábrica é "Ready-Made".

Feito sob medida por técnico de golem é "Order-Made", é.

A Rouge aqui deve ser "Legacy", e o caranguibus da loja do Senhor Sancho deve ser "Ready-Made".

De fato, olhando os preços, alguns têm ordem de grandeza bem diferente dos outros. Só que, embaixo do preço, na maioria tá escrito "sem habilidade".

Faz sentido, então, máquina com habilidade, o chamado "Golem Skill", não é algo tão fácil de achar assim.

— Ah.

Entre eles, um não tinha essa descrição de "sem habilidade".

Golem de uns 2 metros, braços grandes e longos, formato tipo gorila, verde-escuro. Nas costas, carrega algo tipo tanque.

— Com licença. Essa máquina é "com habilidade"?

— Sim mesmo. Dentro de um alcance limitado, consegue transformar o terreno.

Hee. Deve ser útil pra obra de construção civil. Mas o preço, 500 milhões, é absurdo demais de acreditar. Colocando aqui assim, não corre risco de roubarem? Não, sendo mercado negro, talvez já tenha sido roubado desde o início mesmo.

Deve ter segurança rigorosa da "Borboleta Negra", mas quem sabe. Sem falar demais, mas se eu quisesse, roubava tudo aqui. Mas não vou roubar, claro.

— Ei, Touya. E esse aqui, o que acha?

— Hm? Qual, qual?

O que a Nia aponta era uma máquina mais tipo armadura motorizada do que golem. Feita de peças pra encaixar em pernas, braços, e costas. Isso também é classificado como golem?

— Esse aqui se chama tipo vestível. Mesmo assim, tem vontade própria, sabia. Se move conforme a vontade do contratante e ajuda.

De fato, parece interessante, mas o que procuro é do tipo autônomo mesmo.

— Touya-san, esse aqui, o que acha?

Na frente da loja onde a Yuri me levou, tinham várias caixas resistentes montadas. E, dentro delas, golems expostos, pequeninos.

Tamanho pequeno. Do mesmo tamanho da Rouge, tamanho de criança. Corpo de base branca, com formato meio feminino. No total, três, cada uma com peças de cor fluorescente vermelha, azul e verde embutidas em vários pontos do corpo. A peça fluorescente da cabeça até parece penteado. Detalhe caprichado, hein.

— Tipo humanoide? Que raro, hein.

A Nia murmura comparando os três corpos antigos. De fato, comparado à Rouge com jeitão de armadura, ou o golem tipo gorila com exoesqueleto de agora há pouco, esses parecem feitos imitando humano mesmo.

Só que, em casa, já tenho as meninas-robô praticamente indistinguíveis de humano, então não fico tão surpreso assim. Esses aqui ainda têm um jeitão de "boneca" mesmo.

— Esse também é "com habilidade"?

— Com habilidade, garanto. Mas, qual habilidade, não sei. Não consigo nem ativar mesmo.

Ouvindo a explicação do dono falando de forma truncada, parece que o dispositivo de registro de mestre, normalmente no peito, não funciona. Até levou a um técnico de golem, mas foi desistido, e acabou vendendo assim.

— Por isso, deixo barato. Cliente compra, sim?

O dono gordo fala esfregando as mãos. Hmm. Mesmo dizendo barato, é 70 moedas de ouro real, 700 milhões de ienes, né? Achando que o valor tá estranho.

Aquele tipo gorila de agora há pouco, com habilidade confirmada, custava 500 milhões. Como assim esse custa mais? Aquele lá parece mais forte e resistente.

— Isso não tem jeito. Olha aqui, olha.

O dono aponta pro peito do golem dentro da caixa. Lá, tinha gravado pequeno o símbolo de uma estrela, e algo tipo letra e número.

— Brasão de estrela… Série "Étoile", é? Faz sentido mesmo.

— Entendi mesmo.

Ouvindo isso, a Nia e a Yuri assentem, convencidas. A Yuri explica pra mim, que não entendia nada: a Série "Étoile" é o nome dado aos golems gravados com esse símbolo de estrela, e são considerados entre os melhores até entre os corpos antigos.

Deve ser tipo marca de fabricante do mesmo criador, provavelmente.

Soube depois que, escondido pela armadura e difícil de ver, a Rouge também tem gravado no pescoço um símbolo de coroa. Isso deve ser justamente a marca da Série "Coroa".

— É autêntico?

— No mercado negro, ninguém apresenta falsificação, viu. Vira banido, ou, se der ruim, some do mapa.

Entendi. Se for a Série "Étoile" mesmo, autêntica, mesmo sem saber a habilidade, já vale esse preço.

— E, cliente, o que decide? Compra? Não compra? Normalmente "Étoile" não é tão barato assim, viu?

— Hmm…

Sinceramente, prefiro algo mais robusto, tipo robô-guardião de portão, mas isso também parece combinar bem pra ficar tomando conta da casa.

Provavelmente, a Doutora deve conseguir analisar de vários jeitos, e talvez consiga ativar. Mesmo que não dê, deve pensar em outro método. Se é assim… isso também serve.

— Certo. Vou comprar. Mas, antes disso, dá uma olhada nisso aqui.

Tiro do [Storage] um lingote de adamantita, e mostro ao dono de fala estranha. O dono fica olhando por um tempo, mas, eventualmente, arregala os olhos e vira o rosto na minha direção.

— I-isso, metal divino!? De onde, afinal…!?

— Perguntar a origem aqui é contra as regras, né? Com isso e mais 130 moedas de ouro real, quero comprar as três máquinas.

— As três!? Nnh… uuh…

O dono fica pensativo diante da adamantita. Na verdade, tinha 150 moedas de ouro real, mas diminuiu com taxa de entrada e outras coisas. Espero que ele aceite com esse valor. Podia pagar tudo em adamantita, mas isso levantaria suspeita demais mesmo.

Mesmo sendo Série "Étoile", um golem que não ativa, contra um metal especial raro até por aqui. Na cabeça dele, a balança do comércio deve estar oscilando.

Eventualmente, o dono abre um sorriso satisfeito e fala.

— Entendido. Fecho negócio com esse metal divino e 130 moedas de ouro real. Vendo todas.

— Negócio fechado.

Entrego 130 moedas de ouro ao dono, e compro os três golems. Comprei os três não só por serem reserva pra emergência, mas também porque, alinhados assim, pareciam irmãs, e não tive coragem de separar.

Guardo os três, caixa e tudo, no [Storage], e o dono, vendo isso, fica congelado, mas decido não me importar.

— Mesmo sendo "Étoile", precisava dos três?

— Hmm. Não sei, mas melhor ter do que não ter. Não sei quando vou conseguir de novo.

Respondo casualmente à Nia. De qualquer forma, com isso, um objetivo já foi cumprido. Falta procurar um lugar pra instalar o portão dimensional. Será que desenvolvo alguma ilha desabitada pequena?

Enquanto pensava nisso, ouço de algum lugar um grito vago.

— …Foi isso agora?

— Hm? O que foi?

Diante de mim, que parei de repente, a Nia fala comigo.

De novo. Um grito, misturado com o barulho da multidão aqui, vem de longe. Não é só um. Vários.

De relance, olho pro lado, e a Rouge também tinha parado do mesmo jeito, olhando fixamente pro teto. De cima!

Alguma coisa tá acontecendo no andar de cima.

— …♪…♪…

Que isso? Depois de um tempo, achando que os gritos tinham parado, dessa vez ouço uma canção alegre.

No instante seguinte, a porta pesada revestida de couro que leva pra cima é cortada exatamente ao meio, e cai no chão com um "gotoon!".

Passando por essa abertura, da escuridão do corredor, vem uma canção ainda mais nítida que antes.

— …Do cadafalso, uma risada alegre♪ A boneca que ergueu a faca arranca o olho do gato♪

— Essa voz é…!

A Nia mostra alerta claro, encarando fixamente o fundo da porta cortada.

Eventualmente, pisando sobre os destroços da porta, surge uma garota.

Vestido gótico com babados roxos, e, embaixo, saia em camadas curta. E ainda por cima, segura uma sombrinha pequena, também roxa. A garota usava óculos finos, mas, atrás deles, os olhos violeta-escuros pareciam não ter luz nenhuma.

Cabelo longo cor de ametista, cortado reto, feito boneca japonesa Ichimatsu. À primeira vista, dá impressão de fofura, mas isso era completamente arruinado pelo sangue espirrado por todo o corpo.

Mais que tudo, o que chama atenção é o pequeno golem roxo, com jeitão de ceifador da morte, carregando uma foice comprida, em pé ao lado da garota. O clima e as características dele são muito parecidos com o golem vermelho ao meu lado.

— Ei, não me diga que aquilo é…

— Aquele golem é a "Coroa" roxa, Fanatic Viola. E aquela ali é…!

— Luna Trieste… a "Dama Enlouquecida".

Enlouquecida…? Enquanto fico desconfiado com essa palavra, na frente da entrada, a garota gira a sombrinha, e começa a girar o próprio corpo também.

— Me dá, por favor. Me dá, por favor. Seus olhos, me dá, por favor♪ Em troca, um presente de sono eterno tranquilo♪

Cantarolando essa canção, a garota coberta de sangue rodopiava. E, virando o olhar em nossa direção, no local, sorrindo, continua cantando.

— Seu coração, me dá, por favor♪


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