Capítulo 308 – O Lámen Gelado e o Espírito da Areia
— «O local é o Reino de Sandra… não, a região central da região de Sandra, o deserto de Parin. Quantidade estimada: mais de 10 mil. Deve ser aparição de Phrase em escala parecida com a grande invasão que aconteceu em Eurono.»
— Tempo até o surgimento?
— «Menos de um dia.»
Diante da ligação da mestra da guilda, a Relisha-san, estalo a língua internamente. Chegando nesse ponto, uma grande invasão de Phrase, francamente.
O único alívio é a área de surgimento ser bem no meio do deserto. Até a cidade mais próxima, Draga, fica centenas de quilômetros de distância.
Sandra continua em confusão desde que libertei os escravos. Basicamente, agricultor e artesão comum, que nunca tiveram escravo, não sofreram tanto impacto assim. Parece que muitos dos ex-escravos que ficaram em Sandra também estão sendo contratados por comerciantes decentes, com salário devido.
O problema são os nobres e grandes comerciantes que abusavam de escravos, forçando trabalho cruel.
Com medo de vingança dos ex-escravos libertados, esses fugiram de Sandra, sumindo com as próprias riquezas. Como até os guardas encarregados de protegê-los eram escravos, teve mais gente querendo desabafar rancor do que gente disposta a proteger esses nobres.
Como resultado, sem ninguém governando a cidade ou vila, cada lugar virou tipo autônomo. Parece que até tem lugar onde ex-escravos estão desenvolvendo vila própria.
Claro, nem todo nobre era assim, alguns senhores feudais locais eram até gentis com os escravos. Talvez seja porque, em região remota sem tanto dinheiro, não dava pra ficar gastando escravos à toa mesmo.
O Reino de Sandra, pro bem ou pro mal, era um reino ditatorial, então já era praticamente isolado, e a autossuficiência alimentar em si não era ruim. Ainda hoje, não parece estar tão ruim assim.
Sandra tem a maior parte do território como deserto, mas o resto é região agrícola próspera — uma região meio paradoxal. Será que isso também é obra da bênção dos espíritos?
Minha avaliação em Sandra tá dividida exatamente ao meio. Considerado herói que libertou escravos de um lado, e considerado demônio que destruiu Sandra do outro.
Esse tipo de história sempre ganha detalhe extra com o tempo, e até a destruição da capital de Astal, devorada pelo deus maligno, virou obra minha. Não, de fato eu incendiei, mas foi cremação.
Mesmo assim, ainda é melhor que Eurono. Lá, até hoje suspeitam que a aparição de Phrase foi encenação minha. Por que raios eu faria tanto trabalho assim repetidamente, francamente.
De qualquer forma, é emergência. Preciso pedir cooperação urgente aos reis da Aliança Mundial. Abro apressado o app de contatos do smartphone.
Numa fileira em pleno deserto, 412 Frame Gears. A discriminação é:
Reino de Belfast Império de Lifris Reino de Misumido Império de Regulus Teocracia de Ramish Federação de Lodmea Reino de Riinie Reino de Paruhu Reino de Cavaleiros de Lestia Reino Demoníaco de Zenoas Reino Mágico de Felsen
De cada país, 3 Cavaleiros Negros e 27 Cavaleiros Pesados, totalizando 30 por país.
E nosso Principado de Brunhild traz 9 máquinas exclusivas, os 3 comandantes (Cavaleiro Branco, Cavaleiro Negro, Cavaleiro Azul) e 70 Cavaleiros Pesados.
Se aparecerem 10 mil Phrase, faz uns 24 por pessoa. Não dá pra saber antes de aparecer, mas, se for espécie inferior, não deve dar tanto trabalho pra derrotar. Se ficar isolado e cercado é que fica perigoso.
— O problema é esse calor mesmo. Exceto as máquinas exclusivas, o cockpit do Frame Gear não tem função de refrigeração. Por ora, ainda dá pra deixar a escotilha aberta, então tá razoável, mas, quando o combate começar, não vai dar mais.
— Se é assim, seria bom se aparecesse à noite…
— Isso, por outro lado, piora a visibilidade, viu.
Diante da minha fala, o Rei Cavaleiro de Lestia e o Rei de Riinie reagem. De fato, antes, quando virou combate noturno, deu trabalho mesmo. "Deu", porque, naquela vez, lutei contra o Gira e desmaiei, então não lembro bem direito.
Frame Gear tem revestimento especial, então não fica quente o suficiente pra fritar ovo, mas mesmo assim deve esquentar bastante.
— Por precaução, preparamos água e sal em abundância, então tomem cuidado com desidratação. E também, é combate em deserto incomum. Existe possibilidade de perder o equilíbrio com o pé fundo na areia, então acho melhor se movimentar um pouco antes do combate, pra se acostumar.
Existe possibilidade de ser atacado justamente ao tombar. O Frame Gear, ao sofrer dano estrutural grande, tem [Programado] a magia de teletransporte pra ejetar o piloto. Mesmo assim, se o cockpit for alvo direto, é fim de jogo.
Phrase ataca visando parar o coração humano. É bem possível que mirem no piloto.
Dentro da sala de comando temporária montada no deserto, observando o mapa aberto na mesa grande, os reis de cada país decidem o próprio posicionamento.
Dentro dessa tenda, tá [Programado] pra circular ar refrigerado, mas, saindo, é calor infernal.
— Será que vai aparecer espécie superior?
— Aquela que apagou a capital de Eurono? Se possível, prefiro que não apareça.
Observando o vídeo do deserto projetado no monitor dividido instalado na tenda, a Governadora-Geral de Lodmea e o Rei Demônio de Zenoas abrem a boca.
— Dessa vez, não deve aparecer. Por isso, basicamente devemos enfrentar inferior e médio. E, sobre o mutante…
— Aquele Phrase dourado, né?
— Sim. O poder dele é um pouco acima de Phrase comum, mas devora Phrase, absorvendo o poder e ficando mais forte. Se encontrar, melhor destruir na hora, imediatamente.
Não é certo que o mutante vá aparecer, mas melhor tomar precaução mesmo. Mais que isso, me preocupa mais se vai aparecer espécie dominante tipo o Gira de novo.
Aliás, essa tenda funciona como base de linha de frente, e, ao mesmo tempo, a porta no fundo se conecta a Brunhild, funcionando também como rota de fuga.
Atravessando essa porta, liderando o pessoal, a Lapis-san e as criadas trazem a comida de todo mundo. Almoço.
Pros pilotos de cada país, pra facilitar comer, bola de arroz, sanduíche, e cantil com água gelada; pros reis, lámen gelado.
Esse lámen gelado é originalmente prato regional de Yamagata. Sem usar gordura animal que endurece ao esfriar, com aparência normal de lámen, mas a sopa e o macarrão são frios.
Diferente do azedinho do lámen chinês frio, tem esse jeito de ficar viciante depois de comer uma vez, igual lámen normal. Eu mesmo, quando fui visitar parente em Yamagata, comi e viciei completamente.
Sopa sabor shoyu. Macarrão elástico, com presunto de galinha, ovo cozido, menma, cebolinha, naruto como cobertura. Pimenta a gosto.
— Hoo, hoo. Primeira vez que como, mas é refrescante e gostoso.
— Essa carne… tá bem macia mesmo. Delicioso.
Elogio bom dos reis também. Sinceramente, tiro o chapéu pra nossa chefe de cozinha, a Clara-san.
Os reis também, depois da reunião mensal, costumam comer aqui na nossa casa, então já se acostumaram com o uso de hashi. Bom, os recém-entrados, tipo Felsen, Zenoas, Paruhu, ainda usam garfo.
— Aliás, Príncipe de Brunhild. Dessa vez, o material de Phrase derrotado, será que dá pra dividir com a gente também?
Enquanto sorvia o lámen, o Rei de Felsen pergunta isso. Material cristal, com pureza e utilidade muito acima de pedra mágica, deve ser item precioso demais pra deixar passar pro reino mágico. Talvez pretendam usar no desenvolvimento futuro do trem mágico.
— Por precaução, ficamos com uma parte como taxa de aluguel de Frame Gear, mas o resto dividimos entre vocês.
Claro, se destruir muito o Frame Gear, tem que pagar o custo de conserto também. Custo de material pra consertar dá trabalho também. Custo de mão de obra é quase zero, já que fazemos na "Oficina", mas isso é segredo.
A Yumina e o pessoal também vêm revezando na tenda pra comer lámen. Geralmente elogiado por todo mundo também. Pros reis, dei também a receita do lámen gelado, pra fazerem em seus próprios países.
O calor lá fora vai ficando cada vez mais intenso. Além disso, feras mágicas que habitam o deserto também aparecem esporadicamente. Claro que não são páreo pro Frame Gear (só o rastejador de areia é grande e dá trabalho), e instruí pra ignorarem a menos que ataquem a gente.
Chegando nesse ponto, nasce até um sentimento estranho tipo prece, "aparece logo, por favor".
Saindo da tenda, forço a vista pra longe do deserto. …Nenhuma mudança específica. Justo na hora que não quero, aparece, mas, quando quero, não aparece.
Enquanto ia rumo ao pessoal em espera, dando um passo no deserto, senti no canto da visão algo se mover.
— …?
Sinto que tem algo a uns 3 metros de distância, no deserto. Não sinto assassinato nem hostilidade, mas tem "algo".
Por precaução, examino a área com [Olho Divino], e vejo algo tipo lodo, da mesma cor da areia, se movendo. Esse lodo tem um olho grande, e, ao perceber que eu estava olhando, para de se mexer, olhando na minha direção.
— Que negócio é esse… fera mágica…?
Como sempre, sem hostilidade nenhuma. Mesmo sendo fera mágica, não pretendo derrotar algo inofensivo, mas o que é isso, afinal? Será uma fera mágica de camuflagem, tipo camaleão? Mas só dar pra ver com [Olho Divino] é meio estranho…
Continuando a olhar fixamente com [Olho Divino], o lodo de areia, que ficava completamente imóvel, começa a tremer em pequenos espasmos. Hã?
— «Perdoa ele, por favor.»
De repente, uma voz de mulher surge, e tiro os olhos do lodo.
Ao lado do lodo, a areia se levanta, e ali surge uma mulher de pele morena e cabelo preto longo, vestindo só um pano simples. Vagamente, dá pra ver ela brilhando ao redor. Essa sensação…
— Espírito… é?
— «Sim. Sou o espírito da areia que vive neste deserto. Esse aqui é meu subordinado. Nunca vai causar dano ao senhor. Peço perdão, por favor.»
— Hã? Perdão pra quê, se eu não fiz nada?
— «Sendo encarado por poder divino tão intenso assim, até fica impossível se mexer. Poder de deus é algo absoluto pros subordinados dos espíritos.»
…Ah, é verdade, o Deus mencionou isso outro dia, no nosso festival. Que espírito segue os deuses, criando este mundo junto.
Enfraquecendo o poder divino, o lodo de areia recua devagar pra trás do espírito da areia, como se estivesse assustado. Foi mal, viu.
— «Mochizuki Touya-sama, né. Já ouvi bastante sobre o senhor.»
— Hã? De quem?
— «Do espírito do vento. Ela adora conversar, e vem espalhar até aqui.»
Então "ela", quer dizer que o espírito do vento também é mulher. Não, talvez espírito não tenha distinção de gênero.
Mesmo assim, o espírito do vento parece adorar fofoca mesmo. "Boato do vento", como se diz, é exatamente isso.
— «Aliás, o que é essa agitação toda?»
O espírito da areia inclina a cabeça, olhando os Frame Gears alinhados à distância.
Por ora, explico o que vai acontecer. Sendo espírito da areia, deve ser tipo deus da terra do deserto, então talvez não goste de alvoroço no próprio território.
— «Não precisa se preocupar tanto assim. Só fiquei curiosa.»
— Que bom. Foi mal pelo transtorno.
— «Não, imagina. Este mundo já pertence aos que vivem no plano terreno. Nós, espíritos, só observamos isso, e, se der vontade, ajudamos. Claro, tem espírito que quer interferir ativamente com humanos, e tem espírito completamente indiferente a humanos.»
O espírito da areia também parece ser mais do segundo tipo. Não muito interessada no que humano faz. Ao contrário, o espírito do vento parece ser tão interessado que chega a ser demais.
O espírito da grande árvore que conheci antes também é tipo "observar".
— «Então, boa sorte na batalha. Nos vemos de novo algum dia.»
Dizendo isso, o espírito da areia desaparece suavemente. O lodo de areia também curva a cabeça pra mim (ou pareceu que curvou), e desaparece na areia. Que jeito tranquilo, hein. Digamos, seco… será que é porque é espírito de areia mesmo?
Mas, usando [Olho Divino], dá pra captar até a figura de espírito, hein. Se usar isso, talvez consiga ver até o espírito do vento.
Forçando o olhar pro céu, dá pra ver vagamente, semitransparentes, algo tipo fadas dançando pelo céu. Aquilo… não é espírito. Subordinado do espírito do vento?
Numa altitude absurda, não sei se percebem minha presença ou não, mas continuam dançando sem parar. Bom, tanto faz.
Desativo [Olho Divino]. Aah, olho ardendo… sensação tipo olho seco. Depois vou pedir pra Flora fazer um colírio.
— Ah, achei, achei, Touya-kun.
Diante da voz, viro pra trás, e ali estavam a irmã Moroha e a irmã Karina. Sem eu perceber quando… ah, vieram pela porta conectada a Brunhild. Não me diga… não, com certeza é isso mesmo.
— …Por acaso, pretendem participar do combate?
— Claro.
— Óbvio, ora.
— É assim, então.
Perguntar já foi em vão. Nossa deusa da espada e deusa da caça estão cheias de disposição. Mesmo sem usar poder divino, se corpo comum, ainda por cima com um golpe só, derrotarem Phrase, a existência do Frame Gear perde o sentido. Bom, isso vale pra mim também, mas…
— Ou melhor, a irmã Moroha ainda vá lá, mas a irmã Karina vai enfrentar Phrase com arco e flecha?
— Não me subestima, hein. Não uso só arco. Lança, facão, adaga até arma de fogo, sei usar bem qualquer arma de caçada. Bom, não chego ao nível de quem se especializa, tipo deusa da espada.
Sério? Ah, é verdade, antes ela abateu peixe com arpão.
— Sendo assim, me dá alguma arma aí.
— Direto ao ponto assim, hein…
Não adianta resistir, então tiro material cristal do [Storage] e faço, conforme o pedido, uma lança enorme. Só o comprimento da lâmina já é do tamanho de uma espada comum, é tipo espadão com cabo longo.
E ainda por cima, mesmo reduzindo bem pouco com magia de peso, o peso continua sendo algo impossível de uma pessoa só manejar. Dizem que precisa de certo peso pra ser útil em combate, mas, vendo ela balançar isso com facilidade, "bun bun", começo a achar que não importa se é leve ou pesado. Bom, pra esmagar, quanto mais pesado, melhor mesmo.
— Lutar selando o poder divino também é bem interessante, sabe. No Mundo dos Deuses, não dá muito pra lutar abertamente assim.
— Não parece nem um pouco selado, viu.
— Até humano deste mundo, se dominar bem, consegue esse tipo de proeza, sabia? A espécie humana ainda não domina totalmente o próprio potencial original.
— Se dominar, hein…
Fico em dúvida se devo admirar ou ficar decepcionado. O "domínio" que as irmãs falam, será que não é justamente "deixar de ser humano"?
Vendo essas pessoas, chego a ter a ilusão de que ainda sou razoavelmente normal. Deve ser um erro de julgamento grande demais.
Enquanto pensava nisso de forma autodepreciativa, uma sirene ecoa do alto-falante instalado ao lado da tenda de comando.
— Chegou!
Uso [Long Sense], projetando só a visão pro deserto à frente.
No espaço tremendo com o calor do deserto, uma fenda corre, e o céu começa a se romper. Do vão do espaço estilhaçado, vários Phrase se derramam, em fila, pro deserto. De fato, é inferior e médio.
— Phrase surgindo à frente! Todos, entrem no Frame Gear! Assumam postura de combate!
Transmito pra todo exército via smartphone. Tiro do [Storage] dois espadões de material cristal e entrego à irmã Moroha. Eu mesmo decolo com [Fly], pra entender a situação de cima.
— Aquilo é…!
Numa direção diferente de onde os Phrase surgiram, aquele espaço se rompe do mesmo jeito. E, de lá, Phrase de cor dourado-escura saem rastejando, em fila, do mesmo jeito, pro deserto. Mutante.
Número bem menor que os Phrase, mas ainda assim uma quantidade considerável. Então apareceu mesmo.
— Isso é grave… se eles devorarem os Phrase de lá e ficarem mais fortes, vai dar trabalho…
O mutante absorve Phrase, fortalecendo o próprio corpo. Um inferior comum pode virar médio, e, absorvendo mais, talvez vire mutante equivalente a superior. Não posso deixar isso passar quieto.
— Mutante confirmado. Quero que as máquinas exclusivas enfrentem eles. Se possível, impeçam eles de se aproximar dos Phrase.
Com o surgimento do mutante, a previsão de movimento dos Phrase ficou desorientada.
Estávamos posicionados na linha reta entre o ponto previsto de surgimento e a cidade mais próxima dali. Phrase ataca humano. Nos posicionamos bloqueando essa direção de avanço.
Mas, com o surgimento do mutante, os Phrase começam a se mover de forma completamente desordenada. Assim, não dá pra interceptar.
Ainda bem que preparei estratégia pra esse tipo de situação.
— Vamos mudar a formação. Todos, se preparem pro teletransporte.
Teletransporto os Frame Gears de cada país, cercando os Phrase em oito direções ao redor. De qualquer forma, evitar que escapem, e enfrentar diretamente.
Só que, assim, dependendo do movimento dos Phrase, existe possibilidade de o combate ficar intenso em algumas partes e fraco em outras. Isso, só eu, observando a situação, consigo dar instrução.
Já começou combate num canto do cerco. A Elsie e o pessoal também começam a ir em direção ao mutante.
— «Mestre. Confirmada quantidade de surgimento de Phrase: inferior 10954, médio 2352, mutante 3621, totalizando 16927.»
Vem, do smartphone, a voz da Shesca, encarregada de comunicação na base principal.
Kuh, mais que o previsto, hein. Na vez de Eurono, se não me engano, foi uns 13 mil. Bom, ainda bem que não tem espécie superior…
— «Mestre. Confirmada grande vibração espacial a 2km na frente da base principal. Espécie superior.»
— O QUÊ!?
Não devia ter reação de espécie superior!? Somando essa quantidade toda, espécie superior é osso duro demais!
De novo, o espaço se racha e se estilhaça, e, do vão, surge um Phrase gigante.
Bico afiado, pescoço longo, duas pernas fortes e cauda absurdamente longa. O corpo inteiro cristalizado feito cristal, mas a forma é claramente de ave. Grande demais, mas.
Esse superior que rasteja pra fora abre a longa cauda tipo leque, "jara!", e, atrás dele, várias penas longas se alinham. Sob a luz escaldante do sol, brilham cintilantes.
— É um pavão, francamente…!?
Se for pavão, precisamente falando, aquilo não seria pena de cauda mesmo? Bom, tanto faz isso agora.
Mas esse aqui vai dar trabalho, hein… vou mudar metade das máquinas exclusivas que iam pro mutante pra cá…
— «Mestre. Confirmada de novo grande vibração espacial. De novo, espécie superior.»
— O QUÊ…!
Diante da comunicação da Shesca, viro o olhar pro outro lado do pavão.
Do mesmo jeito, rompendo o espaço, um segundo superior está prestes a surgir.
A forma que salta pra fora é bizarra. Formato próximo de náutilo. Carrega uma concha tipo amonite nas costas, com vários tentáculos se estendendo. Da concha de cristal áspera, protuberâncias pequenas se projetam.
— Um segundo…!
Diante da cena que se estendia à minha frente, fico um tempo sem conseguir me mexer.