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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 329

A Pesca e o Banquete sob o Céu Estrelado

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Capítulo 329 – A Pesca e o Banquete sob o Céu Estrelado

— Ficou assim mesmo?

— Sim, bom trabalho, bom trabalho. Deve servir perfeitamente como isca.

Observando o navio feito na "Oficina" da Babylon, assinto satisfeito. O formato é de um navio à vela grande, mas sem vela armada, e na parte de trás tem uma agulha gigante em formato radial.

Esse navio é a isca (tipo iscas de pesca de lula, "egi"), quer dizer, substituto de anzol, pra pescar lula. Claro, o formato de navio é só disfarce, por dentro está vazio. Mas foi construído resistente pra não ser destruído pelo Tentaculer.

Lula é pescada na água, mas o Tentaculer ataca navio. Aproveitando isso, o plano é arrastar o navio inteiro pra terra com o Ortlinde da Sue.

Abrir [Gate] debaixo d'água tem problema, e [Teleporte] exige contato direto. Bom, com [Teleporte] também não daria pra teletransportar algo tão grande assim.

E, depois de trazer pra terra, com a espada voadora da Lindsey, um golpe certeiro entre os dois olhos, no coração. Bom, isso partindo do princípio de que o coração fica no mesmo lugar que o de lula.

Pesquisando, parece que lula tem três corações, sendo dois "corações-brânquia" pra mover as brânquias.

Por ora, dizem que golpeando uma ou duas vezes entre os dois olhos consegue abater, mas se isso funciona no Tentaculer, só testando pra saber. Se o coração estiver em posição diferente, não tem jeito.

Bom, vamos ver se dá certo.

Com um estrondo tremendo, "dozun!", o gigante dourado desce na terra de Iguretto.

Frame Gear gigante de quase 30 metros, o Ortlinde Overload da Sue.

O corpo revestido de oricalco com material cristal brilha dourado sob o sol tropical. O cabo segurado na mão dele está conectado diretamente à agulha radial gigante presa no navio-isca.

Cabo feito transformando oricalco em fio com [Modeling], depois trançado. Espessura várias vezes maior que minha cintura. Não deve arrebentar de jeito nenhum.

— Certo, tá preparado?

Atrás do Ortlinde, o Rossweisse da Sakura está de prontidão, e, no ar, o Helmwige da Lindsey em forma de voo.

Se conseguisse teletransportar o navio-isca com [Gate] pro mar aberto, seria bom, mas, com o cabo preso, isso fica difícil. Entro no navio, aleivio o peso com [Gravity], e o Helmwige da Lindsey levanta ele suspenso.

Assim, a Lindsey me leva até mar aberto, e o navio-isca comigo dentro pousa na superfície do mar.

Claro, esse navio não tem motor, então o Ortlinde da Sue puxa aos poucos.

Pro Tentaculer, é o primeiro navio em dias. Espero que caia na armadilha…

No navio sendo puxado devagar, espio a superfície do mar verde-esmeralda.

Como o fundo do mar é branco com pedaço de coral quebrado, a água absorve vermelho, então, na luz que reflete e chega aos olhos, não tem vermelho incluso. Ou seja, dentro da luz branca, tirando o vermelho, fica verde-esmeralda.

Claro, ficando mais fundo, o azul fica mais concentrado, mas aqui ainda tá bem verde. Aqui é raso perto da costa mesmo. Será que preciso ir mais pro mar aberto?

Mas, de repente, das ondas de alta transparência, "bashu!", um tentáculo salta pra fora. Num instante, se enrola no corpo do navio.

— Chegou!

Do lado oposto também, um tentáculo se estende, e num instante o navio-isca fica todo enrolado.

— Sue!

— «Entendido!»

Mando sinal pra Sue pelo smartphone, e eu mesmo voo pro céu com [Fly].

O navio ganha velocidade rapidamente, e a agulha radial presa crava no corpo do Tentaculer.

Na internet, tava escrito que basicamente invertebrado não tem sensação de dor, será que isso se aplica ao Tentaculer também?

Enquanto penso nisso, o navio, com o Tentaculer montado, vai sendo puxado com força pra costa.

— «Pugyararaaa!»

O Tentaculer, puxado pra costa, expõe o corpo gigante inteiro sob o sol.

O comprimento do corpo é mais de 20 metros, chegando perto do tamanho do Ortlinde Overload. Bom, como não fica de pé em terra, fica meio achatado.

O Tentaculer tenta estender os tentáculos contra o gigante dourado que o pescou, mas o Rossweisse da Sakura para o movimento dele com magia de canto.

Aproveitando essa brecha, dessa vez o Helmwige da Lindsey, ainda em forma de voo, avança e crava com força a espada voadora tipo espeto entre os dois olhos do Tentaculer.

— «Pugyarugyuaaa!»

Soltando um grito agonizante sinistro, o Tentaculer desaba completamente sem força, parando de se mover.

A cor do corpo muda num instante, de castanho pra branco. Isso é igual à lula abatida que vi em vídeo. Parece que o Tentaculer também tem o coração no mesmo lugar da lula.

Certo, daqui em diante é que fica difícil. Suspendendo de novo o navio-isca, vejo o Helmwige levando pro mar, e abro [Gate], chamando minha máquina querida, a Reginleif.

Levo o Tentaculer imóvel até o morro na costa com a Reginleif, e transformo a espada voadora nas costas em duas espadas grandes.

— Vamos ver, primeiro é tirar as vísceras, né?

Cortando a barriga com a espada voadora, retiro víscera e olhos. Talvez víscera também seja uma iguaria, mas, dessa vez, vou passar. Sendo tão grande assim, é pesado demais.

Então, jogo de volta ao mar as vísceras cortadas, com [Gate], como comida pra mamífero marinho, e lavo bem a carne do Tentaculer, já processada, com água salgada.

Mergulhando em água salgada com concentração ajustada pela Kokuyō e a Ruri, corto em tamanho apropriado, já que assim fica grande demais, e penduro nas palmeiras alinhadas na costa com corda.

Pela luz solar forte tropical, em poucos dias, deve virar surume de Tentaculer… provavelmente. Isso só sabendo quando terminar mesmo.

Precisamente falando, nosso objetivo principal é derrotar o Tentaculer, e fazer comida de emergência é só coisa extra. Se o Tentaculer sumir e for possível sair pra pescar, não precisa forçar comer isso.

— «Pugyoraraaaa!»

Enquanto penso nisso, já abateram o segundo rapidamente.

Ou melhor, vou precisar fazer isso mais de 50 vezes? Isso?

Só percebi que esse trabalho era bem puxado depois de um tempo. Especialmente eu.

— Cansei…

Levou o dia inteiro pra pescar quase todos os Tentaculer do mar próximo de Iguretto, e alinhá-los na linha costeira ao norte da capital Retorabamba.

Os que estavam do outro lado da ilha, ou longe, também atraí com [Gate], teletransportando a água do mar ao redor junto, pra esse mar daqui, e pesquei.

Com essa quantidade toda alinhada, o cheiro de peixe cru fica insuportável, então pedi pro espírito do vento levar o cheiro pro lado do mar o máximo possível.

Também, pra evitar que animal selvagem coma, deixei [Prison] de grande alcance proibindo entrada de qualquer um que não seja humano ou demi-humano. Sendo [Prison] de grande alcance, quebra fácil, mas deve ser suficiente pra animal comum.

Claro, não é só surume, também entreguei aos cozinheiros deste país receita de prato usando surume, tipo sakiika (lula desfiada) e noshiika (lula prensada). Talvez fique mais gostoso do que se eu, amador, fizesse.

Na praia ao pôr do sol, já paira um cheiro delicioso. O Tentaculer que não virou surume, o rei tá distribuindo de graça, através dos cozinheiros.

Nessa ilha sem cultura de comer lula, mas, uma vez provando, muitos perdem a resistência, e tem até quem sai andando de barraquinha em barraquinha experimentando vários pratos de Tentaculer.

O Tentaculer grelhado no espeto parecia bem gostoso.

— Nesta ocasião, estou extremamente grato por ter salvado meu país da crise. E ainda por cima, esses navios em tal quantidade…

— Não, já recebi o valor devido, então não precisa se preocupar. O material de apoio de outros países também deve chegar depois, então acho que isso deve resolver a crise alimentar.

Falando isso, faço o Rei de Iguretto parar de curvar a cabeça.

Na costa, flutuam centenas de navios feitos na "Oficina". Claro, o material é madeira cortada da floresta de Iguretto e afins, mas, junto com a caçada do Tentaculer, também recebi pagamento razoável.

Como não posso receber dinheiro direto de um país que sofreu desastre, informei, com magia de detecção, sobre uma grande mina de ouro numa pequena ilha dentro do território de Iguretto. Depois disso, só precisam pagar aos poucos daquela mina.

Isso deve ajudar bastante na reconstrução das regiões afetadas.

Na praia ao entardecer, o Ortlinde da Sue estava capturando bastante peixe com rede de arrasto. As pessoas da cidade pegam de uma vez os peixes jogados na praia, levando pra casa ou cozinhando ali mesmo.

Perto de nós, sentados diretos na areia, também vêm servindo comida.

— Que isso parece gostoso, hein.

— Come sem cerimônia. Bom, mesmo dizendo isso, quase tudo foi pego pelas noivas do Príncipe.

Num prato simples de madeira, tem alinhado desde peixe grelhado até sashimi. Sendo também um país-ilha igual Ishen, aqui também comem sashimi, hein. Parece não ter shoyu, mas comem aqui com mostarda, vinagre, cebolinha, alho, e afins.

Grelhado só na superfície, tipo tataki de bonito, será pra matar parasita? Testei discretamente [Analyze], e de fato não tinha problema.

Comendo com um pouco de mostarda, ficou bem gostoso. Pra mim, é várias vezes mais gostoso que o Tentaculer. Aah, queria comer isso com arroz branco.

Chamando a Sue e o pessoal, começa um banquete animado. As pessoas dançam alegres, todos felizes que a ameaça do Tentaculer se foi.

Ao redor da fogueira, se reúne gente tocando flauta e tocando tambor, e, entre eles, surge quem canta, recebendo aplauso de todos.

Aí, incapaz de resistir, a Sakura se levanta e decide cantar uma música. Claro, o acompanhamento sou eu. Tiro um piano do [Storage] e começo a tocar a música que a Sakura pediu.

Mas, hein… como sempre, a escolha da Sakura é meio desalinhada… bom, sendo música ocidental, faz sentido não entender o significado da letra, mas essa música é uma canção sobre saudade de casa.

"West Virginia" e afins, será que ela canta sem nem saber que é nome de lugar. Bom, até o próprio cantor dessa música, engraçado dizer, nunca chegou a visitar West Virginia mesmo. É pessoa diferente de quem escreveu a letra, então talvez não tenha jeito mesmo.

Mas, sem se importar com isso, o povo de Iguretto escuta atento a canção da Sakura. Aliás, essa música também foi usada como trilha inserida num filme de anime japonês. Lá, era com letra em japonês. Tipo o título daquele filme, "aguçar o ouvido", todo mundo escuta a canção da Sakura.

Terminando o refrão, entrando na segunda estrofe, de algum lugar soa um som de instrumento de corda. Curioso, viro a cabeça pra lá, e, na areia, quem tocava violão era ninguém menos que o irmão Sōsuke, deus da música.

— Bu!

Quase paro a execução sem querer, mas consigo continuar de algum jeito. Espera aí, quando ele chegou!?

Olhando bem, tem a irmã Karen comendo sashimi junto com mulheres de Iguretto, na frente do Tentaculer grelhado a irmã Moroha e a irmã Karina, e num grupo de bebida, a Yoika e o tio Kōsuke.

Uoooi! Divindades! Quando chegaram até aqui!

Não dá pra fazer esse tipo de comentário no meio da execução, então continuo tocando piano, suando frio meio esquisito.

Nem precisa dizer, os deuses, se quiserem, conseguem usar magia de teletransporte, todos eles. Precisamente, não é magia, mas, de qualquer forma, devem ter usado isso pra vir até aqui.

Terminando a canção, em meio a aplausos entusiasmados, encaro a irmã Karen, que mordiscava peixe frito.

— Touya-kun, isso tá gostoso, viu. Come também.

— Que bom mesmo! Ou melhor, quando você chegou!

— Ouvi da Rosetta-chan agora há pouco. Como tava tendo banquete, chamei todo mundo aproveitando.

Virando a cabeça na direção que a irmã Karen aponta, misturadas com a Lindsey e a Sue, a Yumina, a Elsie, a Yae, a Lu, a Hilda, a Leen, e até a Poala, sentadas em círculo, comendo peixe.

No fim, todo mundo veio junto mesmo, francamente!

Com sentimento meio sem graça, volto pro Rei de Iguretto e curvo a cabeça. O rei aceita rindo.

— Eu também tenho sete esposas. Não precisa se preocupar. Noivas todas se dando bem entre si já é ótimo. Tenho inveja.

— É, é mesmo? …Quando as esposas brigam entre si, deve ser difícil, né?

Sem querer, pergunto isso ao veterano da poligamia. Então, o rei, animado até agora, muda pra rosto sem expressão, tipo máscara nō.

— Aquilo é andar sobre agulhas… Escuta bem, Príncipe de Brunhild. Paz do país vem da paz do lar. Insatisfação e ansiedade da esposa, resolva o quanto antes. Senão… vai acabar vendo o inferno.

O rei, guerreiro robusto, fala comigo com olhar vazio. Espe, o que aconteceu, francamente! Dá medo demais pra perguntar o resto!

Pelos soldados atrás rindo sem graça, deve não ser história tão pesada assim, mas, pra ele mesmo, deve ter sido um evento bem pesado mesmo.

Pra animar o rei, que ficou deprimido e sombrio, jogo outro assunto. Falando sobre participar da Aliança Mundial, ideia que já tinha em mente há um tempo, ele aceita de bate-pronto.

Parece que já tinha ouvido falar disso antes, pelo Imperador-Rei de Lifris, e já pensava positivamente nisso, se fosse vantajoso pro próprio país.

E, como agradecimento por derrotar o Tentaculer, disse que emprestaria a praia particular exclusiva da família real depois, então decidimos usar isso depois da reunião de aliança deste mês.

Um mar tão bonito assim é raro mesmo. Os outros reis também devem gostar. Vou preparar lazer marítimo também. Claro, com todo cuidado com segurança. Com [Prison], dá pra afastar até criatura marinha perigosa.

Aproveitando essa oportunidade, vou fazer os representantes de Ishen, Hanok, Lyle, Elfrau, e Pareliusu também participarem oficialmente da aliança.

O problema é Ishen mesmo… na prática, esse lugar é governado pelo Ietasu-san, tipo Tokugawa, mas, como chefe do país, existe o Imperador. Melhor deixar isso formalmente resolvido uma vez.

O rei do Divino País de Ishen é, até o fim, o Imperador. Como súditos dele, existem os senhores feudais, e o Ietasu-san é só o topo deles.

…Aliás, nunca soube que tipo de pessoa é o Imperador de Ishen. Nunca ouvi se é homem ou mulher, criança ou idoso. Bom, depois pergunto pra Yae.

Sob o céu estrelado caindo como chuva, o banquete na praia continua.


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