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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 330

O Imperador e o Espírito da Neve

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Capítulo 330 – O Imperador e o Espírito da Neve

— Sobre o Imperador, eu não sei nada, viu. É pessoa acima das nuvens, afinal.

Essa foi a resposta da Yae sobre o Imperador de Ishen.

Parece que existe bastante mistério sobre o Imperador de Ishen mesmo. Só assessores próximos e senhores feudais têm permissão de audiência. Será recluso?

Por ora, vou entrar em contato com o Ietasu-san e pedir pra ver se dá pra ter uma audiência.

Como Ishen ainda não entrou na Aliança Mundial, não dei smartphone de produção em massa ao Ietasu-san. Por isso, escrevo o pedido numa carta via Espelho-Gate, e mando um documento oficial com o selo nacional de Brunhild pro lado deles.

Alguns dias depois, chega um documento avisando que o Imperador de Ishen aceita a audiência, então, junto com a Yae, teletransporto logo pro castelo do Ieyasu-san, em Oedo.

— Ah, quanto tempo, Touya-dono.

— Você também tá bem, Ietasu-san.

O Ietasu-san, com bigode fino, cada vez mais robusto, mantém o mesmo sorriso bonachão de sempre.

Servem chá numa sala do castelo. Chá torrado. Delicioso.

Faz tempo que não fico num quarto de tatame também, hein. Ishen realmente acalma, hein.

— Muito obrigado pelo arroz outro dia. Ficou muito gostoso. A Yae também comia sem parar todo dia…

— A, aquilo foi porque a comida do Sr. Clara era gostosa, então meu hashi não parava, mu, mu, mu, por que fala isso justo agora, Touya-dono, isso é maldade sua!

Acalmo a Yae, que faz bico e vira o rosto vermelho de raiva. Não pretendia ser maldade.

O jeito da Yae comendo é cheio de energia, dá tranquilidade. Sinto de coração que isso é paz. Também amo esse lado dela.

— Hahaha, que bom, vocês se dão tão bem. Quando a Yae-dono estava aqui em Ishen, só se via ela treinando espada sem parar, sem enxergar mais nada… conseguir um homem querido muda tanto assim uma pessoa, hein.

— Q, querido, isso… nã, não, ah, bem, é…

Diante da fala do Ietasu-san, a Yae fica ainda mais vermelha e abaixa a cabeça. Cobrindo o rosto com as duas mãos, espiando de vez em quando pelas frestas dos dedos, e voltando a abaixar a cabeça envergonhada. Uwaa, que criatura fofa é essa! Quero abraçar com toda força!

Como seria inapropriado fazer isso aqui, me contenho, e, pigarreando, "kohon", entro no assunto principal.

— E, sobre o Imperador…

— O Imperador não fica em Oedo, e sim no palácio da capital Kyō. Com a magia de teletransporte do Touya-dono, deve dar pra ir rapidinho. Claro, vou junto também.

Capital Kyō, hein. Bom, já meio que imaginava que seria assim.

Sobre o Imperador em si, não me contaram nada. Ou melhor, disseram que, encontrando, já entenderia.

O Imperador é o rei deste país, mas não é ele quem administra a política. Até agora, os senhores feudais abaixo dele governavam cada território próprio, e, com algumas brigas de vez em quando, o país chamado Ishen se mantinha num equilíbrio delicado.

Só que, recentemente, apareceu alguém com ambição de tomar o lugar do Imperador. Esse foi o Oda Nobunaga.

O Nobunaga tentou unificar Ishen, declarando guerra aos outros senhores feudais, mas, por causa da traição de um subordinado dele, o Akechi Mitsuhide, ele partiu deste mundo no meio do caminho.

Pensando agora, quem acendeu a ambição do Nobunaga foi aquele macaco que se apresentava como Hashiba Hideyoshi… ou seja, o deus subordinado por trás dele, imagino.

No fim, isso acabou desestabilizando o equilíbrio de poder dos senhores feudais de cada região, e, no meio disso, o Ietasu-san se destacou.

Bom, de qualquer forma, se ele aceitar me encontrar, vou conversar. Sinceramente falando, tanto faz se o representante de Ishen for o Ietasu-san, mas depois pode virar reclamação, então melhor formalizar.

Com [Recall], recebo a memória da capital Kyō, e abro [Gate].

Eu, a Yae, o Ietasu-san, e o pessoal de escolta, todos juntos teletransportamos pra capital Kyō.

— Haa… entendi, então aqui é a capital Kyō, hein…

Como esperado, ou melhor, exatamente como eu imaginava, é a imagem de Heian-kyō que se vê em dorama histórico. Será que só essa capital ficou fora do tempo? Tem até carruagem puxada por boi. Acho que até vai aparecer um nobre falando "vamos com calma, ora".

Ao longe, dá pra ver algo tipo pagode de cinco andares, e, bem na nossa frente, um grande portão pintado de vermelho, e, atrás, uma grande avenida se estende sem fim. Será algo tipo a Suzaku Ōji de Heian-kyō?

Com a chegada do Ietasu-san, o portão pintado de vermelho se abre com um rangido enorme.

Guiados por um guia vestindo traje de nobre da era Heian, tiramos o sapato e avançamos pelo palácio tipo santuário. Avançando entre colunas pintadas de vermelho alinhadas, sinto tipo se tivesse me perdido num labirinto.

E, na frente do que deve ser a porta de correr mais recuada, provavelmente a mais interna, o guia homem para.

Quando o guia abre devagar essa porta de correr, dá pra ver um amplo cômodo de tatame, e, no fundo, um assento elevado com bambu de correr abaixado.

Bem no fundo, sinto claramente presença de alguém. Aquele deve ser o Imperador de Ishen.

A escolta do Ietasu-san espera do lado de fora, e a porta se fecha. Avançamos até a frente do bambu de correr, e o Ietasu-san para.

— Vossa Majestade. Este é o Príncipe do Principado de Brunhild, Mochizuki Touya-sama.

Mudando o tom de fala do costume, o Ietasu-san senta no tatame e se prostra. A Yae também senta e curva a cabeça profundamente, mas eu não nasci neste país, nem sou súdito.

Mesmo pequeno, sendo representante de um país, não posso curvar a cabeça levianamente assim. Fico dando uma de durão assim, mas o segredo é que quase curvei a cabeça pelo clima do momento. Bom, se for levemente, deve estar tudo bem.

— Bem-vindo, Príncipe.

Devagar, o bambu de correr sobe, e, dali, uma pessoa desce do assento elevado.

Quem surge é uma pessoa vestindo traje tipo jūnihitoe, em tons de rosa claro e branco. Pele branquíssima e cabelo longo também branquíssimo, mulher de beleza impressionante.

Surpreso. O Imperador de Ishen era uma imperatriz, hein.

Mas o que mais me surpreendeu foi os olhos vermelho intenso, e os dois pequenos chifres saindo da testa.

Oni. Essa palavra vem à mente. Não, mais que oni, será humano-com-chifre… será demi-humano?

— Chamo-me Shirahime. Já faz uns 2 mil anos que sou Imperatriz de Ishen.

— Ah, é? Bom… sou Mochizuki Touya.

Dois mil anos. Igual à Rainha de Elfrau, será espécie de vida longa também? Ué? Mas espécie humano-com-chifre, mesmo tendo vida mais longa que humano, será que vive tanto tempo assim?

E, além disso, essa sensação… onde já senti… ah.

— Já percebeu, é? Como você deve ter notado, eu não sou demi-humano comum. Meu pai era humano-com-chifre, mas minha mãe era espírito.

A Shirahime-san dá um sorriso pequeno. Então era isso. Por isso a presença dela é próxima de espírito.

Espírito, se virar humano, também consegue gerar filho. Mas isso pode significar perder grande parte do próprio poder. No pior caso, pode até se dissipar.

Claro, sendo espírito, não morre, mas o espírito que renasce é uma existência diferente do original. Será que o espírito, mãe dessa Shirahime-san, tinha essa consciência ao dar à luz ela?

— Originalmente, sendo alguém que carrega sangue de espírito, talvez devesse me ajoelhar diante de você, o novo rei dos espíritos, mas me perdoe. Afinal, também sou representante de um país.

— Aah… bom, não precisa se preocupar. Ou melhor, quem contou pra você?

— Foi um subordinado do espírito do gelo. Sendo subordinado de uma existência tipo tia minha, me conta várias coisas.

— E a mãe da Shirahime-san é…

— É o espírito da neve. Foi mãe gentil.

Entendi, espírito da neve, hein. Vendo a figura da mulher à minha frente, entendo.

O espírito da neve, igual ao espírito do gelo, é de escalão logo abaixo dos grandes espíritos. Aparecer no plano terreno deveria ser raro.

Parece que, quando a Shirahime-san era pequena, o espírito da neve, sua mãe, perdeu o poder e se dissipou.

— Sempre quis agradecer ao Príncipe. Pelo assunto do Hashiba Hideyoshi.

— Aquele macaco?

— Envergonhoso admitir, mas, por algum motivo, eu não conseguia me impor com força contra aquele indivíduo. Fui forçada a nomear ele senhor feudal, sem conseguir resistir…

Haa. Deve ser por causa do deus subordinado. Mesmo decaído, deus é deus. Nessa pessoa, que carrega metade do sangue de espírito, deve ter agido alguma força coercitiva difícil de resistir.

— Quando o Ietasu ali derrotou o Hideyoshi, senti que um peso saiu do meu peito. Realmente agradeço muito.

— Palavras generosas demais…

Fala o Ietasu-san, ainda prostrado. Ou melhor, ele já pode levantar a cabeça, né?

— E, sobre o assunto desta vez…

— Ah, sim. Vamos ver…

Eu e a Shirahime-san sentamos de frente um pro outro e avançamos com vários assuntos.

Ela concorda em fazer Ishen participar da Aliança Mundial, e a Shirahime-san também vai comparecer na próxima reunião. Só que a próxima reunião é na praia particular de Iguretto, então talvez seja meio difícil vestindo jūnihitoe.

Além disso, sendo ela carregando sangue do espírito da neve, o sol tropical talvez seja intenso demais.

Depois, entrego smartphone branco de produção em massa à Shirahime-san e ao Ietasu-san, e faço explicação geral de uso.

Surpreendentemente, a Shirahime-san entende rápido, aprendendo a usar o smartphone até antes do Ietasu-san. A função favorita dela parece ser a câmera, tirando foto de tudo, "pasha pasha", rindo animada.

— Aliás, na conversa de agora há pouco, tem uma coisa que fico curioso. A mãe da Shirahime-san… o espírito da neve, não apareceu de novo depois disso?

Se ela se dissipou quando a Shirahime-san era pequena, já se passou bastante tempo desde então. Deveria já ter voltado a existir.

— Espírito, uma vez dissipado, mesmo que renasça, é outro indivíduo diferente. Não é a mesma mãe. Não deve lembrar nem de mim.

Diante da Shirahime-san sorrindo com tristeza, fico sem palavras.

De fato, o espírito das trevas que derrotei também parecia ter virado outra pessoa, sem memória. Mas não deve ser que perdeu tudo completamente. Acho que deve conseguir sentir alguma conexão consigo mesma.

— Quer que eu tente invocar?

— A minha… mãe? Será que isso é possível?

— É possível. Claro, talvez não lembre da Shirahime-san, mas talvez sinta alguma coisa.

A Shirahime-san hesita um pouco, mas eventualmente balança a cabeça levemente, assentindo.

Originalmente, precisaria de catalisador (nesse caso, neve), mas, já que ganhei o título de Rei dos Espíritos, provavelmente consigo invocar sem isso.

Refino o ki divino, e chamo em direção ao Mundo dos Espíritos.

— [Em nome do Rei dos Espíritos. Venha, espírito da neve].

Como falei na língua dos espíritos, ninguém ali entendeu o significado. Mais que isso, todos ficam surpresos com a neve caindo densamente dentro do cômodo.

Essa neve gira em espiral, e começa a formar uma forma bem na minha frente.

…Ah, é verdade, espírito muda de gênero e forma toda vez que renasce, né. C, calma aí. E se sair um espírito da neve tipo musculoso? Será que isso não vira trauma pra Shirahime-san? Não me diga que apressei demais…

Ignorando minha preocupação, o espírito da neve que surge diante de nós tinha forma de mulher bonita. Parece que era preocupação desnecessária.

Pele branca, cabelo branco. Parece com a Shirahime-san, hein. Igual irmãs. Só a diferença de ter ou não chifre, e a cor dos olhos.

Ora? Não é forma espiritual, e sim materializada de verdade. Corpo de neve, será?

Eventualmente, os olhos do espírito da neve se abrem, e os olhos azul-gelo capturam a Shirahime-san.

— Ma, ma, mãe…?

Diante da voz trêmula da Shirahime-san, o espírito da neve mostra um sorriso um pouco confuso. Ficando inseguro, falo apressado com o espírito da neve.

— Você não lembra mesmo?

— «…Não. Só vagamente. Mas tenho certeza que essa criança é minha filha. Que foi… muito preciosa… amada. Isso, meu coração afirma.»

— Fugu… …mã, mãe, e…

Diante dessa fala, a Shirahime-san começa a soluçar, e o espírito da neve a abraça em silêncio. O Imperador de Ishen, derramando lágrimas grossas, envolve as costas do espírito da neve, sua mãe, do mesmo jeito, abraçando com força.

O corpo dela deveria ser frio, sendo de neve, mas, como se fosse algo trivial, a Shirahime-san chora com o rosto enterrado no peito do espírito da neve. Sendo filha do espírito da neve, faz sentido ter resistência ao frio.

De relance, olhando ao lado, a Yae chorava sufocando a voz. Até com o nariz escorrendo, observando o reencontro de mãe e filha à sua frente.

— Egu… uuh… uee… qu, que bo, bom, ora…

— Aah, já chega, toma.

Tiro um lenço e limpo o rosto dela. Como sempre, chorona, essa Yae. Amo esse lado puro dela também. Talvez a Yae fique brava, mas acho fofo mesmo assim.

— Ugh, uuuh… qu, que bom mesmo… Vossa Majestade…

Virando o olhar pra outro soluço vindo de repente, o Ietasu-san olhava pro teto, derramando lágrimas em abundância. Você também, francamente!? Foi mal, mas não vou emprestar lenço pra você, tá?

— «Rei dos Espíritos. Sou eu quem chamou o senhor, mas será que posso pedir perdão pela falta de educação de fazer contrato com essa criança?»

— Hn. Tudo bem. Sem problema.

Originalmente, nunca pretendi fazer contrato comigo mesmo, e nem precisa pra invocar. Mais que comigo, o espírito da neve deve ser mais feliz ficando junto com a Shirahime-san.

— «Daqui em diante, ficarei sempre com você. Nos momentos difíceis, nos momentos tristes, vou te proteger, te apoiar, e caminhar lado a lado com você. Criança amada. Que a minha bênção esteja com você.»

— Mãe…

O espírito da neve desaparece suavemente virando luz, e, na mão da Shirahime-san, resta uma pedra espiritual branca redonda, do tamanho de bolinha de gude.

Recebo essa pedra espiritual, tiro do [Storage] um bloco de mithril, e crio, com [Modeling], uma pulseira onde a pedra espiritual da neve se encaixa. Assim, não deve perder.

Recebendo a pulseira de mim, a Shirahime-san abraça isso com cuidado, como algo precioso.

— Agradeço pelo presente mais valioso que existe. Príncipe de Brunhild. Que Ishen se torne amigo do seu país, e caminhemos juntos rumo à paz e prosperidade, é o que desejo.

— Sim. Conto com você.

Aperto a mão estendida pela Shirahime-san. Talvez seja resquício do espírito da neve, mas a mão que aperto estava fria, mas era um frio gentil e agradável.


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