Capítulo 349 – O Bombardeio e a Depilação
— [Prison]!
Prendo dentro da barreira, com [Prison], o golem-coruja Guraukusu, que continuava combatendo o Leoparudo. Seria complicado se ele ajudasse o Gien e fugisse voando.
Desço no chão e vou até o Coronel, puxando o florete cravado na barriga dele. Ele fazia cara de bastante dor, mas isso é problema seu mesmo, francamente. Que jeito imprudente, hein.
Aplico magia de recuperação nele.
— [Luz, venha, cura da deusa, Mega Heal]!
Partículas de luz descem, envolvendo o corpo do Coronel. Num instante, o ferimento atravessado pelo florete cicatriza.
Mesmo assim, o sangue perdido não volta, então o Coronel, levantando-se, cambaleia.
— Que jeito imprudente, hein. Se eu não estivesse aqui, você poderia ter morrido, viu?
— O Gien é um pervertido que gosta de torturar e matar as pessoas devagar. Achei que ele não miraria em ponto vital. Personalidade péssima, esse homem, mas era o segundo mais forte de Reeve mesmo… senão, não conseguiria capturá-lo.
De fato, achei que ele tinha certo poder. Mas está bem longe do nível da Yae ou da Hilda, e acho que fica abaixo até do comandante Rein-san, da vice-comandante Norun-san, e do Nicola-san.
…Sinceramente falando, acho que o Gien fica abaixo até de um cavaleiro comum nosso. Mas, como isso feriria o orgulho do Coronel, fico quieto.
Bom, talvez seja errado comparar com pessoal que treina todo dia com deusa da espada mesmo.
— E também, precisava desviar a atenção do Gien do príncipe.
De relance, olho pro quarto de hóspedes do segundo andar, e a Tenente e o Sargento pareciam ter tentado evacuar o príncipe pro fundo do quarto. Mas…
— Bom, parece que foi em vão. Foi você, né? Aquela barreira defensiva misteriosa. Graças a isso, consegui lutar sem me preocupar com o perigo do príncipe. Agradeço.
Ele percebeu, hein. Agora já desativei, mas, até há pouco, mantinha [Prison] expandido ao redor do quarto de hóspedes. O objetivo dele parecia ser assassinar o Imperador de Gardio, e existia possibilidade de disparar de novo aquela bomba de pena.
— Vossa Majestade! Está bem!?
No quarto de hóspedes do castelo e no jardim, cavaleiros que ouviram o alvoroço chegam correndo. Vendo-nos desconhecidos, sacam a espada, reforçando a vigilância.
— Vossa Majestade, essas pessoas são…?
— Tudo bem. São meus convidados. Fui ajudado numa situação perigosa. O culpado que mirou em mim é aquele homem caído ali.
Diante da voz do imperador, os cavaleiros desfazem a vigilância contra nós, e, em vez disso, capturam o Gien, ainda desmaiado no jardim, rosto distorcido.
— Tá tudo bem assim? Aquilo.
— Ele mirou o imperador do Império. Não vai escapar da pena de morte. Execução pública com guilhotina. Acho que isso é o que vai chegar melhor ao povo de Reeve, o fim de um traidor.
O Coronel responde com voz contendo emoção, observando o Gien sendo arrastado.
Vai precisar fazer ele confessar sobre Eisengard também, então matá-lo aqui não seria a melhor estratégia mesmo.
Vendo o Gien sendo levado, o Guraukusu dentro de [Prison] se debate. Mesmo sendo esse tipo de mestre, achar que um golem ainda tenta servi-lo com dedicação me deixa com sentimento meio triste.
— [Gravity]!
— «Gi!»
Imobilizo o Guraukusu com magia de sobrecarga. Aplicando carga de uma vez, o movimento do Guraukusu para. Deve ter entrado em estado de hibernação.
Desfaço a barreira de [Prison], toco o peito do golem tipo coruja e faço energia mágica fluir.
— Abrir.
Com um som de ar escapando, "bashu!", o peito se abre pros dois lados.
Coloco a mão dentro do gel esférico incorporado, e tiro dali o cubo flutuante, o G-Cube, coração do golem.
Com isso, o Guraukusu não deve mais se mover. Por ora, vou entregar esse G-Cube ao Coronel. Mas o Coronel, recebendo o G-Cube, parecia estar pensando em algo.
— O que houve?
— Não, é que… será que Eisengard mandaria o Gien só pra matar o imperador? Se for aquele homem… o mago-rei de Eisengard, ele deve fazer coisa tipo, ao mesmo tempo, transformar a capital imperial num mar de fogo…
— Q, que negócio é aquilo!?
Interrompendo a voz do Coronel, um dos cavaleiros grita alto, apontando pro céu oeste.
Ali, flutuavam incontáveis pontos pequenos, tipo bando de gafanhoto. …Que negócio é aquilo.
— [Long Sense]!
Projeto a visão e amplio. O que vejo ali é um golem em forma reduzida do Guraukusu que acabei de parar. Golem tipo filhote de coruja voa pelo céu, se dirigindo ao palácio imperial.
Os filhotes de coruja começam a soltar, um atrás do outro, algo tipo granada que seguravam, direcionado à capital imperial. Ao caírem no chão, começam a causar explosões grandes.
— Desgraçado de Eisengard! Produziram em massa unidade militar do Guraukusu!
Unidade militar. Aquele golem controlado por uma pessoa só, em quantidade. Também é tipo de golem adotado por este império.
Em números, deve ser golem bem útil mesmo. Eisengard analisou o Guraukusu e desenvolveu unidade militar tipo voadora, hein.
Opa, não é hora de ficar impressionado com isso.
— [Trevas, venham, busco a donzela guerreira brilhante, Valkyrie]!
Do círculo mágico desenhado no jardim do palácio imperial, várias donzelas guerreiras de asas branco-puro que invoquei saltam pra fora.
Com armadura prateada e espada prateada, voam pelo céu tipo cavaleiro celestial, alinhando-se uma atrás da outra.
— I, isso é o quê, afinal…
— É minha magia de invocação. Contem com vocês, pessoal.
Em vez de responder, as donzelas guerreiras erguem a espada bem alto, começando a atacar os filhotes de coruja que se aproximam.
Voando pelo céu tipo andorinha, cortam ao meio um atrás do outro os filhotes de coruja com a espada na mão.
Os filhotes de coruja tentam contra-atacar, mas o movimento é lento comparado ao Guraukusu, parecendo só conseguir ataque monótono. Esse deve ser o ponto fraco de unidade militar. Só aceita ordem simples, incapaz de se mover de forma flexível.
Provavelmente, aquele filhote de coruja tinha só a missão de bombardear a capital e o palácio imperial. Se fosse só isso, não teria problema, mas parece não ter previsto combate aéreo.
Os filhotes de coruja vão sendo abatidos um atrás do outro, e, quando a última unidade é cortada ao meio pelas donzelas guerreiras, ecoa um grito de vitória por toda a capital imperial.
— [Luz, venha, cura igualitária, Area Heal]!
Por precaução, aplico magia de recuperação em área ampla na região bombardeada. Como não quero que o incêndio se espalhe, faço chover com magia também.
O povo da capital parece achar que foi anjo quem fez isso. Bom, tanto faz.
— Uma quantidade de golem assim, num instante…
Deixando o Coronel atônito de lado, projeto o mapa do smartphone no ar. Expando o mapa geral, centrado na antiga região de Reeve.
— Busca. Soldados, cavaleiros de Eisengard, e golem que provavelmente pertença a esse país.
— «…Busca completa. Exibindo.»
Toto toto toto toto toto…
Bastante alfinete cai no mapa. Como eu imaginava.
— Soldados de Eisengard estão invadindo o Império de Gardio. Olha, em direção à antiga terra do Reino de Reeve.
— O QUÊ!? Sem sequer declaração de guerra!?
Sua Majestade o Imperador de Gardio, que corre até o jardim, grita, olhando o mapa flutuando no ar.
Não, declaração de guerra provavelmente seria feita pelo Gien, que acabou de ser arrastado agora há pouco, né? Mas ele saiu de cena antes de ter essa chance.
— Mas isso parece estar indo pra uma direção estranha… normalmente, não deveria ir em direção à antiga capital do Reino de Reeve?
— O objetivo de Eisengard deve ser as "Ruínas Verdes". Felizmente, naquela direção, não tem muita vila ou cidade. Mas na ruína tem equipe de escavação e um batalhão do exército estacionado…
Aquela ruína recém-descoberta, hein. Provavelmente, a intenção é destruir primeiro esse batalhão estacionado.
Em número, Eisengard é esmagadoramente superior. Do jeito que está, é só questão de tempo até a ruína ser ocupada.
— Hmm. Por ora, vamos parar isso.
— Hã?
Diante do meu murmúrio, o Imperador de Gardio solta uma voz meio boba.
Deixar Eisengard fazer o que bem entende também me irrita um pouco. Jogaram bomba na gente, afinal.
Bom, calculando de forma interesseira, também tem um pouco de intenção de criar dívida de gratidão com o Império de Gardio.
— P, parar, quer dizer…?
— O exército de Eisengard. Vou voar até lá e conversar um pouco. Espero que consigam entender…
Bom, deve depender do comandante do outro lado. Talvez seja adversário surpreendentemente razoável. Mesmo que o topo seja um velho maluco, não significa que todos os subordinados também sejam malucos.
— P, parar isso é possível!? É exército na casa das dezenas de milhares, viu!? Não sei quão grande mago você é, mas, por mais que seja…!
— Ah, uns dezenas de milhares já enfrentei várias vezes, então não precisa se preocupar. Talvez o terreno mude um pouco, mas depois conserto, então, sinto muito por isso.
— O, o quê…!?
Deixando o imperador atônito de lado, voo com [Fly] até onde as Valkyries esperam no céu. Ah, é verdade.
— Acho que tem infiltrado de Eisengard, quem controlava aquele golem bombardeiro, dentro da capital imperial. Melhor reforçar a segurança.
— E, entendido…
— Então, vou indo.
Pelo mapa, não parece ter tanta folga de tempo, então melhor me apressar.
Acelero de uma vez, correndo pelo céu do Império de Gardio. As Valkyries seguem atrás, mas parecem ficar pra trás aos poucos.
Droga. Deveria ter dispensado e invocado de novo no local. Bom, com essa velocidade, já devo chegar logo, então vão ter que aguentar.
As "Ruínas Verdes" ficavam na parte sul da antiga terra do Reino de Reeve. Como o nome sugere, é ruína dentro de floresta, mas não é floresta tão grande assim.
Um passo fora da floresta, é terra árida um pouco afastada da estrada principal, e, vendo do céu, algumas tendas estavam montadas. Aquilo deve ser o acampamento do batalhão da equipe de escavação da ruína e da escolta deles.
E, além disso, se desenrola o exército de Eisengard.
Parece que a batalha ainda não começou. Cheguei a tempo, hein.
Mas a quantidade é grande. Umas vinte vezes o exército de Gardio, talvez. Só um quarto são soldados humanos. A maioria parece ser golem tipo unidade militar.
Bom, se pretendem não só ocupar a ruína, mas seguir direto pra capital, deve precisar desse tanto mesmo.
Talvez planejassem invadir de uma vez a capital, já danificada pelo bombardeio dos filhotes de coruja.
Vendo nós chegando do céu, o exército de Eisengard começa a se agitar de repente. Faz sentido se surpreender vendo homem suspeito acompanhado de anjo aparecer.
— A, atireeeeem!
Achando isso, de repente cai uma chuva de descarga elétrica. Ou melhor, "caindo" não é a palavra certa, estão disparando de baixo.
Arma mágica equipada nos golems, hein. De repente assim, francamente.
Ei, ei, vamos conversar um pouco pelo menos.
— [Gelo, atravesse, agulha gelada, Ice Needle]!
Bloqueio toda a descarga elétrica com estalactites de gelo. Assim, as estalactites despencam sobre os soldados de Eisengard.
— Hii, hii!?
Soldados se encolhem, protegendo a cabeça da estalactite caindo. Uso a magia [Speaker] pra falar com o exército de Eisengard.
— «Aviso aos soldados de Eisengard. Recuem o exército imediatamente, e informem ao mago-rei que o ataque à capital fracassou. Se avançarem mais, vão experimentar a derrota mais vergonhosa da história da fundação de vocês.»
— N, não entrem em pânico! Isso é estratégia do inimigo! É blefe desesperado pra confundir e quebrar nosso ânimo de luta!
Os oficiais gritam com os soldados, que se agitam diante da voz vinda do [Speaker]. Mu. Não é errado dizer que quero confundir, mas.
Trouxe as Valkyries justamente pensando se não conseguiriam recuar assustados com anjo. Mas parece não ter tido muito efeito.
— «Digo de novo. Este é o último aviso. Recuem o exército. Peço julgamento calmo do comandante,»
— ATIREEEEEEM!! Derrubem esses aí!! Nosso armamento de Eisengard é o mais forte! Não precisa piedade com inimigo! Exterminem esses porcos de país inferior!!
…Vocês que precisam se acalmar, francamente.
O senhor de bigode kaiser, montado num golem grande de múltiplas pernas, dá o comando com veias saltando na testa. Provavelmente, esse deve ser o comandante-geral, mas é senhor bem excêntrico, difícil de se aproximar mesmo. Dá pra ver logo de cara que não é adversário pra conversar.
Bloqueio de novo com [Prison] toda a chuva de descarga elétrica que voa em minha direção.
Negociação fracassada, hein. Se é assim, sem cerimônia.
— [Slip] & [Paralyze]!
— «Nuoh, guha!? Kepe!?»
De uma vez, os soldados tropeçam no local, batendo com força o corpo no chão, e ficam sem conseguir se mover. Tropeçar em quantidade da casa das dezenas de milhares deve causar impacto considerável no chão também. Talvez devesse ter descido antes.
Os golems tipo unidade militar começam a se mover pra ajudar os soldados caídos, imóveis. Opa, vocês vão receber isso primeiro.
— [Gravity]!
— «Gaga»
Se sobrecarregar até um certo nível, o golem para de emergência pela própria função de segurança. Detectando anomalia no corpo, entra em estado de hibernação.
Graças a essa função, mesmo golem escavado depois de eras e eras, consegue reativar sem problema.
Certo, com isso, já neutralizei, mas, claro, não pretendo deixar por isso mesmo.
— [Trevas, venham, busco o demônio verde, Green Slime]!
Desço no chão e invoco slime do círculo de invocação. Monstros mucosos verdes começam a sair rastejando um atrás do outro.
Existem vários tipos de slime. Do inofensivo ao nocivo. Do temperamento agressivo ao covarde. Do raro ao comum em qualquer lugar. Os tipos são variados.
E esse Green Slime aqui. Slime comum, encontrado em qualquer lugar, basicamente inofensivo. Mas é bem odiado por certo grupo de pessoas.
Esse slime, mais que tudo, adora comer roupa de fibra vegetal. Quando aventureiro é atacado, a roupa é dissolvida e comida. Come só a roupa, nunca a armadura nem o corpo humano.
Esse slime, em massa, se aproxima, "uzo uzo", dos soldados caídos no chão. Precisamente falando, mirando na roupa que eles vestem.
— «Fuge, fugege!?»
— «Hya, hyaa!?»
Com [Paralyze], soldados paralisados a ponto de nem conseguir falar direito, mas com consciência intacta, o slime se apoia neles. Deve ser terror considerável, pra quem não consegue se mover.
Pego um deles com a mão e levo até o general de bigode kaiser, montado no golem multiperna, também paralisado.
— Falei, né? "Vão experimentar a derrota mais vergonhosa da história da fundação de vocês."
— «F, fugo! Fugogaa!?»
Solto o Green Slime no peito do senhor de bigode kaiser, apavorado.
Imediatamente, o slime, satisfeito, começa a dissolver a roupa do senhor de bigode kaiser.
— Kukuku. Vai continuar o combate com toda a roupa devorada? Lutar de armadura e capacete, com o resto pelado, talvez seja até interessante. Vai ficar na história com o nome "Batalhão Nu de Eisengard", com certeza.
— «Fugoo!? Fugege! Fuga fuga!»
O senhor de bigode kaiser me encara com expressão feroz, mas, sem se importar, decido contar mais um segredo.
— Esse Green Slime comum só come roupa, mas esses aqui são especiais. Baseado no livro de um pesquisador de slime que encontrei por acaso, fiz uma pequena modificação. Dissolvem e comem certa coisa do corpo humano também.
— Hiu!?
Diante da minha fala, o rosto do general de bigode fica completamente pálido.
— Bom, não vai morrer, viu, fica tranquilo. Só vai ter todo o pelo do corpo dissolvido e comido, só isso. Perder até o cílio pode ser meio inconveniente, mas. Talvez fique na história com o nome "Batalhão Careca de Eisengard" também.
— «Fugoaaaa!? Aa!? Aaaaa!?»
Levando uma hora, o grande banquete dos slimes termina. Os soldados, com o corpo todo liso, escapam desesperados, recuando às pressas de volta a Eisengard.
Quase todos os soldados fogem com aparência bizarra, parte de cima com armadura leve, parte de baixo exposta. E, ainda mais, com rosto sem cabelo nem sobrancelha.
Batalhão careca com a parte de baixo exposta correndo pela estrada. Pra algumas pessoas, deve ser cena de nível traumático.
Aliás, não sei se os slimes comeram até a raiz do cabelo.
Vai crescer de volta, né? Por ora, decido torcer, "carecice torna-te".