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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 35

Nova Casa e Mudança

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Capítulo 35 – Nova Casa e Mudança

Ganhei uma casa. Sem eu mesmo entender direito, ganhei, enfim, uma casa inteira. De quem? Do rei, claro.

No dia da cerimônia de concessão do título, na sala de audiências tudo correu conforme o roteiro:

— A ti, salvador da minha vida, concedo um título de nobreza.

— Palavras generosas demais. Mas a vida de aventureiro combina mais comigo.

— Sei, então não vou forçar.

Até aqui foi como o combinado.

— Mas mandar-te embora assim seria desrespeito a quem salvou minha vida. Por isso, preparei uma soma em agradecimento e uma mansão pra te servir de base nas aventuras. Em lugar do título, aceita-os.

— Hã?

Quando o rei disse isso, um senhor de idade com uma bandeja de prata se aproximou e me entregou um saco com dinheiro e um inventário da casa e de outras coisas. Distraído com as palavras do rei, acabei recebendo, assim, sem querer.

Caí em mim com o peso do saco, mas o senhor já tinha se afastado com a bandeja, e, quando perdi a chance de devolver,

— Foi um grande feito desta vez. Espero ver-te cada vez mais em atividade.

…ele encerrou assim.

— Distrito oeste, Rua Pararan, 21A…. No distrito externo, é uma área onde mora a camada mais abastada.

Olhando o inventário, a Yumina murmura.

A Capital é dividida, com o castelo no centro, em distrito interno e distrito externo. No interno moram a família real, os nobres e os grandes comerciantes; do outro lado do rio fica o distrito externo.

No externo mora gente variada, e ele se divide em distrito leste, sul e oeste (a Capital Alephis não tem distrito norte, porque ao norte fica o lago Palet). Nesse distrito oeste, área de muita gente abastada, ganhei do rei uma mansão.

— E aí, o que vai fazer?

A Elsie, que hoje de novo participou do treino com o general e foi se lavar do suor, pergunta cheia de curiosidade; mas, pra mim, ganhar uma coisa dessas é grande demais.

— Será que não dá pra devolver mesmo?

— …Devolver algo que já foi concedido é uma grande falta de educação. É um ato que humilha o outro.

Bom, é. É como receber e dizer "no fim não gostei, devolvo". A Lindsey tem razão. Só resta aceitar, é.

Num canto do campo de treino do castelo, me jogo na relva. No céu límpido, nuvens passam. Quando cheguei a este mundo, também tinha um céu assim.

— Não só a casa, recebi dinheiro também… O que eu faço com tanto dinheiro.

— Quanto recebeu?

A Yae se debruça sobre mim, caído.

— …Vinte moedas de ouro real…

— Vinte moedas de ouro real?! — Elsie, Lindsey e Yae em uníssono perfeito.

Pois é. Normal se espantar.

A moeda de ouro real é a moeda acima até da de platina; uma de ouro real = dez de platina, pelo visto. É grande demais e quase não circula no mercado comum.

No meu mundo, uma de ouro real = cerca de dez milhões de ienes. Ou seja, no total, duzentos milhões. A vida do rei vale duzentos milhões. Caro ou barato, não sei dizer. E ainda por cima, esse dinheiro é todo do bolso pessoal do rei. De onde ele tirou, não perguntei.

Será que isto é o dote…? Tendo recebido, não dá mais pra recusar o casamento com a Yumina, é isso…? Aliás, o dote não é o noivo que dá à noiva? Não, no caso de entrar como genro, é assim…? Aff, não dá pra entender.

Por ora, como ter isso comigo dá medo, deixei o dinheiro guardado com o duque.

— Já que ganhou casa, dá pra você se aposentar e viver de boa, não?

— Isso aí me parece caminho direto pra virar um inútil.

À Elsie meio suspirosa, respondo erguendo o tronco. Ter dinheiro e não trabalhar — sinto que é errado. Embora ter dinheiro seja sempre bom.

— Por ora, vamos ver a casa? Daqui dá uns 30 minutos.

Sem motivo pra recusar a proposta da Yumina, fomos todos ver a casa.

— Hã? …É aqui?

Sem querer, murmurei.

No distrito oeste do distrito externo, num planalto de boa vista, erguia-se a mansão. Paredes brancas, telhado vermelho. Um casarão de três andares, de construção elegante. Isso tudo bem. No design não há o que reclamar, e o local, um pouco afastado da área residencial, sossegado, eu gostei. Mas……

— É grande demais, isto……

Não, comparada à casa ducal Ortlinde ou à do Visconde Swordrick, ainda é das menores. Mas, mesmo assim, é grande o bastante pra chamar de mansão.

Com a chave que recebi, abro o portão e entro no terreno. Um amplo jardim de grama, um canteiro com flores das mais variadas e um laguinho com uma pequena fonte. Além do jardim, há até um anexo e uma cocheira.

Ao abrir a porta de batente duplo e entrar no saguão, um tapete vermelho e uma escada pro segundo andar nos recebem.

— Que casa boa. Gostei.

A única entre nós acostumada a esse ambiente, a Yumina, com o Kohaku no colo, anda numa boa pelo saguão. Eu, seguindo atrás, deixo escapar uma opinião sincera.

— Uma casa tão grande, só de limpar já dá um trabalhão…… Pra cinco pessoas é amplo demais.

— Hã? — as três.

A Elsie, a Lindsey e a Yae me olham com cara de espanto. Hã, que foi?

— Ã… Touya-dono? Cinco… por acaso este servo e as outras também podem morar aqui?

— …? Como assim "por acaso". Óbvio, não?

Que isso de repente. Tem tanto quarto, seria desperdício não usar. À minha cara de quem pensa assim, a Elsie abre a boca, hesitante.

— Mas esta casa o rei deu. Não é uma casa pra você morar com a Yumina?

Ah, é isso. Era cobertura do rei pra Yumina, esta casa. Que coisa complicada de receber.

Eu não desgosto da Yumina, mas ainda não consigo vê-la como par de casamento. É mais como uma irmã caçula.

A Lindsey, cabisbaixa, me fala baixinho.

— …Se é uma casa pra duas pessoas que se gostam morarem juntas, a gente morar aqui fica meio estranho…

— "Pessoas que se gostam". Eu gosto das quatro do mesmo jeito, e penso em vocês como família. Então não tem problema nenhum em todas morarem…

Ué? O rosto da Lindsey está vermelho, o que houve? E a Elsie e a Yae também?

— A-eu vou ver o segundo andar!

— …E-eu também, v-vou ver o sótão…!

— E-este servo, a cozinha me deixou curiosa!

Como aranhas se espalhando, todas fogem. Por quê?

— Sei. As quatro do mesmo jeito, como família, é. Um passo à frente, talvez.

Vendo aquilo, a Yumina, sorrindo, abre a boca.

— Eu quero virar esposa do Touya-san e trilhar a vida ao seu lado. Mas não pretendo ter o senhor só pra mim, então isto também é uma boa. Vou conversar um pouco com elas. Touya-san, espere na sala.

Hã? Que? Como assim? Deixando a mim e o Kohaku pra trás, a Yumina sobe a escada.

Não entendi nada, mas, por ora, vou pra sala, como ela disse.

No caminho vi o banheiro, a sala de visitas, a despensa, uma adega — e, lindamente, não havia nada. Nem uma prateleira.

Abro a porta perto do fundo do térreo e ali era a sala. Que sala grande…… óbvio, mas. Aqui também só tem lareira e cortina, o que reforça. Vamos ter que comprar um monte de móvel. Será que o rei me deu o dinheiro prevendo isso.

Pela janela que toma a parede inteira, além do terraço, dá pra ver o amplo jardim e o distrito oeste do alto.

Atravesso o terraço e saio no jardim; um vento gostoso soprava.

Que belo jardim. Tirar uma soneca aqui deve ser ótimo.

O Kohaku se rola na grama.

— Gostou?

Sim, muito.

Como o Kohaku diz isso, morar aqui não é má ideia. Embora tenha coisa demais pra providenciar.

— Touya-san.

Chamado, viro, e a Yumina vinha trazendo todas. Mas, por algum motivo, as três desviam o olhar, não me encaram. Por quê? O rosto delas ainda está meio vermelho…

— A-ah, é, Touya… A gente pode mesmo morar aqui?

— …? Claro.

— …Depois você não vai pedir pra gente sair, vai?

— Não digo isso.

— A Yumina e a gente vamos ter… o mesmo tratamento?

— Naturalmente.

Que isso a esta altura. Não tenho mais família neste mundo, mas considero todas como família. Isso é verdade.

…Mas por que vocês todas ficam se contorcendo, sem graça? De fato, morar numa casa dessas pode intimidar, mas, tendo recebido, é minha, não precisa de cerimônia.

— Então, pessoal, fica decidido morarmos aqui juntos. Não há pressa, então o resto da conversa fica pra quando os corações estiverem firmes.

— Sim.

— Tá.

— Entendido.

À fala da Yumina, as outras três assentem, ainda vermelhas. "Quando os corações estiverem firmes"? Que conversa é essa?

— "O resto da conversa"… o quê?

— Segredo. — as quatro.

De novo em uníssono. Tá. Ué, será que o que tem a posição mais fraca nesta casa sou eu?

— Bom, vamos cada uma escolher o próprio quarto.

— Eu quero o de canto do segundo andar.

— E-eu quero o do lado do escritório no fundo do terceiro.

— Este servo, um do térreo voltado pro jardim.

As meninas começam a tagarelar, animadas. Ué, bate um sentimento de exclusão. Bom, tem quarto de sobra, cada uma pega o que quiser. Mas, mesmo cada uma com quarto, ainda sobra muito.

— Hmm, será que a gente sozinha dá conta de cuidar desta casa, fico inseguro……

— Não vamos dar.

— Você fala tão direto……

A Yumina respondeu na lata. De fato, só de limpar já é difícil. Tem o trabalho da guilda, e cuidar do jardim a gente não dá conta.

— Por isso, vamos contratar gente. Eu tenho alguns nomes em mente.

Se a Yumina diz, deixo com ela. De fato, precisa de mão de obra. Com os contatos do palácio, deve achar boa gente.

Bom, então, hora de preparar a mudança. Embora seja só trazer as coisas pra cá pela [Gate]. E vai precisar de móveis e tal. Não tem nada nesta casa.

E preciso me despedir de quem me ajudou em Reflet.

Acertando os horários da contratação e tal, ficou decidido mudar daqui a três dias. Vai ser corrido.


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