Capítulo 351 – A Invasão e o Mago-Rei
— E, resumindo, foi assim que fizemos eles recuarem.
Apagando a projeção do vídeo, que fiz uma das Valkyries filmar com o smartphone, encerro a explicação.
— Bom, tem alta chance deles virem de novo, então talvez seja melhor posicionar o exército perto da ruína também.
— A, ah. Entendi. Vamos fazer isso…
Com cara meio boba, o Imperador de Gardio assente. No jardim do palácio imperial onde o golem tipo coruja, Guraukusu, se descontrolou, contei o desenrolar dos acontecimentos no território de Reeve.
— Mas aquilo foi bem intenso, hein… sem piedade nenhuma…
— Ainda é branda mesmo. Não dá pra ter piedade com quem vem pra matar. Se não quebrar o ânimo do adversário, vai ser repetição infinita.
Quando é pra bater, tem que bater. Infelizmente, não sou santo nem nada, então não consigo beber e ficar amigo de quem me atacou.
Não tem garantia nenhuma de vencer no próximo confronto. Ninguém sabe o que pode acontecer, e não quero me arrepender depois. Por isso, na primeira vez, já garanto que eles nunca mais vão querer brigar comigo de novo. Se não me atacarem, não preciso bater. Isso resolve.
Mas, apesar de quebrar o ânimo dos soldados, o topo continua intacto. O que fazer daqui pra frente, hein…
Será que devia quebrar o ânimo do topo também? No ensino fundamental, também briguei contra grupo de valentões, e a estratégia que o vovô me ensinou, pra um contra vários, era mirar principalmente no líder do grupo.
De qualquer forma, esmagar o líder. Fazer com que morda até entender profundamente que brigar comigo de novo não compensa. O outro lado também não deve gostar de sentir dor. Assim, nunca mais vêm mexer comigo.
Mas, de fato, não entendo o motivo de Eisengard ser tão obcecado assim com a ruína. Parece que, não encontrando algo nas "Ruínas Azuis", agora tentam conseguir as "Ruínas Verdes", descobertas depois.
Será que estão procurando algo… golem? Mas o que seria esse golem que o mago-rei de Eisengard busca com tanta insistência, afinal?
— Num caso assim, o mais rápido mesmo é perguntar direto à pessoa.
— Direto, quer dizer… não me diga…
Diante da minha fala, o Sargento, ouvindo ao lado, arregala os olhos.
— Vou invadir Eisengard diretamente, e encontrar esse tal mago-rei. Se souber o que eles buscam, talvez consiga fazer eles recuarem.
— Que absurdo, tá dizendo que vai saltar dentro do covil inimigo!?
O Imperador de Gardio levanta a voz, mas acho que é justamente o mais garantido. Senão, outro batalhão pode invadir de novo o território de Reeve.
E, além disso, se aquele batalhão de bombardeio de filhote de coruja vier de novo enquanto eu não estiver aqui, com certeza a capital vira mar de fogo. Melhor tomar medida logo.
…Provavelmente, se guerra estourar entre esses dois países, o Império de Gardio perde. Bom, não acho que Gardio vá perder assim tão facilmente também.
Eisengard tem uma tendência gananciosa como país, analisando ativamente golem, herança de civilização antiga, e incorporando isso pra criar novo golem e nova arma.
Sinto algo tipo loucura, disposição a sacrificar qualquer coisa pra desenvolver nova arma. Se isso é caráter nacional de Eisengard, ou personalidade pessoal do tal mago-rei, não sei.
País assim mesmo. Não dá pra saber que tipo de arma escondem. Talvez o que estejam tentando conseguir nas "Ruínas Verdes" seja alguma arma antiga absurda.
Como eu imaginava, melhor perguntar diretamente mesmo.
— Então, vou indo.
— …Chegando nesse ponto, quem raios é você, afinal? Por que nos ajuda?
O Imperador de Gardio me observa com expressão confusa. Hmm, pra essa pessoa, devo estar parecendo o auge da suspeita mesmo, hein.
— Talvez não acredite, mas eu também sou rei. Num mundo diferente deste, viu. E, viajando por vários países deste mundo, penso em ficar amigo dos países que consigo ficar amigo.
— O, outro mundo…?
Vendo o imperador ainda mais confuso diante da minha fala, acabo rindo sem graça sem querer. Bom, por ora não tem jeito mesmo. Mas, eventualmente, com certeza chega o dia em que ele vai entender que isso é verdade. Independente de querer ou não.
Abro [Gate]. Como já dá pra teletransportar até o local onde combati contra o mutante em Eisengard antes, vou voar de lá. Ah… aliás, melhor avisar a Yumina e o pessoal também. Não quero levar bronca de novo por fazer algo por conta própria.
— Então, vou indo.
Deixando todo mundo ali parado com cara boba, teletransporto rapidamente e fecho [Gate].
— Se, seus desgraçados, quem são vocês! Aparecer de repente vindo do céu, gente suspeita mesmo!
O castelo de Eisengard era um castelo de aço, tipo fortaleza. Design peculiar, feito juntando peças de sucata, chamativo por toda parte.
Feito mundo steampunk, tinha tubo e válvula misturados por todo lado, e medidor e alavanca instalados em toda parte. Dá até impressão de estar dentro de navio de guerra ou submarino. Embora nunca tenha andado em nenhum dos dois.
Ao pousar no espaço central desse castelo, imediatamente soldados com lança em posição aparecem. E, num instante, também somos cercados por golems de segurança.
— O que fazer, Touya-dono?
— Uma quantidade dessas, eu e a Yae-san damos conta facilmente, mas…
A dupla de espadachins, Yae e Hilda, dos meus dois lados, pergunta observando ao redor. As duas vieram achando que ia dar confusão, mas, na verdade, devem ser vigilantes pra eu não fazer nenhuma loucura.
Bom, talvez as duas também queiram se soltar um pouco, mas vamos com jeito pacífico aqui.
— [Gelo, envolva, caixão eterno, Eternal Coffin]!
Miro só nos golems de segurança, prendendo-os em caixão de gelo. Incontáveis pilares de gelo saem do chão, prendendo os golems, congelando completamente as funções deles.
— Hii!? C, congelou!?
Vendo essa cena, os soldados que nos cercam recuam levemente. Devem ter achado que também virariam gelo, do mesmo jeito.
Infelizmente, essa magia é um pouco forte demais pra usar em humano. Se, durante o combate, um humano congelado for despedaçado, isso seria… bastante grave. Não quero presenciar uma cena de crime bizarra assim.
— Foi mal, viu, mas sabem onde encontrar o mago-rei?
— O, o que quer com Sua Majestade!
— Tenho um assunto pra conversar. Ajudaria se respondessem com sinceridade.
Falando isso, com a Brunnhild sacada, disparo na base de um pilar de gelo comum, sem golem congelado.
Com um som, "gogaan!", o pequeno [Explosion] aplicado ativa, estourando parte do pilar de gelo. Perdendo o equilíbrio, o pilar de gelo tomba e se estilhaça no chão.
Vendo isso, com o rosto completamente pálido, um dos soldados aponta, com dedo trêmulo, o prédio central.
Erguendo os olhos, esse prédio era tão robusto que parecia bloco de ferro, torre rústica completamente alheia a esplendor ou elegância.
Erguido feito mastro de couraçado, tinha vários torreões estendidos, provavelmente preparados contra ataque de qualquer direção. Será que tem mesmo um navio de guerra enterrado no chão?
Dirigimos os pés até essa torre feito olhando tudo de cima.
— Mas o Touya-dono ficou bom em ameaçar, hein.
— Q, que fala grosseira… chama de habilidade sofisticada de negociação.
— Não pareceu nada com negociação…
Sim, bom, eu também acho isso. Mas, se falássemos normal, não deveriam nos deixar passar mesmo.
De repente, atrás de nós, indo em direção à torre, ecoam alguns tiros.
Antes desse som, a Yae e a Hilda já viravam rapidamente, sacando na velocidade da luz a katana e a espada da cintura.
Provavelmente, com um corte imperceptível ao olho comum (mas eu conseguia ver), as duas partiram ao meio, sem esforço, todas as balas disparadas voando na direção delas.
A katana e a espada, feitas de material cristal de Phrase, cortam a bala feito tofu, desviando pra outra direção.
Diante das duas, os soldados, com olhos arregalados de choque, ficam parados, arma ainda apontada.
— Q, que absurdo…!
— Já que atiraram, estão preparados pra levar tiro de volta, né?
Aponto a Brunnhild pros soldados que miraram em nós por trás. Disparando nos pés deles, com [Cyclone Storm] aplicado, uns dez soldados são jogados alto pelo céu.
— De fato, isso um por um dá bastante trabalho, hein.
— Se disparassem centenas de balas, não sei se conseguiríamos lidar bem.
A Hilda fala como se dezenas de balas fosse algo tranquilo de lidar, mas acho que de fato conseguiria mesmo.
Essas duas já são existência próxima de subordinado divino, e ainda por cima discípulas da deusa da espada. Sem dúvida, devem ser espadachins entre os cinco melhores dos dois mundos.
Cada uma tem base em "Escola Kunoe Manari" e "Técnica de Espada Estilo Lestia", mas, já recebendo orientação da irmã Moroha, já viraram algo completamente diferente.
Basicamente, a espada da irmã Moroha não tem forma fixa. "Ki rápido, coração calmo, corpo leve, olho claro, técnica intensa" é um dos ensinamentos da escola Hokushin Ittō-ryū, criada por Chiba Shūsaku, mas o ensinamento da minha irmã se parece mais com "não pensa, sente".
De qualquer forma, priorizando intuição, ou melhor, instinto mais que técnica no balançar a espada… bom, originalmente já não são adversárias contra quem bom senso comum funcione mesmo, então pensar demais é desperdício.
— Mas de fato parece mastro de couraçado, hein. Se aquilo é a ponte de comando, será que ali é a sala do trono?
Olhando pra cima, pro mastro, calculo aproximadamente, e a Yae fala.
— Vai subir de dentro?
— Dá trabalho, vamos entrar por fora. Justamente tem algo bom pra isso.
Tiro do [Storage] um disco tipo wok chinês. É aquilo que o Gien, que atacou o Imperador de Gardio, estava montado. Já analisei com [Analyze], e já reescrevi o sistema de comando com [Cracking]. Ainda bem que era artefato mágico simples.
— Vem, vem, subam.
O disco não é tão grande assim, mas dá pra caber três pessoas se apertarem bem.
Deve pensar que dava pra ir com [Levitação] e [Fly], mas as duas odeiam demais a sensação de flutuação de [Levitação].
Esse disco tem estabilidade sem balançar nem flutuar demais, então deve ser melhor. Ou melhor, em termos de segurança, isso é bem perigoso também, mas.
Colando os três corpos juntos, subimos devagar montados no disco. Feito elevador, mas elevador sem parede externa dá um medo tremendo. Se não tivesse magia de voo, jamais entraria nisso.
Sinceramente falando, tinha a opção de colocar as duas no disco e voar sozinho separado… bom, tanto faz isso.
Ao subir até a altura próxima da ponte de comando, a Yae corta em formato quadrado a parede grossa de ferro. A parede recortada tomba pro outro lado, e saltamos do disco pra lá. Claro, recolho o disco voador também.
Chegamos a algo tipo corredor grande, e, diante de nós, de novo golems de segurança bloqueiam o caminho.
— [Shield]!
Estendo escudo invisível preenchendo todo o corredor. E, dali…
— [Power Rise]!
Com poder reforçado, empurro à força os golems à frente, escudo e tudo. Empurrados pelo [Shield], os golems tombam e rolam.
— Touya-dono, tem escada ali!
A Yae, que encontrou escada no fim do corredor à direita, vai naquela direção. Eu também sigo atrás dela, junto com a Hilda, mantendo [Shield] ativo.
Não sei se o tal mago-rei está lá, mas, seguindo a teoria comum, achei que o líder deveria estar no topo, no lugar mais alto.
O fim da escada estava fechado por uma porta de ferro robusta, mas, de novo, a Yae corta isso sem esforço, criando uma entrada. Isso é fora de regra mesmo, francamente.
Com estrondo, "dozun!", ecoando o som da placa de ferro grossa tombando, avançamos pra frente.
O corredor à frente, com tapete vermelho estendido, largo demais, tem outra porta, e, na frente dela, um homem e um golem grande estão de pé.
O homem, com armadura enfeitada tipo soldado, usa elmo com dois chifres saindo dos lados. Rosto rústico barbudo nos encara por baixo do elmo.
O golem, do tipo bem grande, mas o corpo em si de cobre-bronze não é tão grande assim, em troca, tem braço e perna grossos e grandes. Diferente um pouco dos golems que vi até agora.
— Vindo até o Castelo de Ferro Mágico, morada de Sua Majestade o mago-rei, invadindo assim, gente que não valoriza a própria vida. Vou expor os corpos de vocês na praça abaixo do castelo, agradeçam por isso.
Provavelmente, esse homem tipo infantaria pesada deve ser o guarda deste local. Então o mago-rei de Eisengard deve estar mesmo mais à frente, hein?
— Por precaução, pergunto, mas, mesmo assim, você não vai nos deixar passar dócil, né?
— Bobagem! Se quiser passar de qualquer jeito, derrota este que vos fala!
O homem grita isso, salta, e, atrás dele, o golem de repente se desmonta em pedaços, voando pelo ar, se equipando no corpo do homem. Feito vestindo armadura, o braço e a perna do homem ficam cobertos pelo braço e perna gigante do golem. Isso é…!
Golem tipo equipamento. Se não me engano, chamava-se "unidade blindada". Golem que a Nia e o pessoal do Gato Vermelho me ensinaram.
Com estrondo, "dozun!", o soldado, com peça de golem robusta equipada em braço e perna, pousa no chão. Exatamente uma forma digna do nome "tipo equipamento".
Cabeça, tronco e coxa expostos, sem virar armadura mecânica completa, mas essas partes estão cobertas pela armadura original, então deve ser considerado quase como armamento completo.
— VAAAAAMOOOOOOOOOOS!
Com força e estrondo várias vezes maiores que jogador de futebol americano, o soldado vestindo golem tipo equipamento avança contra nós no tapete vermelho, feito touro selvagem.
A Yae e a Hilda liberam a boca da bainha da katana e da espada.
— [Gate]!
— «Hã?»
Diante da minha fala, a voz da Yae e da Hilda se sobrepõe.
No portão de luz expandido bem na frente, o touro-americano-de-futebol, incapaz de parar, salta sozinho direto pro portão de teletransporte.
— Owaaaaaaaah!? Ca, caindo, caindo, aaaaaah!!
No instante seguinte, ao longe, do lado de fora, ecoa um pequeno grito de homem, e um som surdo de algo caindo no chão.
— …Onde conectou isso?
— Na entrada, na parede que a Yae cortou pra entrarmos. Não quer lidar com adversário incômodo desses, né?
— Não me importava nada, mas…
Golem de aparência robusta, então não deve ter morrido. …Provavelmente.
Mais que isso, vamos seguir em frente logo. Se estiver vivo, vivo, dá trabalho se voltar de novo.
Com som surdo, "gigigi…", abro a porta pesada no fim do tapete vermelho.
Dentro, um grande salão, com clima parecido com sala de audiência. Não, talvez seja mesmo sala de audiência, mas os inúmeros tubos, engrenagens, e algo tipo lousa cheia de rabisco ao redor não davam essa impressão.
Ferramenta, parafuso, engrenagem pequena rolando por toda parte no cômodo, dificilmente parece lugar que um rei usaria como sala de audiência.
Na frente, várias janelas grandes instaladas, dava pra ver nuvem acinzentada e a capital de Eisengard. Bem na frente, um trono de ferro sem decoração nenhuma está posicionado.
E, sentado nesse trono, um velho. Esse velho, sorrindo maliciosamente olhando pra cá, tem os dois braços mecanizados, iguais aos de golem.
Sem dúvida. Esse homem é justamente o mago-rei de Eisengard, Giburamu Zain Aizengarudo.