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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 352

A Arma Decisiva e Hecatonqueiro

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Capítulo 352 – A Arma Decisiva e Hecatonqueiro

O velho chamado mago-rei apoiava o cotovelo no braço do trono, observando na nossa direção com sorriso malicioso.

Dos dois braços mecânicos, com brilho tipo latão, vem um leve som de motor. Provavelmente, ouvido humano comum não conseguiria escutar.

Idade aparente uns 70 anos. Cabelo branco penteado pra trás, monóculo no olho. Entre a boca curvada pra cima, dá pra ver dente de ouro.

A impressão visual é de "velho suspeito". Essa desfaçatez deve ser fruto acumulado de uma vida inteira.

— Você é o mago-rei de Eisengard?

— Exatamente. É como me chamam por aí. Originalmente, "mago-rei" é título dado ao melhor engenheiro mágico de Eisengard. Só que, desde que consegui na época em que era príncipe, monopolizo isso continuamente, então já é praticamente meu nome próprio.

Uau, então não é mago-rei por ser rei, é isso.

Continua chegando, através do monóculo, um olhar tipo avaliando meu valor. Sensação nada boa, hein.

— E então? Que negócio tem com nossa Eisengard, senhor Mochizuki Touya?

— …Por que sabe meu nome?

Diante da fala repentina do mago-rei, franzo a testa.

Poucas pessoas neste mundo sabem quem eu sou. Não deveria ter conhecido nenhum em Eisengard.

Olhando meu rosto, "kakaka", o velho solta um riso irritante.

— A inteligência da nossa Eisengard, embora não tanto quanto o "Gato Preto", também tem rede de informação razoável. O garoto que parou a guerra entre Primula e Toriharan, e amaldiçoou um dos altos funcionários da "Borboleta Negra". Além disso, exterminou o exército de monstros dourados que apareceu no nosso país, com um golem gigante. Ah, sobre isso, preciso agradecer, hein.

"Kukuku", o mago-rei ri de novo, vibrando a garganta. Sinto que tô sendo debochado. Não é como se tivesse derrotado o mutante pelo bem do país de vocês.

— Grande mago e dono de golem gigante. Você, em qual ruína conseguiu esse tanto de poder?

O mago-rei me olha com olhos investigativos. Parece estar entendendo algo errado, hein. Bom, também não deve chegar a resposta "vim de outro mundo" mesmo.

— Achava que magia era coisa incerta, sem lugar de uso, mas é bem mais formidável do que eu pensava. Também apliquei às pressas uma coisa tipo "barreira mágica" neste castelo, mas parece que foi em vão.

— Não, não. Deu resultado o suficiente pra atrapalhar magia de detecção e teletransporte. Graças a isso, tive trabalho pra chegar até aqui.

Bom, não foi trabalho tão grande assim. Mas, esse mundo também tem cultura mágica meio pela metade, então dá trabalho mesmo. Se não tivesse nada, não teria esse trabalho.

Não, se nem magia nem energia mágica existisse, seria complicado no sentido inverso, hein. Poderia virar uma situação em que eu mesmo não conseguiria usar magia.

Afinal, o próprio golem de máquina antiga escavado de ruína já é tipo aglomerado de engenharia mágica, e acho que isso mesmo é o que a magia criou.

Chego até a pensar que o ponto de partida cultural, tanto do mundo real quanto do mundo sombrio, é fundamentalmente o mesmo.

— E então? Qual é o assunto que trouxe você até o ponto de invadir meu castelo?

— Direto ao ponto: quero que pare a invasão contra o Império de Gardio.

— Basta Gardio entregar as "Ruínas Verdes" a Eisengard. Já chamei Gardio várias vezes antes disso. Como não recebi resposta favorável, decidi tomar à força.

Ruína antiga é montanha de tesouro onde vários objetos escavados são descobertos. Não é algo que um país entregue facilmente. Mas, além desse motivo, também acho que o Imperador de Gardio não queria entregar a terra de Reeve, terra natal do filho do imperador, justamente a Eisengard.

— O que tem nas "Ruínas Verdes"? Golem poderoso?

— Golem poderoso… hein. Não é bem isso, mas também não está longe. Você, conhece a "Grande Guerra dos Golems Antigos"?

Encostado no trono, o velho mago-rei entrelaça os dedos sobre a barriga.

— …É a guerra que virou gatilho pra destruição deste mundo uma vez, né? Os golems mobilizados naquela guerra são os que estão sendo escavados como máquina antiga hoje, não é?

— Ha. Estuda pouco, você. Precisamente falando, são os golems que "não foram mobilizados" que estão sendo escavados. Escuta bem, ruína antiga é basicamente fábrica de fabricação de golem, ou instalação importante, laboratório de pesquisa. Por isso, os golems que estavam lá ficaram dormindo quase intactos.

O mago-rei tira um charuto do bolso do peito, corta a ponta com uma lâmina que sai do dedo mecânico. Coloca na boca a parte cortada, e acende com um pequeno fogo tipo isqueiro que sai do polegar do lado oposto. Conveniente, esse braço, hein. Parece ter vários mecanismos escondidos.

Soltando fumaça roxa, "fū", o mago-rei continua a fala.

— No fim da grande guerra, dizem que todos os países desenvolviam arma capaz de terminar a guerra. Algum país, canhão gigante. Algum país, fortaleza flutuante no céu. E outro país, bomba capaz de apagar uma capital inteira. Mas essas, chamadas "armas decisivas", só apareciam em documento antigo, nunca foram encontradas de fato. Eu mesmo, antigamente, achava que fosse conto de fadas duvidoso.

— Não pode ser…

Olhando meu rosto, o mago-rei sorri maliciosamente.

— Sim. Arma decisiva existe de verdade. Eu a encontrei. O cristal do conhecimento da civilização antiga. Eu a chamo de "Hecatonqueiro".

Hecatonqueiro…? Já tinha encontrado o objeto alvo? Então por que estava tentando conseguir as "Ruínas Verdes"?

— Kukuku, ora, já que é convidado especial. Vamos recepcionar direito.

O velho mago-rei baixa uma alavanca no braço do trono, "gakon", e o cômodo inteiro onde estamos vibra fortemente, começando a descer devagar.

— O, o quarto tá afundando, francamente!?

— Touya-sama, isso é…!

O cômodo inteiro virou elevador, francamente!? A sala do trono continua descendo cada vez mais pra baixo, e, provavelmente chegando até algum ponto subterrâneo, para de novo, com uma vibração, "gakon".

— Que lugar é esse, afinal…!?

Amplo demais pra ver o outro lado (também por estar meio escuro ali), aquele lugar era exatamente algo tipo fábrica secreta. Dava pra ver a figura de vários golems de trabalho também.

E, bem à nossa frente, iluminado, um objeto sinistro de metal pesado, aço de fundo preto com contorno cor de latão.

— Isso é… golem, é?

Provavelmente, deve ser a cabeça de um golem. Grande demais pra julgar. Só a cabeça sai do chão. O corpo deve estar mais embaixo do que os pés.

De qualquer forma, é grande. Iluminação fraca, e desse ângulo, não dá pra ver a forma inteira. Nesse momento, se usasse "Olho Divino", talvez conseguisse ver, mas usar isso nem passava pela minha cabeça.

Na cabeça sinistra, tipo demônio, dois chifres retorcidos se estendem, e, dos dois lados, várias meia-esferas estão alinhadas. Talvez por ter linha horizontal desenhada nas meia-esferas, parecem incontáveis olhos fechados.

E, na parte correspondente à testa, também tem uma meia-esfera grande única. Feito terceiro olho, hein.

— Isso é o Hecatonqueiro…?

— Isso mesmo. Originalmente, Eisengard era o país do guardião que selava esse Hecatonqueiro. Em algum momento, até esquecemos essa missão, e até a própria existência do Hecatonqueiro. Se eu não o tivesse descoberto, ele continuaria dormindo eternamente lá embaixo.

Presente deixado pela grande guerra que uma vez destruiu o mundo. Não imaginava que uma coisa dessas estivesse selada no subsolo de Eisengard.

Isso é tipo espécie superior de Phrase. Não, sendo feito por humano, isso é ainda pior. Porque é arma de matança criada com objetivo único de destruir o inimigo.

— Golem tem, digamos, coração, o "G-Cube", e cérebro, o "Q-Crystal". Mas, nesse Hecatonqueiro, a parte do "Q-Crystal" estava incompleta. Então precisava de substituto, mas, não importa que Q-Crystal de qual golem eu usasse, o Hecatonqueiro não despertava. Levei 30 anos pra chegar à resposta.

O mago-rei se aproxima da frente do Hecatonqueiro, e desliza o dedo mecânico num console que se estende do chão. Com um pequeno som eletrônico, "pipipi", as meia-esferas alinhadas em fileira na cabeça do Hecatonqueiro se abrem pra cima e pra baixo.

— Isso é…!

Aberto feito abrindo pálpebra, ali dentro, flutuava algo tipo cérebro humano conectado a tubos.

Feito espécime preservado em formol, dentro de solução aquosa verde-esmeralda, flutuava um cérebro transparente feito cristal, não, um objeto que imita isso.

Visualmente, é feito bloco de cristal esculpido em ângulos afiados no formato de cérebro. A parte que parece prega cerebral está esculpida tipo circuito.

Isso deve ser o cérebro do golem, o "Q-Crystal". Está alinhado em fileira, dos dois lados, atrás do vidro transparente. Mesmo sabendo que é objeto fabricado, a sensação sinistra é inegável.

— Precisa de 50 Q-Crystals pra finalmente controlar esse aqui. Não é Q-Crystal comum, viu. São Q-Crystals de alta qualidade, extraídos de máquina antiga de alto nível. Mas, mesmo fazendo isso tudo, o risco de descontrole não é totalmente eliminado, e ainda falta uma peça importante.

Mesmo na escuridão vaga, dava pra perceber o mago-rei sorrindo de forma sinistra.

— Fonte de energia de golem é luz e energia mágica. Como catalisador disso, o motor mágico se move, e o Hecatonqueiro é igual nisso. Mas, pra acender o motor mágico deste aqui, precisa de uma quantidade considerável de energia mágica. Descobrir que existia um artefato mágico capaz de gerar isso na terra de Reeve foi há 10 anos atrás.

— Dez anos atrás… então o motivo verdadeiro de invadir o Reino de Reeve foi…!

— Isso mesmo. Foi pra conseguir esse artefato mágico. De quebra, também recuperei o Q-Crystal do Golem Imperial das Feras derrotado, e usei no Hecatonqueiro. Mas, das "Ruínas Azuis", não foi encontrado esse artefato mágico.

Só a informação incerta de que estava na terra de Reeve, não necessariamente estaria nas "Ruínas Azuis" mesmo.

Nesse momento, foram descobertas de novo as "Ruínas Verdes". Faz sentido que Eisengard… não, o mago-rei quisesse conseguir isso a qualquer custo.

— Pra que quer mover uma coisa dessas? Vai conquistar o mundo?

— Conquistar o mundo? Que bobagem. Eu só quero provar que minha própria existência alcançou um nível bem além até do engenheiro mágico da era antiga. Não acha que, se um tolo herdasse esse esplêndido legado, só o deixaria apodrecer à toa? Tudo isso é pra eu chegar ao ápice da tecnologia mágica antiga. Não vou deixar ninguém atrapalhar.

O mago-rei faz brilhar o olhar turvo, através do monóculo. Essa luz, carregada de loucura, brilha intensamente, tentando queimar tudo que se opõe.

— Como a Nia disse, parece que você é bem maluco mesmo.

— Kakaka. Todo humano, sem exceção, tem algo estranho em algum lugar. A maioria das pessoas só não percebe isso. Achando que só elas são normais. Você me chama de estranho, mas, do meu ponto de vista, vocês é que são estranhos.

"Kukukuku", de novo vibrando a garganta, o velho mago-rei solta um riso debochado.

O vovô me ensinou a respeitar os idosos, mas, com esse velho, não consigo sentir vontade nenhuma disso.

— …Parece que não tem espaço pra conversa mesmo. Foi mal, mas vou transformar essa antiguidade de mau gosto em sucata. Usar isso de forma útil é perigoso demais.

— Acha que eu deixaria você fazer isso? Pra que acha que arrastei essa conversa longa até trazer você até aqui?

— …O quê?

De repente, do chão e do teto, ao meu redor, surgem tubos de vidro, e num instante fico completamente selado. No mesmo instante, sinto força saindo do corpo, fico tonto, e acabo caindo de joelhos sem querer.

Isso é… estão sugando minha energia mágica!?

— Touya-dono!

— Touya-sama!

A katana da Yae e a espada da Hilda são sacadas, cortando em pedaços o tubo de vidro que me cerca.

Mesmo isso levando só uns poucos segundos, quase 40% de toda minha energia mágica já tinha sido roubada. Pessoa comum já teria esgotado a energia mágica há tempos, e, dependendo, poderia ter morrido. Por ter sido sugado de uma vez, minha cabeça ainda fica levemente tonta.

— Kukuku, kahahahaha! Exatamente a quantidade de energia mágica que eu esperava! Energia mais que suficiente pra acender o forno do Hecatonqueiro! Vou receber com gratidão!

— O quê…!

Mesmo com a cabeça tonta, entendo o que aquele velho desgraçado estava mirando. Desde o início, aquele velho estava mirando na minha energia mágica. Pra ativar o motor mágico do Hecatonqueiro.

Esse velho me usou de substituto de artefato mágico, francamente.

— Desgraçado!

A Yae salta feito relâmpago pro peito do mago-rei, cortando fora o braço mecânico direito dele pelo cotovelo.

Em seguida, quando a Hilda também tentava avançar, algo inacreditável acontece.

A boca do mago-rei se abre, rasgando pra cima e pra baixo. O queixo desce uns 20 centímetros, e, do fundo da boca, um cano de arma, ou algo assim, dispara vários tiros na nossa direção.

— O quê…! [Shield]!

O escudo invisível que expando bloqueia a chuva de balas que vem atacando.

Então, dessa vez, as costas do velho se rasgam, e, de baixo da roupa, vários braços tipo sanfona se estendem. Na ponta deles, lâminas afiadas estão equipadas.

— O, o corpo todo é mecânico, francamente!?

— Não, tá errado! Isso é golem! É golem tipo humanoide!

Tipo humanoide. Golem que se move exatamente igual a humano. Meus golems, Ruby, Safa, Emera, também entram nessa categoria. A engenheira Elka disse que golem humanoide idêntico a humano é raríssimo, mas não imaginava que esse velho fosse golem!

Os braços mecânicos brandidos livremente em todas as direções vão sendo cortados um atrás do outro pela Yae e pela Hilda. A força de combate de tipo humanoide nunca é alta. Isso porque a habilidade se concentra num único ponto: se misturar entre humanos.

— Fu!

— Haa!

O corte da Yae decepa o pescoço do golem-mago-rei, e a Hilda corta o tronco restante ao meio, de cima a baixo, num único golpe.

Espalhando peças internas com estrondo, "garagara", aquilo que era o mago-rei desaba no local.

— Não imaginava que fosse golem…

Mas… como assim? Originalmente, o mago-rei já era golem? Ou alguém preparou um mago-rei falso… não, isso não explica…

Enquanto ficava pensando nisso, chega aos meus ouvidos um grande tremor de terra ecoando, "gogogogo…!", e tudo na fábrica começa a chacoalhar, "katakata". Terremoto… não é isso!

— «Kakakaka! Esplêndido, esplêndido! Todo o corpo transbordando de poder, todos os sentidos afiados ao extremo! Ultrapassei toda a humanidade!»

A voz do mago-rei ecoa dentro da fábrica. Onde!?

— T, Touya-dono! Aquilo!

Na direção que a Yae aponta, na cabeça sinistra do Hecatonqueiro… a parte em forma de meia-esfera na testa se abre pra cima e pra baixo.

Ali dentro, flutuando na solução aquosa verde-esmeralda, exatamente igual aos outros Q-Crystals, estava um… cérebro humano.


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