Capítulo 362 – A Recompensa, e o Resultado do Teste
O fogo intenso cuspido pela Wyvern não conseguiu queimar sequer um fio de cabelo meu. Uma barreira mágica poderosa envolve a Wyvern. Claro, o fogo cuspido não vazou pra fora.
Só uma pessoa consegue fazer isso.
— Que demora, hein…
— Não, é que fiquei curioso se ela conseguiria derrotar sozinha.
Isso, sinceramente!
Encaro com raiva Sua Majestade, que pousa vindo do céu. Fala o que bem entende, esse sádico!
Como ele usa magia de ilusão, a aparência tá completamente diferente, mas o jeito de rir era o mesmo. Faz sentido, né.
— Alvo travado. [Luz, venha, cura da deusa, Mega Heal]!
Sua Majestade dispara magia de recuperação. A Miu-san e o pessoal, caídos, começam a se levantar, cambaleando.
Rapidamente, minha mão direita, cheia de sangue, também se fecha. O tornozelo também não dói mais.
Mas, mesmo assim, sinto que não tenho força, ou melhor, minha cabeça fica tonta, e não consigo me levantar, caindo sentada no lugar, "sutan".
— Você tá com falta de energia mágica. Quem te ensinou essa técnica no limite total, francamente… [Transfer].
Com todo respeito, quem ensinou foi a sua noiva, chefão.
Com a magia de transferência de energia mágica que Sua Majestade usa, minha consciência clareia. Pulando, "pyon", movo o corpo pra testar, sem problema. Certo, re-cu-pe-ra-da!
— Certo, todo mundo já se recuperou, né? Sei que já entenderam, mas, neste ponto, o teste terminou. Podem continuar a missão em si se quiserem, mas eu não vou mais ajudar. Claro, esse aí também terão que resolver por conta própria.
Dentro de uma barreira semitransparente em formato de cubo, a Wyvern se debate. Nem som dá pra ouvir. Mas dá pra sentir que ela tá extremamente brava.
— Eu desisto. Não quero morrer à toa, sabe.
O Sāgesu-san, com o manto todo maltratado, é o primeiro a levantar a mão. Em seguida, a Rōzu e a Miu-san também levantam.
— A recompensa é uma pena, mas primeiro é a vida. Eu também desisto.
— Eu também.
Vendo a Miu-san e o pessoal levantando a mão, o Aberuto e o Domu-san também seguem.
— Nós também desistimos. Já experimentamos bem o suficiente a falta da própria habilidade.
— Vergonhoso, mas.
Os dois dão um riso seco, olhando de canto de olho pro Garon.
— Eu também… desisto. Frustrante, mas força pra derrotar Wyvern eu não tenho… nós não temos.
O Garon murmura com pena, segurando firme a espada. Deve estar mastigando a própria impotência. Pelo menos, ainda é melhor conseguir admitir isso.
Percebendo esse sentimento, o olhar de Sua Majestade se volta agora pra mim. Ah, eu também.
— Sim, sim, desisto. Rendo-me.
— Que leve, hein.
Sua Majestade murmura com sorriso amargo, mas insistir aqui não adiantaria nada, né.
Sua Majestade estala os dedos.
— Liberar.
— Gurufugaaaaaaaaaaaa!
A Wyvern é liberada, e de novo ecoa esse rugido furioso ao redor.
Todo mundo, exceto Sua Majestade e eu, entra em posição de guarda, mas, na frente dessa Wyvern, sem perceber quando, já estava de pé um velho, espada desembainhada na mão.
Ué!? Aquele é o antigo-antigo Rei de Lestia!? Desde quando ele tá aqui… nem percebi nada!? Ou melhor, ao lado de Sua Majestade tem até a Karina-sama! O que é isso, essa gente! Ocultar presença ainda mais que ninja é assustador demais!
— Já faz tempo que não enfrento dragão voador, hein. Vou ensinar a todos como derrotar isso aí.
Quando o vovô antigo-antigo rei fala isso, sua figura some num instante.
No instante seguinte, o vovô já estava atrás da Wyvern. E, com um único golpe de espada, corta a cauda dela pela raiz.
— Gyauaaaaaaaaaaaaaaa!?
— Primeiro, deixamos ela impossibilitada de voar. Normalmente, pensa-se em mexer na asa, mas cortar a cauda é mais rápido, na verdade. Assim, perde o equilíbrio, e não consegue voar direito.
Mesmo cambaleando, a Wyvern tenta fugir pro céu, mas cai de cabeça no chão logo em seguida. Entendi.
Em seguida, mirando nos dedos das patas com garra da Wyvern já de pé, ele corta.
— Aqui é o ponto mais fácil. Comparado ao resto, é fino, e, cortando isso, também elimina o ataque de garra. E, por fim,
Com um leve salto, "ton", e um golpe de espada num único movimento, a cabeça da Wyvern voa pelo ar sem esforço nenhum. Uee!?
Achei que passaram alguns cortes rápidos, e o braço-asa já cai do tronco, e o próprio tronco também é cortado ao meio.
Em questão de poucos segundos, aquele que até há pouco nos dava terror como um poder absoluto foi picotado facilmente.
…Isso é rank ouro.
— E, bom, essa é a forma mais ruim de derrotar, sabe.
— «Ééééééé!?»
Sem querer, todos gritamos ao mesmo tempo. Forma mais ruim de derrotar, aquilo!?
— Se pensar primeiro no material, é melhor abater com um golpe só. Tipo, uma estocada no cérebro ou no coração. Claro, precisa de arma adequada pra isso.
Faz sentido isso, mas… nesse momento, percebo pela primeira vez, a espada que aquele vovô segura é espada de cristal. Espada feita de fragmento de Phrase. Faz sentido o corte ser tão bom assim. Será que foi Sua Majestade quem fez?
Mesmo se eu segurasse aquela espada, não conseguiria caçar de forma tão elegante quanto isso. Provavelmente, ia acabar cortando tudo desorganizado, reduzindo ainda mais o valor como material.
Enquanto ficamos atônitos, Sua Majestade dirige o olhar pra cá.
— Certo, sobre o resultado do teste de subida de rank de vocês, infelizmente, todos ficaram no rank verde.
— …Isso é por causa do fracasso da missão?
Diante da fala de Sua Majestade, o Aberuto abre a boca.
— Bom, isso também, mas. Confirmei todas as ações de vocês. Cada um individualmente, também, depois que se separaram na guilda. Primeiro, ninguém foi até a sala de arquivos da guilda. Isso deve ser desconto grande, viu. Só de pesquisar um pouco, já teriam conseguido informação detalhada sobre a Erva Carro de Fogo e o Fire Lizard.
Ah, de fato. Na hora do registro, explicaram que a guilda tem esse tipo de instalação. Preparação prévia direitinho é importante mesmo, hein.
— Bom, além disso, também tem a sincronia de cada um. Mesmo sendo parceiro nunca antes formado junto, se pensassem um pouco mais, conseguiriam se coordenar bem.
Deve ser na hora do Bloodliger, hein. Naquela hora, todo mundo tava no próprio ritmo, sem espaço pra pensar nos outros.
— À noite, cada um cuidou de manter a arma em ordem? Se ficar imprestável na hora do aperto, é assustador, né?
— Kuh…
Diante da fala de Sua Majestade, o Garon abaixa o olhar sem graça. Provavelmente, o escudo foi danificado no combate do Bloodliger. Como não percebeu, aconteceu aquilo. Eu também, tava só conversando com todo mundo, sem manutenção nenhuma… reflexão…
— Sobre a Wyvern final, se acharem que foi só falta de sorte, estão bem enganados. Se observassem com mais atenção, dava pra prever de várias formas: por que o Fire Lizard não comia a Erva Carro de Fogo mesmo tendo ela ali, por que Fire Lizard, que prefere ação solitária, estava agindo em grupo. Bom, isso já era xeque-mate desde o momento em que não coletaram informação na guilda, viu.
Eu, pelo menos, percebi, tá? Mas tarde demais.
Preciso observar com mais atenção mesmo… ah… isso a líder sempre fala pra mim. Pensa mais antes de agir.
— Tem várias outras coisas pequenas além disso, mas nós três julgamos que nenhum de vocês chegou ao rank azul. Sinto muito.
— …Não, acho que é julgamento justo. Se isso não fosse teste, todos nós teríamos sido devorados por essa Wyvern. Só de aprender essa postura de aventureiro, já valeu a pena ter feito este teste.
O Aberuto fala essas palavras honestas. Todo mundo parece sentir algo parecido, ficando em silêncio.
— Não é exatamente prêmio de consolação, mas. Essa Wyvern ali, façam o que quiserem com ela.
— «Hã?»
Diante da fala do vovô, arregalamos os olhos. Hã? O quê? Vão nos dar essa Wyvern!? Sério mesmo!?
— Espe, tá bem assim!?
Até Sua Majestade parece surpreso, interrompendo. Para! Não fala coisa desnecessária!
— Sem problema. O equipamento deles deve ter sido bastante danificado neste teste também. Isso aqui é dragão inferior, e, como eu picotei tudo, o valor deve cair bastante. Descontando isso, não deve ser tanto dinheiro assim.
— Mesmo assim, acho que deve dar umas cinco moedas de platina, hein…
Cinco moedas de platina! Dividindo por sete, deve dar uns um terço da recompensa original? A recompensa original era 2 moedas de platina por pessoa, então, de 14 moedas pra sete pessoas, virou 5.
Pra nós, é um dinheirão suficiente. Não, será que, comprando equipamento novo, não sobra tanto assim?
Todo mundo parece feliz também. O teste foi decepcionante, mas, mesmo assim, deve ter sido bom começo como aventureiro de rank verde.
Depois disso, nós nos dividimos e começamos a desmembrar a Wyvern. A Karina-sama nos ensinou detalhadamente como cortar dragão, então conseguimos fazer até o fim de algum jeito.
Enquanto isso, o Domu-san desenterra o material do Bloodliger que tinha enterrado. Isso também vira dinheiro considerável se vender.
Assim, conseguimos bastante material, mas, claro, não dá pra transportar isso facilmente até a guilda. Mas eu conheço alguém que consegue carregar isso tudo com facilidade.
— O…
— …Já entendi, para com esse olhar.
Como esperado de Sua Majestade. Gentil demais, hein.
Sua Majestade vai apagando a montanha de material com magia de armazenamento, "poipoi". Todo mundo arregala os olhos, mas ficam ainda mais surpresos quando são levados num instante até a guilda com magia de teletransporte.
Entendo o sentimento. Nosso Sua Majestade é anomalia ambulante mesmo, afinal.
Depois de terminar a avaliação do material na guilda, dividindo o dinheiro recebido em sete, dá sete moedas de ouro por pessoa, sobrando uma.
Isso também dava pra dividir em pedaços menores, mas, por sugestão do Aberuto, decidimos usar esse dinheiro pra comer todos juntos, indo direto pro bar.
Bom, dizendo isso, o bar fica bem do lado da guilda, então não chega a andar nem um minuto.
Como só eu tenho idade que não posso beber, tomei suco de fruta, mas, em compensação, comi bastante comida, "gatsugatsu". Chance dessas não é sempre.
— O que você vai fazer daqui pra frente?
— Fazer o quê?
Enquanto mordo a carne de frango bem tostada, a irmã Rōzu puxa conversa comigo. Ao lado, a Miu-san também tá sentada.
— Sendo assim, formamos vínculo trabalhando junto, né. Nós… e eles também, tínhamos conversado sobre formar grupo por um tempo. Aí pensei se você também toparia.
Aah. Entendi. Então era essa a conversa de há pouco. Olho de relance pra mesa ao lado, e o Domu-san e o Garon fazem competição de bebida. O Aberuto ri assistindo enquanto bebe, e o Sāgesu-san bebia calado.
— A Miu-san também vai entrar?
— Uhum. A Rōzu convidou junto.
Ah, é. Talvez seja surpreendentemente interessante. Mas…
— Foi mal, eu tô fora.
— Por quê! Sozinha, ganha menos dinheiro com mais risco, viu!?
— Ah, é que, originalmente, me registrar como aventureira foi coisa temporária. Não pretendo fazer disso profissão. Ganhar de vez em quando já basta, pra mim.
— É assim, hein… então não adianta insistir. É trabalho que às vezes coloca a vida em jogo, afinal…
— Que pena.
A Rōzu e a Miu-san, com pena, mas rindo, recuam. Foi mal, mas eu tenho companheiros, a Ordem de Cavaleiros de Brunhild. Fazer aventureiro de vez em quando nas folgas também não é ruim.
— Mas eu tô em Brunhild, viu. Se me encontrar por aí, chama. Se tiver algum problema, ajudo. Apesar da aparência, tenho bastante contato.
— Ah, aí conto contigo.
— Uhum.
Brindamos de novo, rindo. Fazer amiga foi a maior recompensa deste trabalho, talvez. Um dia, quero apresentar pra Shizuku e Nagi também.
— Ah, é verdade, ainda não recebi o dinheiro da bomba explosiva!
— Você, hein…
— Avarenta?
O que tão falando! Quem ri de uma moeda de cobre, chora por uma moeda de cobre! Precisam me pagar direitinho!
Direciono o olhar pros homens já bêbados ao lado, pra cobrar.
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— O relatório é isso.
— Uhum. Ainda bem que ninguém disse que ia parar de ser aventureiro por causa disso desta vez. Wyvern foi coisa inesperada mesmo, hein.
Diante do relatório da Tsubaki-san, sinto alívio. A maioria dos dragões ao redor daquela ilha já tinham se afastado por ordem da Ruri, mas não imaginava que outro dragão, diferente do que a irmã Karina derrotou, tinha se instalado lá.
Talvez apareça mais algum querendo se instalar de novo, então, de vez em quando, deve ser bom pedir pra Ruri fazer ronda.
— Acho que a Honō também aprendeu bastante coisa. Aquela criança tem esse jeito de não pensar profundamente…
— Bom, justamente por conseguir se misturar naturalmente entre esse tipo de gente, ela é ótima pra missão de infiltração. Só gostaria que ela se disfarçasse um pouco mais.
— Vou disciplinar rigorosamente a partir de amanhã, sem se preocupar.
Disciplinar. Não é cachorro, francamente.
— Aquilo é o "eu natural" da Honō, não é técnica de ninja. Se conseguisse usar isso de forma controlada, não teria reclamação.
Bom, verdade. Não é técnica sofisticada, é natural mesmo. Mesmo assim, acho impressionante essa capacidade de entrar suavemente no coração do adversário.
— Ah, e também, proíbe aquela técnica que ela usou contra a Wyvern. Sem equipamento adequado, o próprio punho quebra, e, se ela desmaiar toda vez depois de usar, não tem sentido.
— Como desejar.
Deixando essa fala, a presença da Tsubaki-san desaparece. Podia descer pelo teto, também tá bom, hein. Será que é questão de estilo formal?
— Já terminou a conversa difícil?
— Desculpa. Fiz esperar.
Sentado no sofá em frente, o Gyaren-san bebe chá, rindo. Na mesa à frente dele, tá o smartphone de produção em massa. Foi o que dei de agradecimento desta vez.
O smartphone, o atual Rei de Lestia, cunhado Rainharuto, irmão da Hilda, também tem, mas o Gyaren-san também disse que queria conversar com a Hilda, então providenciei pra ele. Mas.
— Vou reforçar de novo, mas nada de filmagem escondida, tá?
— Que desconfiado, hein… será que pareço o tipo que faz esse tipo de coisa?
— Se não parecesse, não precisaria reforçar.
Em nome de cavaleiro, quero acreditar na palavra do Gyaren-san.
— Basta pedir permissão direitinho pra pessoa, né?
— Não, bom… isso mesmo, mas…
— Aliás, aquelas fotos de mulher tipo "gravure" que me deu antes, ainda não tem mais? Não tem mais?
Por que fala duas vezes. Não, tenho, mas…
Talvez seja melhor que ele se meta em algo tipo crime? Seleciono algumas fotos gravure meio ousadas do oceano da internet e mando pro smartphone do Gyaren-san.
— Fuoooooooh! Que bom! Que bom! Que frescor!
Vendo o Gyaren-san com sorriso derretido, esticando o lábio, penso que não posso deixar os novos aventureiros verem essa cena. Destrói o sonho.
— Touya-dono! Touya-dono! Ouvi da Hilda que tem "vídeo", desenho que se move, né!? Não me diga que também tem "vídeo" dessas meninas!?
Afiado! Normalmente, idoso não deveria ser ruim com esse tipo de máquina!? Poder pervertido supera até isso!?
Depois disso, cansado do "pedido" absurdamente insistente do Gyaren-san, acabo baixando alguns vídeos e mandando pra ele.
— Ho ho ho. Insuportável, hein! Balança, balança!
O velho aposentado, obcecado no vídeo, tá extremamente satisfeito. Ei, o som tá vazando…
Tiro do [Storage] o fone de ouvido que pedi pra Doutora fazer, e entrego ao Gyaren-san.
Alguns dias depois, o Gyaren-san me manda várias fotos aproximadas de peito e bumbum de várias mulheres (claro, vestidas), e fico com sentimento indescritível.
Espero que ele tenha pedido permissão direitinho mesmo…
Pensei em jogar fora as fotos enviadas de uma vez no lixo, mas acabo guardando, por precaução. Só por precaução, viu. Sim, só por precaução.