Capítulo 375 – O Brotar, e a Colaboração
Diante da garagem, ouço a voz dos dois discutindo. Encaram-se com fúria tremenda. Parece que ainda não perceberam minha presença.
— Por que você avançou naquela hora!? Você também não precisava crashar!
— Então você acha que ficaria bem deixando você cair pro precipício e ser completamente eliminada!? Eu não aceito terminar assim!
— Mas… isso! Do jeito que tava, até você ia ficar eliminado…!
Aos poucos, o rosto da Princesa Berurietta se cobre de tristeza, abaixando a cabeça.
— Ainda não é desqualificação. Ainda existe possibilidade. Felizmente, nós dois somos motoristas, e também técnicos. Dá pra consertar no local e voltar a correr. Talvez seja difícil vencer, mas quer pelo menos completar, né?
De fato, pela regra, se não declarar desqualificação e não exceder o tempo estipulado, consertar também é permitido. Claro, se alguém além do motorista entrar na pista, a equipe é desqualificada.
Colocando ferramentas na caixa grande, com barulho, "gachagacha", o Príncipe Herdeiro Rūfeusu se levanta.
A Princesa Berurietta continua sem se mover, cabeça baixa. Segurando a mão dela, o príncipe herdeiro puxa, meio à força.
— De qualquer forma, vamos voltar pra lá. Pensar nisso pode esperar até depois.
— …Tá.
Os dois teletransportam pelo portão do ponto de pit stop de volta pra pista de obstáculos.
Que capacidade de ação boa, hein, o Príncipe Herdeiro Rūfeusu. Aliás, na hora de capturar aquela ex-noiva de meia-idade, também tomou a frente e agiu primeiro. Bom, aquilo também parecia ter bastante ressentimento pessoal envolvido.
Espero que consigam voltar pra corrida de algum jeito. Como o tempo estipulado dessa pista final é longo, existe possibilidade suficiente.
Já que cheguei até aqui, dou uma olhada na minha própria garagem, e os mini-robôs estavam consertando o Brunhild. Ué, tá consertando mais rápido do que imaginei. Será que o dano não foi tanto assim?
Aliás, agora que penso, não tem marca de queimado nenhuma na carroceria. Não pode ser… aquela explosão era só ilusão de magia pra parecer real? O que jogou longe foi magia de vento?
Kuh… fui enganado. Se fosse assim, talvez nem precisasse ter desqualificado. Fui apressado demais.
E também, subestimei a capacidade dos mini-robôs. Pensando bem, esses aqui também são cristalização de tecnologia da civilização antiga. Faz sentido serem competentes. Até conseguem lidar com Frame Gear, afinal.
— «Oooh! O Felsen mergulha na zona de cola pegajosa, nya! Tenta avançar à força, mas… não se move! Que cola forte, nya! Nyanya!? O Rei de Felsen desce do carro e ergue o próprio carro à força, nya!?»
Na tela de vídeo pequena dentro da garagem, aparecia a figura do Rei de Felsen, coberto de cola grudenta, erguendo de novo o próprio carro. O que esse cara tá fazendo, afinal…
Tenta carregar o carro pra fora da zona de cola assim, mas, claro, os próprios pés dele também estão presos na cola.
Nesse momento, pela primeira vez, o Rei de Felsen aparece com expressão de "droga!". Não, não, não, isso já era pra saber, normalmente!
Tenta dar um passo de algum jeito, mas, preso pela cola tipo doce derretido, perde o equilíbrio e cai junto com o carro.
— Nuoooh!
Mesmo assim, ainda se mexe, "mozomozo", tentando escapar. Aquilo parece exatamente tipo… não, melhor não dizer isso.
Com isso, o Felsen já é desqualificação na prática.
Sendo difícil o Príncipe Herdeiro Rūfeusu e a Princesa Berurietta vencerem, restam o Cisne da Rapisu-san, o Estrela Prateada da Rozetta&Monika, e o Gato Vermelho da Nia.
Esses três, todos construídos pela Rozetta e o pessoal, não deve ter tanta diferença em termos de especificação. Se é assim, depende do braço do motorista.
Enquanto o Cisne e o Estrela Prateada atravessam com elegância a zona de cola instalada na pista de obstáculos, a Nia atravessa de forma bem perigosa. Tá tudo bem, esse aí?
No canto da tela, numa subtela dividida, dá pra ver o Rei de Felsen se debatendo tentando escapar da cola. Já podia desistir de vez.
Na subtela abaixo, dá pra ver o Príncipe Herdeiro Rūfeusu e a Princesa Berurietta chegando na zona de estreito marinho, indo até o próprio carro. …Será que o conserto vai bem.
Preocupado, vou até o local com [Gate]. Já desqualifiquei, então não sei de carro, mas não posso ajudar mesmo assim.
— E aí? Parece que vai dar pra consertar?
— Vossa Majestade duque?
O príncipe herdeiro, que abria o capô confirmando algo, ergue o rosto diante da minha voz.
— A gravação de ativação do motor mágico e a linha de éter queimaram completamente. Fiz aceleração excessiva demais. Fiquei tão focado na resistência da carroceria que não cuidei da resistência interna do motor mágico.
O príncipe herdeiro solta a voz, arrependido. A carroceria também não está ilesa, uma das rodas traseiras está torta.
— E aí do seu lado?
Puxo conversa também com a Princesa Berurietta, que estava removendo pneu. O Strain, com as duas rodas dianteiras removidas, está em estado de carrinho de mão.
— Parece que uma roda dianteira caiu no mar, e, do jeito que tá, não dá pra correr. Achei que, colocando a roda restante no meio, virando três rodas, talvez desse pra correr de algum jeito, mas…
Triciclo… será que ela pensava em fazer tipo trike.
Se fosse isso, talvez dê… enquanto penso isso, ela me mostra algo que tinha caído embaixo do assento. Vendo aquilo, sem querer, solto a voz "achaa".
Isso é o volante, francamente.
— Quebrou. Priorizando velocidade demais, a resistência ficou em segundo plano…
Se for assim, virar trike não faz sentido. Sem conseguir virar, né…
…Hn?
Comparo os dois carros quebrados diante de mim. Seguindo meu olhar, os dois também olham pro próprio carro e o do outro, e, eventualmente, o olhar dos dois se cruza.
Ah.
— Sabe, será que dá pra combinar as peças dos dois carros,
— «É isso!»
Diante disso, "pergunta?" ia dizer, mas engulo a fala. Parece que dá. De fato, pela regra, não proibiam colaborar pra correr.
— O motor mágico do Strain é o tipo usado na carruagem Kierisu, de Eisengard?
— Uhum. Produzida pela Terion. Mesmo em carruagem-golem, é item bem de luxo.
— Certo, se é isso, tá tranquilo. Vou fazer a troca do motor mágico.
— Eu troco o pneu do Strain pela roda torta do Toriharan. Ah, precisa cuidado, se tirar sem soltar antes o pino azul, vaza líquido de éter.
— Entendido.
Diante de mim, os dois dão instruções rápidas um pro outro, coisas que não entendo nada, e o trabalho avança em velocidade absurda.
— Entendi… deslocou levemente a gravação de ativação, hein. Faz sentido não gerar interferência.
— Ahh… entendi, reforçando a durabilidade compensando com essa peça aqui. E isso também…
Mesmo em situação bem difícil, os dois transbordam sorriso divertido. Que negócio é isso, afinal.
— Foi o gatilho, viu. A distância entre eles diminuiu de uma vez.
— …Apareceu, deusa fofoqueira.
— Que cruel! Irmã mais velha é deusa do amor, viu!
Diante da voz de sempre vindo de trás, solto suspiro leve. Já não me assusto mais mesmo aparecendo de repente.
— Estão começando a se reconhecer mutuamente. Ainda é sentimento tímido, mas, com certeza, está brotando.
— É mesmo.
Não entendo bem, mas, se deusa desse tipo tá dizendo, deve ser mesmo, né? Até pouco antes, tavam gritando brigando, e agora já ficaram amigos assim?
Originalmente, já compartilhavam hobby, e a personalidade não devia ser tão incompatível assim. Será que quer dizer que as engrenagens finalmente se encaixaram.
— «Oooh! O Cisne, líder, para de repente diante de uma fila de gatos e filhotes atravessando! Nya!»
Hã? Como o Nyantarō diz algo incompreensível, sincronizo a visão com a Valkyrie encarregada da filmagem.
Aí vejo, diante do Cisne parado, uma fila de gatos mãe e filhotes, alinhados numa fileira longa, atravessando. Que fila longa! Quantos filhotes tem, afinal!
Isso também é obstáculo da pista!? De fato, não dá pra atravessar à força mesmo…
O Estrela Prateada, segundo lugar, chegando por trás, também para no local. Ora. Alcançado.
A travessia dos gatos continua sem parar. A Rapisu-san e a Rozetta só fazem cara de aflição, mas a Monika começa a ficar irritada. Bom, entendo o sentimento.
Do jeito que tá, a Nia também vai alcançar. Ah, olha, vindo de trás.
A Nia, ao ver os filhotes, freia bruscamente e para também. No fim, três carros ficam alinhados no mesmo lugar.
De certa forma, que armadilha assustadora. Mas dá bastante fofura também.
— «Nyanya… chamar isso de obstáculo é bem complicado pra minha posição, nya…»
Bom, faz sentido. O Nyantarō é Cait Sith, afinal.
Enquanto isso, os filhotes continuam atravessando, "nyanyanya". Talvez tenha 101 filhotes…
Ah, a Monika saltou do carro. Parece que, sem aguentar mais, pretende carregar os filhotes ela mesma pro outro lado.
No instante em que a Monika tenta erguer gentilmente um dos filhotes atravessando,
— «Nyanya!? O filhote atravessou vazio, nya!?»
A imagem dos filhotes treme. Magia de ilusão! A Monika tenta tocar um atrás do outro nos filhotes, mas todos são apenas atravessados, sem substância real.
O Gato Vermelho da Nia dispara. Em seguida, o Cisne da Rapisu-san também começa a correr. Esperando a Monika voltar pro carro, o Estrela Prateada também parte.
Ou seja, aquela ilusão era pra ganhar tempo. Que maldade, francamente.
Fiiiiiiin… Fiiiiiiin…
O carro mágico montado pelo Príncipe Herdeiro Rūfeusu e a Princesa Berurietta, com o Strain, só a roda traseira restante, conectada no gancho traseiro do Toriharan, virou seis rodas.
Se rodasse só com o Toriharan, o Strain seria tratado como desqualificado, então, mesmo assim, é inegável a sensação de força bruta.
Esse Toriharan… não, já combinado, seria Toririein? O motor mágico dele ruge desde há pouco, mas não liga de jeito nenhum. Será que a energia mágica não circula direito?
— Por favor, funciona…!
— Funciona… por favor!
Sentado no banco do motorista, o Príncipe Herdeiro Rūfeusu faz fluir energia mágica. Feito rezando, a Princesa Berurietta observa do banco do passageiro.
Hn? Ué, agora…
— Ligou!
— Consegui!
Com estrondo, "dorun!", especialmente forte, o motor mágico, silencioso até agora, de repente desperta. Rugindo, resquício de brilho de líquido de éter jorra "kirakira" do escapamento traseiro.
— Vamos!
— Sim!
O Toririein, renascido com seis rodas, sai correndo com força absurda da zona de estreito marinho. Num instante, fica pequeno e desaparece de vista.
— Ooh, rápido, rápido. Já não dá mais pra ver.
— …Irmã Karen, você usou poder divino agora há pouco, né?
— Vamos ver~. Do que tá falando, sei lá.
Finge não saber, mas o motivo do motor mágico ter ligado direitinho foi porque a irmã fez algo. Senti, embora bem sutil, o movimento de energia divina. Não sei bem o que exatamente ela fez.
— No rezar de moça apaixonada, sempre acontece milagre.
Piscando o olho, a irmã Karen sorri, divertida.