Capítulo 388 – A Gata Preta e o Cachorro Preto, e o Reino de Panachès
— «Nossa missão é ir até esse tal país, Eisengard, e investigar a situação, correto?»
— Isso. Mas não precisa forçar nada. Mais que tudo, priorizem a própria segurança primeiro.
O golem de forma de gato preto, "Bastet", assente levemente. Ao lado da "Bastet", o "Anúbis", tipo cachorro preto, também assente balançando o rabo.
Sendo golem da mesma série do Fenrir, os dois possuem excelente capacidade linguística.
— «Rei, pode deixar comigo, cara! Vou arrasar com tudo que vier pela frente!»
…O lado do cachorro me deixa levemente inseguro. Talvez sentindo minha insegurança, o Fenrir bate habilmente com a pata dianteira na cabeça do Anúbis.
— «Aitá!? Irmão, o que tá fazendo!?»
— «A missão de vocês não é derrotar o inimigo. É se infiltrar secretamente e conseguir informação. Não erra a ordem.»
— «Isso mesmo. É como o irmão Fenrir diz. Você entendeu, né? Não vai atrapalhar, hein?»
Deve ser pela ordem de ativação, mas a ordem de irmãos ficou definida assim: Fenrir, Bastet, Anúbis. Em tamanho, o Anúbis é maior que a Bastet, mas.
— «Irmã Bastet, eu pareço tão idiota assi,»
— «Parece.»
— «Não fala em cima, francamente! Cachorro é esperto, viu!»
Não, tem bastante cachorro burro também, hein. Ou melhor, você é golem, afinal.
Já sentia isso vendo o Fenrir, mas essa série tem personalidade… ou melhor, individualidade de golem bem rica.
Será desempenho excelente do Q-Crystal, cérebro do golem?
— Se realmente sentirem perigo, fujam na hora. Foi justamente pra isso que dei vários poderes a vocês.
A engenheira Elka, mestra dos três golens, fala acariciando a Bastet.
Pensando em não deixar o parceiro dela, o Fenrir, ir pra lugar perigoso, consegui esses dois golens, mas, no fim, acabei mandando golem precioso dela mesmo assim. Completamente contraditório.
Pra compensar isso, digamos, dei também vários poderes a esses dois.
Nas coleiras dos dois, encantei [Storage], [Accel], [Shield], [Fly], [Invisible], e nas garras das patas dianteiras, [Paralyze] e [Gravity]. Acho que têm força suficiente pra não perder nem pra humano nem golem comum.
A comunicação dos dois parece não ter problema mesmo sob efeito do "Veneno Divino-Demoníaco".
Segundo a irmã Karen, "Veneno Divino-Demoníaco" é veneno que "prejudica deus, ou ser vivo amado por deus", e, não sendo ser vivo, não faz efeito nesses dois.
Mas, pra nós, é veneno mortal, então só consigo levar até ilha perto de Eisengard, ou país da margem oposta.
Imediatamente, levo os dois com [Gate] até a margem oposta de Eisengard, oeste do Império de Gardio.
Usando "Olho Divino" pra confirmar o lado de Eisengard na margem oposta, vejo levemente luz cor dourado-escuro vazando do chão.
Pra humano sem relação com o divino, não é visível, e não tem efeito nenhum, mas isso deve ser o "Veneno Divino-Demoníaco". Só de olhar já sinto mal-estar.
— Não esqueçam do contato regular. Prazo é de 1 mês. Mesmo sem coletar toda informação, voltem pra cá sem falta. Se avisarem, venho buscar.
— «Entendido.»
— «Combinado!»
A Bastet acho que não vai ter problema, mas o Anúbis me deixa inseguro, hein.
— …Ei, Anúbis. Nunca fala nada quando estiver lá, viu.
— «Eh. Por que? Buhe!?»
Diante do Anúbis com cara de "hã", explode o tapa de gato da Bastet, saltando de repente.
— «Seu bobo! Se cachorro ficar falando, é suspeito demais, francamente!»
— «Ah, é mesmo. Entendi, então é isso. Entendido!»
— …Bastet. Só posso confiar em você. Consegue de algum jeito lidar com esse idiota?
— «Idiota e tesoura, use com jeito. Vou usar bem.»
— «Vocês dois são cruéis demais!?»
O cachorro idiota… não, o Anúbis protestando, e a Bastet, ágil, monta nas costas dele.
Assim, o Anúbis flutua levemente. Deve ter ativado [Fly].
— Então, tomem cuidado, hein.
— «Sim. Cuidem bem do mestre.»
— «Certo, vamooos!»
Usando junto [Accel], o Anúbis, com a Bastet montada, voa em direção a Eisengard, velocidade tipo foguete, rente à superfície do mar. Levantava respingo de onda tremendo.
Esse idiota, acabei de falar pra não chamar atenção, e já vai fazendo isso! Espero que ninguém veja.
Depois de um tempo, a figura do Anúbis desaparece. Parece que ativou [Invisible]. Sem dúvida, foi decisão da Bastet.
Será que vai ficar tudo bem, esses aí…
Bom, por ora, só resta deixar essa parte com eles. Eu também vou fazer o que posso fazer.
— Muito prazer. Sou Mochizuki Touya, Duque de Brunhild.
— Ora, ora, saudação recebida com honra. Sou Rabēru Teru Panachès, rei do Reino de Panachès. Bem-vindo a Panachès.
Levantando da cadeira, um velhinho gentil, tipo avô de barba branca, estende a mão.
Idade uns 70 e poucos anos. Mas a mão que aperta é firme, cheia de vigor jovem.
Agora estou no castelo real do Reino de Panachès.
Pra preparação da reunião com o Império de Lifris, que vai acontecer daqui alguns dias.
O Império de Lifris e o Reino de Panachès são o único par de países que ficaram fisicamente conectados no mundo fundido.
O noroeste do que era o Império de Lifris, do mundo real, e o leste do Reino de Panachès, do mundo sombrio, acabaram se conectando.
A terra sobreposta é pequena (mesmo assim, mais ampla que Brunhild), e, como ninguém morava ali, achamos que não geraria muito problema.
Mas isso precisa ser conversado direitinho entre os dois países, então o Rei-Imperador de Lifris e alguns ministros importantes vão visitar o Reino de Panachès daqui alguns dias.
Claro, usando minha magia de teletransporte. Dessa vez, antes disso, vim visitar o Reino de Panachès primeiro.
Como acompanhantes, trouxe o Kohaku e o vice-comandante da ordem de cavaleiros de Brunhild, Nikora-san, e alguns subordinados dele. Bom, isso é mais tipo pretensão, achando que ficaria com aparência melhor assim, pensamento meio raso.
— Já ouvi falar de você pelo meu filho Robēru. Que, pilotando golem gigante, sendo rei com força incomparável nos tempos antigos e atuais, mesmo assim, nunca esquecendo humildade, correndo o mundo dia e noite pelo bem do mundo e das pessoas, homem de sabedoria e coragem combinadas, natural e sem malícia, puro e limpo, é o que dizem.
Que santo é esse aí, francamente.
Direciono olhar frio pro príncipe de calção estufado, com pequeno golem azul obediente, parado um degrau abaixo do rei de Panachès.
— Exatamente isso, pai! Meu amigo, o Mochizuki Touya-dono, tem coração amplo, transbordando gentileza, pessoa maravilhosa que pensa no povo!
— «Não é bem assim, viu, Príncipe Robēru»
Esse desgraçado. Provavelmente não tem má intenção, mas não sobe a régua estranhamente assim. Aliás, desde quando viramos amigos.
A Norun, irmã caçula da Doutora Elka, e a Nia do "Gato Vermelho" também falaram, mas, de fato, é príncipe irritante mesmo. Sendo aglomerado de boa vontade, fica ainda mais incômodo.
Se o "Coroa" azul, Brau, atrás do príncipe, não estivesse se curvando com afinco na minha direção, com certeza eu teria falado "irritante" em voz alta.
Bom, mesmo falando, esse príncipe também não deve ligar mesmo.
Por ora, faço rapidamente a preparação da reunião com Lifris, e depois entrego smartphone de produção em massa também ao rei de Panachès.
Atualmente, entre os países ex-mundo sombrio, quem tem isso é Reino de Purimura, Império Sagrado de Toriharan, Reino de Strain, Império de Gardio, quatro países.
Individualmente, também tem a Shiruetto-san do "Gato Preto" e outros.
Entrego achando que seria conveniente os reis terem isso entre si, mas o Reino de Panachès sempre foi país-ilha até agora, então talvez não precise entrar em contato com outro país tanto assim. Bom, agora que ficou fisicamente conectado com Lifris, deve acabar precisando eventualmente.
Terminando a reunião com Sua Majestade o rei, como esperado, o príncipe Robēru também quer esse smartphone. Mas, sinceramente, fico em dúvida se devo entregar ou não.
Fico levemente preocupado que, se entregar a esse aí, não vou receber e-mail irritante demais toda hora.
O Robēru consegue fazer teletransporte espacial usando a habilidade da Brau. Por isso, corre pra vários lugares igual eu, mas, toda vez, como custo dessa habilidade, é forçado a dormir.
Como pai, deve ser preocupante. O rei de Panachès parece ter pensado várias vezes que seria bom ter meio de contato nessas horas.
Pro rei de Panachès, o príncipe Robēru parece ser filho que teve numa idade já bem avançada, e ele parece amá-lo profundamente.
Mesmo assim, também não criou como filho idiota egoísta. Dá pra ver que os dois se preocupam um com o outro, boa relação entre pai e filho.
Isso, não tem como não entregar, hein…
— Obrigado! Com isso, dá pra entrar em contato a qualquer momento!
— Só use e-mail, exceto em hora realmente importante. E-mail também, resume só o essencial, mais curto.
Pensei em passar o contato da Norun e da Nia também pra distribuir o alvo, mas, receio que depois os dois me batam, então melhor não.
— Aliás…
Penso em perguntar também ao golem azul à frente algo que fico curioso há tempos.
— Brau. Tenho uma pergunta, tudo bem?
— «Pergunta? Não tem problema. O que É?»
— Você conhece o "Coroa" branco?
— «Branco… está falando de "Albus"?»
Ele conhece. Esse golem azul conhece sobre o "Coroa" branco.
— Você lembra!?
— «Nós não entramos em sono tão longo assim desde a grande guerra. Por isso, temos alguma memória.»
O "Coroa" azul, Brau, parece ser coroa passado de geração em geração pela família real de Panachès, ou melhor, mesmo antes de virar família real.
Por isso, não entrou em hibernação tão longa quanto os outros "Coroa", e parece que restou alguma memória.
Pasha.
— O "Coroa" branco tinha que tipo de poder? Usando esse poder, dá pra consertar até barreira quase quebrada?
Com os dois mundos virando um só, deve ter carga considerável na barreira do mundo.
Se essa barreira se romper, este mundo ficaria completamente desprotegido contra o mundo exterior.
Phrase e o pessoal… ou melhor, deveria dizer grupo do deus maligno agora, não só isso, talvez tenha outras ameaças também. Não posso achar que tudo bem se quebrar.
— «Não posso falar detalhe do poder de "Coroa". Segredo de outros "Coroa" é proibido de vazar pelo criador.»
Mumu. Faz sentido, hein. Se conseguisse extrair fácil assim, também descobririam fraqueza de outros donos de "Coroa".
O criador… Kuromu Ranshesu, se não me engano? Colocou proteção nos "Coroa" pra não vazar informação de outros "Coroa", entendi.
— «O "Coroa" branco, "Albus", é "Coroa" especial. Par do "Coroa" preto, "Nowāru", e fim. Louco que nulifica tudo.»
Nulifica tudo…? O que é isso, tipo arma definitiva? Na minha imagem, achava que era golem tipo mago branco, tipo curador/restaurador. Será que é algo perigoso?
Pasha.
— Você sabe onde o "Coroa" branco está agora?
— «Localização desconhecida. Eu pensava que estava JUNTO com o "Coroa" preto.»
Sério? Se for isso, talvez tenha alguma pista no local onde a Nowāru foi encontrada. Depois, vou perguntar pra Doutora Elka.
Pasha.
— O que você fica fotografando desde agora há pouco…
— Isso é incrível! Olha, saiu você e o Brau!
— Por precaução, pede permissão antes de fotografar. Isso é etiqueta básica.
— Entendi! Faz sentido mesmo! Então, posso tirar mais uma?
— Não quero.
Corto sem dó o príncipe absorto no aplicativo de câmera. Esse aí, apesar da aparência, é esperto, aprendeu rápido lendo o manual.
Como parece prestes a mandar foto de selfie anexada por e-mail, aviso pra fazer isso principalmente com o próprio rei. Rei desse tipo com certeza deve ficar feliz recebendo foto avisando que o filho tá bem.
Então o príncipe balança a cabeça, e fala num tom sério.
— Touya-dono, tenho um pedido.
— …Só pra ouvir, tudo bem. Dependendo do pedido, pode ser que não dê pra fazer.
Melhor não pedir pra tirar foto juntos pra colocar de papel de parede, hein? Talvez eu bata. Esse príncipe parece não entender distância adequada com as pessoas, dá medo.
— Na verdade, tenho noiva no Reino de Strain, será que dá pra dar um desses pra ela também?
— No Reino de Strain? Ah… é verdade, agora que penso, Sua Majestade a Rainha mencionou algo assim.
Se não me engano, era sobrinha da Rainha. Sendo realeza de um país também, não deve ser pessoa suspeita, mas nunca a encontrei.
Bom, mesmo se usarem de jeito estranho, já configurei pra descobrir na hora.
Segundo o príncipe, mesmo indo até o Reino de Strain com o poder de "Coroa" da Brau, como custo, acaba dormindo quase um dia inteiro depois, então não dá pra conversar muito, dizem. De fato, isso deve ser difícil.
Bom, já entreguei pra Sua Majestade a Rainha de Strain e pra Princesa Berurietta, filha dela. Entregar pra essa pessoa, prima da princesa, também não deve ter problema.
— Então vou entregar diretamente a ela. Vou conectar [Gate] até a capital de Strain.
— Isso é ótimo! Assim, posso apresentar meu bom amigo Touya-dono pra Seresu também, dois coelhos numa cajadada só!
Então a noiva se chama Seresu, hein. Ou melhor, para de virar meu bom amigo por conta própria. Admito que tenho poucos conhecidos homens da mesma idade.
Ou melhor, tanto o Ende quanto esse aí, tem demais gente peculiar demais… vai cansar continuar essa relação de amizade, francamente…
Abro [Gate], e vou junto com o príncipe Robēru até a capital do Reino de Strain.