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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 387

O Inimigo Mortal, e o Orfanato

Capítulo 387 – O Inimigo Mortal, e o Orfanato

O que exatamente está acontecendo com ela, afinal.

Sem dúvida, aquilo é poder de mutante, poder do deus maligno.

— Isso é…

— Ah, isso? Outro dia, fui atacada por um monstro dourado estranho, sabe? Mesmo cortando e cortando, regenerava. Tipo igual a mim, senti afinidade. De tanto esfaquear e ser esfaqueada repetidas vezes, acabei ficando assim.

— Q…!

Como assim, afinal? Não pode ser, será que a super-regeneração do "Coroa" roxo incorporou o poder do mutante? Ou será…

— Usando esse poder, fico levemente mais selvagem, mas o Touya-yan vai me aceitar assim mesmo, né?

— …Você virou peão do deus maligno?

— "Peão do deus maligno"? O que é isso?

A Runa fica com cara de "hã". …Não parece estar sob domínio de mutante, hein.

— Esse poder é poder de um deus imitação chamado deus maligno. Melhor descartar isso agora mesmo.

— Não! Quero brincar com o Touya-yan usando esse poder. Tipo assim!

A lança dourada se estende feito bastão mágico. Sacando a Brunnhild da cintura, mudo pro modo lâmina e desvio.

Mas a lança repelida muda de trajetória, atacando de novo por trás. Salto de lado, desviando, e a lança se crava no chão.

— Ah, quase. Ainda não consigo controlar bem.

Esse movimento agora é igual ao braço-lâmina de Phrase e mutante… que sujeito incômodo ganhou poder incômodo, droga.

Praguejando internamente, a Viola avança erguendo a grande foice.

Recebo o cabo da foice de metal com a Brunnhild, desviando de lado. Arrancando a foice cravada no chão, quando a Viola tenta me perseguir, disparo magia contra os pés dela. Ou melhor, precisamente, contra o chão sob os pés dela.

— [Slip]!

— «Gi!?»

A Viola escorrega e cai de rosto no chão.

— Ahahaha! Que sem graça, Viola!

Deixando a Runa, apontando o dedo pra rir do parceiro, tiro do [Storage] uma espada grande de material cristal.

Erguendo com as duas mãos, disparo um golpe com peso aumentado por [Gravity] contra a Viola, caída de bruços.

Dogan!, um golpe que mais esmaga que corta, sacode o chão.

A Viola, atingida por isso, fica miseravelmente esmagada da cabeça até as costas e a cintura, partida ao meio. Nem com regeneração deve dar conta disso.

Sinceramente, sinto mal-estar. A Viola, só visualmente, é parecida com o "Coroa" preto que sou próximo, a Nowāru, e o "Coroa" vermelho, a Rūju.

Mesmo sendo máquina, ver golem com vontade própria sendo tratado assim mesmo me deixa incomodado, sentimento amargo.

— Eei, vingança pela Viola!

Imitando meu movimento, a Runa transforma a parte metálica do braço direito em forma de espada grande.

Mesmo devendo ser bastante pesada, a Runa balança levemente sem esforço, atacando com golpe horizontal pra me cortar ao meio. Talvez, sendo parte do próprio corpo, não sinta o peso.

— [Shield]…!

Percebo o erro só depois de ativar a magia. Essa espada grande, mesmo imitação, é espada envolta em energia divina. [Shield] comum não serve de nada…!

— Guh!

Junto com o [Shield] facilmente destruído, sou jogado longe contra a parede das ruínas.

Deveria ter recebido com arma, não com magia, igual antes.

Quando tento me levantar imediatamente, a Runa salta em cima de mim. Presa nos dois ombros pelos joelhos, fico imobilizado na posição de montada.

Erguendo o olhar, encontro os olhos da Runa, luz sinistra habitando os dois olhos.

— Peguei~. Kufufu. Lutar até a morte com o Touya-yan deixa meu corpo quente. Isso é amor? É amor, né? …Ah, tive uma boa ideia.

— Eh? Espe, opa, hã!?

Ainda na posição de montada, a Runa desamarra a fita do decote, começando a desabotoar um botão atrás do outro. Vejo brevemente o sutiã preto de renda.

— Q, que negócio é esse!?

— Tá tranquilo. Ouvi dizer que menino não dói. Menina dói muito, então é empolgante.

— Do que você tá falando!?

Fuu, haa, com o rosto corado, respiração ofegante, sorriso sedutor, a Runa me observa de cima. A língua lambendo os lábios se move sinistramente.

Espera, espera, o que é isso!?

Em pânico, alguém segura de repente os meus dois braços. A dona daquela mão pequena e fria observa, de cabeça pra baixo, a mim caído no chão.

Ali estava o "Coroa" roxo que eu deveria ter esmagado agora há pouco, a Viola.

— Q, não pode ser, será que regenerou até daquele estado!?

— A Viola não morre com isso, viu? Como não sente dor, se cura mais rápido que eu.

Achando que com certeza tinha esmagado tanto o "Q-Crystal", cérebro, quanto o "G-Cube", coração, por que…!

De repente, "pasa", som de algo caindo no chão, e, voltando o olhar que estava na Viola pra frente, entra no meu campo de visão a Runa, completamente nua, montada em mim contra a luz.

— Hyowaaaaaaa!?

Todo o corpo trava de susto e outras coisas. Será por causa do calor do rosto corado, a Runa, com óculos embaçados, sorri sedutoramente. Sob o sol escaldante, o corpo nu branco brilha, "teratera", de suor.

— Espe, espera, espera, espera aí! O que você vai fazer━━!?

— Ah, não pode se debater.

A Runa abre a minha camisa, e senta a cintura em cima da barriga exposta. Óbvio, mas a Runa não veste nada. Ou seja, em cima da minha barriga, algo cru,

— T, Te, [Teleporte]!

— Hã?

Sem nem configurar coordenada, ativo [Teleporte] pra escapar dali. Teletransporto rolando na areia do deserto, uns dez metros de distância.

Ah, por pouco… foi perigoso, em vários sentidos…

— Nn, mou. Você é tímido, hein, Touya-yan.

— Não é esse tipo de problema, francamente!

Não dá. Essa aí é perigosa. Pra mim, é tipo inimigo mortal. Se for capturado, sem dúvida vou ser feito de idiota!

Aliás, o objetivo original já foi cumprido, então não preciso ficar aqui, né!

— Adeus!

— Ah, mou…

Ouvindo a voz da Runa desaparecendo, teletransporto de uma vez com [Teleporte] até a capital sagrada.

Ainda apressado, talvez, tentando teletransportar pra beco, acabo saindo em cima do telhado de um prédio.

Entre as vozes de crianças e o que parece ser grito de senhor vindos de baixo, ajusto a respiração ofegante, deitado no telhado.

— Que susto…

Tipo sapo encarado por cobra, ou como dizer… o coração ainda tá disparado, "bakubaku". Quase perdi algo precioso…

Garganta seca… tiro do [Storage] suco gelado, bebo tudo de uma vez.

Haa… delícia. Fico um pouco mais calmo.

P, por ora, vou voltar. Já consegui o que queria. Vou pedir pra engenheira Elka ajustar de novo… esses dois, quem vou colocar como mestre, hein.

Eu mesmo até poderia, mas, mais que isso, se esses dois são da mesma série do Fenrir, será que não geraria conflito de ressonância pondo a engenheira Elka como mestre?

O Fenrir também deve ficar feliz por ter companheiro.

Quando me levanto pra teletransportar pra "Babylon", lembro do tesouro roubado do bando de vigilantes.

Opa, é verdade. Já que vim até a capital sagrada de qualquer jeito, vou doar esse dinheiro pro orfanato.

— Orfanato mais próximo daqui… aqui mesmo?

Fazendo busca por "orfanato", um alfinete vermelho se crava exatamente na minha posição atual. Parece que esse lugar era justamente o telhado de um orfanato.

Faz sentido escutar tanta voz de criança e grito de senhor há pouco.

…Grito de senhor?

Devagar, espio embaixo pelo telhado.

Três homens de aparência maldosa gritavam algo com uma senhora e crianças.

— Por isso, diretora, o prazo termina amanhã! Arruma logo as coisas e sai daqui hoje mesmo com essa gurizada!

— Isso… se formos expulsos daqui, onde as crianças vão morar!?

— Isso não é problema nosso! Vão pra favela ou onde quiser!

Não entendo bem o contexto, mas dá pra ver que as crianças estão sendo expulsas.

Mas, olhando assim, que senhores de aparência bem maldosa, hein. Oh?

Diante do portão do orfanato, para uma carruagem de golem pintada de preto. De dentro da carruagem puxada por golem multípede, desce um homem.

— Chefe!

— Ainda enrolando? Rapidinho expulsa essa gurizada suja, imbecis.

O homem chamado de "Chefe" tira charuto do bolso, e um dos senhores acende o fósforo às pressas.

Passado dos 30, corpo de meia-idade gordo, vestindo roupa tipo túnica longa chinesa. Óculos de aro dourado de gosto duvidoso, cabeça careca desgrenhada, e, embaixo do nariz, dois bigodes longos tipo bagre… ah, opa?

Que estranho? Sinto que já vi em algum lugar…?

…Quem era mesmo?

— Zabitto-san, com certeza vou devolver o dinheiro. Por isso, por favor…!

A senhora, provável diretora do orfanato, se agarra nos óculos dourados. Mas o homem chamado Zabitto sacode o braço dela com desprezo, cospe no chão.

Zabitto… Zabitto, né…?

— Não toca com mão suja, velha! Não entende que aqui já virou propriedade da "Borboleta Negra"! Te dou dez segundos. Agora mesmo, pega essa gurizada imunda e,

— Aaaaa━━! Lembrei!

Com a palavra-chave "Borboleta Negra", finalmente consigo puxar esse homem do fundo da memória. Não, originalmente, preferia não ter puxado, deixar afundado mesmo.

Vendo eu gritando alto no telhado, o outro lado também aponta o dedo pra mim, soltando grito quase de choro, "hyoeaaa━━!?".

Zabitto Guranto. Executivo do grupo criminoso "Borboleta Negra"… não, virou líder, se não me engano. Faz sentido não lembrar na hora. Só tive contato real com esse aí por poucos minutos.

"Borboleta Negra" é a organização que a Shiruetto-san, do "Gato Preto" que colabora conosco, pertencia originalmente.

O Zabitto era quem insistia teimosamente em tentar tomar o departamento de gestão de informação que a Shiruetto-san controlava, fazendo várias perseguições.

Pra calar esse Zabitto, eu apliquei "maldição" nele, lembro.

Sem distinção entre ele mesmo ou seus subordinados, se tivessem contato com a Shiruetto-san e o pessoal, "maldição" que paralisa devagar parte do corpo.

O Zabitto e o pessoal da "Borboleta Negra", amaldiçoados, fugiram imediatamente da cidade da Shiruetto-san. Não imaginava que tinham fugido até pra outro país.

Comparado a antes, sinto que o poder da organização diminuiu um pouco. Aliás, com a saída da Shiruetto-san, lembro que ela disse que muita gente também abandonou a "Borboleta Negra".

Salto do telhado e fico diante do Zabitto e do pessoal.

O Zabitto, visivelmente pálido, abre a boca com dificuldade.

— C, c, como você tá aqui!?

— Não, mera coincidência. Continua fazendo maldade como sempre, hein, você. Parece que vai precisar de "maldição" ainda mais forte?

— Hii!

Da!, o Zabitto tenta fugir de mim. Parece que a "maldição" ainda não chegou até a parte inferior do corpo.

— [Slip]

— Bugerya!?

O Zabitto tromba com força, batendo o rosto no chão.

— Seu desgraçado!

— O que tá fazendo com o Chefe!

— Barulhento. Hoje tô de mau humor, não atrapalha. [Gravity]

— «Gufuu!»

Os três capangas do Zabitto que saltam em cima de mim, faço rastejar no chão com [Gravity].

— Ei

— Hyai!

— Quanto é a dívida desse orfanato?

— É, é três moedas de platina! I, isso é cobrança legítima de garantia devidamente registrada, tem até contrato!

Estende diante de mim um papel tirado do bolso. Hn, de fato parece autêntico, mas… três moedas de platina, hein. Uns 3 milhões de ienes?

Parece que, se não conseguir devolver até o prazo de amanhã, essa terra vira propriedade da "Borboleta Negra".

— Bom, tanto faz. Era dinheiro que eu já ia doar mesmo. Toma, três moedas de platina.

— Hã?

Coloco na mão do Zabitto três moedas de platina tiradas do [Storage]. De qualquer forma, o objetivo dele não era o dinheiro, era a terra mesmo. Que pena.

— Com isso não tem reclamação, né?

— Eh? Não, opa…

— Se tiver, aplico "maldição" de novo,

— Hyoeeeeeee!?

Era brincadeira, mas o Zabitto salta pra trás e corre desesperadamente de volta pra carruagem de golem, fugindo do orfanato em velocidade absurda.

— Che, Chefeee━━!?

Os três capangas, liberados de [Gravity], também saem correndo atrás dele pelo portão do orfanato. Só a fuga é rápida, hein.

— A, ah, quem, afinal, é o senhor…

Timidamente, a diretora do orfanato puxa conversa comigo.

Pego o contrato de dívida que o Zabitto deixou cair, e queimo em cinzas num instante com magia de fogo.

— Fui pedido por alguém pra doar ao orfanato, sabe. Não só aqui, tinha planos de doar pra outros orfanatos também, então não se preocupe.

— Doação…! Uma quantia tão grande assim!?

— Detalhe eu mesmo não sei bem. Já deduzi as três moedas de platina, mas, por favor, aceite isso. Use pra administração.

Sem ser totalmente mentira, mas contando história meio assim, entrego à diretora sete moedas de platina.

Certo, pesquisando, parece que ainda tem mais cinco orfanatos na capital sagrada.

Já que falei que ia doar, vou pra cada um doar dez moedas de platina. O dinheiro acumulado pelo bando de vigilantes não dá conta sozinho, mas, vendendo as joias conseguidas junto, deve dar certo.

Distribuo doce pras crianças de brinde antes de sair do orfanato. Lembro que, até o fim, a diretora ficava se curvando profundamente.

Certo, vou passar rapidinho pelos outros orfanatos, e depois voltar pra "Babylon".

Depois disso, vou descansar tranquilo. Hoje já não tenho vontade de fazer mais nada. Cura. Preciso de cura.

Balançando a cabeça pra afastar da mente o corpo nu da garota que insiste em voltar, junto com o sol escaldante, abro [Gate] em direção ao resto dos orfanatos.

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