Capítulo 396 – A Deusa Dourada da Destruição, e o Martelo de Ouro
A partir de certo ponto, o ponto de vista muda.
— [Shield]!
Disparo do Reginleiv magia de defesa reforçada com "Ki Divino".
Uma barreira normalmente invisível se ergue, envolta em luz divina, diante dos dois disparos tipo canhão de partículas carregadas.
Barreira envolta em "Ki Divino" normalmente não teria como se estilhaçar, mas o outro lado também é servo do deus maligno. Como esperado, deve ter poder à altura disso, e a barreira que criei range com o impacto.
Mas, de algum jeito, consigo aguentar até o fim, e defendo com sucesso o canhão de partículas carregadas. Depois disso, o [Shield] se estilhaça.
— De cara já vem com essa, seu desgraçado…
Sinceramente, fiquei um pouco em pânico. Que absurdo.
— Ei, Ende. Vou isolar aqueles dois num outro lugar, pode deixar o resto com vocês?
— «Ah. Eu e a Meru e o pessoal damos um jeito.»
— Entendido. Conto com vocês pro resto. Espada Voadora, mudança de forma: corrente de cristal.
As quarenta e oito adagas flutuando ao redor do Reginleiv se transformam cada uma em corrente curta, e essas se conectam uma atrás da outra, mudando de forma pra uma única corrente longa. Nas duas pontas, tem esferas de cristal tipo peso.
A corrente carregada de "Ki Divino" gira ao redor do Reginleiv enquanto estica seu comprimento.
— Vai. Captura aqueles dois espécies dominantes malignos. [Cadeia de Cristal, Prender]
A corrente de cristal se move em velocidade absurda, voando em direção aos dois espécies dominantes no topo do dragão de duas cabeças. Feito serpente de cristal, ondulando, ataca os gêmeos espécies dominantes.
— O que é isso!?
— Que negócio é esse!?
As duas pontas com peso capturam a Reto e o Ruto respectivamente, enrolando os dois formando exatamente um formato de "S".
Não vai aguentar muito. Lanço os dois espécies dominantes capturados, junto com a corrente, direto pra areia próxima.
— Seus…!
"Piki!", surge rachadura na corrente que prende os dois. Mesmo decaídos, ainda têm o mesmo "Ki Divino" — espécie dominante que virou servo do deus maligno, hein.
Não posso deixar a Espada Voadora do Reginleiv se quebrar aqui, então solto a prisão, jogando os dois pra areia.
Caindo na areia, a Reto e o Ruto aterrissam sem problema.
Mas isso não é o fim, não.
— [Prison]
Dessa vez, prendo os dois com magia de prisão. Normalmente, esse [Prison] não se quebraria, aconteça o que acontecer.
Mas, se quem estou prendendo é mutante, e ainda por cima espécie dominante, isso também fica duvidoso. Se usarem força total, existe possibilidade de destruir.
— Se conseguirem concentrar força total pra destruir o [Prison], claro.
— Depois disso, façam o que quiser. Nós vamos cuidar da espécie superior.
— «Valeu, Touya.»
Na areia, o Dragão Cavaleiro monocromático corre em modo de alta mobilidade. Nas mãos dele, carregava as três garotas espécies dominantes de Phrase, a Meru e o pessoal.
Do Dragão Cavaleiro parado, as três descem, e o Ende também salta pra fora do cockpit.
— Hã, achei que era quem, mas é a ex-"Rainha" que fugiu junto com esses cães derrotados.
— Ah, mas se não é a Nei. Fico surpresa que esteja ao lado do Endemyuon, que você tanto odiava. Achava que tinha voltado chorando pro Mundo Cristalino.
Ignorando os dois que riem debochados assim, o Ende e o pessoal entram dentro do [Prison]. Configurei pra deixar entrar quem não é mutante, então isso não é problema.
— Reto. Ruto. Quanto tempo.
A Meru fala isso, e os quatro ficam de frente pros gêmeos.
Confronto que me deixa curioso, mas, aqui, vou deixar com o Ende e o pessoal. Tenho muita outra coisa pra fazer.
Retorno a Espada Voadora de corrente pra placa de cristal, encaixando de volta nas costas.
De qualquer forma, preciso dar conta das três espécies superiores.
— «Touya-san, como vamos lidar com as espécies superiores?»
Diante da comunicação da Yumina, penso um pouco e envio instrução pro resto do pessoal.
— Sū, cuida do besouro-cervo com a Overload. Sakura, dá apoio a ela. Yae, Hiruda, Eruze, Rinze, cuidem do tipo estrela-do-mar. Rin, Rū, Yumina, conforme a situação, deem tiro de apoio às ordens de cavaleiros e ataquem as espécies superiores. Eu cuido daquele dragão de duas cabeças. Assim que derrotarem seu alvo, cada um vá dar apoio ao resto do pessoal.
Aquela espécie superior besouro-cervo não é tão grande assim. No máximo uns setenta, oitenta metros. A Orutorinde Overload pilotada pela Sū também ultrapassa trinta metros. Acho que dá pra conter.
Originalmente, a Orutorinde é máquina voltada pra defesa de base mesmo. Defesa sólida. Com o apoio da Sakura, deve ficar perfeito.
O que me deixa um pouco inseguro é não saber que tipo de ataque aquela tipo estrela-do-mar vai fazer, mas acho que esses quatro conseguem dar conta.
E o que eu devo fazer é derrotar rapidamente aquele dragão de duas cabeças, e correr logo pra dar apoio a todo mundo.
Conto com você, Ende. Não deixa aqueles espécies dominantes virem pra cá, hein.
— Certo, vamos!
Expando de novo a Espada Voadora nas costas, e me viro pro dragão de duas cabeças.
— Certo, chegou minha vez! Meu braço tá coçando!
A Sū tremia de alegria dentro do cockpit da Orutorinde Overload. Por ser máquina do tipo defensivo, até agora, a Sū raramente ia pra linha de frente nas batalhas.
Mas, dessa vez, tem o aval do Touya. Pode derrotar o inimigo sem se conter.
— Basicamente, o Touya é meio superprotetor demais. Eu também sou uma das noivas do Touya, viu. Uma ou duas espécies superiores mutantes, é moleza.
— «Não relaxa. O que o rei se preocupa é justamente com esse jeito de se empolgar da Sū.»
— Uh… I, isso agora foi só declarar minha atitude mental. Não tô me empolgando nada!
— «Então tá bom.»
Do alto-falante do cockpit, a voz calma da Sakura chega, e a Sū acaba levantando a voz sem querer.
Reflete que a atitude de agora foi meio infantil. Entre as noivas do Touya, a Sū é a mais nova. A segunda mais nova, entre a Yumina e a Rū, tem diferença de dois anos.
Mesmo sendo só dois anos de diferença, aquelas duas já conseguem lidar com as coisas de forma madura. (Isso é só o que a Sū acha, mas na verdade nem tanto assim)
E isso, de novo, deixa a Sū ansiosa. Ela também quer virar logo uma dama completa igual às duas.
Ultimamente, também vem pedindo à mãe, Eren, pra ensinar costura, etiqueta, dança. Mas o resultado ainda não é lá muito animador…
— De qualquer forma, agora é hora de derrotar esse besouro-cervo na minha frente!
A Sū, dentro do cockpit customizado exclusivamente pra ela, manobra rapidamente a alavanca de controle, enviando mana e digitando comando nos botões da ponta dos dedos.
— Canhão Punho Espiral!
O braço direito erguido da Orutorinde Overload, a partir do cotovelo, é disparado girando em alta velocidade.
O braço direito dourado, voando em linha reta, explode contra o besouro-cervo dourado-escuro erguido sobre as patas traseiras.
Depois de continuar girando por uns dois segundos contra o besouro, o braço direito, como se desistisse, salta de volta ao corpo principal, retornando ao lugar original.
No peito do besouro tinha se formado rachadura grande, mas, aos poucos, ela também se regenera, voltando ao original.
— Mumu. Não dá pra derrotar num golpe só, hein.
Phrase comum, se destruir o núcleo, já derrota. Mesmo mutante é igual nesse aspecto, mas mutante, sendo opaco, é difícil saber a posição exata dele.
E ainda mais, sendo espécie superior, nem dá pra saber quantos núcleos tem dentro do corpo.
À primeira vista, provavelmente não fica nas pernas finas nem na mandíbula usada como arma, mas em algum lugar do tronco/abdômen.
— Se ao menos soubesse a posição exata do núcleo…
— «Isso deixa comigo. O Rosuvaise é Frame Gear tipo suporte. Tem habilidade justamente pra isso também.»
— Sakura? O que você vai fazer?
Do Rosuvaise branco pilotado pela Sakura, é lançada de novo magia de canto.
Aquela música, tema de filme de entretenimento sobre carro-máquina-do-tempo indo pro passado, com o título "O Poder do Amor", carrega ressonância poderosa que atinge a espécie superior.
Sem causar dano, a onda sonora e onda de luz penetram por todo o corpo do besouro em posição de ameaça, capturando a posição dos núcleos dentro dele.
— «Núcleo, três no total. Um na cabeça, dois no tórax. No tórax, um no prototórax, outro no metatórax, alinhados verticalmente. Enviando dados.»
— Oh
No submonitor do lado esquerdo da Sū, aparece a imagem da espécie superior à frente. Dentro do corpo dela, há três pontos brilhantes. Deve ser a posição dos núcleos.
— Com isso dá pra mirar e destruir. Só falta conseguir ataque que alcance até o núcleo…
A Sū encara a tela, resmungando "mumumu". Pra atravessar o corpo grosso da espécie superior e alcançar o núcleo, precisa de bastante poder.
Mesmo com o reforço/apoio da magia de canto da Sakura, será que dá pra tirar tanto poder assim? E ainda por cima, se não destruir os três sem gastar tempo, a regeneração começa de novo, tendo que recomeçar do zero.
Se arriscar tudo, encaixar no braço a parte de broca do tanque de escavação subterrânea "Miorunīru", que forma a perna da Orutorinde Overload, e, com isso, disparar o "Canhão Punho Espiral"…
— «Já estava esperando por algo assim!»
— Wa!? Q, q, o que é isso!?
Uma voz de repente vem do alto-falante, e a Sū pula no assento. Essa voz agora é da Hairozetta, responsável pela manutenção dos Frame Gears e também gerente da "Oficina" de Babylon.
— «Preparei secretamente uma ferramenta exclusiva pra Overload, vou dropar isso agora! Pontcha!»
De Babylon, esperando várias centenas de metros acima, uma arma é lançada. Ela cai com estrondo no chão, na areia diante da Orutorinde Overload pilotada pela Sū.
Primeiro, "dogon!", tremor pesado no chão, depois "jararararara!", som metálico.
— Isso é…!
Arma tipo bola de ferro gigante dourada (não é feita de ferro, na verdade) presa a longa corrente. Neste mundo, também chamada de "morningstar", essa arma, feita especialmente pra Orutorinde Overload, era absurdamente grande.
— «Arma exclusiva anti-espécie-superior, giga-arma de gravidade, [Martelo de Ouro]!»
O comentário óbvio de que "martelo é mais tipo o do arremesso de martelo" não passa pela cabeça da Sū, que não tem esse conhecimento.
— «Girando o [Martelo de Ouro], a gravidade mágica gerada por [Gravity] e [Prison] se acumula dentro do martelo. Depois, ao arremessar contra o oponente, tudo isso é liberado de uma vez, e a onda de choque de gravidade mágica super acumulada em múltiplas camadas transforma o alvo em pó completo, destruindo. Ou seja, quanto mais girar, mais aumenta o poder, mas exagerar faz a própria Orutorinde Overload não aguentar essa força. Cuidado.»
A explicação orgulhosa da Rozetta, a Sū não entendeu quase nada, mas entendeu que era arma incrível de qualquer forma.
A mão da Orutorinde Overload segura o cabo do [Martelo de Ouro] caído na areia. O comprimento da corrente presa chega até a altura do peito. Erguendo com uma mão, a parte da bola de ferro sobe sem problema. Parece que ainda é peso normal.
Só assim já dá pra usar suficientemente como arma. Mas, pra derrotar espécie superior, só isso não basta.
— Certo! Mulher precisa é de coragem, vou fazer!
A Orutorinde Overload começa a girar devagar o [Martelo de Ouro] na mão. No início, balança levemente pra frente e trás feito pêndulo, aumentando o embalo aos poucos.
Logo, vira rotação vertical, e a esfera dourada começa a jogar areia da praia pro ar com um zumbido.
Sem perder o embalo, muda a rotação vertical pra horizontal. Da esfera dourada, saltam faíscas, e uma força absurda aplica carga nos dois braços da Orutorinde Overload.
A Sū também percebe que uma força várias vezes maior está sendo acumulada na esfera dourada. A barreira de [Prison] está confinando essa força.
O besouro-cervo à frente começa a acumular luz entre as grandes mandíbulas. Provavelmente vai disparar o mesmo tipo de canhão de partículas carregadas disparado pelo dragão de duas cabeças.
— Não vou deixar você faaaazer isssoooo!
A Orutorinde Overload gira o corpo inteiro, aplicando força no [Martelo de Ouro] como se virasse um pião dourado.
Assim, elevando a massa de gravidade mágica até quase o limite, ela mira e arremessa com força total contra o besouro-cervo.
Disparado feito bala, o [Martelo de Ouro] explode exatamente no pescoço do besouro-cervo, como planejado. Ao mesmo tempo, partículas negras jorram do [Martelo de Ouro], começando a distorcer o espaço ao redor.
"Go!", o ar ressoa, e uma grande vibração atinge os arredores.
Junto com isso, o corpo do besouro-cervo começa a desmoronar aos poucos, escorrendo tipo areia levada pelo vento. Até o núcleo, todos, transformam sua forma em partículas finas.
— Vire pó!
No espaço já distorcido em formato esférico, a figura do besouro-cervo tinha sumido. Quando a distorção finalmente se acalma, não sobra nada ali, só ondas tranquilas balançando.
Aniquilação completa. Contrariando a fala da Sū, nem pó restou.
Até o próprio [Martelo de Ouro] arremessado, também. Incrível, o [Martelo de Ouro] era arma definitiva descartável.
— Consegui, Touya! Ha!?
A Sū comemora dentro do cockpit. Mas a Orutorinde Overload assim mesmo cai de joelho na areia. De todo o corpo, jorra vapor e resíduo de mana, e a blindagem dos dois braços está completamente destruída.
Como se a energia tivesse sido cortada, os instrumentos dentro do cockpit também perdem a luz aos poucos, restando acesos só os aparelhos mínimos.
— C, como assim!? Não tá funcionando!
— «Tranquilo. Deve ser o grande dano causado pela reação do uso do [Martelo de Ouro]. Só está com superaquecimento temporário. Pra lidar com energia de colapso desse nível, a Overload no estado atual mesmo era impossível de suportar.»
Do amado mecha que ficou completamente imóvel, a Sū abre manualmente a escotilha, saindo pra fora.
A costa ainda é campo de batalha, e ao longe dá pra ver a escaramuça entre os Frame Gears pilotados pela ordem de cavaleiros e as espécies inferiores.
— «Bom trabalho.»
Abaixo dela, o Frame Gear branco desliza aterrissando. É o Rosuvaise da Sakura.
Em cima da blindagem do peito aberta da Orutorinde, a Sū fica emburrada, insatisfeita.
— Consegui derrotar a espécie superior, mas assim nem posso ir ajudar o Touya e o pessoal.
— «Tranquilo. Nessa parte, eu que vou brilhar em seu lugar.»
— Que injustiça!
Mesmo achando que é infantil, não conseguiu deixar de gritar isso. A vez que finalmente chegou, já acabou.
— «Não é injustiça. A Sū cumpriu seu papel. Pode se orgulhar. Mônica, iniciar transferência da Orutorinde Overload junto com o piloto pro "Hangar" de Babylon.»
— «Combinado~»
— Ah, espe, ainda tô falando…!
O grande deus dourado, que estava ajoelhado, envolvido em luz, desaparece da praia junto com a Sū.
No local, só resta o Rosuvaise pilotado pela Sakura.
— Bom, será que vou pro lado da Eruze e do pessoal, ou pro lado do rei… ou dar apoio à Yumina e às ordens de cavaleiros, hein.
Dentro do cockpit do Rosuvaise, a Sakura murmura baixinho, confirmando a situação do campo de batalha através de magia de busca.
O lado da Eruze e do pessoal não precisa se preocupar. Está reunido o trio de combate entre as noivas: Eruze, Yae, Hiruda.
O lado do Touya também, a Sakura não estava preocupada mais que com a Eruze e o pessoal. Ele perder é algo impossível. Mesmo que céu e terra se invertessem. Isso é certeza quase cega que a Sakura carrega.
Então, resta apenas a opção de apoiar a Yumina e o pessoal, ordem de cavaleiros. Originalmente, o Rosuvaise é máquina de apoio de retaguarda mesmo. Situação assim é onde consegue aproveitar melhor sua característica.
Decidindo isso dentro do coração, a Sakura direciona o Rosuvaise em direção ao campo de batalha já se tornando confuso.