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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 403

Albus, e a Memória do Tempo

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Capítulo 403 – Albus, e a Memória do Tempo

— Eu sou Mochizuki Touya. Rei deste país… o Ducado de Brunhild. Você é o golem-irmão da Nowāru, o "Coroa" branco, "Albus", certo?

— «Assim é.»

O Albus responde olhando na minha direção. Parece que a comunicação funciona direito mesmo.

— Qual o nome do seu mestre atual?

— «Āsā Erunesu Berufasuto. Rei do Reino de Belfast é.»

— Q…!

Belfast!? Ei, ei, ei, logo de cara já saiu um nome absurdo!

— Como assim? O rei do Reino de Belfast é o mestre desse aí?

— Não, não é. O rei atual é Torisutowin Erunesu Berufasuto, se não me engano. É outra pessoa.

Cruzando os braços, torcendo a cabeça, a Norun pergunta, e respondo assim. Bom, é meu futuro sogro, então lembro pelo menos o nome. Provavelmente.

Esse Torisutowin só tem um irmão, o Duque Orutorinde… pai da Sū.

Atualmente, quem carrega o nome Belfast são só quatro pessoas… resumindo, deve ser só a família da Yumina.

Pai, Torisutowin. Mãe, Yueru. A filha deles, Yumina. E o filho, Yamato. Nunca ouvi falar de nenhum Āsā.

— Esse tal Āsā é o mestre de você?

— «Assim é. O mesmo mestre que a "Preta".»

— «Negação. Meu, mestre, Norun Patorakushe.»

— «…É mesmo?»

A Nowāru nega a fala do Albus. Diante disso, o Albus só responde com uma palavra.

Se a fala do Albus for correta, aquele Āsā comandava tanto o "Preto" quanto o "Branco". Por que, então, só o "Branco" estava no fundo do Lago Paretto, e o "Preto" numa mina do mundo sombrio?

Não, pra começo de conversa, por que um golem construído no mundo sombrio… droga, tá ficando confuso.

— «Confirmado. De fato, existe na família real de Belfast um rei chamado "Āsā". Sim, isso foi há mil e dezenove anos, contando a partir de agora.»

1019 anos atrás… Do outro lado da linha, o rei de Belfast parece ter encontrado o nome no rolo da árvore genealógica.

Cerca de mil anos atrás, no Japão, seria a era Heian. Época do Fujiwara no Michinaga, hein.

Pensando assim, sinto que a civilização deste lado não é tão desenvolvida assim… será metade da velocidade? Fico pensando se não houve desenvolvimento tecnológico via guerra, mas, sendo mundo onde magia voa pra todo lado… talvez tenha se desenvolvido em direção à cultura mágica.

Talvez não dê pra comparar com o nosso mundo, sem espírito nem magia. Se dá pra usar magia de fogo pequena, não precisa de isqueiro; se dá pra usar [Light], luz-magia, não precisa de lanterna. Mas tem lampião e tal, neste mundo… bom, o Japão também usava lampião até meados da era Meiji, então deve ser mais ou menos por aí.

— Consegue saber algo sobre esse Āsā?

— «Vamos ver. Aquele… as ruínas subterrâneas que o Touya-dono encontrou. Ele também é o rei que transferiu a capital daquela antiga capital pra atual.»

— Faz sentido mesmo.

— «Mas, sobre o Āsā, só isso mesmo. Não há registro nenhum sobre "Coroa" nem invasão de Phrase. O que será, afinal…»

O rei de Belfast resmunga, "mumumu". Sendo o mestre, e ainda rei, por que Āsā não tentou transmitir isso pras gerações futuras? Deve ser esse o motivo do questionamento dele.

Por um instante, pensei que fosse efeito do "Reset", mas… se tivesse transformado a invasão de Phrase em "não ter acontecido", a antiga capital não deveria ter sido destruída. Deve ter outro motivo qualquer.

Por ora, agradeço e desligo o telefone.

— Como foi?

— Confirmei. O rei "Āsā" de fato existiu. Só que faz mil anos.

— Entendi. Ou seja, seu mestre já faleceu. A não ser que seja espécie de vida longa.

A Doutora direciona o olhar pro Albus, mas ele só responde com "…É mesmo?", sem mais nenhuma reação.

— O que aconteceu, afinal, há mil anos, cinco mil anos… será que dá pra explicar em detalhe?

— «Sem permissão do mestre, não posso atender esse pedido.»

— Não, seu mestre morreu há mil anos, né? Isso é impossível, francamente.

— «Nesse caso, é impossível.»

A Doutora encolhe os ombros, direcionando o olhar pra mim. Já deu, é? Cabeça-dura mesmo, apesar de ser golem, ou será que não entende o conceito de morte humana? Não deve ser isso.

Enquanto pairava atmosfera de desistência, a engenheira Elka abre a boca.

— Isso só resolve com registro de sub-mestre.

— Registro de sub-mestre?

Que negócio é esse.

— Golem, basicamente, só obedece ordem do mestre. Mas pensa bem? Se, em combate, o mestre morrer e só o golem sobreviver, o que acontece?

— É, o mestre morreu, né? Mas o registro continua o mesmo, então… não obedece ninguém?

Esse tipo de golem vira-lata é bem incômodo, hein. Mas isso não acontece, então…

— Isso. Existe função justamente pra essas horas, o registro de sub-mestre. O próprio golem reconhece que o mestre morreu, e, só então, um parente de sangue do mestre pode se registrar como mestre temporário do golem. Afinal, golem é patrimônio, sabe. Tem máquina que passa de geração em geração.

— Ah, será que a Brau do Robēru também…!

— É o "Coroa" azul da família real de Panachès, né. Se surgir alguém compatível dentro da linhagem, vira mestre de verdade, não mais temporário. O príncipe Robēru é mestre, mas o mestre antes dele era o bisavô dele. O avô e o pai foram sub-mestres.

Entendi. Passando de mestre temporário pra mestre temporário, até algum dia conseguir mestre de verdade entre os descendentes, é isso.

— Claro, isso só ocorre com golem especial. Normalmente, não tem essa restrição de compatibilidade, a maioria dos golens passa de pai pra filho normalmente. Depois de fazer o registro de sub-mestre, o normal é apagar o registro do mestre anterior e fazer registro de mestre de verdade.

Faz sentido mesmo. Se o pai morre, o filho herda o golem do pai. Ser rejeitado pelo golem não deve ser algo comum pra golem normal.

— Qual a diferença entre mestre e sub-mestre?

— Primeiro, não dá pra usar a habilidade do golem. O desempenho também cai um nível.

— Então, por exemplo, se a Norun morresse e a Nowāru fosse herdada pela filha dela, sendo sub-mestre, ela não conseguiria usar a habilidade de golem que exige "custo"?

— Não fala exemplo desse tipo, francamente! Quer apanhar?

A Norun me encara com a têmpora contraindo. Opa, falei besteira.

Espera aí… então, fazer o registro de sub-mestre do Albus significa que precisa ser linhagem de sangue do rei Āsā de Belfast de mil anos atrás, e…

— …Não pode ser, a Yumina?

— Acertou. Não tenho como saber se parente de sangue de mil anos atrás consegue virar sub-mestre, nunca testei isso, mas, talvez, sim. Sendo família real, acho que o sangue não deve estar tão diluído assim.

Como a engenheira Elka diz, sendo linhagem direta de família real, talvez tenha muito casamento entre primos e parentes próximos.

Se não me engano, a mãe da Yumina, a rainha Yueru-sama, também veio de família de marquês que remonta ao sangue real, se não me engano. Se o sangue não estiver tão diluído assim, será que consegue? Mas, afinal, é mil anos atrás. Quantas gerações seria isso?

— Não tem perigo, né?

— Não tem. Mesmo que a Yumina-chan seja compatível, se não fizer registro de mestre oficial, ela continua só mestre temporário. A habilidade de "custo" não é ativada.

Então tudo bem. Por ora, vou chamar a Yumina e explicar. Espero que consigamos entender algo com isso.

— "Abrir"

De novo (incluindo antes do "Reset", já é a terceira vez), o peito do Albus se abre, e o G-Cube toma banho de sol.

— Assim tá certo?

Enviando mana, abrindo o peito, a Yumina se vira, confirmando com a engenheira Elka.

Normalmente, abrir a escotilha interna de golem que não está em modo hibernação, só o mestre consegue. Porque o sistema de autodefesa do golem entra em ação. Concretamente falando, resiste muito.

Mas existem duas exceções que permitem abrir. Uma é liberação pelo criador. A outra é liberação por parente de sangue quando o golem está sem mestre.

Ou seja, no momento em que a Yumina abriu, o Albus reconheceu que o próprio mestre morreu há mil anos, e reconheceu a Yumina como parente de sangue.

— É, e, depois disso, o que eu faço…?

— Sem retirar o G-Cube, coloca um fio de cabelo seu dentro dele. Com isso, o registro de sub-mestre termina.

Conforme a fala da engenheira Elka, a Yumina insere o próprio cabelo dourado dentro do globo de vidro onde está o G-Cube. Sem resistência, o cabelo é sugado pro G-Cube, e o brilho aumenta.

— …Não foi rejeitado. Com isso, a Yumina-chan virou sub-mestre do Albus.

Eu, que estava em posição de defesa achando que ia acontecer outro "Reset", relaxo todo o corpo com a fala da engenheira Elka.

Com isso, o "Coroa" branco foi passado do mestre de mil anos atrás pro descendente mil anos depois.

Fechando a escotilha do peito de volta, junto com som de ativação silencioso, o Albus desperta.

— «Série Coroa, número de modelo CS-01, "Iluminati Albus", reativando. Por favor, registre o nome do sub-mestre provisório.»

— É, hã, Yumina Erunea Berufasuto.

— «Registrado. Alteração de registro de sub-mestre concluída. Autoridade de mestre transferida temporariamente de Āsā Erunesu Berufasuto para Yumina Erunea Berufasuto. Reativando.»

Os olhos se abrem, e o Albus se levanta de novo. O olhar dele fixa diretamente na Yumina. A Yumina também é baixa de estatura, mas o Albus é ainda menor. Naturalmente, fica numa postura de olhar pra cima.

Logo, se ajoelhando com um joelho no chão, igual cavaleiro, ele fala com voz diferente da usada no registro.

— «"Coroa" branco, Iluminati Albus. De agora em diante, obedecerei a você. Por favor, conceda permissão, mestre.»

— Sim. Não entendi muito bem, mas, conto com você.

— «Como desejar.»

Levantando-se, o Albus assente.

Ali, "pan!", a Doutora bate palma uma vez, abrindo a boca com sorriso maroto.

— Certo! Com isso, a Yumina-kun virou mestre do Albus. Direto ao ponto, mas quero que conte tudo o que aconteceu há mil anos e há cinco mil anos, com Albus e Nowāru!

— Direto demais, hein… não fica tão animado assim.

— Fala fácil assim, Touya-kun! Pra mim, talvez consiga finalmente clarear o mistério que carrego desde cinco mil anos atrás, viu? Por que, naquele dia, de repente, a invasão de Phrase parou? Por que o mundo que estava prestes a ser destruído conseguiu se manter por um triz? A resposta pra isso está aqui. Não dá pra não ficar animado, francamente!

Bom, pensando pela posição da Doutora, faz sentido mesmo. O "Branco" e o "Preto", como afinal, expulsaram Phrase…

— Primeiro… vamos ver, cerca de cinco mil anos atrás, qual era o nome de quem era mestre do Albus e da Nowāru?

— «Kuromu Ranshesu. Criador dos "Coroa", e alto-mestre que comandava "Branco" e "Preto".»

— Fez sentido mesmo.

A engenheira Elka também deve já ter previsto isso. Que, cinco mil anos atrás, quem comandava "Branco" e "Preto" era o gênio criador de golem da era antiga do mundo sombrio, Kuromu Ranshesu.

— O que exatamente Kuromu Ranshesu fez cinco mil anos atrás?

— «Kuromu Ranshesu, usando a habilidade de nós dois, "Preto" e "Branco", saltou entre mundos. E então────»

A verdade que o "Coroa" branco, Albus, narra. Vou organizando o conteúdo na minha cabeça, à minha maneira.

Primeiro, Kuromu Ranshesu, comandando os "Coroa" "Branco" e "Preto", usou a habilidade dos dois pra saltar do próprio mundo. Teletransportou do mundo sombrio pro mundo real.

Isso parece ter sido principalmente pelo poder de manipulação de espaço-tempo da Nowāru. É o mesmo poder do meu [Teletransporte Interdimensional].

É o oposto do fundador do Reino de Purimura, Rerio Parerius, que foi lançado do mundo real pro mundo sombrio. Certo, se ele tivesse encontrado Kuromu Ranshesu, talvez Rerio Parerius pudesse ter voltado pro mundo real…

Kuromu Ranshesu, tendo saltado entre mundos, claro, também pagou custo tremendo. Quando chegou ao mundo real, o Kuromu Ranshesu, que era idoso, tinha rejuvenescido até virar aparência de garoto. Se tivesse errado um passo, teria rejuvenescido demais, perdendo a vida.

Por que ele abandonou o próprio mundo e saltou pra outro, não sei. Buscou novo conhecimento e tecnologia, ou tinha outro motivo… nem mesmo o Albus sabe. Acho que não foi só por querer rejuvenescer.

De qualquer forma, Kuromu Ranshesu foi parar, cinco mil anos atrás, no que hoje se chama Reino Demoníaco de Zenoasu.

— Naquela época, ali existia o Reino Unido de Pirairasura. Não chegava ao nível do Império Sagrado de Parutēno, onde eu pertencia, mas era um grande país considerável, com nível técnico alto.

A Doutora complementa a explicação.

De qualquer forma, Kuromu Ranshesu se estabeleceu naquele país, aprendendo a sabedoria da civilização mágica antiga. Os golens foram reconhecidos como existência parecida com os mini-robôs que a Doutora tem, e, sem causar muito alvoroço, se integraram normalmente.

Depois de dez anos, quando Kuromu Ranshesu já dominava até magia, naquele Reino Unido de Pirairasura, de repente, surge um visitante chamado desespero.

Era o aparecimento de Phrase.


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