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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 41

A Vila de Eld e o Dragão Negro

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Capítulo 41 – A Vila de Eld e o Dragão Negro

A vila estava em chamas. Gente correndo em desespero. No alto, todo soberbo, um dragão negro disparava bolas de fogo. Membros fortes e cauda longa, grandes asas abertas nas costas. Os dois olhos, brilhando em vermelho na escuridão da noite, pareciam se divertir com aquilo.

— Prioridade no resgate dos aldeões! Tirem quem não consegue se mexer!

O Garun-san grita. Os soldados ferinos partem logo pra salvar quem estava soterrado sob colunas caídas ou ferido demais pra andar.

— Nós também ajudamos no resgate! Salvem todos, sem exceção!

Ao comando do Lion-san, os soldados de Belfast também entram no resgate.

— Bom, a gente tem que afastar aquele dragão da vila.

Atrair aquele ser que paira tranquilo no céu e afastá-lo da vila. Nesse meio-tempo, o Garun-san e o Lion-san resgatam os aldeões. O plano que montamos no caminho era esse. Eles têm a missão de escoltar a Olga-san. Não dá pra lutar com o dragão e tombar aqui.

E o adversário voa. Nossas armas não alcançam. Eu e a Lindsey, que usamos magia, temos que dar um jeito.

— Luz, perfure; sacra lança fulgurante: [Shining Javelin]!

Na noite escura, um feixe de luz atravessa o ar. Mas o dragão negro o esquiva num giro e dispara uma bola de fogo da boca.

— Tch, [Boost]!

Uso a magia de fortalecimento e me afasto dali. No ponto de impacto da bola de fogo estoura uma explosão, e fagulhas chovem ao redor.

Essa não. Se eu lutar aqui, o estrago aumenta.

— Kohaku!

Às ordens.

Atendendo ao meu chamado, o Kohaku volta ao tamanho normal.

— Lindsey! Sobe!

— S-sim…!

Monto nas costas do Kohaku e puxo a Lindsey, pondo-a sentada à minha frente. E disparamos rumo ao sul da vila.

Quando olho pra trás, o dragão dispara bolas de fogo atrás da gente, sem parar. O Kohaku, comigo em cima, corre por entre o bosque desviando pra direita, pra esquerda, com maestria. Isso, vem, vem.

Trouxe a Lindsey porque, como o bicho voa, só eu ou ela servimos de força de combate. Nós dois arrancamos as asas dele de algum jeito. Tudo começa daí.

Atravessamos o bosque e saímos numa ampla pastagem. Boa vista, sem obstáculos. Aqui o estrago deve ser menor. Não ter onde se esconder é ruim, mas……

Gogaáaaa!!

O dragão ruge. Ao ouvir o uivo, o Kohaku rosna a garganta, ameaçador.

Verme… ousas insultar o meu senhor…?! Tu, não passas de um lagarto voador!

— Hã?! Kohaku, você entende a fala dele?!

Espantado, pergunto descendo do Kohaku; ele me traduz a fala do dragão.

"Pequenino inseto que atrapalhou o meu deleite. Vou te despedaçar e devorar." É isso? Um pirralho ranhento que nem fala a língua dos homens…! É por isso que eu não suporto a linhagem do «Imperador Azul»!

O Kohaku, com a fúria estampada, encara o dragão negro no céu.

— Deleite…? Atacou a vila por diversão? Que ser mais egoísta.

Pra obter alimento, ou represália por profanarem o santuário, eu ainda entenderia. Aí dava pra só dar um susto e expulsá-lo, encerrar assim. Achei que ia dar.

Mas, pelo visto, ele atacava as pessoas pelo próprio prazer. Então a gente também não precisa ter dó.

— Lindsey, eu derrubo ele. Aí você corta fora as asas.

— Entendido.

A Lindsey assente com um aceno pequeno. Concentro a energia mágica e abro a magia de nulo.

— [Multiple]!

Em volta de mim, pequenos círculos mágicos se abrem como plataformas de lançamento, voltados pro dragão. Um vira dois, dois viram quatro, quatro viram oito… e, quando passam de cem, ativo a magia seguinte.

— Luz, perfure; sacra lança fulgurante: [Shining Javelin].

No instante seguinte, 128 lanças de luz disparam de uma vez contra o dragão negro. Magia de alto nível eu ainda não uso, mas, em número de golpes por energia mágica, não perco pra ninguém. Bazuca eu não uso, mas metralhadora eu uso.

Gyaóaaa?!

O dragão tentou desviar da saraivada de luz, mas das 128 lanças não escapa. Recebe algumas no corpo e, sangrando, despenca no chão.

Mas logo se ergue, abre as asas e tenta de novo subir ao céu. A Lindsey não deixa.

— Água, venha; lâmina límpida e cortante: [Aqua Cutter].

A lâmina de água comprimida voa contra a asa do dragão. Tsép! A asa preta direita é cortada quase pela metade.

Goáoaaa!!

Talvez de dor, com um grito ainda maior, o dragão tenta de novo alçar voo. Mas perde o equilíbrio, mal se ergue um pouco e despenca no lugar. Boa, agora não voa mais.

O dragão negro, os olhos vermelhos cheios de ódio reluzindo, abre bem a boca. Um movimento diferente do de disparar bola de fogo. Não sei o que é, mas, perigo!

Abraço a Lindsey ao lado e, com a força das pernas reforçada pelo [Boost], chuto o chão.

Goooooo! Da boca do dragão sai fogo como um lança-chamas, tingindo tudo de carmesim.

Esse aí alterna as baforadas. Diante do dragão que cospe fogo como ameaça, a gente custa a se aproximar.

A Lindsey tenta de novo o [Aqua Cutter], mas o muro de fogo criado pela baforada reduz a força, e não chega a causar dano.

E, sobre a cabeça do dragão, cai uma sombra.

— Toma!!

O corte da lâmina da Yae, que despencou, rasga o olho direito do dragão.

— [Boost]!!

Em seguida, saltando do bosque, o golpe de toda a força da Elsie, com o fortalecimento, estoura no flanco do dragão negro.

Gugyaóaaa!!

— Ai, que dor! Esse aí é duro demais!

— Comparado ao monstro de cristal de antes, ao menos este não se regenera.

A Yae e a Elsie reclamam e se afastam do dragão.

Com um olho furado, o dragão, tomado pela fúria, cospe bolas de fogo e fogo em sequência contra as duas.

— Opa?!

— Recuar!

Às pressas, as duas batem em retirada. Labaredas e muros de fogo iluminam tudo.

Aproveitando a brecha em que a atenção dele foi pras duas, saco a katana e me aproximo do dragão. Salto e desço a katana mirando a cabeça.

Cráquim!

Era um golpe reforçado pelo [Boost], mas, com um som metálico agudo, a katana se parte ao meio.

— Tch!

Que dureza. Eu devia ter mirado o olho que sobrou, como a Yae. O dragão negro me encara com o olho vermelho e ergue a cabeça em riste na minha direção. Abre bem a boca, em postura de cuspir uma baforada.

Ah, perigo. Foi quando, não sei de onde, uma faca voa e se crava no olho esquerdo do dragão.

Com os dois olhos furados, o dragão, talvez de dor, sacode muito a cabeça pros lados e cospe fogo.

— [Slip]!

Na brecha, com a magia eu zero o atrito sob os pés do dragão; ele perde de vez o equilíbrio, e o corpanzil tomba de lado. Foi por pouco. A magia [Slip] é útil demesmo. Contra quem voa não serve, mas.

Se a faca não tivesse vindo, era perigo. A Yae? Me salvou. Ué? Mas a Yae estava daquele lado… do lado contrário ao de onde a faca veio, né? …Bom, deixa pra lá.

O dragão solta um rugido de fúria. A minha katana se quebrou. É dragão, afinal. Sem um ataque mais perfurante não dá. Então……

— Yae, Elsie! Ganhem tempo! Lindsey, uma grande muralha de gelo pra defesa, na minha frente! Kohaku, protege a Lindsey!

Ao meu chamado, a Lindsey concentra a energia mágica e tece o encantamento.

— Gelo, venha; muralha eterna de gelo: [Ice Wall].

Diante de mim surge um grande e grosso muro de gelo. Gelo lindo e transparente. Com este dá pra fazer.

— [Modeling]!

Estendo a mão sobre o gelo e o vou deformando. A estrutura do que vou fazer não é difícil. O gelo mágico, diferente do comum, custa a derreter, mas dá pra trabalhar.

Segundos depois, o que ergui ali foi uma grande lente de gelo. Com uma base direitinha pra não cair.

— [Multiple]!

Pequenos círculos mágicos surgem um após o outro e se abrem diante da lente. 1… 2… 4… 8… 16… 32… 64… 128… 256… 512!

— Luz, perfure; sacra lança fulgurante: [Shining Javelin]!

As 512 lanças de luz disparadas são sugadas pra dentro da lente, refratadas e concentradas num único ponto. Uso o [Modeling] de novo, ajusto a espessura da lente e foco a distância focal no dragão negro.

— Toma!!

No instante seguinte, fóóó!, um som indescritível, e no peito do dragão negro se abre um buraco. O dragão tomba pra frente, oscila e, com um estrondo no chão, desaba. O sangue jorrando do peito tinge a terra de vermelho.

— Con… segui……

— Conseguimos, Touya-dono!

A Elsie e a Yae vêm correndo, animadas. A Lindsey, montada no Kohaku, também chega.

— Impressionante.

Como sempre, meu senhor. Que satisfação.

Acabada a luta, quando solto um suspiro de alívio, bem nessa hora a lente de gelo se estilhaça, gararrá. Uou, que susto.

E, no chão, cai uma sombra preta. Quando ergo o rosto, lá, com a lua às costas, pairando no céu, havia um segundo dragão.

— N-não…! Mais um……?!

E maior que o dragão negro caído, de escamas vermelhas, com pelos brancos da nuca até a cauda. Chifres longos e grossos, cauda comprida.

Diante do segundo de repente, enquanto a gente hesitava, o dragão vermelho no céu falou.

Deste lado não há intenção de luta. Parece que o meu irmão de raça causou transtorno. Peço desculpas.

— Você fala?!

Sou o dragão vermelho que rege o santuário. Vim buscar o desgarrado, mas, pelo visto, cheguei tarde.

O dragão vermelho fecha em silêncio os olhos dourados, com um quê de tristeza. Sei, veio buscar… Se chegasse um pouco antes, a gente tinha como lidar de outro jeito…

Num clima difícil de descrever, o Kohaku avança diante do dragão vermelho.

Dragão vermelho. Diz ao «Imperador Azul» que eduque a própria linhagem.

O quê…? Esta presença… não me diga… sois o «Imperador Branco»?! Por que num lugar destes……?!

O dragão vermelho solta um grito de espanto. Eu, sem entender nada, fitava o Kohaku de boca aberta. Será que ele é importante, este aqui?

Sei… Quem derrotou o dragão negro foi o «Imperador Branco»… com razão, um mero dragão negro nem seria páreo…

Não te engana. Quem o derrotou foi o meu senhor, Touya-sama. Este pirralho ousou, atrevido, insultar o meu senhor. Castigo merecido.

O quê…?! O senhor do «Imperador Branco»?! Um humano?!

Soltando de novo um grito de espanto, os olhos dourados me fitam. Logo o dragão vermelho pousa em silêncio no chão, se curva e baixa a cabeça.

As reiteradas descortesias, rogo que perdoeis… Tudo isto foi obra deste dragão negro, só dele. Por benevolência, peço……

— Ah, bom, eu entendi o motivo, então tudo bem. Mas só desta vez, viu. Avisa os jovens pra nunca mais acontecer.

Sim. Sem falta. Voltarei já ao santuário e transmitirei a todos. Com licença.

O dragão vermelho se ergue, baixa a cabeça mais uma vez, bate as asas e sobe devagar; dá uma volta lá no alto e parte rumo ao sul.

Que estorvo, francamente. É por isso que o «Imperador Azul»……

Resmungando, o Kohaku, pof, volta ao tamanho de filhote. Parece que ele não vai muito com a cara do «Imperador Azul». "Dragão e tigre se enfrentam", como diz o ditado; deve ser inevitável. Ué?

Olho ao redor e as três estavam sentadas no chão.

— Que foi, gente?

— Que foi… a gente não conseguia se mexer……

A Elsie solta a voz rouca. Ah, o mesmo estado da Yumina quando invoquei o Kohaku. Aquele dragão vermelho também devia ser de nível bem alto. Aqueles olhos dourados, talvez fossem olho mágico.

— O Touya-san… ficou bem?

— Totalmente. Sem nada.

— Bate uma sensação de injustiça……

Fazer o quê. Deve ser efeito-Deus. Não tem jeito. Aliás, sentir medo eu sinto, mas, por causa disso, travar as pernas, quase nunca.

Pensando nessas coisas, fui lançando magia de cura em todo mundo.


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