Capítulo 414 – O Falso Cavaleiro, e a Expedição
Naquele dia, parece que houve várias vezes ataques repetidos de mutantes direcionados à "Árvore Sagrada".
Como já tínhamos colocado Frame Gears lá, parece que umas poucas espécies inferiores já não são páreo nenhum.
Recebo relatório constante da situação pela Esuto-san no telefone. Mesmo naquele local onde o Veneno Divino-Demoníaco impede magia de busca, ligação pelo smartphone não tem problema.
A "Árvore Sagrada" também vem crescendo saudável dia após dia, e logo, logo, deve ficar maior que as árvores da floresta.
Chegando a esse ponto de crescimento, já não dá mais pra esconder. Vai ficar visível de qualquer canto, e o ataque de mutante também deve aumentar ainda mais.
Enviei pra floresta da "Árvore Sagrada" a dupla do "Coroa" preto, Norun e Nowāru, com a Overgear "Leonoir", e o príncipe Robēru com o "Coroa" azul, Brau, com a Overgear "Diaburau" também.
Já que fui até lá uma vez, agora ficou fácil usar [Gate].
Agora, do outro lado, três "Coroa" estão protegendo a "Árvore Sagrada". Adversário medíocre não deve conseguir fazer nada.
Ataque direcionado à "Árvore Sagrada" também consegue ser defendido pela barreira usando o poder de distorção espacial do "Diaburau" do Robēru.
— E aí, quando vai ser a invasão?
— Deixa eu ver… na sensação, mais uns dois dias… com isso, acho que o efeito do "Veneno Divino-Demoníaco" já deve deixar de nos afetar.
— Até lá, ficamos de prontidão, é… frustrante, hein.
Enxugando o suor do treino com toalha, a Hiruda murmura. Bom, entendo o sentimento. Não é só eu, mas a Hiruda, a Yae e o pessoal também correm risco. Lutar naquele estado que sofri ontem mesmo é impossível.
Não tanto quanto eu, mas todas as noivas também recebem amor divino de várias formas. Sem dúvida, devem sofrer forte efeito do "Veneno Divino-Demoníaco".
Mesmo mestre de espada excepcional, se estiver completamente bêbado e cambaleando, talvez até um amador consiga derrotá-lo.
……………Vem à mente uma mestra de espada que talvez nem embriagada seja derrotada, mas essa aí não conta. Afinal, aquela deusa provavelmente sofreria efeito forte do "Veneno Divino-Demoníaco" e talvez até morra. Comparação ruim.
Mesmo a Nia e o pessoal, lutando em Eisengard, não dá pra dizer que estão completamente livres do efeito. Talvez estejam levemente mais indispostos que o normal. Mais ou menos, todos têm vínculo comigo. É veneno que literalmente aplica de forma extrema o ditado "se odeia o monge, odeia até a batina dele".
Quanto mais a "Árvore Sagrada" crescer, mais forte fica o poder de purificação. Eventualmente, esse poder deve alcançar Eisengard inteira. Nessa hora, é quando entramos em ofensiva.
A batalha decisiva está próxima.
Enquanto sentia essa expectativa, chegou contato da Doutora Babylon no smartphone.
— Sim, alô
— «Touya-kun, parece que a situação ficou exatamente como previsto. Apareceu um novo tipo de mutante em Eisengard.»
Novo mutante? Não pode ser, será…
— Isso é…!
Vendo aquela figura no monitor do "Laboratório", fico sem palavras. Já esperava, mas, vendo de fato, sinto choque considerável mesmo assim.
A cena refletida no monitor é imagem de câmera do Frame Gear da Nia e do pessoal em Eisengard.
Misturado entre vários mutantes inferiores, tipo salamandra gigante, tinha algo em pé — aquilo é mutante especial, hein.
Brilhando em tom dourado-escuro, com duas pernas, dois braços, e cabeça — claramente formato humanoide. Mas não é espécie dominante. Tamanho igual a Frame Gear… ou melhor, até a aparência é bem parecida. Educadamente, ainda carrega espada e escudo.
— Mutante tipo Frame Gear…
— Provavelmente feito com base no Cavaleiro Pesado capturado na batalha passada. Bom, parece bastante adaptado.
A Doutora responde balançando pra cima e pra baixo o cigarro de aroma na boca.
De fato, a forma se parece com Cavaleiro Pesado. Mas o formato tem algo sinistro. Como dizer, é distorcido. Pela cor, já reconheço na hora, mas mesmo sem a cor não confundiria com Cavaleiro Pesado.
— Mas é estranho, hein. Que mérito tem em virar tipo Frame Gear? Achei que faria mais sentido tipo mais próximo de humano… digamos, tipo formato de gigante tipo ciclope ou troll.
De fato. Se é tamanho e formato similar a Frame Gear, faria mais sentido usar algo tipo golem como base. Não deve ser porque tem textura metálica que decidiram fazer robótico. Também não entendo o sentido de capturar Frame Gear de propósito.
— Mesmo sem precisar assumir forma de máquina de propósito… hn?
Na imagem, a espada do Cavaleiro Vermelho da Esuto-san corta em movimento horizontal o tórax do mutante tipo Frame Gear. Fragmentos despedaçados choveram no chão.
— Ah, entendi… então é isso.
— Não entendo. Como assim?
Não fica assentindo sozinha, me explica também, francamente.
— Escuta bem. Coisa maior é mais difícil de destruir que coisa menor, é isso.
— …Explica de forma que dê pra entender.
— Certo. Mutante… Phrase também, espécie inferior, intermediária, superior, e também espécie dominante. Todos têm fraqueza no "núcleo" dentro do corpo. Isso não tem erro, né?
Diante da explicação da Doutora, assinto. Que negócio é esse, óbvio.
— Aí, esse "núcleo" fica maior proporcional ao tamanho do corpo. Isso também não tem erro, né?
Uhum, bom, de fato isso também. Espécie inferior é tamanho de bola de beisebol a softball, espécie intermediária de bola de basquete a bola de exercício, espécie superior tem casos de dois a três metros de diâmetro. Ao contrário, o "núcleo" da espécie dominante é tamanho de cereja grande.
— Então, esse falso Frame Gear, que tamanho de "núcleo" você acha que tem?
— Eh? Aquilo… provavelmente tipo espécie intermediária. Então… desse tamanho?
Mostro com a mão algo um pouco maior que bola de basquete. A Doutora vê isso, balançando a cabeça pra lado. Diferente?
— Diferente. Provavelmente, o "núcleo" daquele falso Frame Gear deve ser desse tamanho.
A Doutora mostra tamanho de cerca de dois centímetros com o polegar e indicador pequenos.
— Tão pequeno assim!?
— Olha isso. Aos pés do Cavaleiro Vermelho. O que dá pra ver?
Fico observando fixamente a tela indicada pela Doutora. Então, os fragmentos dourados espalhados aos pés do Cavaleiro Vermelho se regeneram feito imantados, e um esqueleto dourado se ergue timidamente.
— O quê!?
— Bem feito, hein. Ou seja, esse falso Frame Gear e o esqueleto dourado são dois em um. O "núcleo" deve estar no esqueleto dourado, que é o piloto. Esse falso Frame Gear destruído também está regenerando, viu. Parece que a capacidade de regeneração não depende do tamanho do núcleo. Ou seja, a não ser que destrua esse esqueleto dourado, esse falso Frame Gear também não vai poder ser destruído.
Entendi. Mas o "núcleo" daquele esqueleto dourado tem tamanho de bolinha de gude. Destruir isso em combate é técnica dificílima. Não, se pisar em cima, resolve, mas.
Imediatamente contato a Esuto-san, comunicando o que descobrimos.
Recebendo isso, o Cavaleiro Vermelho no monitor esmaga sem dó o esqueleto dourado que tentava voltar pra dentro do próprio corpo original.
Ao mesmo tempo, o falso Frame Gear caído começa a derreter soltando fumaça preta, "dorori". Como previsto pela Doutora.
— Hmpf, gosto meio ruim, hein. Falso Frame Gear… incômodo de chamar toda vez, vamos chamar de "falso cavaleiro"? Esse falso cavaleiro forma par com aquele esqueleto dourado, mas não tem vontade própria. Literalmente é relação de Frame Gear com piloto, digamos. Só que Frame Gear não desaparece mesmo se o piloto for derrotado.
— Pra derrotar aquele falso cavaleiro, só resta mirar o cockpit?
Fico pensando se meu [Apport] daria pra puxar o núcleo, mas [Apport] precisa reconhecer com precisão o objeto que vai puxar. Pra extrair núcleo invisível, precisaria confirmar com o "Olho Divino" também…
— Bom, tipo o que o Cavaleiro Vermelho fez agora, arrastar o esqueleto dourado pra fora e pisar até esmagar deve ser o jeito mais fácil, né. Ou senão, ataque que aniquile o cockpit junto.
A Grimgerde da Rin, com salva de metralhadora, talvez consiga derrotar, mas a Gerhilde da Eruze, focada em combate corpo a corpo, e a Schwertleite da Yae, a Sieglinde da Hiruda, focadas em espada, devem ter dificuldade.
Derrotar e depois esmagar o cockpit deve ser o mais fácil mesmo, hein.
— Justo agora, apareceu inimigo incômodo, hein…
— Não, nem tanto. Olha só.
No monitor apontado pela Doutora, um Cavaleiro Pesado customizado do "Gato Vermelho" trocava golpes de espada e escudo com um falso cavaleiro. O que isso significa?
— Não percebeu? Esse falso cavaleiro não transforma, e não ataca. Se fosse mutante comum, deveria ao menos alongar um dos braços virando braço-lâmina.
Agora que penso… regenera, mas não estende braço nem transforma livremente. Por quê?
— Provavelmente esse tipo de habilidade deve depender do tamanho do núcleo. Corpo grande, mas núcleo pequeno do esqueleto dourado. Deve não ter poder pra transformar.
Entendi. Com núcleo pequeno, o esqueleto dourado só consegue dar conta da própria transformação. Ou seja, dá pra dizer que o próprio falso cavaleiro é mais fácil de enfrentar.
No monitor, de novo o Cavaleiro Pesado corta em duas metades o tronco do falso cavaleiro. O pé do Cavaleiro Pesado pisa duas, três vezes no tórax da metade superior caída. Assim, num instante, o falso cavaleiro derrete, "dorori", soltando fumaça preta, desaparecendo.
— Hmm… não é luta muito elegante, hein.
— Exigir elegância em luta já é impossível.
De fato. Mas dar o golpe final assim, em inimigo já caído, dá certa sensação estranha, hein…
Enquanto isso, parece que já aniquilaram os mutantes que atacaram. Os Cavaleiros Pesados retornam a espada à bainha.
Meu smartphone imediatamente recebe ligação. Deve ser da Nia.
— Sim, alô?
— «Ei, seu. E a comida, cadê? Aqui não tem nem presa decente pra caçar, quer que a gente morra de fome!?»
— Ah, esqueci.
— «O quêêê━━━!?»
— Não, não esqueci de preparar, foi de entregar. Já mando, espera aí.
Opa, opa, sem querer esqueci. Barriga vazia não vai à guerra. Especialmente em batalha distante, o resultado às vezes depende de suprimento. Bom, no nosso caso, distância não é problema, mas.
Espaço vazio do "Laboratório"… espaço vazio… espaço vazio, nenhum. Chão inteiro coberto de papel, ferramenta, peças espalhadas. Arruma isso aí, francamente.
Não tem jeito, saio pro corredor e vou dispondo um atrás do outro, do [Storage], as comidas feitas pela chef Kurea-san e pela Rū. Barril de bebida e um pouco de saquê também. Como estava dentro do [Storage], sai fumegante, recém-feito.
— Ei, sem beliscar. Ganancioso.
— Que mal tem uma porção? Eu também ainda não comi hoje.
Sem perceber, a Doutora se aproxima de lado, pega o prato de arroz frito, comendo com colher, "mogumogu".
— [Gate]
No chão onde terminei de dispor a comida, se expande a porta de teletransporte, afundando suavemente pro chão.
Deve ter teletransportado diante da "Árvore Sagrada" em Eisengard, onde a Nia e o pessoal estão.
Logo recebo ligação da Esuto-san, agradecendo. Isso também é custo necessário, sem problema. Já vai ser hora de colocar em revezamento nossa própria ordem de cavaleiros também.
Vou até o alojamento da ordem de cavaleiros, chamando os membros da vanguarda já decididos. Não posso negligenciar a defesa do país, então pretendo deixar metade aqui.
Liderando o vice-comandante Nikora-san, envio cerca de cinquenta cavaleiros.
— Isso é tenda simples e comida diversa. Encolhi com [Prison], mas, se "liberar" do outro lado, volta ao tamanho original. Não esquece o contato regular. E, se sentir corpo estranho, mesmo pequena mudança, avisa sem falta.
Entrego à Nikora-san um dado tipo cubo, tamanho de dois centímetros, encolhido com [Prison]. Dentro dele, tá guardado tudo, incluindo a porção da Nia e do pessoal também.
A Nikora-san guarda o [Prison] no bolso, se virando e dando ordem aos cavaleiros.
— Então, partiremos em expedição. Todos, embarquem!
Os cavaleiros embarcam nos quarenta e nove Cavaleiros Pesados chamados de Babylon, e a Nikora-san embarca no Cavaleiro Preto, máquina de comando.
No Cavaleiro Preto da Nikora-san, está equipado, em modo escudo, o "Flight Gear" recém-completado. Deve conseguir lidar mesmo se aparecer mutante voador.
Quando abro grande [Gate], os Frame Gears marcham sacudindo o chão pesadamente, "zushinzushin", teletransportando um atrás do outro pra Eisengard.
— «Então, Majestade. Vamos indo.»
Por último, a Nikora-san fala isso pelo alto-falante externo, desaparecendo dentro do [Gate].
— Foi mesmo, hein. Eu também queria ir.
O outro vice-comandante, igual à Nikora-san, a Norun, não, a Noruen-san, murmura insatisfeita, balançando as orelhas de lobo, "pikupiku", e o rabo, "yurayura".
Diante disso, com tom mais severo, o comandante, o Rein-san, adverte.
— Se os dois vice-comandantes forem embora, quem vai comandar aqui? Nós também temos nosso papel, sabe?
— Falando assim, hein~. Mas o Rein-chan também vai depois, né? Não é injustiça só eu ficar de guarda?
— Mesmo dizendo isso… foi decisão de Sua Majestade, então…
Ei, ei, a flecha voltou pra mim. Afinal, não dá pra levar comandante e os dois vice-comandantes, todos os três pro outro lado.
Tem o vovô Baba e o senhor Yamagata, mas, precisamente, esses aí não são membros da ordem de cavaleiros.
— Desculpa, mas dessa vez, aguenta ficar. Não é exatamente compensação, mas, até a Nikora-san e o pessoal voltarem, vou dar sobremesa todo dia pra equipe de guarda.
— Eh! Todo dia!? Isso devia ter falado antes! Quero pudim à la mode!
O rabo da Noruen-san começa a balançar com força, "bassabassa". Ela se move fácil por comida, hein.
— É, hã… até eu partir, será que também recebo sobremesa…?
O Rein-san direciona o olhar timidamente na minha direção. Parece que ela também é fanática por doce. Bom, já que é isso, vamos deixar assim também. Não quero ser odiado por injustiça também.
Amanhã, preciso enviar a ordem de cavaleiros de outros países também, transformando a base da "Árvore Sagrada" em base avançada.
Terminando isso, cada um, então, é hora do assalto.
━━━À época, dia 14 de dezembro, décimo quinto ano da Era Genroku.
Sacudindo a noite de Edo, ressoa o tambor de guerra do estilo Yamaga.
Pra dissipar o rancor do falecido senhor, Asano Takumi-no-Kami, nós, quarenta e sete servos leais de Akō, vamos receber a cabeça do chefe da família Kōke, o senhor Kira.
…Não é hora de ficar embriagado no mundo de Chūshingura. Aliás, com esse cenário, a posição do Asano Takumi-no-Kami, forçado a cometer harakiri, sou eu mesmo, né. Que agouro.
Bom, espero que, tipo os leais servos de Akō, todos voltem sem falta ninguém… e depois cometam harakiri, né, eles. Não, não, essa comparação tá errada mesmo.
De qualquer forma, preciso que todos voltem sãos e salvos. Renovando essa determinação, sigo pra cozinha do castelo pra fazer a sobremesa solicitada.