Capítulo 423 – O Poder do Amor, e a Muda do Deus Maligno
Pra bloquear a esfera de luz disparada, tentei ativar [Teletransporte], mas, antes disso, sinto a ativação de mana e paro o movimento.
De novo, com estrondo ecoando, uma explosão absurda cria uma segunda cratera. Se todo mundo estivesse ali, não teriam se tornado apenas carvão, com certeza.
Solto suspiro leve de alívio. Observando as máquinas exclusivas de todos, paradas abaixo.
No instante em que a esfera de luz foi disparada, teletransportaram com [Teletransporte] até onde estou.
Não é poder da Sakura. Todo mundo também recebeu aquele aplicativo "Mochizuki Touya". Cada um ativou o próprio [Teletransporte].
— «Touya-san, que bom que tá bem.»
— Desculpa, gente, o idiota da Yura me prendeu, então demorei um pouco pra sair.
Por ora, peço desculpas a todos. De fato, fiz todos ficarem preocupados. Opa, espera?
— E o Ende e o pessoal?
Aqui só tem nove máquinas exclusivas. O grupo do Ende… a Meru, a Nei, a Rise, também não estão.
— «Se for a Meru e o pessoal, mandei pra derrotar mutante. O Dragão Cavaleiro tá destruído, e não dá muito pra lutar corpo a corpo contra deus maligno mesmo.»
A Eruze, montada na Gerhilde, responde à minha dúvida. De fato, mesmo com o aplicativo "Mochizuki Touya", enfrentar deus maligno corpo aberto é um pouco impossível mesmo.
— «Aquilo é o deus maligno, hein…»
— «Grande, eu até gosto, mas insetos, eu odeio.»
Diante do deus maligno, virando-se devagar em nossa direção, todos direcionam o olhar. O grande olho composto nos encara fixamente. Sinto que não capto nada tipo sentimento ou vontade dele. Talvez esteja se movendo puramente por instinto.
Na ponta das antenas do deus maligno, algo tipo eletricidade começa a estalar, "bachibachi". Vem!
— Todos, se dispersem!
Diante da minha voz, todas as máquinas exclusivas ativam [Fly], escapando pro céu.
Logo depois, um grande relâmpago é disparado da antena, perfurando repetidamente o local onde estávamos.
Golpe atrás de golpe, absurdo. Que incômodo.
— «Touya-san, ah, tenho uma coisa que quero perguntar, sabe…»
— Eh, o quê?
— «O poder que vem fluindo pra gente desde há pouco, isso é o poder do Touya-san?»
Diante da fala da Rinze, olho com atenção, e, das máquinas de todos, sobe feito miragem Ki Divino cor platina.
Ei, isso é igual ao meu Ki Divino…!
Então, meu poder tá fluindo até pra vocês, que viraram servos?
— «Como dizer… é poder quente, viu.»
— «Sinto o rei perto. Sinto que não vamos perder de jeito nenhum.»
— «Fufu. É o amor do Darling, é isso.»
— «O amor do Touya-sama! Somos invencíveis, né!»
O que é isso, que vergonha. Para! Talvez seja verdade, mas dizer em voz alta assim é constrangedor demais!
— «Então, pra corresponder a esse amor, pessoal, vamos derrotar aquele deus maligno com tudo!»
Diante da voz da Yumina, todos assentem, e cada um libera o próprio Ki Divino. Mais fraco que o meu, mas, sem dúvida, Ki Divino sem mistura nenhuma.
Isso me faz despertar de repente. Que elas já tinham feito a própria determinação. Que, como servas dos deuses, andariam junto comigo pela vida. Que não tinham hesitação nenhuma nisso.
Então quem era mais indeciso aqui era eu mesmo, hein… que patético.
— «Certo, vamos!»
Quem abre a frente é a Eruze. Voando com [Fly], desvia leve, "hirarihirari", dos lasers disparados pelos braços do deus maligno.
— «[Liberação de Ki de Luta]! Golpe fatal! [Explosão de Canhão]!»
Num braço, explode o Pile Bunker da Gerhilde. Sendo grande demais, não conseguiu destruir com um golpe só, mas conseguiu abrir grande rachadura.
O braço com inúmeras rachaduras, sem regenerar, solta fumaça preta. Deve ser o Ki Divino da Eruze impedindo a regeneração.
— «Deyaaaaaaaa!»
— «Haaaaaaaaaaa!»
Ali, avançando, entram máquinas de cor lilás e laranja. É a Schwertleite da Yae e o Sieglinde da Hiruda. Segurando espada longa e espada grande envoltas em brilho platina, investem contra o braço com rachadura.
— «Estilo Kokonoe Manari, técnica secreta, Corte Feroz de Presa de Dragão!»
— «Estilo de Espada Lestia, Sexta Forma, Trovão Rugidor!»
As duas máquinas cortam em forma de X, feito cruzando, o braço com rachadura.
Feito trabalho de vidro, o braço se estilhaça em pedaços, caindo no chão.
Soltando fumaça preta, o deus maligno dispara relâmpago gigante da antena, em direção aos três Frame Gears que cortaram o próprio braço.
Mas, com [Teletransporte], num instante, as três máquinas já tinham escapado dali.
Na busca pelo olho composto do deus maligno, procurando as três máquinas que desapareceram, atinge uma bala de cristal com [Mega Explosion] embutido.
Gigigigiiii!
Recebendo a explosão gigante, a parte superior do corpo do deus maligno balança. Ali, dessa vez, bala de cristal atinge a garganta. De novo, estrondo e chama explosiva atacam o deus maligno.
— «Como esperado, sendo grande assim, fica mais fácil de acertar, né.»
Com equipamento tipo rifle empunhado, a Brunhild da Yumina dispara pela terceira vez bala de cristal. Dessa vez atinge o abdômen do deus maligno, provocando grande explosão.
Não conseguiu destruir muito, mas conseguiu abrir rachadura.
Seguindo, explosão também atinge o ombro do deus maligno. Não é a Brunhild. É bombardeio da Varutorate, pilotada pela Rū. A máquina verde-esmeralda tinha sido convertida pra tipo bombardeio com unidade C.
— «De fato, é fácil de acertar mesmo. Até eu, que sou ruim de mira, consigo acertar com facilidade.»
Gigigigigigigigigiiiiiiii!
Das asas do deus maligno, é disparado som dissonante desagradável.
Junto com som desagradável, algo tipo onda de choque perfura as máquinas. Parece que está disparando som carregado com Ki Divino. Igual receber [Gravity], pressão misteriosa aplica peso, e dá pra ouvir som de máquina rangendo, "gishigishi".
Deve ser pra impedir que nos aproximemos, mas, infelizmente, temos uma cantora ao nosso lado.
— «Não vou deixar.»
Do Rosuvaise da Sakura, ressoa canto poderoso.
Essa música, se não me engano, foi a mesma usada antes pra procurar o núcleo da espécie superior mutante.
Aquela mesma "O Poder do Amor", tema de filme famoso de viagem no tempo. Poder que faz o mundo girar. É o poder do amor.
Diante disso, qualquer um fica impotente. Mesmo sendo deus maligno, é igual.
O som dissonante é apagado pelo canto da Sakura, e a pressão nas máquinas também desaparece.
— «Agora é minha vez!»
A Orutorinde Overload, deus dourado gigante pilotado pela Sū, encomenda isso do [Storage].
Arma exclusiva anti-espécie-superior, giga-arma de gravidade, [Martelo de Ouro]. Esfera dourada temível com espinhos grandes.
Segurando o cabo conectado por longa corrente, a Orutorinde Overload começa a girar, "bunbun", a esfera dourada. De rotação vertical pra horizontal. A gravidade mágica gerada por [Gravity] e [Prison] se acumula dentro do martelo.
Gigigigigigigigigi!
Reagindo ao Ki Divino inchando, o deus maligno derrama chuva de laser. A Orutorinde está desprotegida, mas a Sū e o pessoal têm aliado forte, o aplicativo "Mochizuki Touya".
— «[Reflection]!»
Parede semitransparente se expande diante da Orutorinde, refletindo toda a chuva de laser, mandando de volta pro céu distante.
A esfera dourada, começando a soltar faísca, "bachibachi", a Sū arremessa com força total em direção ao deus maligno.
— «Vira póóóó!»
A esfera dourada, virada massa de gravidade mágica, avança contra o deus maligno. Talvez sentindo perigo, o deus maligno usa a cauda longa pra tentar derrubar a esfera dourada.
"Go!", junto com clarão ofuscante, e estrondo forte o suficiente pra sacudir o ar, atinge o entorno.
Gigigigigigigigi!?
Metade da longa cauda do deus maligno vira areia dourada arrastada pelo vento, "sarasara". O Martelo de Ouro também desaparece junto.
— «Mumu, falhei, hein.»
Se fosse a Orutorinde de antes, não teria aguentado a reação do uso do Martelo de Ouro, ficando inoperante. Mas, com melhorias acumuladas, e ainda mais com suprimento de mana do aplicativo "Mochizuki Touya", consegue de algum jeito continuar se movendo.
— «Queria dar mais um Martelo de Ouro, mas aquele era o último.»
— «Já basta. Deixa o resto com a gente.»
Diante da voz da Rin, eu e a Sū olhamos pra trás.
Ali estavam a Grimgerde da Rin e o Helmuvīge da Rinze, empunhando grande canhão.
Grande canhão mágico gigantesco, "Brionac". Arma definitiva contra espécie superior. Precisa de quantidade absurda de mana e controle preciso de mana.
No meu Reginleiv, é difícil controlar, e, na Rin e na Rinze, é arma que só dá pra disparar uma vez por causa da quantidade de mana.
Também leva bastante tempo pra carregar a mana. É arma difícil de usar, mas, prevendo isso, as duas parecem estar carregando mana desde o começo da batalha. O medidor de mana na lateral do canhão já estava em potência máxima.
— «Taxa de carregamento, 100%!»
— «Disparar!»
Junto com estrondo, a grande broca disparada crava em linha reta no abdômen do deus maligno.
Gyariiiiiii!, a broca começa a girar em alta velocidade. Esmigalhando com estalo o abdômen do deus maligno, a broca avança sem misericórdia.
Gigigigigigigigigigigigiii!?
O deus maligno solta um ranger tipo agonia, observando a broca cravada no abdômen.
Esmigalhando o corpo metálico, a broca finalmente atravessa o abdômen do deus maligno, saindo pelas costas.
Se fosse corpo humano, seria buraco tamanho de bola de golfe no abdômen. Normalmente, seria morte, mas deus maligno não tem órgão interno. Mas o dano do Ki Divino deve ser grande.
Gigigigigigigigigigigigigigigiiii… re… ka… nari…
— O quê?
O movimento do deus maligno para, e, do corpo dele, uma voz familiar ressoa. Aquela voz é…!
— «Vejo que continua com disposição, deus NEET.»
— «…!? Seu…! O garoto daquela vez! Droga, por sua causa,!»
— Não põe a culpa em mim. É a semente que você mesmo plantou desde o início.
— «Cala a booocaaaaaa!»
Da ponta do chifre no capacete, corre relâmpago, atacando dividido em três raios.
— [Shield]!
Se usasse [Reflection], talvez atingisse os outros também, então bloqueio com barreira de defesa.
Soltando fumaça branca, o deus maligno dá um passo à frente. A cauda longa se arrasta acompanhando, "zuruzuru".
— «Todo mundo só atrapalha! Incompetentes! Se deixassem tudo comigo, eu construiria um mundo perfeito! Por que negam um mundo belo e ordenado, sem guerra nem pobreza, todos iguais, sob gerenciamento e controle! Todo ser vivo na terra é servo divino, o que há de errado em gerenciá-los! Guiar os tolos é justamente o dever de um deus!»
Diante da fala e comportamento tipo "óbvio, né", fico sem palavras de tanto desânimo. Fez sentido o Deus do Mundo nunca ter promovido esse aí de deus subordinado. Talvez, antigamente, ele esperasse que esse aí mudasse esse pensamento, mas já não precisa mais esperar isso.
— Mudança de forma: adaga.
A grande espada empunhada pelo Reginleiv, num instante, transforma em quarenta e oito adagas, flutuando ao redor da máquina feito satélites em círculo.
O Ki Divino platina envolve as adagas feito chama ardente. Não vou ter piedade com inimigo que tenta destruir o mundo.
— [Enxame de Espadas Estelares]
As quarenta e oito estrelas cadentes platina disparadas do Reginleiv perfuram um atrás do outro o braço, a asa, a perna, o peito, a cabeça do deus maligno mecanizado. Crava com força total quarenta e oito flechas ferozes.
As quarenta e oito estrelas platina que perfuraram o deus maligno retornam ao Reginleiv, voltando a girar feito satélites.
— «Guoga gagagaga! Desgraçadooo! Seu, você, seu garotooo! Sendo mero humano, se atreve a se passar por deus, contra mim, deus legítimo, fazendo isso…! Não perdoo! Não vou perdoar! Vou fazer em pedaços! Ser inferior, mero produto criado por deuses!»
— Cala a boca. Vou te ensinar uma coisa. Na Terra, esse tipo de mundo que você fala, todos gerenciados e controlados pelo dominante, se chama distopia. Guarda isso na memória.
Os quarenta e oito satélites girando ao redor do Reginleiv brilham de novo em platina. Esse aí eu esmago aqui. Aniquilo esse resto de deus egocêntrico que só cospe delírio. Nem eu, nem o mundo, somos tolerantes o bastante pra deixar continuar falando bobagem.
— [Enxame de Espadas Estelares]
De novo, o enxame de estrelas platina despenca sobre o deus maligno.