Capítulo 422 – O Apego, e o Despertar
Kikikikikikikikikikikiki……
Ressoando som desagradável, tipo unha arranhando quadro-negro, o deus maligno bate as grandes asas.
Das asas, algo tipo pó de escama brilhante voa. Será a mesma coisa que aquela grande árvore dourada que cresceu em Eisengard antigamente espalhava?
Esporo maligno que transforma em mutante quem morreu carregando rancor, ou humano que absorveu profundamente sentimento negativo.
Pra nós, servos dos deuses, não faz efeito, mas, se deixar isso solto, talvez transforme grande parte da humanidade em mutante.
— Reginleiv!
Chamo minha máquina exclusiva pra terra, saltando da Torre Eisen. Uso [Fly] pra entrar no cockpit, e, colocando o smartphone, ativo o Reginleiv.
O deus maligno refletido no monitor, como se finalmente tivesse percebido minha presença, direciona o pescoço na minha direção.
"Von von von von von…", entre as grandes antenas, se acumula luz. Não pode ser…!
— Ugh!
Disparo rápido de decolagem do Reginleiv, afastando-me em voo rasante da Torre Eisen.
Três segundos depois, a esfera de luz gigante disparada atinge diretamente a Torre Eisen, e, junto com estrondo nunca ouvido antes, "go", uma rajada de explosão absurda atinge a máquina por trás.
— [Prison]!
Uma gaiola de barreira envolve o Reginleiv. Escombro e estrutura de aço lançados pelo vento atingem o [Prison], sendo desviados e lançados longe.
Uma nuvem tipo cogumelo de erupção vulcânica se ergue, "mou moou", e chove pedra.
Subindo entre as pedras que colidem com o [Prison], confirmo do alto que a capital de Eisengard, cidade industrial Eisenburuku, foi completamente aniquilada.
Já tinha virado cidade morta por causa dos esqueletos dourados, mas, agora, nem sobra ruína.
Muito mais poderoso que o canhão de partículas carregadas imitação da espécie superior. Se aquilo fosse direcionado à capital de outro país, arrepio percorre só de imaginar.
Provavelmente, aquilo nem [Prison] nem [Shield] conseguem bloquear. Nem sei se [Reflection] daria conta de rebater.
— Não adianta ficar de mãos atadas aqui. De qualquer forma, ataque.
As doze placas de cristal nas costas do Reginleiv se soltam, se combinam, se fundem, formando uma única grande espada gigante.
— Mudança de forma: Grande Espada de Cristal.
A espada, larga demais pra parecer outra coisa além de triângulo isósceles gigante, é segurada na mão do Reginleiv, e envio Ki Divino nela.
Material cristal tem taxa de transmissão de mana absurdamente alta, mas, igualmente, tem boa compatibilidade com Ki Divino também.
Num piscar de olhos, criando espada sagrada, empunho ela, disparando o Reginleiv em direção ao deus maligno.
Como se esperasse justamente isso, de cada uma das seis mãos do deus maligno, algo tipo laser é disparado.
Desviando no ar das flechas de luz que se estendem reto, avanço em direção ao deus maligno.
Erguendo a grande espada de cristal, corto um dos braços finos do deus maligno (mesmo assim, quase do tamanho total do Reginleiv). Mesmo com espada de material cristal envolta em Ki Divino, houve bastante resistência, mas consegui cortar de qualquer jeito.
O braço cortado cai no chão, se estilhaçando em pedaços.
Kikikikikikikikikikikiki……
O deus maligno ressoa som desagradável, e o braço cortado começa a se regenerar, "uzouzo". Como esperado, tem habilidade de regeneração, hein.
— «[Fogo, perfure, grande lança escaldante, Lança Escaldante]!»
Fazendo aparecer grande lança de fogo no ar, arremesso contra a asa do deus maligno.
A lança de fogo perfura com sucesso a asa dourada, abrindo grande buraco. Mas, comparado ao tamanho do deus maligno, é nível de furar papel com cigarro. Regenera num piscar de olhos.
— A magia não é absorvida. Não é que tenha característica de Phrase?
Phrase absorve mana, reaproveitando isso como capacidade de regeneração e defesa robusta própria. Será que o deus maligno não tem isso? Não, talvez não precise.
Mesmo sem absorver esse tipo de coisa, consegue regenerar via poder divino, e também consegue disparar laser igual antes.
— Gigante demais, não sei como derrotar isso.
Se fosse ser vivo comum, esmagando a cabeça ou o coração, imagino que morreria. Ah? Deus, pra começo de conversa, morre? Não, tem o "Veneno Divino-Demoníaco", então deve morrer sim.
Enquanto penso nisso, de novo laser é disparado das seis mãos do deus maligno em direção ao Reginleiv.
— Otto!
Manuseando o controle, desvio por um triz… deveria, mas, com o vento forte gerado pela grande asa, o Reginleiv perde o equilíbrio no ar.
Perigo! No momento em que penso, recebo diretamente o ataque de laser, e o Reginleiv é lançado longe.
— Ugh…
— «Barreira de defesa com 35% de dano.»
Voz do smartphone. Graças à barreira de defesa aplicada no corpo do Reginleiv, o corpo principal não sofreu dano. Mas, se receber mais dois golpes assim, isso será rompido.
Ajeitando a postura do Reginleiv, encaro o deus maligno à frente. Não parece ter sentimento nenhum. Sinto que, por instinto, me julgou inimigo, atacando.
Deus maligno formado a partir do acúmulo de sentimento negativo de milhares, dezenas de milhares de humanos. Deve não ter existência de personalidade que o comande.
Parece que aquele deus NEET realmente desapareceu de fato. Sem coragem nenhuma… bom, é NEET mesmo.
Não é que ele leu minha mente, mas, como se estivesse bravo, inúmeros lasers de novo disparam sem ordem. Perigoso!?
Opa, opa, se relaxar, sou derrotado.
Digamos, esse é o chefe final que vejo pela primeira vez. Não sei que tipo de ataque tem, nem qual a fraqueza. Preciso ir com mais cautela.
Na minha cabeça, começa a tocar a música da batalha final de certo RPG famoso. ……Tocando…? Ah? Espera. Tá tocando mesmo?
Eh? Tá tocando de verdade!? O microfone externo estava captando o som tocando lá fora, transmitindo pro cockpit.
Viro a câmera do Reginleiv pro lado.
— Como é!?
Refletido no monitor estava, flutuando no ar, tocando animado a música do chefão numa guitarra com alto-falante embutido do "Armazém", o irmão Sōsuke, ou seja, o deus da música.
— Oo oo oo. Tá arrasando, hein.
— Não dá pra ver deus maligno tão avançado assim toda hora, sabe. É raro.
Flutuando segurando garrafa de saquê, a Suika, deusa do saquê, e, comendo batata frita, "poteti", de saco na mão, a irmã Karen, deusa do amor.
Os dois flutuam no ar, observando o deus maligno.
— Espe, por que todo mundo tá aqui!?
— É pra assistir. O deus da agricultura foi pro lado da Árvore Sagrada, e o deus marcial, a deusa espadachim, a deusa da caça também estão lá enfrentando aquele dourado brilhante, então a gente tava sem nada pra fazer.
"Nihehe", a Suika ri. "Assistir", francamente… por acaso, isso é batalha em jogo o destino da própria humanidade, sabe…
— Vim ver se meu irmão tá se saindo bem. Tipo visita dos pais na escola, no jeito de dizer do mundo do Touya-kun?
— Que visita dos pais desagradável essa!
Que situação é essa, lutar com deuses observando! Fico completamente incapaz de me concentrar!
— A gente foi avisada pelo Deus do Mundo pra não intervir, então é observação mesmo, viu. Mas parece que disseram que dá pra dar conselho.
Que tipo de conselho vem de gente que nem consegue articular bem as palavras direito. Zero expectativa. Só é bêbada, francamente.
De repente, o tom da música do irmão Sōsuke muda.
O deus maligno estica em nossa direção, feito chicote, a cauda longa tipo serpente.
Os três deuses, "shu!", teletransportam num instante pra outro lugar. Ah, injusto!
— Droga, [Teletransporte]!
Seguindo o exemplo da irmã Karen e do pessoal, também escapo do local com teletransporte instantâneo.
Sacudindo o chão feito terremoto, a cauda dourada esmigalha o solo. Se receber aquilo, num instante viraria bolacha achatada, sinto.
— Como faço pra causar dano no deus maligno?
— Deus maligno é existência que nasce da fusão de rancor terreno e sentimento negativo com tesouro divino ou relíquia divina. Digamos, é tipo espírito de objeto endeusado. Por isso, só poder divino faz efeito.
A irmã Karen, aparecendo de novo, fala assim.
— Poder divino, é… quer dizer Ki Divino, né? Isso eu já tô usando desde há pouco, mas…
— Aquilo é Ki Divino, mas não é Ki Divino, viu. Touya-onii-chan, ainda tá muito enrolado com apego. Tá misturado, tá misturado mesmo, hein. É saquê fermentado. Fermentado até que não é ruim, mas destilado é melhor, viu. Entendeu? Espírito! É espírito, viu!
— …Irmã Karen, traduz.
Não articula direito e ainda faz comparação sem sentido, francamente. Bêbada. Quem é fermentado, hein? O que significa apego?
— Ou seja, o Touya-kun agora tá num estado indeciso, viu. Deus e humano. Mana e poder divino. Ki Divino misturado assim não consegue exercer o próprio poder. Se virar deus completo, aí, não vai conseguir mais interagir com deus maligno igual a nós, então o corpo continua nesse estado, mas precisa extrair só o Ki Divino puro.
— Ou seja… como assim?
— Toma coragem, quero dizer. De derrotar o deus maligno e subir a escada divina.
Apego era isso, hein…
De fato, ainda tenho, em algum lugar, sentimento de querer continuar vivendo como humano. Não é que vá virar deus completo imediatamente, mas, em algum canto do coração, temia que, uma vez entrando nesses trilhos, nunca mais poderia voltar.
Não, já tô nos trilhos mesmo. Devagar, mas já corro. Mesmo assim, sempre olho pra trás, preocupado. Como a Suika diz, de fato, tô cheio de apego mesmo.
Talvez, em algum canto do coração, tivesse sentimento tipo "se não derrotar o deus maligno, não preciso virar deus". Isso não é nada mais que traição a todos que me ajudaram até aqui.
— Toma coragem. O Touya-kun de agora tá tipo homem fraco e patético que ainda fica apegado à ex-namorada que terminou com ele. Vira stalker.
— Comparação ruim, hein! …Bom, entendi mais ou menos. Obrigado, irmã Karen.
— Fufun, agradeça mesmo.
A irmã Karen se empina orgulhosa, e o irmão Sōsuke também toca guitarra animado. Não, por que essa música tá tocando de subida de nível? …Subi de nível, será?
— Injusto━━! Eu que dei o conselho━━! Espírito! Espírito Divino!
Não, sua explicação, difícil de entender demais, francamente.
Enquanto sinto desânimo com a deusa do saquê rodopiando abraçada na garrafa, de novo a chuva de laser ataca de baixo. Igual antes, a irmã Karen e o pessoal teletransportam do local.
— «Então, se esforça.»
Deixando essa voz, os três desaparecem. Com certeza, devem estar assistindo essa batalha relaxados em algum lugar. Talvez, pra deuses, seja tipo evento pequeno mesmo.
— Então, vamos animar o evento também.
Libero o Ki Divino que circula por todo o corpo. A Suika disse "misturado". Resumindo, é gerar Ki Divino puro, sem mana misturada.
Uso como referência o Deus do Mundo. Meu Ki Divino tem a mesma qualidade do dele. Aquele Ki Divino, quase sagrado, que senti no Estado Religioso de Ramisshu. Refino meu Ki Divino até esse nível. Estranhamente, o coração estava tranquilo.
De repente, um clarão passa pela minha cabeça. Faísca pequena, e ao mesmo tempo, explosão grande, luz assim. Tipo Big Bang, luz de algo nascendo.
Quando percebo, sem eu mesmo notar, o Ki Divino já transborda por todo o corpo. Diferente de antes, quando ficava "envolto por fora". Agora está "cheio por dentro".
Consegui. Foi sensação tipo abrir tampa de garrafa PET com "pakiri", ou tipo encaixar peça de modelo plástico com "pachiri".
Nem entendi bem por que não conseguia antes, tão suave foi.
Sem dúvida, aceito isso também como sendo eu mesmo.
Esse poder, através do líquido de éter que se espalha por todo o Reginleiv, envolve a máquina inteira.
Também na grande espada de cristal segurada pelo Reginleiv, flui Ki Divino transbordante.
O Ki Divino da irmã Karen era rosa, o Ki Divino da irmã Moroha era azul-céu com leve mistura de dourado, mas meu Ki Divino transformado brilhava em prateado… não, em platina.
Ki Divino brilhando em platina. Diferente do dourado do Deus do Mundo, é cor só minha.
De novo o deus maligno dispara laser.
Desviando disso, igual antes, corto o braço do deus maligno. Dessa vez, corta com facilidade, feito cortando nabo.
Gigigigigigigigigigigigiiiiiii!
Do corte do braço cortado, sobe fumaça preta, e, pela primeira vez, o deus maligno se contorce como se sentisse dor. A parte cortada não regenera, escorrendo derretida feito apodrecida.
Consigo. Assim, dá pra fazer.
— «Touya-san! Tá bem!?»
De repente, entra comunicação com a voz da Yumina. Virando o monitor, do outro lado da terra plana vazia, que era a cidade industrial Eisenburuku, todos vinham em direção a mim, montados nas próprias máquinas.
Ao mesmo tempo, entre as grandes antenas do deus maligno, começa a se acumular esfera de luz. Mais rápido que antes, a esfera de luz cresce.
Ei, espera aí…!
Aquele golpe que apagou a capital, não é direcionado a mim, e sim em direção a todos que se aproximavam.