Capítulo 421 – Início da Distribuição, e a Descida do Deus Maligno
— Cheeegouuu!!
O rei-fera de Misumido se levanta, cerrando o punho, olhando o smartphone.
A maioria dos vassalos abre os olhos surpresos, mas o primeiro-ministro Gurātsu e alguns outros ministros que receberam smartphone do Touya fazem gesto de vitória do mesmo jeito.
O rei-fera inicia imediatamente o download, mas os segundos até conseguir abrir o aplicativo já são frustrantes.
Com dedo tremendo, toca no ícone do Touya, já baixado. No instante seguinte, todo o corpo do rei-fera é preenchido com poder transbordante.
— Ooohh! Isso é…!
Corre pro pátio interno do palácio, concentrando mana. Tranquilo, dá certo.
— [Fly]!
O corpo do rei-fera flutua levemente, começando a subir.
— Voou! Voou mesmo! Hahahahaha!
Olhando de lado, o primeiro-ministro Gurātsu e o pessoal também voam com [Fly]. Ou melhor, sendo raça alada, o Gurātsu deveria conseguir voar com as próprias asas mesmo, pensa o rei-fera, desanimado. Deve ter só querido testar a magia. Bom, o rei-fera entende esse sentimento.
— [Storage]!
Tira uma espada do espaço vazio. Espada de cristal transparente feito quartzo.
Esse [Storage] é armazém compartilhado de empréstimo preparado exclusivamente pra esse aplicativo. Vários tipos de arma, armadura, comida, estão acumulados. Parece que fica registrado quem retirou o quê, então, se quebrar ou perder, depois pode até ser cobrado.
— Gurātsu! Vou na frente!
— Ah! Majestade!?
Usando [Fly], o rei-fera voa em direção ao sul. Ativando também o próprio [Accel], atinge velocidade absurda.
— Isso é ótimo! Num piscar de olhos já cheguei no campo de batalha!
No campo ao sul, os soldados do exército real tentavam enfrentar o bando de mutantes que atacava. Em número, tem mais que o dobro.
O rei-fera fica parado no ar, ativando [Speaker], soltando grito de incentivo pros soldados abaixo.
— «Soldados de Misumido! Não temam! Vamos mostrar a força do nosso país pra essa sucata dourada-brilhante! Estou aqui com vocês! Lutem com todas as forças!»
"Uoooooooooooo!!", erguendo a arma pro céu, os soldados soltam grito de guerra. O rei-fera estende a mão pros soldados, disparando magia de apoio.
— «[Vento, conceda, brisa de bênção, Vento de Cauda], [Luz, conceda, barreira flexível, Barreira de Pele]!»
Magia de vento que aumenta velocidade, e magia de luz que aumenta defesa. Com isso, dá pra lutar com vantagem considerável.
— «Exército de guerreiros de Misumido, avançar━━━!!»
— «Ooooooooooooooooo!!»
A batalha começou.
— Haa!
Balançando a lança uma vez, o mutante é cortado ao meio junto com o núcleo feito tofu. Digno de lança feita de material cristal. Nem uma marca de corte.
O imperador de Regulus sentia poder transbordante em seu velho corpo.
Dessa vez, testa também a magia. Ativa "aquilo".
— [Slip]
Os mutantes que se aproximavam caem todos em fileira, e ali os cavaleiros de Regulus, montados em Frame Gear, um atrás do outro dão o golpe final. Esse Cavaleiro Pesado estava guardado no [Storage] compartilhado.
— «Majestade! É perigoso! Por favor, retire-se pra retaguarda!»
— Bobagem. O que adiantaria eu ficar na retaguarda numa hora dessas. O Touya-dono iria rir de mim.
Rindo alto, "kaka", pros cavaleiros de Regulus montados em Cavaleiro Pesado, o imperador de Regulus corta de novo com a lança. O mutante tipo formiga tem o núcleo perfurado, desaparecendo junto com fumaça preta.
Jovem, ardendo em ambição, o imperador de Regulus repetiu dias de batalha. Com a idade, aquele calor esfriou, mas, chegando a essa hora, aquele calor voltava a reviver.
— Divertido! Sinto como se tivesse voltado à juventude!
Movendo a lança feito criança, derrotando um atrás do outro os mutantes, o imperador de Regulus. Correr pelo campo de batalha com corpo próprio não representa dificuldade nenhuma. Claro, deve ser justamente por causa da experiência acumulada na juventude.
— Cavaleiros de Regulus! Sigam-me! Vamos apagar eles do império!
— «Ooooooooooooooooo! Viva Sua Majestade Imperador!»
De Regulus, um atrás do outro, a luz dos mutantes desaparece.
— Nyanyanyanyat!
A estocada tempestuosa do Nyantarō perfura o núcleo do mutante, aniquilando-o. Este é o último. Todos os mutantes que apareceram neste local foram exterminados.
— «Qual o próximo lugar, niaa?»
Guardando na bainha o florete de material cristal, o Nyantarō pergunta ao Atosu, companheiro Cait Sith.
O Atosu, de pelagem parecida com American Shorthair, usa a função de mapa do smartphone pendurado no pescoço com fio, buscando. Manuseia com habilidade o smartphone com a pata de almofada.
— É perto da vila Matatabia, a leste da Federação de Rōdomea. Apareceram cerca de dez.
— «Nome de vila de comida gostosa, hein.»
Espiando o smartphone do Atosu, o Porutosu, gato grande tipo Persa, murmura.
— Se for dez, dá conta com só a gente mesmo. Então, vamos, camaradas.
Emanando elegância tipo gato siamês, o Aramisu saca a espada, e os outros também sacam a espada, erguendo junto pro céu.
— «««« Um gato pelo bem de todos, todos pelo bem de um gato! »»»»
— «[Teletransporte Instantâneo]! Niaa!»
Usando a mesma magia sem-atributo que a própria dona, a Sakura, também possui, o Nyantarō e o pessoal teletransportam pro próximo campo de batalha.
Garra afiada esmigalha o corpo do mutante, e, com aquele corpo enorme, pisa esmagando o resto quebrado, junto com o núcleo.
Os dragões da Ilha de Dorakurifu, liderados pelo Hakugin, tendo o Touya como senhor, aniquilavam os mutantes que apareceram no Reino de Jemu ao sul.
— Aniquilem sem deixar nenhum resquício. Essa é ordem do meu senhor, o Touya-sama.
— «Pi»
— «Po»
— «Pa»
O Hakugin, versão jovem de cabelo prateado, segurando o smartphone, balança o braço grandemente, e, ao lado dele, as três golens-empregadas, a Rubī, a Safa, a Emera, imitam, fazendo a mesma pose.
— «Gogaaaaaaaaaaaaaa!!»
Dragões de várias cores de escama enfrentam os mutantes que atacam. O hálito de fogo é absorvido, mas, quando o dragão de escama branca solta hálito de gelo, o chão fica coberto de gelo num instante, e os mutantes ficam presos, sem poder se mover.
Imediatamente os dragões atacam, e, com garra e presa reforçadas pela magia de apoio do Hakugin, cortam os mutantes com facilidade.
Um deles concentra luz, disparando um grande laser em direção ao Hakugin.
— [Shield]
Sem ficar apressado, o Hakugin expande magia de defesa, bloqueando o laser. A não ser que seja canhão de partículas de espécie superior, nada consegue romper [Shield].
— Digno da magia de meu senhor Touya-sama. Maravilhoso.
Segurando firme o smartphone, o Hakugin elogia o próprio senhor. Sentia alegria suprema por poder usar esse poder assim.
O inimigo do senhor é, ao mesmo tempo, seu próprio inimigo. Não tinha intenção nenhuma de deixar escapar nem um único desses insetos dourados diante dele.
— Aniquilem. Apaguem desta terra.
— «Pi»
— «Po»
— «Pa»
— Oo oo oo. Todos tão animados, hein…
— Q, que negócio é esse… esse poder em humanos, com que direito, você, o que fez!?
A calma de até há pouco tinha sumido completamente. A Yura direciona pra mim rosto misturado de raiva, dúvida e inquietação.
— Quer saber?
— Tô perguntando o que você fez!
— Não conto.
Sorrindo com deboche do fundo do coração, provoco a Yura. Então, rangendo os dentes, ele direciona pra mim expressão quase assassina de raiva. Ah, então você também consegue fazer essa cara. Ou será essa a verdadeira personalidade sua?
Aplicativo "Mochizuki Touya".
Como o nome diz, é aplicativo que torna usável toda a minha habilidade. Consegue usar toda magia, e a capacidade física sobe vários níveis. Bom, a habilidade de divinização não dá pra usar, mas.
Como o smartphone serve de meio, o mana também é suprido, então dá pra usar magia à vontade também.
Essa é minha carta na manga. Se, pela situação, não consigo proteger todo mundo, então que eles mesmos se protejam — em certo sentido, estratégia de jogar tudo pro outro lado.
Confiar o destino do mundo às pessoas próximas que já se relacionaram comigo até agora. Método que dá até pra chamar de irresponsável, então, se possível, não queria usar.
Bom, "vamos proteger o mundo de todos, juntos", os reis também disseram assim na conferência mundial, então vou aproveitar essa oportunidade.
E, mais, o fato do smartphone ter recebido essa distribuição significa que se conectou com o mundo de lá. Parece que teve certa perda de tempo, mas.
Manuseando o smartphone de propósito, disco uma ligação.
— Ah, alô. Uhum, tô bem. Muito pelo contrário, foi bom. Ótimo timing.
— …Espera. Você, tá falando com quem?
— Eh? Ah, fiquei preso num espaço estranho, sabe. Já tá tranquilo, mas.
— Não pode ser, chamada telepática…!? Bobagem, isso é impossível! Como a voz tá chegando!
— Que barulhento, hein. Incomoda.
Falo "de novo depois", desligando a chamada com a Doutora.
Bom, entendo o motivo de ficar bravo assim. Essa barreira exclusiva é, digamos, o reino da Yura. Sem permissão dele, ninguém entra, ninguém sai. Som, luz, tudo.
E, nesse reino, estou me comunicando com alguém que ele nem sabe quem é. Faz sentido ficar bravo mesmo.
Todo mundo tem smartphone estilo mágico-tecnológico feito pela Doutora, mas o meu é diferente. É item divino, restaurado pelo próprio Deus do Mundo.
Antes, quando atravessei mundo, tive problema de não conseguir mais fazer chamada. Isso resolvi conectando com o portal dimensional instalado em Babylon, mas, agora que os dois mundos se fundiram, isso já não tinha mais relação nenhuma.
Mas, pensando que teria problema se algo assim acontecesse de novo, pedi ao Deus do Mundo, que justamente tava vindo à terra, pra incorporar sistema usando [Teletransporte Interdimensional].
Achando que seria útil pra quando eu conseguisse voltar pra Terra por conta própria algum dia, o Deus do Mundo, com alegria, potencializou. Levou só cerca de um segundo pra terminar.
Não fiquei apressado mesmo sendo preso, porque tinha isso. No pior caso, se pedisse pra irmã Karen ou alguém vir buscar, conseguiria escapar. …Mas, sendo pra fazer isso, seria vergonhoso demais, então não fiz.
Bom, de qualquer forma, já que já sei o eixo de coordenada do nosso mundo, não tenho mais assunto aqui.
Originalmente, gostaria de esmigalhar esse idiota, mas fazer isso aqui, não sei o que aconteceria com essa barreira. Se divinizasse, talvez desse pra aguentar, mas não preciso apostar nessa jogada com chance ruim.
— Ouvi da Nei. Você formula plano e estratégia, mas na prática não faz nada pessoalmente, né. Não vai pro campo de batalha, e nem sequer vê o inimigo ou oponente diretamente, né?
— E daí. Se tem quem serve de peão pra mover, não preciso fazer eu mesmo.
— Aí, aí, tá justamente essa a sua parte idiota. Subestima demais o oponente. Deve ter ficado empolgado obtendo esse tal "poder divino"…
— Fala demais! Você também é igual!
Xingando com ódio, a Yura grita. Eh? Esse aí, tá me achando igual a ele?
— Você… aquele deus maligno… não, o deus que o deus maligno incorporou, você sabe que tipo de existência é?
— Isso eu sei! O próprio deus falou! Entre os vários deuses, é existência incategorizável de posição. Deus incolor, que não se prende a nada, que não se tinge de cor nenhuma, é… "bufa" o que tá engraçado!
Diante da Yura, cabelos em pé de raiva, dobro na risada, segurando a barriga. Não, tá entendido errado, viu! Não é incolor, é desempregado!
Hii hii. Barriga dói. Ah, sim, sim, entendi. Aquele deus NEET metido, contou pra ele algo conveniente e enganoso.
— «Qual seu trabalho?»
— «Trabalho relacionado à segurança (da própria casa).»
Tipo isso.
Antes, quando o rei dragão tentava conquistar o mundo manipulando dragões com a "agulha ressoante de dominação", também me fez rir do mesmo jeito, mas será que esses aí são do mesmo tipo?
Tipo aproveitando quem tem poder, usando como degrau pra alcançar objetivo próprio. Não fica na linha de frente, odeiam mais que tudo se ferir. Determina o outro lado como inferior, e tenta eliminar eficientemente feito faxina de lixo.
Por isso acabam sendo derrubados.
Pra Yura, eu… não, exceto meus companheiros, todos os outros deviam parecer só peça descartável. Achando que não serviriam pra nada mesmo. Arrogância extrema.
— Vou te ensinar uma coisa. O deus que você catou, sabe, é o mais baixo entre os deuses, chamado "deus subordinado", digamos, tipo servo ainda sem função definida. Não, por causa do crime de ter fugido do reino celestial, já foi despojado até disso, então é ainda mais baixo que isso.
— O quê…!?
Como se fundiu com deus maligno que já devorou várias almas humanas sem parar, deve ter ficado mais forte que antes. Aí é que tá o incômodo. Pelo menos, deve ter devorado a quantidade equivalente àquele número de esqueleto dourado.
— Bom, de qualquer forma, sua ambição logo vai fracassar. Fica aí chupando dedo assistindo.
— Seu…!
Reconhecendo o eixo de coordenada enviado ao smartphone, fixo, ativando [Teletransporte Interdimensional]. A Yura ia falar algo, mas, num instante, retorno ao mundo original.
— Uowaa!? F, [Fly]!
Diante da queda repentina, ativo [Fly] em pânico. Acabei saindo várias centenas de metros acima do solo. Perigo! Como sempre, [Teletransporte Interdimensional] é difícil de ajustar detalhadamente… será que aqui é mesmo o mundo original?
Olhando embaixo, vejo cidade e torre alta bem perto. Aquilo… é a Torre Eisen, da cidade industrial Eisenburuku?
— Parece que consegui voltar. Certo, onde tá todo mundo…
Pousando no topo da torre, faço busca com o smartphone, e todos estavam bem mais distantes de onde estou, em Eisenburuku. Parece que conseguiram escapar do Palácio Dourado. Como aquele aplicativo também deve ter sido distribuído pra eles, já achava que estariam bem, mas.
— Q!?
De repente, arrepio percorre minha espinha, aliviada há pouco. Essa presença é…!
— O quê…!
Quando direciono o olhar em direção ao Palácio Dourado, algo tipo grande luz se erguia pro céu.
Balançando feito miragem dourada. Eu sei. Aquilo é Ki Divino.
Mas não é Ki Divino puro tipo do Deus do Mundo ou da irmã Karen. Sinistro, distorcido, tipo condensação de vários sentimentos negativos, escuro Ki Divino.
Aquele Ki Divino tipo fumaça, devagar, forma uma figura sobre o Palácio Dourado.
Como descrever aquela forma bizarra, afinal.
A metade superior tem formato de inseto tipo mariposa-do-bicho-da-seda. Grande antena e olho composto, e, igual inseto, seis braços, e, nas costas, seis grandes asas de mariposa nasciam.
Em contraste, a metade inferior, da região abdominal, se estende longo corpo tipo serpente. Aquele abdômen longo em espiral, envolto em Ki Divino, ondulava devagar.
O Hecatonqueiro, gigante golem demoníaco ressuscitado pelo rei mágico-industrial, com quem lutei antes nesta terra. Isso é muito maior que aquilo.
Não sobra nenhum vestígio da forma de fera que vi antes.
Devagar, batendo aquela asa grande, desce. Por causa daquele corpo enorme, talvez nem consiga voar. Com aquele corpo materializado dourado-escuro, o Palácio Dourado embaixo dele fica completamente esmagado em pedaços.
Sobre os destroços do palácio despedaçado, ele pousa com tranquilidade. Feito governante desta terra.
— Aquilo é… o deus maligno evoluído…
O olho composto brilhando sinistramente se direciona diretamente na minha direção.