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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 420

O Mundo Selado dos Deuses, e a Carta na Manga

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Capítulo 420 – O Mundo Selado dos Deuses, e a Carta na Manga

O ponto de vista muda várias vezes.

— ……………Onde é isso aqui?

Não foi todo mundo que desapareceu de uma vez. Fui eu que fui teletransportado.

Observo ao redor, mas não vejo nada, nem cima, nem baixo, nem esquerda, nem direita. Não é que está escuro, é que não tem nada. Num espaço cor crepúsculo, paira neblina dourada brilhando fosco.

Parece com o mundo espiritual, mas é diferente. Não sinto nem um pouco poder de espírito.

— Bem-vindo ao meu "Mundo Selado dos Deuses".

Diante de mim, a Yura se curva com exagero. Não é que eu vim, foi trazido à força, e ainda "bem-vindo"? Cara sem-vergonha, esse aí.

— …Mundo Selado dos Deuses?

— Precisamente. Pequeno jardim que criei ao longo do tempo. Não conecta com nenhum mundo, é espaço individual e ao mesmo tempo total. Mesmo com poder divino, é difícil escapar daqui. Se tiver que apontar uma fraqueza, seria só que precisa do criador estar dentro pra ativar.

Ouvindo a fala da Yura, entendo que isso é o chamado "barreira exclusiva". Barreira onde até poder divino tem dificuldade de escapar. E ele arrastou até a mim mesmo pra dentro dessa barreira também.

Ativo [Teletransporte Interdimensional] pra tentar escapar, mas falho. Não consigo captar bem a coordenada de destino. Sensação de ter sido jogado no mar de árvores do Monte Fuji sem bússola nem mapa. Não faço a menor ideia de que direção ir. Não encontro nenhum marco de referência. Se conseguisse achar isso, acho que daria pra escapar, mas o Ki Divino tá disperso demais pra captar bem.

— Que mundo pretensioso você construiu, hein. Mas, se eu te derrotar aqui, esse mundo não desaparece também?

Direciono a Brunhild em modo canhão pro Yura, sorrindo com folga.

— Não é uma decisão sábia. De fato, se o criador desaparecer, o mundo desaparece. Mas isso significa que você também desaparece junto.

— Tch…

Bom, já sabia disso, viu. Deve ter me arrastado pra cá justamente sabendo disso.

O objetivo desse aí não é me derrotar. É me deixar preso aqui.

Então, só resta procurar com afinco algum mundo que sirva de ponto de apoio pra [Teletransporte Interdimensional].

— Bom, mesmo sem tanta pressa, você deve conseguir voltar rapidinho mesmo. Mas até lá, não sei em que estado vai encontrar aquele mundo.

— O quê?

Atrás da Yura, sorrindo, se projetam várias cenas. Brunhild, o Reino de Belfast, o Império de Regulus, o Reino de Strain, o Reino Sagrado de Arento… imagens de vários países flutuam.

— Não achou estranho o número dos meus companheiros ser pequeno? De fato, nós não conseguimos escolher o "local" de aparição. Mas "aparecer simultaneamente" não é impossível, se der tempo suficiente, sabia?

— Não pode ser, você…!

A Yura sorri, erguendo o canto da boca, virando-se pra trás.

Em todo aquele espaço projetado, eu só conseguia acompanhar com os olhos, "pishiri", rachaduras se espalhando…

— R, Reirisha-sama! Confirmadas rachaduras dimensionais em todo canto do mundo! Nesse ritmo…!

— Ugh…!

Quem primeiro percebeu essa situação anormal foi a guilda de aventureiros. Os painéis de detecção instalados em cada filial da guilda reagiram simultaneamente.

E ainda por cima, o horário de aparição é praticamente o mesmo, dizem. E ainda, ligando repetidamente pro Duque de Brunhild, a única esperança, não consegue completar de jeito nenhum.

A mestra da guilda, sabendo que o grupo do Duque partiu rumo a Eisengard, morde os lábios, se será que algo aconteceu.

Nos arredores de Brunhild também apareceu rachadura espacial. Mas, como este país tem Frame Gear instalado, talvez dê pra aguentar de algum jeito.

Mas outros países não têm essa sorte. Sabem o local de aparição, e sabem também o número total. Mas quem vai enfrentar o mutante que surgir será cavaleiro, soldado, e aventureiro de cada país. Talvez saia grande sacrifício.

Mutante mata humano, virando companheiro da mesma espécie. Isso é crise mundial. A Reirisha encara o smartphone que segura na mão.

— Duque… ainda não…!

A Reirisha esperava, antes de partir pra batalha decisiva, a "carta na manga" que o jovem duque mencionou.

— Por favor…! Rápido…!

Nos ouvidos da Reirisha, que reza, começam a chegar um atrás do outro relatórios de aparição de mutante…

■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■

— Majestade! Precisamos evacuar imediatamente!

— Bobagem. Como um rei fugiria antes do povo?

Sentado no trono, o rei de Belfast declara isso sem nem leve sinal de pânico aos nobres que incentivam evacuação.

Bom, faz sentido eles estarem em pânico. A rachadura espacial que apareceu no Reino de Belfast é bem perto da capital real.

Em número, cerca de cinco mil. Se isso avançar de uma vez pra capital, nem o castelo real deve aguentar por muito tempo.

Alguns nobres relapsos devem querer fugir imediatamente, mas parecem entender que não podem fugir antes do próprio rei.

— Mais que isso, Duque Sōdorekku. O exército real e a ordem de cavaleiros já fortificaram a defesa da capital?

— Sim! Já estão nos arredores da muralha! Os aventureiros da capital também estão emprestando força.

O Duque Sōdorekku, olhar afiado, vestindo armadura estilo Ishen, responde assim ao rei. Na cintura, também espada de Ishen. Digno de ser o melhor espadachim de Belfast, ele também vai pra linha de frente.

— Também pela galera lutando em Eisengard, precisamos proteger a capital com afinco. Conto com você.

— Sim!

Falando assim, o rei de Belfast tira do bolso o smartphone que avisa vibração repentina, olhando a tela.

— O rei-fera de Misumido, hein… sim, alô?

— «E aí, Vossa Majestade o rei de Belfast. Como tá aí?»

— Temos sinal de aparição perto da capital, correndo desesperado.

— «Hahaha! Aqui também. Já enviei todo o corpo de guerreiros do palácio pra lá, mas, nesse ritmo, deve virar luta difícil.»

Contrastando com o conteúdo da conversa, a voz do rei-fera de Misumido soa animada. Sendo pessoa que gosta de lutar por natureza, deve estar empolgado pela grande guerra que vai começar, mas o rei de Belfast percebe que não é só isso.

— …Ainda não, é?

— «O Touya-dono também demora pra fazer as coisas, hein. Já suspeito que já deve tá quase na hora.»

Os dois conseguem manter essa folga porque conhecem a "carta na manga" dele.

Não pensam que ela vai atrasar. Só ficam preparados pra poder agir a qualquer momento, quando chegar a hora.

Observando os vassalos apreensivos em cada castelo, os dois reis esperam esse momento.

■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■

— Enviem imediatamente o grupo de sacerdotes guerreiros e a ordem de cavaleiros sagrados. Isso é guerra santa. Pode até se chamar provação divina. Pra proteger os entes amados, deem tudo de si. …Que a bênção divina esteja com todos.

— Sim!

Da sala de audiência, os capitães do grupo de sacerdotes guerreiros e da ordem de cavaleiros sagrados saem.

Por sorte, o Estado Religioso de Ramisshu teve rachadura aparecendo em local afastado da capital sagrada, Isura. Mas, nas proximidades, tem vila e cidade também. Deve ter chegado instrução de evacuação da guilda de aventureiros, mas não dá pra ficar otimista.

O Papa do Estado Religioso de Ramisshu abraça o smartphone contra o peito, elevando oração. Ao próprio deus em quem acredita, e ao jovem, servo desse deus.

— Sua Santidade.

— Firisu…

Erguendo o rosto diante da voz chamando, estava a Firisu, completamente calma, já bem acostumada com a batina de cardeal.

Ela é o braço direito do Papa, e também a única companheira que teve audiência com o próprio deus junto com ela. Na mão dela também, o mesmo smartphone que o Papa carrega.

— Ainda não conseguiu contato com o Duque?

— Não. Deve estar lutando na terra de Eisengard. Nós também precisamos lutar. Quando chegar a hora, conto também com você, Firisu.

— Sim. Pra salvar este mundo, arrisco o próprio corpo.

As duas também esperam esse momento.

■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■

— Parece que virou algo absurdo, hein.

Confirmando a situação atual pelo aplicativo de notícias recém-distribuído no smartphone, a Sarutobi Homura dá um suspiro.

— Mutante em todo canto do mundo… será que vai ficar tudo bem?

No posto de guarda da ordem de cavaleiros de Brunhild, olhando o mesmo smartphone, a Kazama Nagi ergue o rosto.

— Vai ficar tudo bem. Parece que as guildas de aventureiros de cada país estão reunindo membro pra subjugação, e Sua Majestade o Duque já tinha previsto isso.

Quem responde calmamente é uma das três garotas ninja de Brunhild, a Kirigakure Shizuku. Ela também segura smartphone na mão.

— Isso quer dizer que vai ser distribuído "aquilo" que Sua Majestade mencionava?

— Provavelmente. Senão, não dá pra superar essa situação.

— Fico animada, mas também com medo, sabe~…

— Fica decidida. Vocês também são cavaleiras de Brunhild.

— «Uwaa!?»

Aparecendo sem nenhum sinal por trás das três, era a líder da própria unidade de espionagem a que pertencem, a Tsubaki. Sem conseguir sentir presença nenhuma, as três se assustam soltando grito.

Vendo as três assim, a Tsubaki decide secretamente no coração que ainda falta treinamento pra elas.

— Já sabem o que precisam fazer, né?

— Hahaha, ha, sim! Assim que "distribuído", vamos voar pra cada lugar imediatamente!

— Correto. Mantenham contato próximo com os outros, agindo em coordenação. Nunca fiquem convencidas demais. Homura, entendeu?

— Ah!? Só eu!?

Advertindo a subordinada mais imprudente, a Tsubaki também tira o smartphone. Um pouco, até a Tsubaki também está tensa. Nunca imaginou que isso ia virar algo assim. Como sempre, o próprio senhor foge do senso comum, e até a Tsubaki dá um suspiro.

■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■

— Doutora. Não vai fazer a "Distribuição" antes do mutante aparecer, não?

— Vamos esperar até o limite antes da barreira se romper. É melhor conseguir carregar o máximo de mana possível, né?

Pra Riora, gerente da "Muralha", a Doutora Babylon, vestindo jaleco branco largo, responde assim.

Nos vários monitores alinhados na frente, são exibidas as rachaduras espaciais aparecendo em todo canto do mundo. Quem envia essa imagem são as dezenas de golens-espiões tipo abelha construídos junto com a engenheira Elka.

— Setenta e oito locais no mundo inteiro… quase todos os países já apresentam sinal de aparição. Se o mutante aparecer nesse ritmo, sem dúvida vai se repetir tragédia igual há cinco mil anos.

— Não vou deixar isso acontecer. Tika, como tá o tanque de mana?

— Além do que o mestre injetou, também tem sendo direcionado da "Torre", então já reunimos mais que o suficiente. Acho que dá pra fornecer sem problema.

— Bom, bom.

Diante da fala da gerente do "Laboratório", a Tika, a Doutora Babylon assente satisfeita.

A distribuição daquele aplicativo está sob responsabilidade dela. Falou aquilo pra Riora há pouco, mas esse tipo de "carta na manga" de virada definitiva, o timing é vida. Precisa ativar no momento mais eficaz.

— Enquanto o inimigo tá comemorando descuidado, dar um baque forte… precisa também causar dano psicológico. Bom, mais que no mutante, é no idiota chamado Yura.

Falando assim, a Doutora tira do bolso um cachimbo fino de aroma, dando uma tragada.

— Talvez pense que ludibriou o Touya-kun, mas parece que subestimou a gente demais. Pra nós, é revanche de cinco mil anos atrás. Vamos fazer sem hesitação.

Já foi extraído da Nei, um dos espécies dominantes, que a antiga grande invasão de Phrase também foi por ordem da Yura.

Pra Doutora, sua terra natal era só o país onde nasceu, sem nada tipo lealdade jurada. Mesmo assim, teve alguns poucos amigos.

Não tem intenção de dizer algo pretensioso tipo vingar aquelas pessoas, mas a chance está aí. Não tem motivo pra não fazer.

— Doutora. Rachadura no oeste de Regulus rompida. Mutante invadindo.

— Igualmente, rachadura no norte do Reino de Strain também rompida. Mutantes aparecendo um atrás do outro.

— Não posso deixar causar mais dano assim. Certo, hora certa. Operação "Full Moon" iniciada. Início da distribuição do aplicativo.

— Entendido. Iniciando distribuição.

Os dedos finos da Riora correm pelo console, e "aquilo" finalmente é distribuído.

Simultaneamente, rompendo o espaço de uma vez, os mutantes aparecem na terra. Em Brunhild, em Belfast, em Regulus… aparecendo em todo canto do mundo, começam a marcha.

Pelo que vejo, não tem espécie superior. Mesmo que tenha, aqueles são grandes demais. Deve levar tempo pra romper a barreira.

— Kukuku, meus companheiros vão acolher como semelhantes todos os seres humanos deste mundo… não, todos os seres vivos. Transformando tudo em mutante, eu me erguerei no topo. E, com esse poder, atravessarei o mundo, obtendo até o país dos deuses…!

Vendo os mutantes aparecendo em todo canto do mundo, avançando em massa, a Yura se embriaga de êxtase. Mutação de toda a humanidade, e invasão do reino divino. Esse é o objetivo desse aí.

……………Que idiota, hein.

Observando os mutantes visíveis por trás das costas dele, dou um suspiro grande.

— O que foi? Sem palavras? Melhor amaldiçoar a própria impotência. Mesmo tendo poder divino, é humano insignificante, afinal. Você não passa de,

— No meu mundo, sabe, tem muitas, muitas histórias.

Interrompo a fala da Yura, começando a falar. Não tenho obrigação de escutar a fala dele, e, achando que logo, logo já deve ter sido "distribuído", tiro o smartphone do bolso.

— Tem vários tipos de protagonista, e naturalmente, vários tipos de vilão também, né. Aí, esses vilões, na maioria, seguem padrão mais ou menos definido. Esse tipo de vilão faz isso, aquele tipo faz aquilo… digamos, tem tipo padrão fixo mesmo.

— …O que você quer dizer com isso?

— Não, é que, tipo você, costuma fazer aquela coisa de fazer refém de companheiro, essas coisas, com frequência. Nesse caso, seria meus conhecidos e amigos, digamos. Por isso, achei alta a possibilidade de acontecer algo assim.

Sinceramente, atacar fraqueza do oponente não é técnica ruim. Eu mesmo uso bastante. Mas, se sei que vão fazer isso, também tomo contramedida. Desculpa, mas.

Oh, chegou, chegou.

— Ho. E aí? O que você, preso aqui, consegue fazer?

— Eu não faço nada. Todo mundo vai fazer. Com isso.

Mostro pra Yura o aplicativo que acabou de ser distribuído na tela do smartphone. Mas, deixei com a Doutora, e ela fez esse ícone assim… francamente.

Embaixo do ícone com meu rosto estilizado tipo desenho, estava escrito assim.

Aplicativo "Mochizuki Touya", dizia.


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