Capítulo 419 – A Fenda Dimensional, e o Homem Chamado Yura
O mutante que teve o núcleo perfurado pelo [Enxame de Espadas Estelares] desaparece soltando fumaça preta.
Ao redor, já não existia mutante em movimento algum. Alguns esqueletos dourados ainda vagam, mas a Orutorinde Overload da Sū silenciosamente os esmaga com aquele pé enorme.
— Sem reforço, hein.
Direciono a câmera pro Palácio Dourado, parado sinistramente. Isso não é o fim… né. Será que estão à espreita?
— «Touya-san, a Eruze e o pessoal…»
Virando-me diante da comunicação da Yumina, sigo com o olhar a Gerhilde da Eruze, o Rosuvaise da Sakura, e, atrás deles, o Dragão Cavaleiro do Ende correndo em direção a nós.
Hn? O Ende não tá em modo de alta mobilidade? Ei, foi derrotado, isso, né.
Ampliando a câmera pra observar o Dragão Cavaleiro, a antena-chifre está quebrada, uma das rodas sumiu, e parece ter até buraco no ombro.
Aah. A Rozetta vai chorar, isso. Deve ser trabalhoso pra consertar.
— Parece que você apanhou bastante, hein.
— «O oponente foi surpreendentemente forte, sabe. Bom, resolvi de qualquer jeito.»
Envio a comunicação, e ouço a voz de sempre, descontraída, do Ende. Parece que ele mesmo está bem. Ali, entra intrometida a comunicação da Eruze.
— «Quem resolveu foi a Meru, né. Eu também vi, viu. Fico curiosa o que o mestre vai falar depois.»
— «Touya, suas namoradas não são cruéis demais não!?»
— São mulheres maravilhosas, mas, o que foi?
Idiota, não joga a bola pra mim. Você que devia bastar como vítima já.
Deixando de lado a besteira, avançamos em direção ao Palácio Dourado.
Palácio Dourado, dizem, mas, visualmente, é montanha feita de ouro. Na verdade, não deve ser ouro nem nada. Também parece montanha de espadas, com protuberâncias angulares e colunas se estendendo sem ordem.
Por ora, dá pra ver algo tipo entrada, mas a altura é só uns quatro metros, então parece impossível entrar com Frame Gear.
— Pessoal, vamos descer aqui por ora.
Descendo do Reginleiv pousado no chão, guardo a máquina dentro do [Storage]. Todos também guardam do mesmo jeito no [Storage] do anel, e o Ende também tranca o Dragão Cavaleiro naquela lâmina de vidro.
Subimos a montanha em direção à entrada localizada no meio da encosta. Digo "subimos", mas é só levar todo mundo flutuando com [Levitation], e voar com [Fly].
A entrada estava recortada em formato retangular perfeitamente reto. Altura quatro metros, largura cerca de dois metros e meio, é?
Adiante, brilhando fosco em dourado, se estende reto feito corredor. Sensação absurdamente suspeita, ou melhor, duvidosa… nem sombra de inimigo, como se dissesse "tem armadilha aqui, viu".
De qualquer forma, só resta avançar. Bom, mas cautela nunca é demais.
— [Prison]
Vou expandir barreira de proteção me tendo como centro.
— Certo, vamos avançar. Ende, fica atento na retaguarda, por favor.
— Entendido.
Avançamos junto com todos pelo corredor reto. Só o som dos nossos passos, "kotsuun, kotsuun", ressoa, enfatizando o silêncio ao redor.
Não sei de onde o inimigo pode vir. Avançamos com passos tensos.
— Que longo, hein.
A Rinze murmura virando-se pra trás. A entrada já ficou pequena, sem mais visibilidade. Parece que o caminho está inclinado suavemente. Ou seja, estamos indo em direção ao subsolo.
Como já estava escurecendo, a Rinze acende [Light].
— Será que vão desmoronar a montanha, enterrando a gente vivos?
— Espera, para com isso!
Diante da fala da Yae, a Eruze retruca. Explico que, com o [Prison], não vamos ficar soterrados vivos, e todos ficam aliviados.
— Hn?
— Ah
— Oh?
Eu, a Meru, e o Ende, paramos os pés. Vocês dois também sentiram isso agora?
— O que houve?
A Rū pergunta preocupada. Como ficar quieto pode aumentar a ansiedade dela, melhor explicar.
— Senti agora uma ondulação espacial. Provavelmente, daqui em diante conecta com outro espaço.
— Outro espaço… tipo o "Hangar"?
— É isso mesmo. Espaço que fica ao lado do mundo de vocês, mas não pertence a lugar nenhum… digamos, é a "Fenda Dimensional".
O Ende complementa. "Fenda Dimensional" é o espaço onde os Phrase que vieram pro nosso mundo estavam, capaz de se conectar a outros mundos… se não me engano, foi o Deus do Mundo que disse isso.
— Como dizer, não sei explicar bem direito… o Touya-kun tinha aquela escola no mundo anterior, né? Se a sala de aula daquele prédio for um mundo, eu seria tipo o diretor da escola.
— Aah…
De repente, o que é isso. Bom, de fato, o Deus do Mundo tem aparência tipo diretor de escola de magia que aparece em filme.
— E, a parede e a porta separando a sala de aula do corredor é o que se chama "barreira do mundo", e, subindo a escada e indo pro andar de cima, dá pra ir a um mundo mais elevado… digamos assim. O reino divino seria o terraço, talvez? Eu tenho mais poder que qualquer um nessa escola, mas não sei o que acontece dentro de cada sala de aula individualmente. Digamos que é tudo autoestudo. Bom, se fosse escola de verdade, isso seria inaceitável como educador, mas, já que é só exemplo, ignora essa parte.
Bom, se o número de salas de aula for absurdo, e nem souber quantos andares tem, mesmo pra escola, seria impossível controlar tudo mesmo. E, nessa sala de aula, também não tem professor responsável.
— E, então. Aquilo que vocês chamam de "Phrase", vamos comparar com mosquito ou mosca se aglomerando no corredor. Aproveitando a brecha quando a porta abre, invadem a sala de aula. E vocês estão exterminando isso, é isso.
— Bom, dá pra entender mais ou menos.
— O que corresponde a esse corredor é a "Fenda Dimensional". Normalmente, pra atravessar mundos, é obrigatório passar por aqui. Só a raça divina consegue teletransportar de sala de aula pra sala de aula sem passar por aqui. O [Teletransporte Interdimensional] que atravessa mundos corresponde a isso.
Entendi. Ao lado de qualquer mundo, existe "Fenda Dimensional", e ali é onde Phrase e gente tipo o Ende andam de um lado pro outro.
E esses insetos incômodos estão se aglomerando no corredor, é.
— É incômodo, hein.
— É incômodo mesmo. Bastaria espalhar inseticida no corredor, mas isso mataria até os insetos bons também, né.
Vem à minha mente a figura do Ende revirado junto com Phrase. De fato, isso seria exagerado demais, sinto.
Achando que as coisas nem sempre vão bem, bebo o chá que o Deus do Mundo serviu.
Fim da lembrança.
Parece que pisamos no mesmo espaço daquela "Fenda Dimensional".
— Fomos… atraídos pra dentro?
— Sei lá? Mas não dá pra voltar atrás também.
De novo, avançamos pra frente. Logo, o corredor longo termina, chegando a um lugar tipo salão grande. Teto alto, escuridão em cima, sem enxergar nada. De algum jeito, parece até santuário. Santuário do deus maligno, é.
— Touya-san, aquilo…!
— Q…!
Diante da voz da Yumina, direciono o olhar pra frente. Ali, tinha algo tipo casulo gigante dourado-escuro, ou tipo ovo, instalado.
Enorme. Maior que Frame Gear. Formato de ovo em pé, e ao redor, algo tipo teia de aranha se enrolava, aquele fio dourado enraizado no chão e na parede. Parece até casulo de algum inseto.
E, em cima desse casulo, está de pé um homem.
— Yura…
Da boca da Meru, escapa o nome do homem.
Envolto em cristal dourado-escuro, olhos tipo gelo direcionados na nossa direção — homem de pele pálida.
— Quanto tempo, "Rainha". Nunca imaginei que voltaríamos a nos encontrar vivos. E você também, faz tempo, hein. Mochizuki Touya.
— Hee, nunca imaginei que se lembraria de mim. Você, mudou bastante, virou completamente outra pessoa.
O corpo que antes era envolto em cristal tipo quartzo agora virou metal dourado-escuro, ficando óbvio de cara que ele virou mutante. Rosto pálido racional, e corpo coberto de cristal dourado-escuro. Homem ambicioso que virou completamente servo do deus maligno.
— Abandonei o velho corpo de Phrase, e obtive novo corpo e poder. Não, deveria dizer que evoluí. Você também é igual, não é, Mochizuki Touya?
— Não me compara com você. Eu e você somos diferentes.
Não aceito ser tratado como semelhante a isso.
— É mesmo? Mas você consegue ver, né? O "Ki" divino subindo desse casulo. Um fragmento de poder definitivo que ultrapassa a compreensão humana!
De fato, como a Yura diz, desde há pouco meus olhos veem Ki Divino sinistro. Do objeto diante de mim, casulo ou ovo, não sei bem qual. É Ki Divino ainda maior que aquele deus NEET que confrontei antes. Quanto de sentimento negativo humano ele absorveu, afinal.
Direciono a Brunhild em modo canhão pro casulo do deus maligno.
— Desculpa incomodar no meio do embriagamento, mas deus é deus, mas isso aí é deus maligno. Desculpa, mas vou esmagar. Não precisamos disso no nosso mundo.
— Quem decide se é necessário ou desnecessário não são vocês. Sou eu.
Quando a Yura estala os dedos, um som absurdo, tipo zumbido no ouvido, ressoa por todo o salão.
No instante seguinte, do chão dourado, "pakipakipaki!", como estalactite, colunas metálicas se estendem, e essas colunas se contorcem feito fluido, formando figura de esqueleto.
Entre eles, tinha até esqueleto vestindo armadura tipo "Dovelugu", que os anões construíram, de cerca de três metros de altura. Deve ter sido criado incorporando soldado golem de Eisengard. Ou melhor, era emboscada mesmo, hein.
Aos montes, esqueletos aparecem um atrás do outro do chão, atacando-nos com espada tipo cimitarra na mão. Mas, "giin!", com som, a cimitarra é defletida. Efeito do [Prison].
— Que incômodo.
— O quê…!
Junto com som de vidro se quebrando, o [Prison] se estilhaça. Da ponta do dedo da Yura, algo tipo raio laser é disparado, perfurando o [Prison].
Droga, mesmo decaído, deus é deus. Esqueleto dourado ainda tudo bem, mas contra o ataque forte da Yura, servo dele, não consigo defender.
Com o [Prison] destruído, o ataque dos esqueletos dourados começa.
Desviando da espada abatida do esqueleto avançando, cravo a ponta da Brunhild em modo lâmina no núcleo, no fundo do peito.
Assim mesmo, mudando pro modo canhão, mirando o peito de outro esqueleto atrás do que derrotei, puxo o gatilho.
— Técnica secreta do Estilo Kokonoe Manari, Perfuração Contínua do Bico
O golpe contínuo lançado pela Yae destrói vários núcleos sem erro, um atrás do outro.
Eu, a Yae, a Hiruda, a Rū, a Eruze, o Ende, a Nei, a Rise, ficamos de frente contra os esqueletos, e a Yumina, a Rinze, a Sū, a Rin, a Sakura, a Meru, atrás, entram em apoio.
— [Espinho de Cristal de Rosa]
Os espinhos de cristal se estendendo das duas mãos da Meru prendem os esqueletos dourados ao redor, e, assim mesmo, esmagando, destroçam-nos em pedaços. Os núcleos caídos no chão são esmagados sem dó pelos espinhos feito chicote. Rainha, é. Que medo.
A Sakura expande magia de apoio via canto. A Rinze congela com magia de gelo os pés dos esqueletos aglomerados, e o Ende e a Eruze esmagam os núcleos um atrás do outro. A Rise e a Nei também dispersam os inimigos sem dificuldade com a espada divina nas mãos. A Sū e a Rin também defendem bem com magia defensiva os ataques dos esqueletos.
— «Ga»
O falso Dovelugu tipo armadura potencializada avança golpeando. Punho de sessenta, setenta centímetros é abatido em direção ao meu rosto.
— [Power Rise]
Usando magia de fortalecimento físico, recebo aquele punho de frente com uma mão só. Pensei em arrancar o braço assim mesmo, mas, antes disso, a bala disparada pelo simile Colt M1860 Army da Yumina perfura sem errar o núcleo do mutante Dovelugu. Que assobio. Digno dela.
Não importa quantos desses aí venham, não tenho medo, mas já tá enjoativo demais.
Quando briga com muita gente, primeiro esmaga a cabeça. Se possível, com estilo. Se aproxima em silêncio e soca com tudo — era o que meu avô dizia, mas acho que não estava totalmente errado.
— Ende, deixo essa parte com você por um pouco.
— Eh?
Chuto o chão, e, com [Fly], voo de uma vez em direção à Yura, em pé no topo do casulo. Mudando a Brunhild pro modo lâmina, abato de uma vez na direção do topo da cabeça dele.
A Yura bloqueia isso com o braço virado lâmina. Tch, bloqueou. Vendo-me assim, ele solta risada tipo debochada.
— Já imaginava que você viria assim.
— Hee, é mesmo. E aí, o que vai fazer depois disso?
Irritado com a atitude dele, como se soubesse minhas ideias rasas na palma da mão, retribuo o riso desafiador dele, provocando.
— Isso.
— Eh?
Ao redor da Yura, se expande várias camadas de barreira. Isso em si não é tão surpreendente assim. Expandir barreira de proteção ou barreira mágica pra se proteger é algo que eu e o Ende também fazemos frequentemente.
O que surpreende é que eu também estou incluído dentro dessa barreira. No instante em que penso "o que é isso", tudo que vejo ao meu redor desaparece num instante.
— Touya, san?
Mesmo estando em combate, a Yumina deixa escapar voz atordoada.
O Touya, que atacou o homem chamado Yura, em pé no casulo, junto com luz dourada, feito borrão, desaparece do local.
Será [Teletransporte Instantâneo] do Touya? A Yumina pensa. Mas aquele desaparecimento agora há pouco era diferente do [Teletransporte Instantâneo] que ele sempre usa.
Sem dúvida, aquele espécie dominante mutante… a Yura, fez algo. Fez desaparecer, do local, a existência mais incômoda ali.
A Yumina… não, as noivas dele, incluindo ela, ficam bem abaladas.
Sendo noivas, e ao mesmo tempo servas dele. Elas, agora, já conseguem sentir a presença do Touya não importa onde ele esteja na terra. Em qualquer momento, conseguiam sentir uma "conexão" segura.
Mas, agora, essa "conexão" foi cortada. Não conseguem sentir isso em nenhum lugar deste mundo. Desaparecimento da existência dele. Sensação de perda profunda, como se tivesse perdido a própria metade, atinge as garotas.
— O, o que aconteceu, afinal!?
— T, Touya-san!? Touya-san!
— Majestade…!
Todos os outros também estavam em maior ou menor grau confusos. Nessa situação, isso é problemático. Mesmo entendendo isso na cabeça, a Yumina não consegue pensar em jeito de superar. A técnica embota, a atenção se dispersa. Pouco a pouco, começam a ser pressionados pelo ataque dos esqueletos dourados.
O que fazer. Nos olhos já marejados da Yumina, ecoa um som de bater palmas, "paan!"
— «Sim, chega, pronto. Todo mundo, se acalma.»
— Q…! Irmã Karen-oneesama!?
Diante da voz familiar vinda de repente, olha ao redor, mas não tem sombra dela. Nem o Ende e o pessoal parecem ouvir. Só chega voz pras noivas do Touya.
— «O Touya-kun tá bem, viu. Foi meio que isolado, mas volta logo, então fica tranquila.»
Diante dessa voz, a Yumina sente alívio sincero do fundo do coração. Essa cunhada é livre e adora provocar as pessoas, mas nunca mentiria numa situação assim. Se ela disse que ele vai voltar, com certeza o Touya vai voltar. A Yumina consegue ter essa convicção.
Todos os outros também parecem ter se recuperado, começando a dispersar os esqueletos dourados que os pressionavam.
— «Mais que isso, "aí" talvez seja um pouco perigoso, melhor fugir, sabe.»
— Eh?
No instante em que a Yumina reage à voz da Karen, "zuzuzuzuzuzu…", o chão de repente começa a tremer.
— Terremoto? Mas isso é…?
— Tch, colapso espacial, é…!
O Ende murmura como se cuspisse, socando o esqueleto dourado.
— É melhor fugir disso. Logo esse espaço vai colapsar. Precisamos escapar antes de sermos afetados. Meru, dá pra fazer?
— Sim. Mas e o Touya-san?
— Não acho que ele seja derrotado tão fácil assim. Com certeza vai voltar sozinho logo.
Não é bem confiança, mas o Ende não duvida nem um pouco da segurança do Touya. Sendo servo do deus marcial, seu próprio mestre. E ainda por cima, servo de algo ainda acima disso, o Deus do Mundo. Nem morrendo ele morreria. Preocupar seria só desperdício — tinha bastante resignação também nisso.
Sem ligar pro Ende assim, a Meru usa os espinhos que se estendem das próprias mãos, desenhando um círculo tendo-se como centro.
— Todos, entrem aqui dentro! Rápido!
Derrotando os esqueletos dourados, um atrás do outro, entram no círculo.
No instante em que o Ende, último, salta pro círculo, o esqueleto dourado que estava fora do círculo é perfurado pelo espinho que salta da Meru, sendo lançado longe.
Aproveitando essa brecha, começa o teletransporte espacial da Meru, e todos desaparecem do local.
No espaço da fenda dimensional continuando a tremer, misturado ao som de tremor cada vez maior, ouve-se um som, "paki!", de algo se rachando…