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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 438

A Raiva das Mulheres, e a Tristeza do Homem

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Capítulo 438 – A Raiva das Mulheres, e a Tristeza do Homem

— Só a Yumina e o pessoal irem sozinhas pra Nokia…? Eh, por quê?

— Ouvimos toda a história da princesa Pafia agora há pouco. Pela criatura invocada de agora, e pela fala dela, dá pra deduzir que esse tal Ministro Militar Kanaza é, sem dúvida, um "possuidor"… espécie de necromante que usa espírito maligno, fazendo possuir pessoas, manipulando à vontade.

A Rin responde no lugar da Yumina, mas ainda não entendo bem. Possuidor?

A Rinze explica como se estivesse complementando.

— Li isso na "Biblioteca" de Babylon. Possuidor é técnica mágica capaz de fazer possuir pessoa de vontade fraca, ou com sentimento negativo forte, ou com brecha na mente. Corte é justamente ninho de intriga e conspiração, então, penso, deve ter tido oportunidade ilimitada de manipular gente.

Ah. Lembro de ter lido algo parecido também. Não dá pra manipular corpo morto, mas transforma pessoa viva em fantoche, magia antiga nascida do atributo trevas, se não me engano. Não lembro bem.

— Umm… usando essa tal técnica de possessão, esse homem, Kanaza, subiu de posição em Nokia, é isso?

— Não é só isso. Esse homem parece ter manipulado até donzelas jovens, fazendo o que bem entendia. Homem baixo, indigno de ser chamado de homem.

A Hiruda murmura como se estivesse cuspindo. Pra cavaleira princesa de Lestia, cujo lema é lutar com dignidade e honestidade, com certeza é algo imperdoável. Nos dois olhos dela, dava pra ver chama de raiva tremulando.

Poder de manipular os outros. Se obtiver poder assim, talvez a maioria das pessoas use pra satisfazer o próprio desejo. Esse tal Kanaza também é um dos que sucumbiu a esse desejo, então.

— Esse tal Kanaza parece ter até ordenado a nobre possuída a entregar a própria filha, dizem. Deixa perto de si as mulheres favoritas, e descarta com naturalidade as que já se cansou.

— Imperdoável. É inimigo das mulheres! Fico com sangue fervendo de raiva!

— De fato mesmo. Precisamos aplicar castigo divino contra esse desprezível que brinca com o coração das pessoas.

A Eruze, a Rū, e a Yae também parecem bastante furiosas. Que estranho, não é sobre mim, mas sinto um pouco de medo… eu também consigo manipular os outros usando magia das trevas, afinal.

— Esse tal Kanaza parece ter ordenado até que o rei de Nokia e a primeira princesa fossem possuídos, mas felizmente… será que dá pra dizer isso, os dois têm mente forte, então não foram possuídos, parece…

De relance, a Rin direciona o olhar à princesa Pafia.

— O Kanaza mobilizou o conselho de nobres, forçando a minha irmã a virar noiva dele. A maioria das pessoas do conselho também já era facção do Kanaza, mas, pensando agora, isso também deve ter sido através de possessão. Com o poder do meu pai, em leito de doença, não deu pra reverter isso… e ainda por cima, o Kanaza estava mirando até em mim. Minha irmã, sabendo disso, me deixou fugir. Dizendo que bastava só ela virar sacrifício… mas, no meio da fuga, fomos alcançadas pelos perseguidores, e, lutando, eu e a Rishia caímos junto num rio no fundo de um penhasco…

Então o outro lado achou que as duas tinham morrido ali, e voltou, é isso… espera? Então e o corpo falso?

— Provavelmente… deve ter sido o Kanaza que fez isso pra abalar minha irmã…

— Quando algo que servia de apoio se quebra, o coração da pessoa fica com buraco vazio. Fica fraca. Fica exatamente propício pra espírito maligno se aproveitar.

Cruzando os braços, a Rin fala isso. Aos pés dela, a Pōra pisa forte no chão, "mukī!". Sendo mero bicho de pelúcia, não precisa se exaltar tanto assim. Eu também acho que sou desgraçado, mas.

— Então, a primeira princesa já não vira fantoche do Kanaza…?

— Não. Minha irmã não é mulher fraca assim. Mesmo ouvindo que eu morri, jamais correria atrás de sentimento pessoal em detrimento do país. Justamente por isso, acho que o Kanaza vai forçar o casamento com minha irmã de qualquer jeito. Se meu pai morrer, quem herda o trono seguinte é minha irmã. Se casar, o Kanaza vira consorte real. E então…

— Se a primeira princesa que assumiu o trono morrer, a vez recai sobre o Kanaza…

A princesa Pafia assente levemente, "kokun". No fim, é usurpação do trono mesmo.

Ao perguntar ao embaixador Yanche por que não pediu intermediação de Zenoas antes de vir pra Brunhild, ele disse que, antes, ao mencionar sobre mim ao Rei Demônio, ele ficou bem mal-humorado. O embaixador Yanche, sabendo disso, parece ter vindo direto pra cá. Não que a relação seja ruim, viu? Provavelmente é só implicância dele por ser tratado com frieza pela própria filha diariamente.

Bom, entendi a situação familiar de Nokia, mas…

— Por que só a Yumina e o pessoal?

— Um homem lixo desses, que só enxerga mulher como ferramenta, deve receber julgamento pelas mãos das mulheres. ………Corta em pedacinhos.

Com rosto sem expressão, a Sakura diz algo arrepiante, movendo os dedos tipo tesoura, "jokin". Em seguida, a Hiruda abre a boca.

— Recebemos pedido da Segunda Princesa do Reino de Nokia, Sua Alteza Pafia, e vamos até Nokia confirmar a veracidade disso. Pelo menos é fato que a criatura invocada do Ministro Militar Kanaza de Nokia causou tumulto no palácio real de Brunhild, atacando a noiva do rei, Touya-sama. Precisamos fazer com que ele receba a devida punição por isso.

Atacou a noiva…? Não seria "foi atacado pela noiva"…

— O que foi?

— Não, nada.

Como a Eruze me encarou, desvio o olhar. B, bom, ela disse "vou te possuir" e afins, então tinha intenção maligna clara mesmo.

— Acho que eu também devia ir junto, sabe… é possuidor, viu? Se eu for possuído por espírito maligno, o que fazemos. Além disso, mandar até a Sū…

— Para de me tratar como criança pra sempre. Já sou dama respeitável. Confia um pouco mais em mim. O Touya não confia na gente?

— Não, isso eu confio, mas…

Levemente irritada, a Sū me encara. Ultimamente, ela fica de mau humor quando é tratada como criança.

Mesmo assim, confio sim, mas preocupação é preocupação mesmo…

— Eu também vou junto, então não precisa se preocupar.

— Eh?

De trás de mim, enquanto fico agoniado, "mumumumu", chega voz gentil. Virando pra trás, ali estava a deusa do tempo-espaço… ou melhor, a vovó Tokie, vestindo xale feito à mão, de pé.

— A vovó Tokie também vai!?

— Eu também preciso me mexer de vez em quando, né. Além disso, comigo, dá pra teletransportar todo mundo, tanto ida quanto volta fica fácil, né?

A vovó sorri gentilmente. Não, ida e volta, eu mesmo faria isso.

— Sei que você se importa com essas meninas, mas proteger não é a única forma de amor. Às vezes, confiar e esperar também é uma forma de amor. Daqui pra frente, vão surgir várias situações assim, então melhor se acostumar desde já. Essa é boa prática pra isso.

Diante da fala da vovó, tomo um choque de percepção. Se eu virar um dos membros da raça divina que administra este mundo, esse tipo de situação vai surgir bastante mesmo. Situação onde, mesmo querendo interferir na terra, só posso ajudar dentro do limite de não quebrar a regra.

A Yumina e o pessoal já virou servo através do "amor divino" meu e da irmã Karen e o pessoal. E a vovó Tokie também está junto. O que precisaria me preocupar?

— ………Entendi. Mas não force a barra. Se acontecer algo, avisa imediatamente.

— Já disse "então já falei que tá tudo bem". Você se preocupa demais!

Ugu. A Eruze fala isso com suspiro misturado. Como esperado, fui insistente demais…

— Então, é isso, vamos te ajudar. Fica tranquilo, feito num navio grande.

— Todo mundo… por mim, que sou tão insignificante… obrigada! Muito obrigada mesmo…!

Talvez emocionada, diante da fala da Rin, a princesa Pafia derrama lágrima grossa, curvando-se. Em seguida, o embaixador Yanche e a Rishia-san também se curvam profundamente diante da Yumina e do pessoal.

— …Ou melhor, se o Touya-san mesmo ajudasse a princesa Pafia aqui, sem dúvida ela viraria a décima, né.

— De um jeito ou de outro, né. Esse é o padrão da Rū, não é?

— Va, vai comparar com o meu caso não!

— Acho que dá até pra pensar que aumentar noiva do Touya é coisa boa, hein?

— A Sū é boazinha demais. Se aumentar mais que isso, nossa parte diminui.

— Parte de quê, afinal…?

— De qualquer forma, esse desgraçado indigno, é melhor mesmo resolvermos nós.

Ouço tipo conversa inquietante, mas acho que homem sensato finge não ter ouvido. …Provavelmente.

— Foi assim que aconteceu…

— Entendi. Também é difícil pra você, Touya.

O Ende termina de beber a água de fruta na mão, pedindo mais um pro dono do bar.

O bar ao lado da Guilda de Aventureiros, "Asas da Donzela Guerreira", tá animado como sempre hoje. O canto menos visível de lá é nosso ponto fixo, e, ultimamente, sempre fico junto com o Ende reclamando um do outro sobre bobagens.

Como o pessoal da ordem também frequenta, transformo minha aparência com [Miragem] por precaução. Não quero incomodar ninguém.

— Só as garotas, hein… deve ser condição importante de comunicação. No meu grupo também é assim.

— No teu grupo também?

— A Meru, a Rise e a Nei saem sozinhas com frequência ultimamente. Eu, diferente de um certo alguém, não fico preocupado, no entanto.

Ugh. Desculpa mesmo por ser preocupado demais. Não é como ir comprar coisa no bairro, viu. Bom, se fosse criança fazendo primeiro mandado, ficaria preocupado também.

— Homem precisa ficar firme, tranquilo. Elas também sentem segurança nesse tipo de postura, sabe. O Touya talvez não entenda isso.

— …Não parece fala de quem foi expulso de casa por atrapalhar festa de pijama.

— Gufu

Segurando o peito, o Ende desaba na mesa. A Meru e o pessoal ficaram amigas não só de nós, mas também da Mika-san e da Furūru-san da pousada "Lua de Prata", da Rebekka-san e da Supika-san da ordem de cavaleiros, da Sonia-san aventureira, e até da Esuto-san do "Gato Vermelho". Hoje parece ser festa de pijama com todo mundo assim. E, sendo estorvo, o Ende foi expulso de casa.

— É bom a Meru ter feito amiga, mas… nós também devíamos alborotar a noite toda só entre homens!?

— Foi mal, já fizemos isso outro dia.

— Por que não me chamaram!?

Não, não é coisa tão boa assim, não. Foi mahjong a noite toda. Bom, se tiver próxima vez, chamo você também.

Coloco na boca a batata frita da mesa. Gostoso.

— Ei, aqui, sua encomenda.

Vem o dono trazendo mais água de fruta pro Ende, colocando na mesa três pratos de petisco pra bebida, e, por último, colocando com barulho, "ton", copo com destilado e gelo. Eh?

— Eh, não pedi isso…?

— Nyahaha~. Tava esperando chance de beber essa bebida produzida em Regulus há tempos~. Não chega estoque com facilidade, e a Karina-chan é sovina, não me dá dinheiro~. Bom, primeiro um copo…

Sem perceber, sentada em nossa mesa, a Suika estica a mão pro copo. Foi obra sua, sua desgraçada.

Depois de apreciar o aroma, quando a Suika tenta virar o copo de uma vez, seguro firme a mão dela.

— Não lembro de ter dito que podia beber.

— Nyahaha… a, achei que fosse pagar pra irmãzinha fofa…

— Lembra da nossa promessa, né?

— Umm… "não vou beber de noite", foi… isso, né…

A Suika é deusa do saquê, mas, em aparência, é criança de uns sete anos. Se fosse de dia, tudo bem, mas, se criança sai à noite, gera vários tipos de problema, podendo até virar causa de encrenca. Por isso, a não ser que tenha razão especial, proibi a Suika de ir ao bar depois que escurece.

— Eu… tava procurando o Touya onii-chan. Aí, ouvi dizer que tava no bar com o Ende onii-chan, então,

— Aproveitou pra beber essa bebida?

— É, isso. Aproveitando. Uhum, aproveitando.

Ansiosa, a Suika ri, "nyahaha". Haa, já que já pedi mesmo, não tem jeito, mas.

— …Só hoje, tá bom.

— Yaffuu~. O Touya onii-chan é gente boa~.

Liberada, a Suika inclina o copo, "guburi".

— Kuhhaa~. Que delícia~. Penetra até nas cinco vísceras e seis entranhas~.

— Parece um velho.

Sinceramente, bebe com muita satisfação, essa aí. O Ende também ri, atônito. Será que isso também é poder de deusa do saquê? Tipo relaxar o ambiente?

— Aliás, por que tava me procurando? Ou melhor, não bastava ligar pro smartphone?

— Nyahaha. No instante que ouvi que tava no bar, essa opção já desapareceu. Umm~, é que, em breve, um deus vai descer à terra, então avisando…

— Eh? Convidado pro casamento?

— Nn~n, diferente. Diz que quer conversar com o Touya onii-chan, então vai descer direto.

Descer, diz… fala fácil, hein. Não é deus superior, então não devia precisar de permissão do Deus do Mundo pra descer? Quem é, afinal?

Pergunto à Suika enquanto bebo água de fruta.

— Umm, deus da destruição.

— Bu!?

— Que nojo!?

Espalho de forma extravagante a água de fruta que segurava na boca no rosto do Ende à minha frente.

Ha, deus da destruição!? Aquele deus da destruição que apaga de vez mundo desnecessário, ou mundo que saiu do controle dos deuses!?

— Ei, ei, ei! Espera um pouco! Por que o deus da destruição contata via você em vez do Deus do Mundo!?

— Eh? Porque, sabe, somos amigos de bebida.

Sério!? Relação tão próxima assim!?

— O deus da destruição vem pra fazer o quê…?

— Sei lá? Talvez seja pra dar aquele sermão de sênior mesmo pro Touya onii-chan, nya~. Aquele deus também é servo do Deus do Mundo.

Então é isso mesmo… quer dizer que é sênior direto de linhagem? O que vem fazer, afinal, sério mesmo…

— Touya… sinto que ouvi conversa que não queria muito ouvir, mas… esse mundo não vai desaparecer, né? Se for desaparecer, quero fugir levando a Meru comigo.

— Não, isso deve tá tudo bem… acho.

Diante do Ende com sorriso contraído, respondo com rosto igualmente contraído. Mesmo sendo deus da destruição, acho que não destrói mundo sem motivo… provavelmente.

Novato empregado da Companhia dos Deuses, Mochizuki Touya, sendo intimidado pelo grande sênior deus da destruição, esse tipo de episódio não vai rolar, né?

Separado da Yumina e do pessoal, esse lado aqui também ganhou uma preocupação própria, hein. Viro de uma vez o resto da água de fruta.


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