Capítulo 44 – Magia de Aceleração e a Festa
Junto com o início do combate, o Rei Ferino avança. Apoio o golpe de frente e, torcendo o corpo, escoo e esquivo. Recuo um salto e, desta vez, ataco.
— Luz, perfure; sacra lança fulgu……
— Lento.
Empurrado pelo escudo do Rei Ferino, que se lança feito bala, perco a postura. Tch, cortaram a recitação da magia. Pago com a espada de madeira pra conter e recuo de novo.
Mas, como quem leu tudo, vem uma estocada de perseguição. Quando achei que tinha esquivado da que mirava o peito, em sequência outra estocada avança pra garganta.
Estocada dupla?! Desvio o pescoço de lado, e a ponta da espada passa rente à orelha. Foi por pouco!
Ficar na defensiva é ruim. Tenho que atacar!
— [Multiple]!
Pequenos círculos mágicos se abrem no chão, um após o outro, sob os meus pés.
— Mh?!
Diante dos círculos surgidos de repente, o Rei Ferino estanca o avanço. Bom, é de se esperar. Mas isto é blefe, só pra travá-lo, uma armadilha.
— [Boost]!
Uso a magia de fortalecimento e, com força explosiva nas pernas, avanço sobre o Rei Ferino! Boa, é minha! Tive certeza da vitória.
— [Accel].
No instante seguinte ao murmúrio do Rei Ferino, a figura que eu julgava ter capturado some, e a minha espada de madeira corta o ar em vão.
— O quê……?!
Atrás de mim, atônito, sinto uma presença, e quase por reflexo me agacho; sobre a minha cabeça a espada do Rei Ferino é varrida na horizontal. Rolo dali e me reequilibro. O que foi isso?!
— Esquivou daquilo! Você é bom, Touya.
— Aquilo… por acaso foi magia de nulo?
— Foi. A minha magia de nulo, [Accel].
Era isso. Magia de aceleração, deve ser. De repente o movimento sumiu. Não sei se é instantâneo ou dura um tempo.
— Como funciona essa magia?
— Que nada, aumenta a velocidade do corpo, só isso. Em movimento, ativa também uma barreira mágica no corpo, e, como come energia mágica feito louco, não dá pra manter o tempo todo. Pessoa normal não reage a essa velocidade, mas você esquivou bem.
Pelo visto é puramente magia de aceleração. A barreira mágica deve ser pra proteger o corpo da super-velocidade.
— Saquei, entendi bem. Você tem uma boa magia.
— Né?
— Por isso, com sua licença, vou usá-la. ──[Accel].
Ativo a magia de aceleração. Num instante passo ao lado do Rei Ferino, e o corte da minha espada de madeira termina no vazio.
Ué? O tempo não bateu. Achei que ia acertar o tronco, mas passei ao lado dele e só então virei a espada. Sem costume é meio difícil de usar. Achei que tinha me movido um pouco, mas a sensação de movimento sai do compasso.
— O quê……! Você, isso agora…!
— É mais difícil do que parece. Mas da próxima eu acerto.
Avanço sobre o Rei Ferino em supervelocidade. O adversário também ativa o [Accel] e, no mesmo estado de aceleração, trocamos golpes ferozes, esquivamos, recuamos, trocamos de novo. Aos golpes desferidos em sequência feito raios, eu cruzo a espada e os derrubo. Aos poucos vou me acostumando com essa velocidade. Será que a capacidade de pensar também acelera.
Pra nós dois, no mesmo mundo acelerado, é luta normal; mas pros humanos em volta deve ser difícil até de acompanhar com os olhos.
E eu tenho um jeito de dobrar ainda mais essa velocidade. Do [Accel], um:
— [Boost]!!
Dom! Acelero mais um degrau. Aceleração por magia, e aceleração pela força das pernas. Velocidade divina que ninguém consegue acompanhar com os olhos. Por um instante só, mas obtenho uma super-aceleração que ultrapassa de longe o [Accel].
— O quê?!
Num átimo, contorno pras costas do Rei Ferino e encosto a espada de madeira na garganta dele.
— Xeque-mate.
— …Não entendo bem essa palavra, mas pelo visto eu perdi.
Erguendo as duas mãos, o Rei Ferino reconhece a derrota. Vendo aquilo, o árbitro ergue bem a mão direita.
— Vencedor, Mochizuki Touya!
À voz do árbitro, da arquibancada da arena se desencadeiam palmas. Sinceramente, eu achei que derrubar o rei do país ia ser tempestade de vaia, mas foi medo à toa.
— Quem diria que você também usa o [Accel]. Eu andava confiante demais na minha magia, soberbo. Preciso me corrigir.
— Não, bom, ha-ha-ha.
Disfarço, rindo. Magia de nulo é individual. Não há muitos usuários iguais. Há magias parecidas, do mesmo tipo, mas. Por isso, o Rei Ferino baixar a guarda é compreensível. O desta vez foi, digamos, trapaça, né.
Mas não me deixaram usar magia dos seis atributos. Cortando assim a recitação, não dá pra ativar. Bom, em geral mago é retaguarda, não precisa ficar trocando espadinha.
Se desse pra ativar sem recitar, como a de nulo……
Naquela noite, no palácio, houve uma festa leve. Recebendo os dignitários de Mismede, nobres influentes e grandes comerciantes, era como uma comemoração da volta da Olga-san e uma recepção de boas-vindas à Yumina, a princesa de Belfast.
Como não era banquete de gala, não precisava traje formal, mas, já que era assim, me fizeram trocar de roupa.
Conjunto branco folgado com colete preto. Faixa azul-marinho larga e um pano branco comprido enrolado em várias voltas no corpo. Se eu pusesse um turbante, seria a cara de um Simbad ou Aladim.
No salão de festa em formato bufê, todos curtiam a conversa e se deliciavam com a comida.
A convidada de honra, a Yumina, e também a Elsie, a Lindsey e a Yae ainda não estavam ali. Será que estão sendo vestidas a rigor também. Como deixei o Kohaku de escolta, acho que não vai dar nada de errado.
— Olá, Touya. Combina com você, esse traje.
Com uma taça de champanhe, sem a armadura, vestindo fraque, o Lion-san chega. A casa Blitz é de linhagem de barão, pelo visto, então ele deve estar acostumado a esses ambientes.
— Aliás, eu também podia ter ficado com uma roupa que nem a do Lion-san……
Combinar ou não é outra questão. Bom, de roupa igual ao lado do Lion-san eu ia ficar acanhado, então até foi melhor assim. Ser comparado a um bonitão arranha o coração de vidro.
— E então, esse, a Olga-dono, onde está?
— Eu não vi……
Com ar despreocupado, o Lion-san pergunta. É mesmo, a outra convidada de honra também não está. Será que ainda não chegou? Ao cavaleiro inquieto, dou um sorriso amarelo e olho o salão.
— Touya-san!
Junto com essa voz, de repente, por trás, algo se agarra à minha cintura, tum. Quando viro, embaixo, orelhinhas de raposa se mexendo.
— Ah, a Alma.
Afago a cabeça da menina-raposa, numa graciosa fofa. E, atrás da Alma, estava um cavalheiro corpulento, de barba branca e sorriso afável. Da cabeça grisalha, orelhas espetadas; cauda grossa e comprida. Ah, será que…
— Muito prazer, sou Olba, pai da Alma.
Era isso mesmo. Apertando a mão estendida, fito o pai e a filha raposas. Com a idade, até as orelhas e a cauda ficam grisalhas…
— Olá, sou Mochizuki Touya. Touya é o nome, Mochizuki o sobrenome.
— Ora, nasceu em Ishen?
Quanto tempo que eu não ouvia essa frase.
— D-da Primeira Ordem de Cavaleiros do Reino de Belfast, Lion Blitz, ao seu dispor!
Tropeçou na língua. Em pânico, em seguida a mim, o Lion-san aperta a mão do Olba-san. Bom, sendo pai da Alma, é também pai da Olga-san, então é compreensível.
— Muito obrigado por escoltar as minhas filhas.
— N-não, é-é o nosso dever!
Tropeçou de novo. Pânico demais, francamente. Sem bem querer dar uma força, falo com o Olba-san por falar.
— Olba-san, o senhor trabalha com o quê?
— Sou comerciante de comércio. Compro muita coisa boa de Belfast também.
Comerciante, é. Pelo visto lida com várias coisas.
— Ultimamente consegui, com esforço, um tal de "shogi", e penso em vendê-lo por aqui. Dizem que até o rei de Belfast curte jogar.
— Hã? Shogi?
Quando isso virou isso. Pelo visto estava na carta que a Olga-san enviou, e ele se interessou.
— Se for shogi, eu tenho um jogo, posso te ceder.
— Ô, é sério?! Que ótimo. Eu queria ver um de verdade.
Tem um shogi que fiz na viagem guardado na carruagem, eu acho.
— Então amanhã mesmo eu entrego. Eu tenho um compromisso, então, Lion-san, pode entregar ao Olba-san? As regras a Olga-san sabe, ela pode te ensinar.
— Hã?! Eu?!
De repente posto sobre ele, o Lion-san se atrapalha.
— O pai do Lion-san é o General Leon, de muita confiança do rei. Joga shogi com ele com frequência, dizem.
— Ora, aquele General Leon! Que coisa, então venha à minha casa, eu adoraria conversar.
O Olba-san, com um sorriso afável, fala com o Lion-san. Como par de casamento da filha, em linhagem não há problema. Tomara que o Olba-san goste dele. Bom, casamento depende do sentimento dos dois, então talvez seja intromissão minha.
— Sim! Então, outro dia, eu compareço!
Numa postura firme, em sentido, o Lion-san. Duro como sempre, este homem.
Será que vai dar certo, penso, preocupado com o cavaleiro sério demais ao lado, quando de repente o salão se agita.
Hm? Aconteceu algo?