Capítulo 45 – Polaroid e a Mestra Fada
Quando vou até a entrada agitada do salão, lá estavam o Rei Ferino, a Olga-san e a Yumina e companhia.
A Olga-san vestia um deslumbrante vestido de festa de Belfast; já a Yumina e as outras usavam um traje típico, parecido com o sári indiano. Elsie de vermelho, Lindsey de azul, Yae de roxo, Yumina de rosa — cores diferentes, mas em todas combinava muito. Ao lado, o Kohaku as acompanhava.
— Ô, Touya. Combinou bem, hein. Se dissessem que você é nobre de Mismede, ninguém duvidaria.
— Será……
Com um sorrisinho, o Rei Ferino me observa. Sei lá, sem costume essas coisas dão vergonha.
De relance, ao lado, o Lion-san, embevecido com a Olga-san de vestido. Ora, ora. No cabelo da Olga-san brilha o tal enfeite. Ahá, isto está com cara de "tem chance".
— Combina com você, Touya-san. Está lindo.
— É, ficou ótimo, né?
— …Tem um charme diferente do de sempre.
— Está elegante, Touya-dono.
Todas me olham e elogiam. Que vergonha.
— Vocês também ficaram lindas. Ah, posso tirar uma foto?
Tiro o smartphone e abro o aplicativo de câmera. Aponto e aperto o disparador, e um flash se acende ao redor.
A gente não sentiu nada, mas o pessoal do salão se assusta com o flash, e os soldados de Mismede encostados na parede levam a mão à espada. Vacilei, o flash foi furada.
— Que foi isso?
O Rei Ferino olha o smartphone na minha mão. Melhor explicar logo.
— Desculpa, isto também é uma magia minha de atributo nulo. Registra e guarda a imagem da cena.
— …? Não entendi bem……
Mostro ao Rei Ferino a imagem que tirei. As quatro, a Yumina e companhia, apareciam ali.
— Ôo! Magia que desenha num instante! Soube que há alguém que usa magia parecida no Reino Sacro de Refreese. Dá pra tirar isso daí?
Olha, no Reino Sacro também tem usuário de magia parecida. Queria ver. Pelo visto não vou precisar explicar os detalhes da foto.
— Dá. Se houver papel ou algo onde transcrever.
No papel que o Rei Ferino mandou trazer, vou transcrevendo com [Drawing], olhando a imagem que tirei. E logo no papel surge, em tom sépia, a figura das quatro meninas. Uma imagem como foto antiga em preto e branco.
— Ôo! Que incrível! Touya, dá pra desenhar a mim também?
— Pode.
Com a pessoa presente, sem usar a câmera, é só ativar o [Drawing] olhando direto e dá pra desenhar.
Quando termino a "foto" do Rei Ferino na pose dele, ele fica contentíssimo. Mas daí virou um pequeno tumulto. Na sequência, depois de transcrever a família Olba, choveu "eu também, eu também", e acabei transcrevendo um atrás do outro.
Transcrever uma não leva nem dez segundos, então isso em si não cansa; mas muita gente não decidia a pose, ficava "assim não, daquele jeito", e dava trabalho. Tratado como câmera Polaroid. Sinceramente, me cansei.
No meio da confusão, o Lion-san pediu uma foto a dois com a Olga-san. Claro, transcrevi. Aí já não é Polaroid, é cabine de fotos.
Terminados os pedidos das figuras principais, saí do salão pra respirar. Sento num sofá no canto do corredor e afundo o corpo. Comparado ao salão, aqui é silencioso e tranquilo.
Enquanto eu fitava distraído o corredor à minha frente, lá mais adiante, num corredor além, algo estranho atravessou.
— Hã?
Sem querer, solto uma voz esquisita.
Algo que andava aos trotinhos pelo corredor distante. Pra simplificar, era um urso. Bom, é o país dos semi-humanos, tem ferino-urso. Na festa de agora pouco tinha alguns. Mas o que andava ali era um urso de pelúcia.
Uns 50 centímetros de altura? Olhando bem, é um urso de pelúcia mesmo… Mas por que um bicho de pelúcia anda aos trotinhos? …Será que estou cansado.
E o urso que andava estanca de repente e olha pra cá. Eita, nossos olhos se encontraram.
Fixo……
Fiiixo……
Fiiiiixo……
Fiiiiiiiixo……
Já teve isto antes, esse estado. Hm?
Tec, tec, o urso me chama com a patinha. …Quer que eu siga? O que eu faço…?
No fim, resolvi seguir. Se parecer perigoso, uso o [Accel] e fujo com tudo.
Seguindo o urso que anda aos trotinhos, chego diante de um quarto um pouco afastado do salão. Sem alcançar a maçaneta, o urso, com jeito, dá um pulo, gira a maçaneta e abre a porta. Lá dentro, de novo, tec, tec, me chama. Quer que eu entre?
Entro no quarto em penumbra e vejo o luar entrando pela janela. Um quarto razoavelmente amplo, com móveis bem postos.
— …Ora? Trouxe uma visita curiosa, Paula.
À voz que ouvi de repente, me espanto e olho ao redor. E, diante da janela, num sofá vermelho, estava sentada uma menina.
A idade, mais ou menos a da Yumina e da Alma. Cabelos brancos em maria-chiquinha e olhos cor de ouro. Vestido preto de babados, sapatos pretos e uma tiara preta — parece roupa gothloli. Normalmente o olhar iria pra isso, mas eu estava grudado no que se abria atrás dela.
Asas finas e semitransparentes, brilhando ao luar. Não asas de pássaro, mas asas de borboleta saíam das costas dela. Por acaso é o povo das fadas?

— E então? Quem é você?
— Ah, sou o Touya. Mochizuki Touya. Touya é o nome.
— Nasceu em Ishen?
Essa já chega, viu. Mas só consigo responder "algo parecido".
— Sei, é o tal matador de dragão de que falaram, que veio à festa de hoje?
— Matador de dragão… Bom, é. E você?
— Ah, desculpa. Atrasei a apresentação. Sou a chefe do povo das fadas, Leen. Esta aqui é a Paula.
Chefe do povo das fadas?! Esta menina?! Vendo a mim, sem voz de espanto, a Leen ri baixinho, achando graça.
— Mesmo assim, sou bem mais velha que você. O povo das fadas é longevo.
— Mais velha?! E quanto……
Por um instante achei que perguntar a idade a uma mulher é falta de educação, mas a Leen, sem se importar, ficou "hmm", pensativa.
— Quanto será…? Mais de 600, com certeza.
— Seis-cen-tos?!
— Que trabalheira, considera 612 anos.
Não, "considera" como… A menina à minha frente com mais de 600 anos…… Vale tudo, outro mundo. Com essa idade, ser chefe do povo das fadas até faz sentido.
— O povo das fadas cresce devagar?
— …Não. O povo das fadas para de crescer a certa idade. Em geral, no que pra humano seria a aparência do fim da adolescência ao início dos vinte; no meu caso, parei de crescer cedo.
Bico, e murmura, emburrada. Pelo visto está insatisfeita com o corpo que não cresce. Embora a aparência não difira da Yumina e tal.
Como quem a consola, a Paula afaga a cabeça dela, "pronto, pronto".
— Aliás, essa Paula… por acaso é besta de invocação?
— Não. É um urso de pelúcia genuíno. Ele se mexe porque a minha magia de nulo [Program] está agindo.
— [Program]?
[Program]? Aquela, de computador? Não me diga que este urso é um robô?
— A magia de nulo [Program] permite inserir certas instruções num objeto inanimado e fazê-lo se mover. Tipo… por exemplo……
Tec-tec-tec, ela traz até a minha frente uma cadeira que estava no canto. A Leen estende a mão, concentra a energia mágica, e sob a cadeira surge um círculo mágico.
— Iniciar programa — / Mover: dois metros à frente — / Condição de ativação: ao alguém se sentar — / Encerrar programa.
O círculo sob a cadeira some. E, quando a Leen se senta nela, a cadeira avança devagar; depois de uns dois metros, para.
— Esqueci de indicar a velocidade. Bom, dá pra embutir instruções por magia assim.
Saquei. De fato, dá pra chamar de "[Program]". Só faz o que se insere, mas dá pra automatizar um objeto. Será que é absurdamente útil?!
— Com isso, embutindo um "voe" na Paula, ela voa?
— Isso não dá. Não tem tanto poder. O [Program] só faz movimentos simples. Mas mover as asas de um modelo de pássaro e fazê-lo voar, isso dá.
Sei, sei. Tem limite. Ainda assim, é útil, essa magia.
— Deixa eu também tentar.
— Hã?
Concentro a energia mágica na cadeira. No chão surge o círculo mágico, e o [Program] fica pronto.
— Iniciar programa — / Mover: cinco metros para trás, na velocidade de um caminhar — / Condição de ativação: ao alguém se sentar — / Encerrar programa.
Quando o círculo sob a cadeira some, me sento, de teste. E ela recua uns cinco metros, num passo um pouco mais rápido que o de antes. É, dá pra usar.
— Você… o que fez agora?
A Leen pisca os olhos e volta o olhar pra mim.
— O quê… o [Program]?
— Por que em tom de pergunta… Aliás, você também usa o [Program]?
— Ã, ah, pelo visto.
A Leen me lança um olhar desconfiado.
Fixo……
Fiiixo……
Fiiiiixo……
Fiiiiiiiixo……
…Igualzinho à Paula, isto. É o tal de "bicho de estimação puxa ao dono"? …Não é bem isso.
Logo, ela solta um suspiro e cruza os braços.
— Tenho várias perguntas, mas por ora vou deixar. …Programei a Paula pra trazer humanos que ela gostasse, e ela trouxe outro interessante. Talvez seja o melhor achado desde a Charlotte, você.
— Charlotte?
Reajo na hora ao nome conhecido. Não me diga que é aquela Charlotte-san.
— É uma das minhas discípulas. Agora está como maga da corte em Belfast, se não me engano.
Era mesmo aquela Charlotte-san. Hã, peraí… então quer dizer……
— Ah! A mestra carrasca que fazia aquele treino do inferno — usar magia até desabar, recuperar a energia à força e usar de novo até desabar!
— Hã?!
Que medo, que medo. Não me encara assim. Não fui eu que disse. Desculpa. Desculpa mesmo.
— …Bom, deixa. A Charlotte eu dou um cocão depois. Touya, o seu talento pra magia é magnífico. Fora a de nulo, que atributos você usa?
— Uso todos, mas.
— ……Já nem me espanto mais.
Por um tempo a Leen suspirou, pensativa, mas, voltando devagar os olhos dourados pra mim, bateu as duas mãos diante do próprio rosto, paf.
— ──Decidi. Você vai ser meu discípulo.
— Hã?
A menina gothloli de maria-chiquinha, balançando as asas de fada, soltou um risinho.