Capítulo 474 – O Confronto Pai e Filha, e a Reflexão sobre o Futuro
— Ei, Touya. Eu… será que devo ganhar o combate…?
— Que pergunta difícil, hein…
No caminho pro campo de treino, o Ende me pergunta baixinho.
Combate, sem dúvida, é o confronto com a Arisu, que caminha à frente cercada por todo mundo.
— Pra manter a dignidade de pai, precisa ganhar mesmo. Pai é tipo muro a ser superado, e figura que vira o primeiro objetivo pro filho, sem exagero.
— A, é isso mesmo mesmo?
— Só que sinto que isso vem com a ressalva de "se for filho homem". Também acho estranho ficar sério demais contra menina, e, ainda por cima, se, ao perder, ela falar "detesto meu pai!"…
— Não me assusta assim…! No fim, o que é melhor!?
O Ende, com cara realmente aflita, pressiona. Mesmo falando isso, também não sei, viu. Sinceramente, tenho grande chance de passar pela mesma situação, então pretendo usar o comportamento do Ende como referência. Vou recolher seus ossos, fica tranquilo.
Deixando o Ende continuar preocupado, chegamos ao campo de treino norte. Diferente do campo usado pela ordem de cavaleiros, aqui tem barreira absurdamente forte com Ki Divino aplicada. Ou seja, mesmo se descontrolar muito, tá tudo bem.
Uso pra experimento de magia, teste de tiro, e quando a irmã Moroha ou o tio Buryu mostram técnica. Também uso pra teletransportar fera mágica e fazer combate em grupo com a ordem.
E, num canto disso, tinha arena de luta elevada um degrau.
O Ende e a Arisu começam a colocar luva de dedo aberto feita de couro de fera mágica. Não dá pra socar com braçadeira, afinal.
Não tinha nada do tamanho da mão da Arisu, mas a Rinze tira ferramenta de costura e, num piscar de olhos, transforma luva comum em tamanho infantil. Espera um pouco, o que foi isso agora?
Será que se chama [Costura Rápida], não pode ser característica de linhagem da Rinze, será?
A Arisu abre e fecha a mão com a luva ajustada, confirmando a sensação.
Isso protege o punho e também reduz o dano dado ao adversário. Mesmo assim, o impacto transmitido continua igual, então, sendo atingido, dói igual. Será que tá tudo bem mesmo, isso…
Se a vovó Tokie não impedisse, deve tá tudo bem, mas…
— Certo, vamos começar então.
Pela fala da irmã Moroha, o Ende e a Arisu se movem pro centro da arena.
— Uso de magia proibido. E, se cair da arena, desqualificação. Tempo limite, cinco minutos. Se eu julgar impossível continuar o combate, termina ali. Entendido?
O Ende e a Arisu assentem levemente. Enfileirados assim, a diferença de altura é enorme, hein, será que vai ficar tudo bem mesmo. O Ende passa de 170cm, mas a Arisu não deve chegar a 120cm…
— Então, começa!
— Certo, vamos láááá!
"Don!", com força explosiva tipo foguete, a Arisu avança investindo, erguendo o punho direito.
No momento em que o Ende segura com a mão esquerda o punho disparado, dessa vez o punho esquerdo, tipo golpe ascendente, voa em direção ao queixo do Ende.
— Opa
Desviando o corpo suavemente, "su", o Ende esquiva desse golpe, e a Arisu dispara ataque seguinte. O Ende defende com precisão os ataques consecutivos bem rápidos.
— Movimento razoavelmente bom, hein.
— É. Movimento compacto e sem desperdício. Mas sinto também algo levemente franco demais.
A Yae e a Hiruda soltam esse tipo de comentário. "Franco" quer dizer que não usa finta nem nada assim?
Falo com a Eruze ao lado.
— Como mestra futura, o que acha, Eruze-san?
— Ainda não dá pra dizer nada. Talvez esteja ensinando só o básico. …Ah
— Ha!
Diante da murmuração da Eruze, volto o olhar, e a Arisu disparava, de frente pro Ende, grande bloco de "ki" sobre a palma. Aquilo é [Hakkei]?
— Ku!
Cruzando os dois braços, o Ende bloqueia, mas, empurrado pelo Hakkei, recua um passo pra trás. Mirando essa brecha, talvez, a Arisu empurra os dois braços pra frente, e dali saltam espinhos de cristal.
— [Espinho de Cristal Rosa]!
— Não pode ser!?
Em poucos segundos, alguns espinhos enrolam a perna do Ende. Cortando isso na hora com golpe de mão, o Ende salta pra trás pra evitar ser enrolado de novo, tomando distância da Arisu.
— Senhora Meru, isso agora foi…
— Sim. É meu [Espinho de Cristal Rosa]… fico surpresa.
— Sem dúvida, essa criança é filha da senhora Meru.
As mães Phrase estão admiradas, mas isso não seria falta de regra, hein? Sendo não-magia… tá ok? Se pensar que, pros Phrase, isso é tipo mãos e pés, talvez seja permitido. Já que a irmã Moroha não alertou nada, provavelmente tá ok mesmo.
O espinho de cristal puxado de volta enrola em espiral do cotovelo da Arisu pra baixo, formando na ponta do punho um punho de cristal ainda maior.
— Yaa!
— Eeh!?
Do punho direito estendido da Arisu, com o espinho ainda enrolado tipo mola, o grande punho de cristal dispara em direção ao Ende. Parece que tem mola embutida.
Já vi jogo online com personagem lutando desse jeito… aquele tipo com mola na luva de boxe que sai disparada.
— Aquilo também é aplicação do meu [Corte de Julgamento Cristalino]. Usando bem, hein.
Em contraste com meu espanto, a Meru assente levemente admirada. Será que o estilo de luta da Arisu aproveita as características da mãe?
— Ku!
O punho de cristal esquivado pelo Ende volta pra Arisu puxado pela mola. Ao mesmo tempo, dessa vez o punho oposto desenha grande arco atacando o Ende. Opa, aquilo não dá pra esquivar.
— Estilo Deus da Guerra, Ruptura Estrondosa Ressoante!
Contra o grande punho de cristal vindo, o Ende dispara golpe de palma direita.
"Pan!", com som forte, o punho de cristal se estilhaça em pedaços pequenos.
— Ainda não acabou! Estilhaça-teee!
Deslizando pra frente, "surrururu", a Arisu avança com soco reto direto ao plexo solar do Ende. Parece que traça exatamente o movimento da Eruze. Faz sentido, sendo a mestra.
Mas sinto que isso é arriscado, hein. Porque o Ende e a Eruze fazem combate quase todo dia sob o tio Buryu. O movimento do outro, já conhecem de cor.
Por isso, ler as entrelinhas ou antecipar o próximo movimento vira importante. Comparado à Eruze, o movimento da Arisu, avaliado como "franco" pela Hiruda agora há pouco…
O Ende puxa o ataque da Arisu de lado, esquivando, segurando o pulso dela, puxando com força pra baixo.
Quando a Arisu perde o equilíbrio, inclinando pra frente, rapidamente varre a perna dela, encaixa o braço esquerdo no tronco, arremessando pra cima.
— Eh? Wa!
A Arisu flutuando no ar, dando meia volta bonita, "kururi", cai de costas no chão. Tentando levantar rápido, o punho do Ende desce sobre o rosto dela. Naturalmente, o punho para antes de tocar.
— Até aí. Vencedor, Ende.
A irmã Moroha ergue a mão declarando fim do combate. Fumu. Ganhou, hein. Não, achava que o Ende ia ganhar, mas tinha padrão de perder de propósito também. Segredo que eu pensava em rir muito se ele perdesse por descuido.
— Muuu! Achei que esse pai, sendo primeira vez encontrando, ia conseguir!
— Hahaha. Que ingênua. Não posso perder pra criança de jeito nenhum.
Pra Arisu, ainda deitada no chão, chateada, o Ende responde leve assim, caminhando até cá.
— …Ei, sua cara tá crispada.
— Não, foi perigoso mesmo…! O que é essa criança!? Parece caixa de surpresa, francamente…!
O Ende murmura isso baixinho passando por mim. "O que é isso", oras, é sua filha. Talvez ainda não tenha sensação real, mas.
Diante do Ende assim, a Nei e a Rise, irmãs, o seguram firme dos dois lados.
— Eee!? O que!?
— Não dá pra ter mais tolerância com ela?
— Umu. Endimyon é falta de gentileza pra com a filha.
Assim, o Ende é arrastado feito arrastando, "zuruzuru", até o canto do campo de treino. Uwa, injusto.
A própria Arisu, sem parecer se importar, pula de volta em pé, "pyon".
— Ei ei, Majestade! Da próxima vez, enfrenta você!
— Eh?
Olhando de relance o Ende sendo sermoneado no canto do campo de treino, percebo que estou em situação perigosa. Só consigo ver futuro alinhado ao lado do Ende. Preciso evitar isso a todo custo.
— Umm, agradeço o convite, mas…
— Da próxima, eu enfrento. Tá bem, Touya?
Enquanto tento inventar desculpa pra recusar de algum jeito, a Eruze, já com luva aberta equipada, avança suavemente. Como esperado, minha esposa. Salvo.
— Professora jovem, interessante! Certo, vamos lá!
Animada, a Arisu se posiciona contra a Eruze. Que cara animada, hein. Ainda criança mesmo, afinal.
— Pequena, mas se sai bem, hein. Mas, chegando a esse ponto… não podemos ficar de braços cruzados também, Hiruda-dono.
— É. Não sendo nosso foco principal, deixamos assim, mas talvez seja hora de subir pra rank prata também.
A Yae e a Hiruda assentem uma pra outra com algo em mente.
A Yae e o pessoal têm registro na Guilda de Aventureiros, mas, não sendo trabalho principal, não fazem nada especial pra subir de rank. No meu caso, tem até pedido nominal de rank ouro, mas a Yae e o pessoal só vão de vez em quando na Ilha de Masmorra, caçando fera mágica de patrulha. Por isso, as duas continuam rank vermelho.
Se a Arisu, como disse a vovó Tokie, é rank ouro ou prata, isso significa rank acima até da Yae e do pessoal. Claro, na realidade, deve estar registrada na Guilda de Aventureiros futura, então, no presente, provavelmente sem registro.
Ou melhor, como conseguiram autorização de registro pra criança de seis anos, hein… será manobra da Mestra da Guilda Reisha-san? Mesmo sendo meritocracia entre aventureiros, isso é questionável.
Bom, se a Yae e o pessoal ficarem sérias, rank prata deve ser rápido. Basta derrotar dragão incomodando por aí. Depois, derrotando uma fera gigante, promove pra rank ouro, talvez.
Vai ficar animado com pessoal rank ouro e prata. Mas quase todos são família mesmo, hein…
Depois do combate com a Eruze (naturalmente, a Eruze venceu), a Arisu disse que queria ver a cidade abaixo do castelo da era passada, então enviamos com a família a sós. Como esperado, seguir junto seria falta de tato.
A Eruze, a Yae, a Hiruda foram pra Guilda de Aventureiros. Parece que já vão tentar subir de rank. Como não tem alvo grande em Brunhild, pesquisando, descobriram que tem dois subtipo de ciclope enlouquecidos na província montanhosa de Rōdomea. Menos impressionante que dragão, mas, por ora, envio as três com [Gate] até Rōdomea pra exterminar. Disseram que ligam quando terminar.
Pra pesquisar magia de tempo-espaço, vim até a "Biblioteca" de Babylon, contando tudo até agora pra Doutora, técnica Eruka, e Famu, gerente da "Biblioteca".
— Que coisa interessante acontecendo, hein. Mas magia que transcende tempo, hein. Mesmo eu, gênio, isso é difícil… não? Se der pro Arisu-kun que volta pro futuro carregar Porta Dimensional, criando ponto singular no espaço-tempo, dá pra fazer transporte temporal…
Deixando a Doutora que começou a pensar em voz alta, "butsubutsu", volto o olhar pra técnica Eruka à frente.
— Se não me engano, "Coroa" negro, Nowāru, também usa magia de tempo-espaço, né?
— No caso daquele, é habilidade bem limitada, sabe. Acelerar o próprio tempo, ou puxar força de outra linha temporal.
— Consegue ir pro futuro ou passado?
— Uuun, não é impossível… talvez? Mas, pra usar habilidade a ponto de retroceder tempo, deve precisar de [Preço] considerável. Bom, o [Preço] em si já é retroceder tempo, mas.
O [Preço] do Nowāru é o "tempo" do contratante. Só o corpo rejuvenesce, mantendo a memória. Só isso já seria bem invejável, mas, um erro, e retrocede até virar feto. Preço assustador mesmo.
— O Nowāru consegue sentir oscilação do tempo… ou melhor, sentir alguém atravessando o tempo?
— Sei lá… será? Se ativar habilidade constantemente, compartilhando sensação com os Nowāru futuros, talvez dê pra saber. …Não pode ser que queira fazer a Norun pagar o [Preço] pra isso, não é?
Com óculos "guruguru" deslocados, encarando com olhar desconfiado, balanço a cabeça horizontalmente com força, "bunbun".
Pra ela, a Norun é irmã. Deve ter achado que eu ia fazer a irmã fazer algo perigoso. Naturalmente, não tenho essa intenção nenhuma.
Se fosse o Nowāru, achei que talvez desse pra prever de algum jeito o período que os filhos viriam do futuro. Naturalmente, se precisasse de [Preço], ia recusar.
Vendo a Arisu, entendi que nossos filhos são razoavelmente fortes. Contra fera mágica ou monstro comum por aí, não devem perder. Mas o perigo do mundo não é só isso.
Tem também canalha que engana ou usa crianças pra tirar proveito. Traficante de escravo ainda existe.
Preocupado que se envolvam com esse tipo de gente… acho que, quando os filhos vierem do futuro, a vovó Tokie vai avisar, mas a Arisu também foi abordada por ex-aventureiro, sinceramente fico preocupado.
Deixando eu preocupado de lado, a Doutora, emergindo do mar de pensamento, pergunta.
— Aliás, qual foi a causa do terremoto dimensional? Perguntou pra Arisu-kun?
— Aa, é mesmo, não perguntei isso, hein. Bom, parece que a ocorrência do terremoto dimensional é futuro inabalável, então, mesmo perguntando, acho que não temos como fazer nada mesmo.
Justamente porque o terremoto dimensional aconteceu no futuro é que a Arisu veio ao passado, afinal.
Igual terremoto submarino gera falha no fundo do mar, causando tsunami, terremoto dimensional também deve ter alguma causa.
Antigamente, cinco mil anos atrás, o descontrole dos "Coroa" Negro e Branco que expulsou os Phrase pro interstício dimensional, "retrocedendo" a barreira do mundo.
Esse terremoto dimensional de agora também pode ser descontrole do "Coroa" negro Nowāru e do "Coroa" branco Albus.
Depois, vou perguntar direitinho. Não sei se vão contar, mas. Se não tiver relação direta com meus filhos, devem contar, talvez.
Pesquisamos um por um os livros de magia de tempo-espaço deixados pelo velho Parerius, mas não encontramos nada de novo em particular. Como esperado, difícil transcender tempo intencionalmente mesmo.
Quando os filhos vierem pra cá, seria bom se ligassem honestamente pra avisar… assim, iria buscar na hora.
Mesmo nada tendo acontecido ainda, já sinto estresse enorme. Papai, sinto que vai abrir buraco no estômago…
E assim, se passaram alguns dias desde que a Arisu chegou.
— Ter filho é bom mesmo, né, Touya.
— …Quem é você?
Fala isso com sorriso bobo, "nimaniya", numa frase que, ouvida por outra pessoa, geraria mal-entendido. O que é esse cara. Sorriso frouxo, francamente…
O Ende observa sorrindo as crianças brincando com máquina de cápsula na frente da loja da Companhia Sutorando. …Você, vai ser preso, viu?
— Aai, eu também, mesmo sendo chamado de "filha", não sentia real na hora, mas, vivendo junto, tô achando fofa, sabe. Os olhos dela quando sorri são idênticos aos da Meru. Isso, entendi o sentimento dos pais do mundo que adoram a própria filha.
— …Por isso, quem é você? Ah, entendi, impostor do Ende.
— Aai, eventualmente o Touya também vai entender. Já quero ver, hein.
— Sinto raiva, meio que.
Cara de quem "entendeu tudo" só piora a coisa. Devia esbofetear uma vez. Talvez volte à razão.
— Não te chamei pra ouvir esse tipo de assunto. E aí? Conseguiu descobrir alguma coisa?
— Ah, bom, algumas coisas.
Vivendo junto com a Arisu, o Ende e o pessoal devem ter conseguido ouvir vários assuntos do futuro dela. Quero que compartilhe essa informação conosco também. Principalmente informação dos meus próprios filhos.
— Primeiro, os filhos do Touya são nove. Um menino, o resto todas meninas, parece.
— Isso eu já sei!
— Opa!?
Ah, isso ainda não tinha explicado pro Ende, hein. Bom, tanto faz. Próximo, próximo, me dá mais informação.
— Umm, depois… o mais velho tem onze anos, o mais novo cinco anos, dizem? O primeiro já parece ser rank ouro.
Eh, nasceram nove em seis anos? Não, deve ter dois, três na mesma idade, então faz sentido mesmo, talvez…
Mas, "mais velho onze anos", isso é quase a mesma idade de quando encontrei a Yumina pela primeira vez. Quer dizer que já tem noivo, contagem regressiva pro casamento? Ai, ainda nem encontrei, mas papai já quer chorar…
Será que é esse o sentimento de pai entregando filha em casamento, hein…
— Não, parece que essa criança disse que só reconhece como parceiro de casamento alguém mais forte que ela mesma. Rank ouro ou acima não deve existir por aí facilmente, então parece que ainda não tem noivo.
— Isshaaa!
Faço gesto de vitória grande. Não sei se isso é bom como política de educação, mas, por ora, tá ok!
Mesmo pequeno, família real é família real. Nascendo princesa, opção de casamento político também surge.
Mas eu não quero escolher essa opção. Pra começo de conversa, se objetivo for evitar guerra, promover invasão, ajuda econômica, esse tipo de coisa Brunhild resolve de qualquer jeito.
Por isso, quero que minhas filhas casem por amor livre. Isso, minhas esposas também concordam.
Mas, infelizmente, infelizmente! Existe relação entre países. Existe convivência incluindo família também.
Nesse tipo de ocasião, encontrar príncipe de outro país, se apaixonar, cultivar amor, casamento precoce────esse tipo de rota também existe, afinal!
Por isso, acho que esse desenvolvimento não é ruim. Certo, vou treinar bastante a primeira filha. No limite de não ser odiado por mim.
…Opa? Isso não é decidir o futuro baseado em informação do futuro?
De fato, isso seria tipo paradoxo de não sei o quê… não, bom, melhor não pensar demais. Deve ser coisa da vovó Tokie, provavelmente. Essa contradição, deixo a cargo do deus.
Enquanto jogo o problema pra vovó Tokie dentro do coração, de repente sou tocado no ombro pelo Ende.
— Aliás. Segundo o que ouvi, parece que minha filha adora o filho do Touya, sabe. O que você acha disso?
— Eh, o quê? Meu ombro dói, viu…
— A Arisu tá dizendo que quer virar noiva desse filho, sabe. O que acha?
Opa, senhor Ende… por acaso, tá irritado? A força segurando o ombro aumenta, dói, dói, dói!
— Pensar em casamento com seis anos, como assim! Minha filha, ainda não vou dar!
— Sei lá disso! Sendo irritado por filho que ainda nem conheci, não sei mesmo! Precoce demais, oras!
Cara sentindo, agora mesmo, o sentimento de "entregar filha em casamento" tá bem na minha frente.
E, pra começo de conversa, como fica isso pro meu filho? Amor correspondido, é isso? Talvez seja tipo paixão unilateral de amiga de infância.
Ao falar isso em voz alta, quase viramos briga de verdade com o Ende.
Aai, esse pai é chato demais, francamente!