Capítulo 49 – Volta pra Casa e um Acidente.
Lyon-san e os cavaleiros de proteção vão ficar um tempo em Mismede. Pelo visto, precisam de gente de Belfast pros trâmites da aliança, senão tudo atrasa.
Alguns quiseram voltar com a gente pra proteger Yumina, mas ela cortou na hora: “Façam o trabalho de vocês”.
Na real, a gente volta num piscar de olhos com [Portal]. Se viessem junto, ia complicar.
Na despedida, dei pro Lyon-san um par de espelhinhos de carta (nomeei agora). Mesmo longe, dá pra trocar mensagens todo dia. Dei um pra Olga-san também, pra eles se falarem depois que ela voltar pra Belfast. O ânimo do Lyon-san quando pegou o espelho… Mano, fiquei até com medo.
Me despedi do rei ferino, do primeiro-ministro Glatz-san, da Olga-san e do capitão Garun-san. Quis falar tchau pra Leen e Paula, mas não tavam por aí. Pena.
Saímos do castelo, compramos lembrancinhas pros empregados e pra Suu na cidade baixa, juntamos as malas e… era só abrir o [Portal] pra Belfast.
— Desculpa, esqueci uma lembrancinha — falei pras meninas.
Me misturei na multidão, abri o mapa no smartphone e busquei as duas. Achei. No telhado à direita. Usei [Impulso] pra pular alto, corri pelos telhados e desci na frente delas.
— !? — reagiram as duas.
— Fuaa!? Ah, é o senhor~ Não assuste a gente assim~ — disse Cecil-san, com a voz arrastada.
As duas tavam de máscara branca de novo: Lapis-san e Cecil-san. Nossas maids, mas o chefe delas é o rei de Belfast, pai da Yumina.
Pelo visto, o rei forçou o Laim-san a contratá-las. Pensei que assim eu não precisava pagar salário, mas elas fazem o trabalho de maid direitinho, então deixei pra lá.
Mas os últimos dez dias de salário? Mandem a conta pro rei.
— A gente vai voltar pra Belfast com [Portal] agora. Pensei em mandar vocês duas pra casa primeiro — expliquei.
Elas já viram o [Portal], então não tem problema.
— Hoe? Pra Belfast~?
— Se formos normal, vamos chegar dez dias depois… A princesa pode desconfiar — disse Lapis-san.
— Por isso vim aqui — respondi, abrindo o [Portal].
Passamos pelo portal de luz e… já tavam na sala de estar da nossa mansão em Belfast.
— Bem-vindos de volta — disse Laim-san, que tava ali.
Ele levou um susto com a gente aparecendo do nada, mas logo se recompôs.
— Cheguei, Laim-san.
— Chegamos~.
— Desculpa, senhor… Você descobriu… — disse Lapis-san.
— Era óbvio — respondeu Laim-san, com um sorriso amargo.
A situação falava por si. Pelo menos pedi pras duas trocarem pra uniforme de maid e fingirem que tavam aqui o tempo todo. Elas foram pro quarto se trocar, e Laim-san baixou a cabeça.
— Desculpe. As duas foram ordem direta de Sua Majestade…
— Entendo o pai preocupado com a filha. Não teve prejuízo grande, então tá de boa. Deve ter sido difícil recusar pro Laim-san também — respondi.
Não ia reclamar de traição ou coisa assim. Não sou tão rígido. Se fosse algo grave ou com perda grande, aí sim, mas isso foi tranquilo. Pelo contrário, ganhamos seguranças extras. …Tá, é forçado, mas vai.
— Vou guardar segredo pras meninas e pra Yumina — prometi.
Pedi pro Laim-san fingir que era a primeira volta pra casa quando trouxesse o resto do grupo.
— Demorando, hein. Que tava fazendo? — reclamou Elsie, de bico, quando voltei.
Desculpei com uma desculpa qualquer, levei todo mundo pra um beco vazio e abri outro [Portal].
Todo mundo apareceu na sala de estar, e Laim-san, já preparado, baixou a cabeça.
— Bem-vindos de volta.
Quando respondi o segundo “cheguei” do Laim-san, a porta da sala abriu, e Lapis-san e Cecil-san apareceram de uniforme de maid.
— Bem-vindos, todos.
— Bem-vindos de volta~.
— Cheguei. Lapis-san, Cecil-san — respondi, como se nada tivesse acontecido.
Todo mundo foi pros quartos, tomar banho pra relaxar da viagem. Eu também vou depois.
Antes, distribuí as lembrancinhas.
Pro Laim-san, um alfinete de gravata e abotoaduras. Pras Lapis-san e Cecil-san, xícaras de chá de cores diferentes. Elas recusaram, mas insisti — não ia deixar só elas sem.
Pro casal Julio e Claire, chapéus de palha e um livro de receitas de Mismede. Mais um par de tigelas de casal. Pros seguranças Thomas e Huck, facas decoradas. Pra Suu, deixo pra depois.
Me joguei na cama do meu quarto, esticando o corpo. Mano, que cansaço. Mais mental que físico, por estar num lugar desconhecido. Mas, pensando bem, esse mundo todo é desconhecido pra mim.
Nessa viagem, tive várias ideias. Tipo mandar um espelho com [Portal] pra Eashen e visitar, fazer uma carroça ou carro automático com [Programa] — talvez comece com uma bicicleta, menos chamativa. Ou adicionar função de alvo automático no mapa com [Programa]. As possibilidades aumentaram.
E a Paula, o boneco automático. Quem sabe eu faço um parecido. De gato ou pinguim… Fua… Tô com sono…
…Hã? Dormi um pouco? Tô mais cansado do que pensava. Dormi de roupa, por isso o corpo tá pesado. Vou tomar banho pra relaxar.
Peguei roupa de baixo limpa e toalha do armário e desci pro banheiro no primeiro andar.
Nosso banheiro tem uma banheira pra cinco ou seis adultos. Quase uma casa de banho pública. As meninas tomam juntas às vezes, mas eu uso sozinho. Só tem eu e Laim-san de homem, e não vou dividir banho com ele.
— Um luxo só meu, né? — murmurei, animado, abrindo a porta do vestiário.
— …Hã? — deixamos escapar todos.
…Pera, na minha frente tavam Elsie, Lindsey, Yae e Yumina, todas de lingerie. Elsie e Lindsey com conjuntinhos pastéis iguais, com lacinhos — Elsie rosa, Lindsey azul. A parte de baixo era de amarrar nas laterais. Yae, como sempre, com faixas e fundoshi. Branco ofuscante. As faixas tavam frouxas, e percebi pela primeira vez: ela é a maior. Yumina com uma branca chique, com babados e rendas, também de amarrar nas laterais. Deve ser o padrão nesse mundo. …Em poucos segundos, analisei tudo isso. Usei [Acelerador] sem perceber?
— Kyaaaa!! — gritaram as quatro.
— Waaaa!! — gritei junto, por reflexo.
Droga, fiquei olhando demais!?
O soco da Elsie, com olhos marejados, veio voando. Elsie-san, isso tá com [Impulso]?
Levei um impacto na cabeça e apaguei.
— Tá, esquecemos de trancar o vestiário, culpa nossa! — admitiu Elsie.
— Mas podia ter mais cuidado, de gozaru — disse Yae.
Sentado em seiza, cercado pelas quatro, levando bronca sem parar.
— Achei que vocês já tinham saído… — me defendi.
Pelo visto, elas dormiram um pouco nos quartos também. Acordaram, correram pro banho e tavam se trocando quando entrei. Que timing ruim… Ou bom? Não sei.
— …Tá arrependido? — perguntou Lindsey, me fuzilando com os olhos.
Normalmente quieta, mas quando brava é assustadora.
— Tô! — respondi na hora.
— Eu queria que essas coisas seguissem o processo certo… — murmurou Yumina, corada.
Processo certo o quê, Yumina-san? Não fala coisa estranha com a cara vermelha. Tá, podia ter sido mais cuidadoso, e olhei demais, fato. Não tenho desculpa.
A bronca durou até meia-noite. Não preguei o olho aquela noite, óbvio. Fechava os olhos e… via tudo de novo. Doeu, mas foi um bom dia!