Capítulo 593 – O Bicho-da-Seda Arco-Íris, e o Abismo
— Consegui material raro, então trouxe de presente.
— Hoho. Isso é… interessante mesmo, hein.
Levo material do Dragão Árvore Igudorashiru de presente pro deus da arte… Kurafuto-san.
Esse material, atualmente, no mundo inteiro, só eu tenho. Achando que madeira rara deixaria o Kurafuto-san feliz. Material divino desse tipo, sem dúvida, seria mais bem aproveitado confiando a um deus mesmo.
— Bom mesmo. Duro, mas sem irregularidade, e sem nó morto. E, essa leveza. Material interessante mesmo.
O Kurafuto-san, com a foice na mão, corta em comprimento apropriado num só golpe os pedaços de madeira que entreguei, e, dali, com faca grande, molda a forma, "zakuzaku", trocando pra formão e lixa, num piscar de olhos, faz uma espada de madeira.
Em uns um minuto. Mentira, né… mais rápido que eu fazendo com [Modeling]…
O Kurafuto-san coloca de pé no toco de madeira usado pra rachar lenha, e golpeia com a espada de madeira, cortando a lenha ao meio num só golpe, "supan!".
Espera aí, cortar madeira com espada de madeira, quem consegue fazer isso além da irmã Moroha!?
— Afiei demais talvez. Pensei em fazer pra teu filho, mas, se não amolecer a lâmina, fica perigoso demais pra usar.
Não, mais que perigoso, ehm, aquelas crianças usam espada de verdade normalmente, viu?
Recebendo a espada de madeira ajustada, fico surpreso com a leveza dela. Já achava leve, mas, tomando forma assim, dá pra perceber bem a leveza comparado com espada de madeira comum.
Parece bastão de madeira e bastão de plástico. Sendo tão leve assim, sinto que, ao contrário, fica difícil de usar, mas a Furei, por exemplo, deve conseguir usar sem dificuldade…
— Então, o artefato divino tá sendo usado bem?
— É, bem… as crianças, quero dizer.
Mesmo sendo artefato divino que eu fiz, ser engraçado eu não conseguir usar.
Precisamente, não é que não consiga, e sim, não posso usar.
Sendo eu, subordinado do deus supremo do mundo, usar artefato divino, sem dúvida, daria "grande influência" a este mundo.
Artefato divino tipo instrumento musical do irmão Sōsuke, ou smartphone, não tem problema, mas, sendo arma, é diferente. Ah, usar a arpa-arco tipo instrumento musical não deve ter problema. Não sei tocar harpa, mas.
— Depois de derrotar os apóstolos do deus maligno… e o resíduo do deus caído, pretendo colocar no [Storage], selando.
— Isso é bom mesmo. Se colocar no depósito de tesouros do mundo dos deuses, depois, quando precisar de novo, seria difícil de procurar. E ainda, existe possibilidade de precisar usar artefato divino de novo em algum momento.
Existem vários tipos de deuses. Entre eles, tem alguns incômodos. Tipo deus subordinado ou deus caído que fugiram pra este mundo.
Ou seja, quer dizer que não é impossível entrar em conflito com esses aí. Luta entre deuses, isso não tem graça nenhuma, francamente…
— Tem bastante deus que gosta de luta, afinal. Deus da guerra, deus da luta… o tio Buryū também é um deles, mas, no caso dele, foca mais em aprimorar si mesmo, então ainda é melhor. Ultimamente, parece que passou a gostar de ver o crescimento dos discípulos.
Ouvindo essa história, parece que até o tio Buryū, deus da guerra, na juventude, buscava a arte marcial sem se importar com nada ao redor. Dizem que, ao longo de centenas de milhões de anos, foi se suavizando.
Até pessoa, ou melhor, até deus tem história, hein. Sensação assim.
Só pra Furei ser presente, seria injusto, então também peço espada de madeira pra Yakumo, e figura entalhada de animal de madeira pras outras crianças. Naturalmente, paguei o preço, viu.
Preço foi levemente alto, mas, pensando que é obra divina por esse preço, deve ser barato… deveria.
Por ora, agradecendo o Kurafuto-san, levando o presente feito, volto pra Brunhild.
Andando pelo corredor do castelo, encontro justo com a Hiruda, e pensava em pedir pra entregar espada de madeira pra Furei, mas ela recusa.
— Sendo presente especial, entregue você mesmo com as próprias mãos.
Faz todo sentido mesmo.
Indo até o campo de treinamento com a Hiruda, a Yakumo e a Furei tavam justo ali, então entrego pras duas a espada de madeira.
— Wa! Que leve, viu! Fácil de balançar, viu!
— Muito obrigada, Otou-sama.
As duas, recebendo espada de madeira, começam animadas a treinar swing na hora, mas, como esperado, o que é arma dá vontade de usar assim que se tem na mão.
A Yakumo e a Furei acabam começando batalha simulada com a espada de madeira. Bom, vendo que ficaram contentes, já é o suficiente. Som do combate, "dogya!" ou "guwashi!", som impossível de espada de madeira comum, vamos ignorar por ora…
O resto tava na sala de estar, então, indo até lá, exceto a Sutefu, a Rinne, e a Yoshino, três, as outras crianças, e a Rīn, a Rinze, e a Yumina relaxavam bebendo chá.
Quando tiro o presente do Kurafuto-san, as crianças pegam cada uma o animal entalhado favorito.
A Kūn escolhe urso, a Āshia escolhe cachorro, a Eruna escolhe passarinho pequeno, e o Kuon não escolhe.
— Pra mim, tá bom esperar até a Sutefu e o pessoal voltarem.
— Digno! O Kuon é irmão mais velho maravilhoso mesmo!
O Kuon, deixando a Yumina acariciar sua cabeça sem parar, sorri com expressão levemente resignada, feito já desistindo.
— O Kuon dá bastante trabalho, hein…
— No futuro, a Yumina-okā-sama não é tão intensa assim até esse ponto, sabe…
Diante do meu murmúrio, a Kūn responde com sorriso contraído.
Bom, a Yumina atual, deve estar assim porque o desejo (?) realizou-se, dando à luz o herdeiro de Brunhild, com esse fato somando.
Depois de mais uns seis anos desde o nascimento, como esperado, a Yumina do futuro também deve se acalmar mesmo.
— Cheguei!
De repente, na sala de estar, aparecem a Sutefu, a Rinne, e a Yoshino. O Gōrudo também junto, é.
Parece que teletransportaram com [Teleport] da Yoshino. Sempre digo pra tomar cuidado com o local de aparição pra não assustar as pessoas…
— Otou-sama, toma isso! Achei na floresta oeste! Presente!
Feito impedindo minha pequena bronca à Yoshino, a Sutefu estende, "nyu", pequena caixa de madeira.
Presente? Floresta oeste, é a floresta a oeste do castelo. Parece que as três foram brincar naquela floresta.
Ao redor de Brunhild, quase não tem fera mágica forte, mas aparece cachorro selvagem e lobo. Por isso, gostaria que não passeassem por conta própria assim… bom, não acho que cachorro selvagem ou lobo consigam fazer algo com essas crianças, mas.
Mas tem exemplo tipo espécie extinta que o Kuon e a Arisu encontraram… se não me engano, era chamado Marukoshiasu. Existindo aquele exemplo, talvez esteja pensando demais, mas queria que ficassem pelo menos um pouco alertas.
Bom, tanto faz.
— Presente… quer dizer, o que é isso, afinal?
— Abre, abre!
Sem dúvida nenhuma diante da Sutefu apressando, abro a tampa da caixa pequena.
— Hii!?
Vendo o que tava dentro, sem perceber, minha mão escorrega. A caixa pequena cai em cima do tapete, e o conteúdo rasteja saindo, "mozomozo", de embaixo da caixa.
— «Kyaaaaa!?»
— Ara
Quem grita em uníssono é a Rinze e a Yumina. Quem não se assusta tanto assim é a Rīn.
O que rasteja saindo de embaixo da caixa é inseto. Três lagartas. Razoavelmente grande. Mais de dez centímetros. Lagarta brilhando tipo arco-íris se contorce, "uneune", aos pés.
— I, i, isso é…?
— Bonito, né! A Sutefu capturou!
Bonito…? Não, a cor, sim! Mas, mais que a cor, é lagarta! Lagarta!
— Meu marido tinha dificuldade com inseto?
— Não é bem "dificuldade", mas, sendo de repente, então…!
Eu não sou de detestar inseto tanto assim. Não gosto especialmente, mas. Besouro rinoceronte ou cigarra, ainda consigo tocar, mas lagarta, sinto resistência levemente. …Desculpa, mentira. Sinto bastante resistência.
Se for inseto com casca dura, ainda dá pra aguentar, mas lagarta desse tipo, sou bem fraco mesmo.
Mesmo aquele "G", conseguem esmagar com chinelo, "paan!", sabe…
Soltando suspiro, a Rinne fala com a Sutefu.
— Olha, viu. Por mais bonita que seja a cor, todo mundo detesta inseto mesmo, Sutefu.
— Eee…? Mas é bonita, viu… papai também não gosta?
— Não é que não goste, mais tipo tenho dificuldade, ou algo assim…
Enquanto escolho palavra pra não magoar a Sutefu, que trouxe de presente com tanto esforço, a Rīn, agachando, "shagami", pega a lagarta com a mão, colocando de volta na caixinha.
Como consegue segurar com a mão nua assim, francamente… pra raça fada vivendo na floresta, inseto talvez seja existência cotidiana comum mesmo, mas.
— …Sem dúvida. Isso é bicho-da-seda arco-íris mesmo.
— Bicho-da-seda arco-íris?
Bicho-da-seda? Essa lagarta? Não, sendo bicho-da-seda ou o que for, lagarta é lagarta, então dificuldade é dificuldade mesmo, mas.
— Bicho-da-seda arco-íris é bicho-da-seda que gera seda linda com brilho vistoso arco-íris. Seda tecida com esse fio, dizem que era muito apreciada pela realeza e nobreza.
— Hee… "dizem que era"?
— Isso mesmo. Dizem que se extinguiu há uns dois mil anos. Ouvi isso do ancião da vila quando criança.
Espécie extinta…? Não pode ser, será…!
— Provavelmente, deve ter vindo junto pra esta era com a espécie extinta que o Kuon e o pessoal derrotaram antes. Atravessando o buraco dimensional, veio parar aqui. Fufu, isso é literalmente sorte inesperada mesmo. Muito bem feito, Sutefu.
— Fui elogiada!
Quando a Rīn acaricia gentilmente a cabeça da Sutefu, ela mostra sorriso radiante de alegria, "nipa!".
Conforme a história da Rīn, o bicho-da-seda arco-íris, uns dois mil anos atrás, parece que certo país criava monopolizado, mas, por algum experimento, foi completamente extinto.
Antigamente, o bicho-da-seda arco-íris vivia selvagem também, mas, criado por humanos, parece que foi enfraquecendo a força vital aos poucos.
Se não me engano, bicho-da-seda também é inseto domesticado, sem conseguir mais viver na natureza, né.
— Esse bicho-da-seda arco-íris é espécie selvagem, não domesticada. Melhorando isso, o tecido, sem dúvida, deve virar especialidade de Brunhild. Sinceramente, achava que não faziam nada de bom, mas até apóstolo do deus maligno tem hora de ser útil, hein.
A Rīn ri, "niyari". Especialidade, hein… bom, isso é grato, mas… criar, isso…?
— Tá tudo bem. Não vou pedir pro meu marido cuidar disso, não. Deixa eu ver, vou pedir pra Furōra, do "Prédio de Alquimia", fazer melhoramento de espécie. Primeiro, precisa aumentar a quantidade mesmo. Depois disso…
A Rīn parece bem animada com a indústria de seda do bicho-da-seda arco-íris. Como se percebe pela roupa dela, é bem elegante mesmo.
Costura, a Rinze é melhor, mas, design, a Rīn também costuma opinar bastante. Não deve deixar passar chance de conseguir tecido de altíssima qualidade mesmo.
Área de moda, será que dá pra pedir cooperação também ao Zanakku-san, do "Rei da Moda Zanakku"?
Mas, o departamento de casamento que criaram tá com bastante fama, recebendo pedido seguidamente de vários países… será que consigo pedir ajuda, hein.
Sendo comerciante, não acho que perderia chance de negócio, então acho que deve tá tudo bem.
— Como direi… no futuro, a indústria de sericultura de Brunhild é bem famosa, mas nunca imaginei que a origem fosse a Sutefu, francamente…
O Kuon murmura isso escapando pequeno suspiro. Entendi. Esse negócio deve fazer grande sucesso mesmo. Já meio que sabia disso, mas.
— Mas, como sobreviveu, hein…? Se fosse inseto comum, não teria sido comido por pássaro e afins?
— O bicho-da-seda arco-íris, apesar da aparência, é tipo de fera mágica. Tem magia selvagem de impedimento de reconhecimento, então não é fácil de encontrar por pássaro ou fera.
— Eh? Esse aí não é inseto comum, não? Não tem perigo?
— Segundo o que ouvi contar, não tem veneno, e não deve ter perigo especial. É só magia difícil de encontrar mesmo.
Explicando isso a Rīn, mas, como conseguiu encontrar tão bem assim, francamente…
— Nossos filhos, será que impedimento de reconhecimento de mero inseto teria efeito?
— Pensando assim, de fato, faz sentido mesmo…
Nossos filhos, resumindo, têm "intuição" aguçada. Intuição vaga tipo "parece que é por aqui", "provavelmente isso", é aguçada mesmo. Será que isso também é constituição de semideus, hein? Por que eu não tenho, hein? Será porque não sou raça divina de nascença?
— De qualquer forma, amanhã mesmo, vamos até a floresta oeste de novo. Talvez tenha mais algum outro bicho-da-seda arco-íris. Talvez até tenha casulo em estado de crisálida também.
A Rīn tá animada demais, "wakuteka". Raro isso acontecer fora de assunto de magia mesmo. Igual a Kūn animada com item mágico. São mãe e filha mesmo, hein.
— Ei! As irmãs tão com algo fofo aí! O que é isso!?
— É presente do papai. Também tem da Sutefu. Qual você quer?
A Sutefu, percebendo esperta a figura entalhada de animal de madeira, avança em direção ao resto colocado na mesa.
De relance, buscando com o smartphone a floresta oeste, parece que ainda tem várias dezenas de bicho-da-seda arco-íris.
Como imaginei, o buraco dimensional parece que suga coisa ao redor, cuspindo do passado pro futuro.
Não pode ser, será que folha ou galho caído por aqui também é espécie extinta do passado? Não dá pra distinguir diferença, sem conseguir julgar, mas.
Contando o resultado da busca pra Rīn, ela mostra sorriso bem satisfeito. Comparado com o Doutor Babylon e o pessoal, ainda um pouco diferente, mas a Rīn também é bem tipo pesquisadora, hein… essa característica deve ter sido herdada pela Kūn mesmo…
No dia seguinte, saindo pra explorar a floresta oeste, logo encontramos umas dez e poucas unidades de bicho-da-seda arco-íris, e alguns casulos arco-íris pendurados no galho de árvore.
Comparado com o esperado, o casulo tá maior. Bicho-da-seda arco-íris será tipo que solta bastante fio, hein.
Por ora, buscando com [Search], recolhendo tudo sem sobrar nada, confiando à Furōra do "Prédio de Alquimia", em só algumas horas, ela já tinha fiando o fio do casulo.
E, dessa vez, a Rozetta, da "Oficina", também em só algumas horas, tinha tecido isso num pedaço de tecido. Que ajuda grande, mas sinto algo indigesto, por que será, hein.
O tecido feito do casulo do bicho-da-seda arco-íris tinha textura mais suave que seda comum, e brilho vistoso lindo, textura verdadeiramente de altíssima qualidade.
E ainda por cima, passando mana, muda de cor, né. Conforme a força da mana passada, vira várias cores diferentes. Não precisa de mana tão grande assim, então acho que até povo comum consegue usar normalmente. Só que, será que vira preço acessível pro povo comum, pensando nisso, olhando pro Zanakku-san, chorando lágrima gorda, "poroporo", diante dos olhos, penso que deve ser impossível.
— Isso é…! Aquela lendária seda de bicho-da-seda arco-íris, Arukobarēno…! Não pode ser, será que vou conseguir ver isso com meus próprios olhos…! De verdade, ainda bem que segui Vossa Excelência…! Obrigado, obrigado mesmo…!
Fui reverenciado. Nunca imaginei que fosse tanto assim.
A seda de bicho-da-seda arco-íris, Arukobarēno, só ligeiramente registrada em livro antigo, sabendo que existiu, mas o objeto real já não existe mais neste mundo, virando tecido lendário.
Primeiro, o bicho-da-seda arco-íris que gera isso já tá extinto. Faz sentido virar lenda mesmo.
Pro pessoal ligado à moda, deve ser literalmente tecido lendário mesmo.
— Achava que talvez restasse pelo menos um com magia de preservação aplicada, no entanto…
— O Arukobarēno tem característica de magia refletora, repelindo aplicação de magia de preservação. Por isso, por mais cuidado que se tenha, mantendo e preservando, não dura dois mil anos.
Explicação assim vem da Rīn, que veio junto com o "Rei da Moda Zanakku". Entendi, foi por isso que virou tecido lendário mesmo.
— Oo, de verdade, muda de cor pela mana mesmo!
Passando mana na seda Arukobarēno na mão, o Zanakku-san solta voz de júbilo vendo mudar de cor. Sendo que magia é repelido, mas mana não é repelida, então até o Zanakku-san consegue mudar de cor na hora.
— Bonito, né? Roupa feita desse tecido, dá pra mudar de cor conforme o humor daquele momento. Mesmo se alguém estiver usando vestido parecido em festa, dá pra mudar de impressão na hora. É essa beleza mesmo… mesmo sem passar mana, com certeza a nobreza feminina vai se render.
— Sim, sim! Como tecido de altíssima qualidade, isso vai vender com certeza! Isso vai virar empreendimento nacional?
— Espero que um dia vire isso, mas, por enquanto, não temos quantidade suficiente ainda, então é levemente impossível. O tecido, preparamos nós, então queria pedir pra essa loja fazer vestido apropriado pra apresentar isso.
— Obrigado! Vou me dedicar com toda sinceridade!
A Rīn e o Zanakku-san entram em negociação séria, e eu já tô fora disso. De vez em quando, a Rīn pergunta se não tem vestido desse tipo, e eu busco no smartphone vestido conforme a condição, enviando pro smartphone da Rīn.
Bom, esse tipo de coisa, é melhor gente leiga não meter o bedelho mesmo.
Ficando sem ter o que fazer, direciono o olhar pra fora da janela, e, de repente, atravessando essa janela, garota semi-transparente envolta em fosforescência jade salta pra dentro.
『Grave, grave! Rei dos Espíritos, é grave!』
Quem salta gritando isso é a grande espírita, Eariaru. Grande espírita do vento, também contratada com a Rinze.
Conforme se percebe pelo fato de ter atravessado a janela, sendo corpo espiritual, tanto eu quanto minha subordinada, a Rīn, conseguimos ver, mas o Zanakku-san e o pessoal da loja não conseguem ver a existência dela. Provavelmente, nem a voz deve alcançar.
— ? O que foi?
— Não, nada não.
— Ah, eu vou pro banheiro rapidinho.
Levantando do assento, dirijo-me pro banheiro dentro da loja. Percebendo, a Eariaru me segue obedientemente. Fechando a porta, "batan", solto voz pequena, junto com suspiro.
— Então? O que é grave, afinal?
— Uhum, tava conversando com todo mundo depois de muito tempo no mundo dos espíritos, mas o Rei dos Espíritos, que fez a árvore sagrada, sentiu anomalia. Diz que sente redemoinho sinistro na direção norte.
— Redemoinho sinistro?
A árvore sagrada que eu e o tio Kōsuke, deus da agricultura, fizemos pra purificar o veneno divino-demoníaco espalhado por todo Aizengarudo.
A árvore sagrada é árvore sagrada com efeito de purificação onde habita espírito, ainda jovem agora, mas, eventualmente, dizem que ganha figura tipo espírito comum, virando "espírito da árvore sagrada".
Essa árvore sagrada tá sentindo anomalia?
A árvore sagrada fica dentro da floresta localizada quase no centro de Aizengarudo. Dali, ao norte…? O país mais próximo seria o Reino Militar de Rāze, cruzando o mar, mas…
— Aconteceu algo no Reino Militar de Rāze?
Recentemente, lutamos contra apóstolo do deus maligno no Reino Militar de Rāze. Essa influência, será algo…
『Não é isso. Parece que é mesmo continente, então mais ao sul dali. Os espíritos dizem que, depois dali, fica difícil respirar, sem conseguir avançar. Sensação de que até o poder de purificação da árvore sagrada tá sendo sugado. Feito abismo mesmo…』
O poder da árvore sagrada tá sendo sugado, e até os espíritos ficam com medo, sem se aproximar…
Logo, tenho estalo. Poder do apóstolo do deus maligno, não, será que os espíritos tão com medo do poder do ex-deus, deus da corrosão?
Isso é, nove em dez, aqueles aí devem tá em Aizengarudo mesmo. Pelo menos, o Gorudo, portando o poder do deus da corrosão.
Mesmo assim, abismo, hein…
『Quando lutar contra monstro, cuide pra você mesmo não virar monstro. Na hora de olhar pro abismo, o abismo também tá olhando pra você』
Seria do Nietzsche, será? Já virei deus há muito tempo, então já é tarde demais pra mim. Mesmo assim, pelo menos, o coração, pretendo manter como humano.
Pensando esse tipo de coisa inútil, com sorriso contraído, volto até onde tá a Rīn e o pessoal.