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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 79

O Onsen e o Voyeur

Capítulo 79 – O Onsen e o Voyeur

— Pois é, ultimamente o movimento tá ruim. O número de clientes caiu. O meu pai tá tentando animar a cidade com o shogi, mas a divulgação não engrena muito.

Depois de um tempo sem aparecer, fui à "Lua de Prata", em Reflet, e ouvi isso da Mika-san. Eu andava sem dar as caras, mas era essa a situação.

Pra uma pousada lucrar, os clientes precisam se hospedar. E, pra isso, é preciso haver um motivo pra ficar nesta cidade. Reflet em si tem alguma especialidade, ponto turístico…? Não tem, né.

Se houvesse umas águas termais, aí já seria diferente, né.

…Cavo? Não, não, não é zona vulcânica, então não tem como sair água termal.

— Será que só com algum evento mesmo… Tipo um festival…

— Festival? Festival de quê?

— De quê… assim de cara não me ocorre. No país onde eu morava tinha festival da neve, festival de Tanabata, sei lá.

— Por aqui quase não neva, e o que é "Tanabata"?

Não dá, né. E, mesmo lotando num festival, é uma coisa temporária. Uma vez por ano, vir um monte de cliente só naquele período, e no resto ficar às moscas…

Pra atrair cliente o tempo todo, no fim só resta criar algo que só exista aqui. No fim, águas termais seriam o melhor, mas… só de a pousada ter águas termais, já atrai gente. Será que eu ferveria água com magia e faço umas termas artificiais? Mas eu não posso ficar fervendo todo dia, e não teria propriedade terapêutica nenhuma. Aliás, assim seria só um banho grandão. Algum outro jeito…? Hã?

— …Dá. Águas termais.

— Hã?

É, dá. E de um jeito bem simples. É só puxar a água quente de um lugar que tenha águas termais com a [Gate], deixar correr e devolver a água que escoa de novo pela [Gate]; sem problema.

— Dá pra fazer águas termais de verdade?

— Dá, sim, provavelmente. E sem dar muito trabalho.

— Se isso for verdade, ajuda demais, mas… deixa ver, o que eu faço?

Quando a Mika-san começou a se atrapalhar, o pai dela, o Dran-san, voltou. O Dran-san se agarra à ideia de fazer águas termais e confirma os detalhes.

— Ou seja, com a sua magia, você vai ligar umas termas distantes a este lugar? Dá pra fazer uma coisa dessas?

— Sim, provavelmente. Bom, enfim, vou testar se dá.

Tiro o smartphone e busco "águas termais". Tem uma na ponta da Cordilheira de Melicia, num bosque ao sul. Pedi pra Mika-san confirmar, e ela diz que nunca ouviu falar de umas termas por ali. Uma fonte secreta, é. Perfeito.

Com a [Gate], volto uma vez pra casa, busco a Shesca e, desta vez, me teletransporto pro "Jardim". Mando rumar pra fonte secreta, o destino.

— Pensar que o mestre me arrasta até umas termas no meio do mato só pra ver o meu corpo nu… Bastava uma ordem que eu, a qualquer hora, tiro a roupa num "tcham" pro senhor.

— Não é por esse motivo. Tô dizendo, para de tentar baixar a saia!

Aplico um corte de mão na cabeça da robozinha, que a qualquer pretexto vem com assédio, e a faço se aquietar. Francamente, a cabeça dessa daí é cor-de-rosa fantasia demais.

Logo o "Jardim" chega ao destino, e eu me teletransporto pro solo. Ôo, esse cheiro. É a cara de um lugar com águas termais.

Abrindo caminho pelo mato, havia, no bosque, umas termas naturais. À vista, a água parece de boa qualidade, não muito turva. Aproximo-me e ponho a mão. Meio quente, é? Bom, melhor do que morna, e é um calor sem problema.

Olhando bem, além daqui, parece haver nascentes aqui e ali, e o volume de água também não parece ser problema.

Aqui eu instalo um cano com [Gate] imbuído, conduzo a água quente até a "Lua de Prata" e, de novo pela [Gate], faço voltar pro cano daqui. Ou seja, encaixo a "Lua de Prata" no meio do fluxo das termas.

Primeiro tiro do [Storage] uns blocos de mithril (porque ferro, achei que ia enferrujar) e faço alguns canos de uns 10 centímetros de diâmetro e 30 de comprimento. Vou instalando esses canos em algumas das nascentes. Com [Modeling], fixei tudo por completo, pra não ser levado pela corrente.

— Beleza, com isto a preparação tá OK.

Então volto pra Reflet de [Gate]… opa, essa não! Esqueci da Shesca! Se eu a deixar pra trás de novo, sabe-se lá o que vou ouvir.

Aliviado por ter me lembrado, me teletransporto de [Gate] pro "Jardim", onde a Shesca espera.

Saio no quintal da "Lua de Prata" e, com magia de terra, faço uma canaleta de uns 30 centímetros de profundidade. Um metro de comprimento deve dar. Reforço a volta com pedra pra água não ficar turva.

Tiro um bloco de mithril do [Storage] e faço aquela clássica estátua de cabeça de leão de boca aberta, instalando-a sobre uma ponta da canaleta. Se eu imbuir a [Gate] assim, a água quente já sai jorrando, né…

Com [Program], fiz pra abrir e fechar a [Gate] pelas palavras-chave "abrir" e "fechar". Deixo em "fechar" por ora e enterro um cano de mithril na parte de cima da canaleta, do lado oposto. A água que passar por este cano volta de novo pro cano da fonte secreta. É esse o mecanismo.

— Acho que com isto tá tudo certo.

Sob o olhar do Dran-san e da Mika-san, toco a cabeça da estátua de leão e, no instante em que entoo "abrir", da boca dela jorra água quente, "dabababá".

— Ôo?!

— Saiu água quente!

Logo a água que saía da boca do leão vai enchendo a canaleta e para ao atingir a altura do cano do lado oposto. A água deve estar escoando pro cano de drenagem e voltando pra fonte secreta.

Fico descalço e enfio o pé na água quente. É, parece um pouco quente, mas deve dar.

— Olha… isso é impressionante…

— Mas, mesmo saindo água termal, a gente não tem terreno pra fazer um banho ao ar livre, viu?

O Dran-san fitava a água correndo, pasmo, e a Mika-san franzia a cara pro problema prático. Quanto a isso, eu já vinha pensando faz tempo.

— Aquela casa grande dos fundos está desocupada, se não me engano, né?

— Está… mas o que você vai fazer?

— Vamos comprar.

— Hã?! — os dois.

É, é o jeito mais rápido. Por ora, fui à imobiliária e confirmei por quanto a casa dos fundos estava à venda; eram oito moedas de platina, então paguei à vista. Quando vendi os cacos do Golem de Mithril, só com aquilo deu uma quantia absurda, então, por enquanto, não passo aperto de dinheiro, e aquela casa também tem a sua utilidade.

Assino o contrato e, depois de comprar oficialmente, volto pra "Lua de Prata" com ele.

— Você comprou mesmo?!

— Bom, vamos fazer tudo de uma vez então~.

De canto de olho pra Mika-san, que soltou uma voz exasperada, primeiro ativo uma [Gate] no chão e teletransporto a "casa inteira" dos fundos pro "Jardim Suspenso". "Tonnn", a casa afunda no chão e some num piscar de olhos.

— Uéh?! — os dois.

Ignorando os dois, espantados, vou apagando do mesmo jeito, em seguida, o muro que dividia da "Lua de Prata".

Com magia de terra, vou moldando, grosso modo, o formato da área de banho. Dá pra fazer bem espaçoso. Depois, com [Modeling], vou ajustando os detalhes.

— Ah, e o banho masculino e o feminino, como faço? Separo por completo?

— Hã? Ah, é, separa, por favor.

— En-ten-di.

Divido a área de banho por completo e faço duas. Cerco a volta com paredes de rocha, faço as áreas de lavar com lajota de pedra, o teto e as colunas de hinoki, e separo o banho masculino do feminino com um muro de hinoki também. E ainda, no topo do muro, imbuo um [Paralyze]. Castigo divino pros voyeurs.

Faço um pequeno vestiário em cada lado, ponho noren e, por ora, a aparência externa está pronta.

Por fim, "programei" o [Mirage] no teto do banho ao ar livre, pra bloquear por completo a visão de cima.

Acabou virando um rotenburo totalmente à japonesa, mas ficou bem bom, não é? É.

Satisfeito com o meu trabalho, eu assentia sozinho, "uhum, uhum", quando, no canto da visão, apareceram a Mika-san e o Dran-san de boca aberta.

— Olha… já cansei de me espantar…

— Fez num piscar de olhos, hein…

Hmm, peguei um pouco pesado, é. Foi ficando divertido e eu fui fazendo cada vez mais. Acabei fazendo até bacia e banquinho.

— Aliás, a gente pode usar este banho ao ar livre no negócio? O terreno e o próprio banho são seus, não?

— Empresto por tempo indeterminado. E, se vocês lucrarem usando aqui, podem comprar de mim quando der. São oito moedas de platina, mas.

Mostro a escritura do terreno e indico o valor que paguei. A casa sumiu, mas, em troca, surgiram as águas termais, então, no saldo, fica zero a zero — que tal.

— Hmm… nada mau. Além do faturamento da pousada, dá pra ter o faturamento só do banho também. Então, agradecido, vou usar.

— A propriedade destas termas não funciona contra doença, mas, contra anomalias do corpo, é bem eficaz, viu. Vista ruim, dor nas costas, sequela de veneno e tal, ficando de molho, com o tempo se curam.

— Tem um efeito desses?

Pode crer. Afinal, eu "programei" o [Recovery]. Como curar de uma vez ia dar alvoroço, fiz pra ele se dissolver aos poucos na água e agir devagar.

Por ora, um teste de funcionamento. Banho masculino e feminino, "abro" os dois e vou enchendo de água. Nesse meio-tempo, a Mika-san e o Dran-san chamaram uns conhecidos, dizendo que hoje era de graça.

No banho masculino, além do Dran-san, vieram o dono da "Armas Urso-Oito", o Baral-san, o Simon-san da loja de utensílios, o Zanack-san da "Fashion King Zanack" e por aí. Aliás, a taxa de tiozão no banho masculino tá alta demais!

Enquanto eu pensava nisso, de molho nas termas, o Dran-san e o Baral-san levaram um banco comprido pra ponta da área de lavar e começaram a jogar shogi. Não precisa jogar até aqui.

No banho feminino, além da Mika-san, estavam a Ael-san da cafeteria "Parent" e as funcionárias dela, e também a nossa Shesca. "Sendo robozinha, dá pra ficar de molho na água?", pensei, mas, conhecendo aquela doutora tarada, ela não ia falhar nesse tipo de coisa.

— Mestre, quer que eu lave as suas costas?

— Para de falar besteira e toma banho quietinha!

Grito por cima do muro. Até onde vai o cor-de-rosa da cabeça daquela criatura!

— Ora, ora, sem cerimônia.

— P-pera, Shesca-chan! Por que você tá subindo no muro?!

— Fgú?!

Mal ouvi a voz da Mika-san chamando a maluca pra parar, e, logo depois, do banho feminino vieram a voz abafada da Shesca e um som de algo caindo. Então funciona nela também, o [Paralyze]. Ela disse que usa componentes biológicos, né.

— Como veem, tentar subir no muro pra espiar dá numa coisa dolorida, então tomem cuidado.

Diante da minha explicação, os tiozões do banho masculino esboçaram um sorriso amarelo e todos assentiram, obedientes. Embora eu não esperasse que o primeiro safado a aparecer saísse do banho feminino.

Bom, com o elemento de preocupação removido, dali em diante consegui ficar de molho na água com calma. Aah, que banho bom.

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