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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 89

A Livraria e o Encontro com a Autora

Capítulo 89 – A Livraria e o Encontro com a Autora

A capital de Refreese, a Capital Imperial Bern. A marca registrada desta cidade, no fim, se resume a uma palavra: "branca". O casario, simplesmente, é branco. Das paredes dos prédios ao calçamento, às escadarias, tudo branco. É aquilo, tipo as ilhas gregas de Míconos ou Santorini.

Como uma cidade portuária voltada pro mar, no centro do casario se vê o castelo de Refreese, mais branco que tudo. O azul do mar e o branco das construções faziam uma capital belíssima. Só que o reflexo do sol era ofuscante demais, daria pra querer um óculos escuro.

Bom, hoje não vim a passeio, então sigo direto pra livraria. Como já tinha vindo uma vez, antes de abrir o "Tsukuyomi", cheguei à livraria sem me perder.

Abro a porta pesada e entro. Tem desde livro antigo até livro novo, é uma livraria de bom tamanho. No balcão estava sentada uma única mulher de cabelo preto. Eca, é mulher, é. Não que, mesmo sendo homem, comprar esse tipo de livro não dê constrangimento.

Bom, tanto faz. Vou pedir pra essa atendente juntar tudo de uma vez.

— Com licença, estou procurando uns livros.

— Sim. Se me disser os títulos, eu procuro.

— São estes aqui.

Tiro o papel do bolso e entrego à atendente do balcão.

— Hmm, "A Ordem dos Cavaleiros da Rosa", "O Segredo do Mordomo"…

Aos poucos a voz da atendente foi ficando baixinha, e ela começou a me lançar olhares de relance. Não fez cara feia, mas tem aquele mesmo olhar das mulheres que me confiaram esta lista no "Tsukuyomi". Brilhando. Faiscando.

Ué? Será — não, sem "será" — que ela acha que eu sou "esse tipo de pessoa"?

— Ééé, é o seguinte. Esses livros eu estou procurando porque me encomendaram.

— …Saquei. Sim, entendi.

Pera um pouco. Entendeu o quê? Não vai interpretar do seu jeito. Não estou me justificando, isto é um fato.

— Vou juntar tudo, aguarde um instante.

Com um sorriso muito gentil, a atendente sumiu no acervo dos fundos. Aquela ali não entendeu nada, garanto.

Como ficar esperando o tempo todo na frente do balcão também é estranho, pego uma cesta e vou garimpar livros. Preciso trazer pro acervo os de gênero normal também. Do jeito que vai, o lugar vai ser tomado por aquele tipo de coisa.

Vou até a seção de histórias e ponho na cesta livros de aventura, crônicas de guerra, romances "normais", causos sobrenaturais e tal.

Quando dou uma volta e retorno ao balcão, havia uma pilha de livros. Será que ela já juntou tudo? Mas, ao que parece, a atendente e uma cliente discutiam alguma coisa.

— Sinto muito. Este é o último exemplar em estoque, e a reposição está sem previsão.

— Não pode ser…

Quase desabando, a mulher se escora no balcão. Deve ter pouco menos de vinte anos; cabelo castanho-claro vivo, preso num trançado único e seguro por uma travessa que parece cara. Cardigã e saia discretos, mas de aparência cara. Será nobre? Quando a atendente me nota, abre um sorriso.

— Ah, cliente, todos os itens que o senhor encomendou estão prontos. Vai querer este aqui também?

— Ah, sim. Junto com os outros, por favor.

Empilho os livros que estava carregando no balcão.

— Hã? Quem comprou o "Rosa-Magical" foi este aqui?

A mulher, que estava escorada no balcão, se ergue de supetão e me encara. "Rosa-Magical"? Ah, o livro "Magical Cor-de-Rosa" que estava no papel.

— O que houve, afinal?

— Pois é… O último volume de "Magical Cor-de-Rosa" que o senhor encomendou, este é o último em estoque, e essa moça também veio justamente comprar este…

Ah, é isso. Por um triz, ela perdeu a compra.

Bom, é uma pena, mas só resta a ela desistir. Eu também não posso ficar numa situação em que falta justo o último volume.

— Por favor, será que você me cede o último volume de "Rosa-Magical"?!

— Não, eu também vim comprar justamente este.

Pelo visto não desistiu; a mulher curvou a cabeça pra mim, mas eu, claro, recusei.

— Aqui é o último. Em todas as outras livrarias esgotou…

— Mesmo assim…

De repente, a mulher à minha frente fixa o olhar na pilha de livros que comprei.

— …Você comprou "A Ordem dos Cavaleiros da Rosa" também?

— Hã? Ah, mais ou menos.

Ela vai conferindo os outros títulos da pilha. Logo, quando se vira pra mim, os olhos dela estavam brilhando, igualzinho aos da atendente. Esta aqui também entendeu errado, é?

— Você tem um bom olho pra escolher, hein.

— Não. Você entendeu errado alguma coisa. Isto foi encomendado, não é o meu gosto.

— Sim, eu sei. Eu sei.

Garantido que não sabe. Para de dar esse risinho. A cliente ficou pensativa um tempo, mas logo foi até um canto do balcão e me chamou com um gesto.

— O que foi?

— Uma negociação. Se você me ceder o último volume de "Rosa-Magical", eu autografo todos os volumes de "A Ordem dos Cavaleiros da Rosa". Que tal?

— Hã?

Que história é essa? Por que isso seria moeda de troca?

— E que vantagem eu tenho com você autografando?

— É que eu sou a autora de "A Ordem dos Cavaleiros da Rosa", a Ril Rifris!

E a mulher estufou o peito, toda orgulhosa. …É bem fartinho, hein… do tamanho do da Yae… digo, deixa pra lá.

— Hã… Olha só, olha só.

— Ah, você não acreditou, né?

Lógico. Que probabilidade tem de a pessoa que você encontra numa livraria ser a autora dos livros que você comprou? E mais, eu sei dessa autora porque a Yumina me contou. Hmm, que tal eu armar uma cilada?

— Quer dizer que você é a princesa Liliel.

— Hã?

A autoproclamada autora de "A Ordem dos Cavaleiros da Rosa" fez uma cara de espanto bobo. É golpe mesmo, é.

Foi o que pensei, mas aí ela começou a escorrer suor da cara em torrentes e a abrir e fechar a boca feito peixinho dourado. Ué?

— Co-co-como, como é que você sabe disso…?! Nem o meu pai deveria saber…!

Hã, sério…? É ela mesma de verdade?

— De-descobriu a minha identidade pra quê…?! Ha! Pra me chantagear, me usar de trampolim, se aproximar do meu irmãozinho, o próximo rei, roubar a pureza dele e tomar este país pra si…!

— SUA ABESTADA!!

— Aii?!

Desci um chop com toda a força naquela cabeça apodrecida que despejava delírios. Princesa ou não, que importa! Bato de novo!

— Aii! Q-que isso?!

— Cala a boca! Se eu não tivesse ouvido a história pela Yumina, ia te ignorar por completo! Isto aqui é a princesa deste país? Este país vai sobreviver?!

— Yumina? A Yumina de Belfast?! Você, afinal, é quem…?

Com os olhos marejados, segurando a cabeça, a princesa Liliel me olha com cara de quem não entende nada. Ela devia ser mais velha que eu, mas, sei lá por quê, já tinha perdido até a vontade de usar tratamento formal com ela. Mais velha, mas por um ou dois anos, então tá, deixa pra lá.

Respiro fundo e acalmo o ânimo.

— Eu sou Mochizuki Touya. Noivo da princesa Yumina, de Belfast. Ainda não é oficial, mas.

— O quêêê?! No-noivo, noivo, aquela menina vai casar?!

Ela me observava com uma cara de espanto genuíno, mas logo os olhos começaram a fugir e ela passou a fazer aquele jeito de quem pensa em alguma coisa.

— Hã? Mas a Yumina é menina e… ué? Ééé, casamento de fachada…? O verdadeiro alvo é o rei, será…?

— NÃO É NADA DISSO!

— Aii?!

Sai de uma vez daí, vai! Aah, que saco!

Volto ao balcão e pago tudo. Ficou caro, mas, como é mais barato que a recompensa e a venda dos materiais do caranguejo, não tem problema.

Guardo tudo no [Storage] e saio levando a princesa Liliel. Lá na frente havia uma carruagem bem imponente; provavelmente os acompanhantes e a escolta dela.

Na sombra da loja, abro um [Gate] e trago a Yumina e o Kohaku.

— Quanto tempo, Lili-neesama.

— Yumina?! Hã? Quando você veio pra Refreese?!

— Foi mal. Yumina, te encarrego de explicar. Kohaku, faz a escolta. Qualquer coisa, me avisa.

— Às ordens.

Deixo a Yumina e o Kohaku e, desta vez, voo pra "Oficina". Tiro do [Storage] o último volume de "Rosa-Magical", copio, e volto correndo, num pulo, pra onde a Yumina e a outra estavam.

Entrego o livro à Liliel, que se assusta com a minha aparição repentina.

— Toma, com isto não tem mais problema, né.

— Hã, pode ser? Você não queria ele pra você…

— Eu já disse que não! Pra começar, vim comprar pro acervo da loja! Eu mesmo não tenho interesse!

— Aí é desperdício… digo, nada não.

Quando ergo a mão em posição de cutelo, a Liliel fechou a boca.

Chega, vamos voltar. Abro um [Gate] pra casa. Um passo à frente, o Kohaku salta e atravessa pro outro lado.

— Então, Lili-neesama, passe bem. Até a próxima.

— Você também, Yumina. Me chama pro casamento, viu.

Se possível, eu preferia que ela não viesse, mas, sem deixar transparecer nada disso, vesti a máscara de expressão neutra.

Atravesso o [Gate] e volto pra casa. Me jogo de qualquer jeito no sofá da sala e relaxo de vez.

— Aaah, que cansaço…

E o motivo do cansaço não ser a caçada do caranguejo é que… A Lindsey me trouxe uma água com gelo.

— Obrigado.

— …Imagina. Bom descanso.

Bebo de um gole a água que ela trouxe. Aaah, que delícia. Eu saboreava aos poucos a água gelada, mas a Lindsey, sem jeito, não saía do lugar. O que foi?

— …Então, ééé… você conseguiu os livros?

Ah, sim. Você quer ler, né. Tiro do [Storage] a colheita de hoje e empilho em cima da mesa.

— Pede pra Rosetta copiar uns exemplares de cada. Se tiver algo que você quer, é só pedir pra Rosetta multiplicar.

— Sim!

Respondendo animada, a Lindsey saiu da sala pra chamar a Rosetta. A Rosetta tem a capacidade de se teletransportar pra "Oficina", e na "Babylon" tem um [Gate] aberto pra esta casa, então minha magia não deve ser necessária.

Vou até a cozinha e, quando entrego pra Claire-san a pata do Bloody Crab que abati, ela ficou contentíssima. Hoje é panela de caranguejo.

Até lá, queria descansar um pouco. Volto pro meu quarto, me jogo na cama e fecho os olhos, e um sono gostoso me atacou na hora. Zzz.

No dia seguinte, o "Tsukuyomi" teve um movimento como nunca. Pelo visto correu a notícia, porque tinha até gente na fila antes de abrir. Os livros recém-chegados eram todos tão disputados que viravam briga, a ponto de eu ter que fazer várias cópias às pressas.

Que a loja fique mais popular é uma alegria, mas tem algo que não me conforma.

Hmm, será que, no fim, o melhor não é deixar essa loja com a Lindsey e eu abrir uma filial?

A propósito, alguns meses depois, a autora de "A Ordem dos Cavaleiros da Rosa" lançou uma nova série, parece.

A história é a de um homem com poderes onipotentes que, pra tomar um certo país, vai pondo na mira, um a um — o cavaleiro do país, a bela princesa, o irmão dela, o príncipe — e ascendendo ao poder. A Lindsey me mostrou, e a ilustração era sutilmente parecida comigo. É implicância, com certeza. Da próxima vez que eu a encontrar, vou descer um chop de "[Gravity]" naquela cabeça apodrecida. Pode se preparar.

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