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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 90

Madrugar e a Nova Manopla

Capítulo 90 – Madrugar e a Nova Manopla

De manhã, ao acordar, estava com a boca tapada. Diante de mim, o rosto da Rosetta de olhos fechados.

— Uaah?!

— Opa? Despertou, senhor?

Que isso, que isso?! Por que a Rosetta tá no meu quarto?! Aliás, por que eu tô recebendo um beijo de bom dia?!

— Registro concluído. O gene do mestre foi memorizado, senhor. A partir de agora, a propriedade da "Oficina" passa a ser transferida ao meu mestre, Mochizuki Touya, senhor.

Hã? Ah, o registro genético da "Oficina". Pensando bem, isso ainda faltava mesmo. Depois daquela correria toda, esqueci por completo. Mas, sério, será que não dá pra dar um jeito nesse método de registro? Faz mal pro coração.

Eu achei que a Rosetta ia simplesmente virar maid lá de casa, mas o que ela vestiu não foi traje de maid, e sim um macacão de trabalho. "De que fábrica você é chefe?", cheguei a pensar, mas, olha, fica bem nela.

Ultimamente ela anda fabricando não sei o quê lá na "Oficina". Segundo ela, criar coisas é justamente o valor da própria existência dela, algo assim.

Bom, nessa parte eu deixo ela livre.

— Mestre, na verdade, eu queria aço e prata, senhor…

— De novo? O que diabos você tá fabricando?

— Isso é segredo até ficar pronto, senhor.

É sempre assim. Bom, tanto faz. Dou pra Rosetta o dinheiro pra comprar aço e prata. Vendo a Rosetta receber toda contente, dá uma sensação de estar dando mesada pra criança.

— Ah, e tem visita pro senhor, viu.

— Visita?

Me troco rapidinho e vou pra sala. Quando abro a porta e entro, lá estavam o Lime-san e, sentado numa cadeira, o General Leon.

— Opa, Touya-dono. Desculpe vir logo cedo.

— A visita era o general? O que houve, tão cedo assim?

— Não, é que tenho um pedidinho.

Pedido? Que raro. O que será?

— Você deu uma arma esquisita pro meu Lion, não deu? Aquela que vira lança e vira espada.

Ah, a que eu dei quando ele meteu a porrada naqueles filhinhos idiotas de nobre.

— Tem algum problema com aquilo?

— Não, problema nenhum. É que eu também quero uma manopla daquelas.

— Hã?

— Hoje o exército e a ordem de cavaleiros vão fazer um treino conjunto. Quando eu cruzar com o meu filho, como pai eu não posso perder, ué.

Ééé, é esse o motivo? Como é que desse paizão saiu alguém como o Lion-san…

— Mas a manopla do general também não tinha algum encantamento mágico?

Quando pergunto, o general tira da cintura a manopla cor de bronze e a põe em cima da mesa.

— De fato, esta tem encantamento de magia de fogo. Mas, contra quem não seja de carne e osso, o efeito é fraco. Se der, eu queria um encantamento que aumentasse a força de destruição. E elevar a defesa também seria bom.

— Hmm…

Encantando [Gravity], dá pra aumentar a força de destruição, será… Quanto à defesa, se eu fizer de forma que vire escudo também, fica prático.

— Então vamos tentar fazer uma. Como prefere: mexo nesta aqui? Ou faço uma totalmente nova?

— Esta tem suas lembranças, sabe. Pode fazer uma nova?

— Pode deixar.

Tiro do [Storage] um bloco de mithril e vou transformando no formato de manopla. Nas partes móveis uso couro resistente de besta mágica e, fazendo o general vestir algumas vezes, ajusto o tamanho. O general parece ser destro, então o escudo é melhor na esquerda. Depois é só acrescentar o encantamento de [Gravity] e os programas.

— Por ora, deve ser isto.

— Ooh, ficou pronta!

Entrego a manopla prateada que montei. O general veste as duas e fica batendo uma na outra, tlec tlec.

— Hmm, como é de mithril mesmo, é leve.

— Vou explicar como usar; vamos nos mudar pra algum lugar.

Usando [Gate], me teletransporto pras imediações do descampado onde antes lutei contra o Bloody Crab. Aqui tem uns paredões de rocha grandes, então é o lugar ideal pra testar a potência.

— Então, primeiro. A manopla da mão esquerda vira escudo. Ativa com a palavra "[Shield On]" do portador, e pra voltar é "[Shield Off]".

— Veja. "[Shield On]". Ooh!

Reagindo à voz do general, a manopla da mão esquerda se alarga e vira um escudo de tamanho médio. Pra lutar contra espadachins e tal, deve ser útil.

— Em seguida, na hora de atacar: com a palavra "[Impact]", o peso da manopla fica 200 vezes maior por um segundo só. Conjurando na hora de golpear o alvo, o poder de ataque deve aumentar. É bem perigoso, então o melhor é não usar com gente de equipamento leve.

— 200 vezes?!

A manopla, sozinha, pesa uns 500 gramas, não chega. Eu pus 200 vezes pensando que daria mais ou menos uns 100 quilos, mas, pensando bem, talvez seja bem cruel. É como brandir um martelo de 100 quilos.

Alheio a esses meus pensamentos, o general toma posição diante de um grande paredão de rocha. Abaixa o quadril e recua a mão direita. Com um avanço relâmpago, crava o punho no paredão.

— [Impact]!

No instante em que o punho do general acerta, o paredão à frente se esfacela em pedacinhos. …Por mais que eu mesmo tenha feito, a potência é meio exagerada.

— Hmm! Boa, esta aqui! Pra encarar bestas mágicas e infantaria pesada, vai dar uma mão.

Bom, sendo o general, acho que ele não vai usar de forma errada.

— Além disso: com a palavra "[Stun Mode]" se acrescenta efeito de paralisia, e com "[Burning Mode]", o encantamento de fogo. Com "[Mode Off]" volta ao estado normal.

— Ooh, tem encantamento de fogo também? Pra mim, o "Leon, Punho de Chamas", isso é de agradecer.

O general riu, contente. Na hora já põe o "[Burning Mode]" pra envolver o punho em chamas e começa a treinar golpes no ar. Quando se deu por satisfeito, desligou o modo e ficou olhando a manopla de novo.

— Mas que coisa incrível. Quando você me mostrou a espada do Lion eu já tinha me espantado, mas, Touya-dono, você não daria um armeiro de primeira linha?

— Por enquanto, não tenho essa intenção.

Arma, se usada da forma errada, às vezes gera um resultado terrível. Fazer pra conhecidos é o ponto certo. Por isso eu nem cobro dinheiro. Quando falei isso, ele disse "isso não pode, depois te mando algo à altura do valor", então, se não for dinheiro, tudo bem, e decidi aceitar. Se for comida, eu agradeço.

Na hora ele quis ir surrar… digo, treinar o Lion-san, então me teletransportei pro campo de treinamento do palácio.

O general saiu, todo animado, batendo uma manopla na outra, à procura do filho. Lion-san, desculpa…

Como cumpri meu objetivo, eu já ia voltar quando vi um rosto conhecido num canto do campo de treinamento. Era o Will e o Neil-san. Treino de madrugada, será.

O Will avança golpeando o Neil-san, mas é desviado com facilidade e, em seguida, derrubado por uma rasteira.

— Só porque o adversário é espadachim, não foca a atenção só na espada! O ataque pode vir de qualquer lugar! Não perca o equilíbrio!

— S-sim!

Veja só. Tá se esforçando bastante. Apoio o cotovelo na cerca do campo e fico olhando a luta dos dois. Comparado a antes, os movimentos do Will melhoraram bastante. O Neil-san também parece estar treinando ele pra valer; assim, talvez ele entre mesmo pra ordem.

— Ué, Touya?

— Hm? Elsie?

A Elsie, que tinha terminado o treino do exército, vinha andando na minha direção enquanto enxugava o suor com uma toalha.

— O que houve, tão cedo assim? Você sempre se levanta lá pela hora que eu volto pra casa.

Do jeito que ela fala, parece que eu sou um maridão preguiçoso. É que vocês acordam cedo demais, oras.

— O general me tirou da cama. Pediu pra eu fazer uma arma.

— Hum.

Pra ser exato, foi a Rosetta que me acordou com um beijo, mas isso eu calo. Não preciso atrair faísca à toa.

— Ah, é mesmo, Touya. Se você vai voltar de [Gate] agora, que tal a gente ir até a "Lua de Prata"? Quero entrar nas termas!

A Elsie soltou isso de repente. Na "Lua de Prata" a gente já foi às termas várias vezes, todo mundo junto. De fato, tinha banho matinal também. Ela deve estar toda grudenta de suor; entendo o sentimento da Elsie.

— Então vamos.

— Eba!

Abro um [Gate] e saímos na frente da "Lua de Prata", na cidade de Reflet. A Elsie entra logo no estabelecimento e cumprimenta a Mika-san na recepção. Aliás, como essas termas constam como "emprestadas" por mim, a gente não paga entrada.

— Então, vou entrar, tá?

— Aproveite~.

A Elsie recebe, apressadinha, o kit de banho e a toalha no balcão e some na direção do banho feminino. Eu, por mim, como nem suei, não tenho vontade de entrar.

Fiquei um tempo conversando com a Mika-san, perguntando dos acontecimentos recentes e se não havia algum problema nas termas. O movimento de clientes parece bem bom, e a entrada do banho lucra mais que a hospedaria.

— Opa, quanto tempo.

— Ué, Zanack-san? Banho logo de manhã?

Do banho masculino, com a toalha na cabeça, surgiu o dono da "Fashion King Zanack".

— Pois é, desde que isto aqui abriu, se eu não entro de manhã e de tarde fico mal. Virei figurinha carimbada.

O Zanack-san ri à toa. Lógico que sim. Afinal, o efeito do [Recovery] está dissolvido na água. Não tem como ficar mal.

Dá uma sensação esquisita, como se eu estivesse drogando o pessoal, mas não é que eu esteja fazendo algo de errado.

— Aliás, ficou pronta mais uma roupa daquele design que você me deu. Eu, particularmente, achei que ficou bem boa.

— Veja só.

À medida que ele falava, me subiu uma certa vontade de pregar uma peça. Com a ajuda da Mika-san também, combino de fazer o Zanack-san vender essa roupa pronta. Isto promete.

— E aí, é isto?

— Isso. Presente meu.

A Elsie belisca de leve a barra da roupa que vestiu. É uma roupa vermelha de gola alta, com fendas nas laterais. O tal vestido chinês, o cheongsam. E ainda por cima curto, um cheongsam mini. Por baixo, claro, tem uma legging. Os sapatos também providenciei com um salto um pouco mais alto. A propósito, o tamanho da roupa quem mediu foi a Mika-san.

Fica bem nela mesmo. Sendo uma menina e lutadora marcial, fica ainda melhor.

— É, ficou ótimo. Que graça.

— Q-que que você tá falando?! Trocar minha roupa sem permissão, francamente!

De rosto vermelho, a Elsie baixa a cabeça. A expressão envergonhada, de novo, é algo. Nessa parte ela é igualzinha à Lindsey.

Como naquela vez do vestido gótico-lolita, a Elsie gosta de usar roupa bonita, mas, sei lá por quê, não tenta usar. Cravou na cabeça que não fica bem nela. Por isso é preciso criar, na marra, uma situação em que ela não tenha como não vestir.

Então pedi pra Mika-san sumir com a roupa da Elsie e, no lugar, deixei esta. No começo ela ficou brava, mas, pelo visto, acabou gostando.

— Aceita?

— …É… obrigada…

Quando alguém te diz isso olhando de baixo pra cima, dá vontade de abraçar, e acho que é inevitável! Mas, como tem gente olhando, não dá! Argh, se eu tivesse mais coragem!

Mando ensacar a roupa de antes e deixamos a "Lua de Prata".

Lá fora, sei lá se por não estar acostumada com os sapatos, a Elsie, andando meio sem jeito, se agarrou ao meu braço.

— Po-pode ficar assim mais um pouco… será…?

Claro que não tenho motivo pra recusar. Só que tem uma coisa, ééé, macia, encostando no meu braço.

Madrugar tem lá suas vantagens. Hoje parece que vão acontecer coisas boas.

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