Capítulo 112 – Quinze Anos, Alicia, Filha Mais Velha da Família Williams
Atualmente com quinze anos — Alicia, filha mais velha da família Williams.
Eu e o Jill fomos mandados de volta pra casa na hora.
O vovô Will só me disse "venha de novo" e nada mais.
No instante em que ouvi o nome do vovô Will, mesmo já tendo desconfiado no meio do caminho, meus pelos se arrepiaram mesmo assim.
Ter trabalhado no palácio real… então era isso.
Tinha muita coisa que eu queria perguntar, mas obedeci o que o vovô Will disse.
Nem eu nem o Jill dissemos uma palavra sequer no caminho de volta.
Mesmo quando chegamos em casa, o sol da manhã ainda não tinha nascido.
Decidi voltar mais uma vez pra cabana.
Jill também disse que tinha algo pra fazer no próprio quarto e foi correndo pra lá.
Deitei de costas na cama.
Jill… quanto será que ele ficou mais inteligente nesses dois anos?
Aqueles olhos cinza tinham ganhado mais inteligência, comparado a antes.
Nesses dois anos, eu me dediquei desesperadamente a dominar magia.
Ler livros, treinar o corpo, praticar magia — foi essa a rotina que se repetiu o tempo todo.
Sinceramente, teve épocas em que eu realmente pensei em desistir, e quase quebrei.
Mas eu tinha um objetivo, e me incentivei dizendo que, se eu não mantivesse minhas ambições em alta, seria uma desqualificação como vilã.
Aprender a língua antiga do Reino de Dulkis foi realmente um sofrimento.
Nunca imaginei que a magia de transferência de nível 87 exigisse recitar a língua antiga do Reino de Dulkis.
Nesses dois anos, consegui de algum jeito dominar até o nível 91!
Afinal, eu realmente acho que tenho talento!
Mas ficar sozinha o tempo todo foi mais difícil do que eu esperava. Foi bem duro.
Uma vilã, basicamente, está sempre sozinha mesmo. Ganhei uma força mental, ou melhor, uma paciência de verdade.
Levantei da cama com força.
Minha visão realmente está diferente do normal.
Perdi um dos olhos e não sinto nenhuma dor. Que estranho.
O mundo que eu enxergo ficou mais estreito. Não consigo ver nada do lado esquerdo. Bem, isso deve ser algo que acostuma com o tempo.
O mais difícil é não conseguir calcular a distância direito. Às vezes, o mundo parece plano.
Por isso, na verdade eu tropecei várias vezes enquanto andava pela floresta.
Baixei o olhar pra ver meus próprios pés.
A sola do pé estava sangrando um pouco. …Andar descalça é perigoso mesmo.
De agora em diante, vou usar sapato direitinho.
Estalei os dedos de leve.
…Hã?
Nenhuma mudança aconteceu.
Um calafrio percorreu meu corpo. Um suor desagradável começou a escorrer.
Estalei de novo.
Mesmo assim, nada aconteceu.
Senti o sangue sumir do meu rosto.
Por que eu não consigo usar magia?
Eu não estou usando a coleira que sela o poder mágico agora.
Toc, toc.
— Sou eu, o Jill.
Ouvi a voz cristalina do Jill vindo de fora da porta.
O choque de não conseguir usar magia era grande demais, e eu não consegui responder nada.
Jill abriu a porta devagar e entrou na cabana daquele jeito.
— Alicia? Aconteceu alguma coisa?
Voltei os olhos na direção do Jill.
Na mão do Jill havia algo parecido com um pano preto comprido e fino.
O que será…
— O que é isso?
— Ah, isso, eu fiz agora há pouco.
Jill disse isso e me estendeu o pano preto que segurava na mão.
…Um tapa-olho?
— Você fez isso?
— Mais ou menos. É fácil de fazer.
Jill disse isso, um pouco encabulado.
Fazer isso num tempo tão curto assim… que habilidoso.
O Jill tem talento inesperado pra esse tipo de coisa, hein.
— Obrigada.
Disse isso e já coloquei o tapa-olho na hora.
Olhei meu próprio rosto no espelho.
Nossa, ficou bem bonito em mim. Acho que ficou com bastante cara de vilã.
— E então, o que houve?
Jill me olhava com olhos que pareciam enxergar através de mim.
…Ele ficou bem melhor em ler expressões, hein.
Eu estava fingindo tranquilidade, mas fui descoberta na hora.
Bem, não adianta esconder, só resta contar mesmo.
Olhei direto pro Jill. De alguma forma, ele parecia menor do que o normal.
Ter metade do campo de visão muda tanto assim a forma de enxergar as coisas, hein.
— Eu perdi a capacidade de usar magia.
Disse isso calmamente e com clareza.