Capítulo 134
Duke-sama arregalou os olhos e ficou paralisado com minhas palavras.
Assim que as palavras saíram, me arrependi.
O que foi que eu acabei de perguntar… eu mesma.
Aliás, eu ainda nunca ouvi diretamente da boca do Duke-sama um "eu gosto de você".
— Deixa pra lá, não é nada.
Disse isso apressada, mas já era tarde demais.
— Você quer que eu te conte?
Duke-sama disse isso com os olhos brilhando.
De alguma forma, tem um ar de convencido nele…
— Não, não precisa.
Duke-sama foi se aproximando devagar de mim.
Por que ele está vindo pra cá!
Numa sala tão pequena assim, não dá pra fugir circulando.
Recuei devagar pro fundo, mas logo esbarrei na janela.
…Se recomponha, Alicia. Não se pode chamar de vilã quem não mantém dignidade e postura firme o tempo todo. Disse isso a mim mesma.
Mesmo assim, acabei cedendo à pressão tremenda do Duke-sama.
Recuar é a pior atitude possível pra uma vilã.
Todo o meu esforço até agora vai virar pó. Preciso fazer alguma coisa! Não posso perder pro Duke-sama.
Me incentivei e endireitei a postura rapidamente.
Naquele instante, Duke-sama apoiou um braço na janela, me cercando pra eu não conseguir fugir.
…Isso é o famoso "kabedon" que era moda na minha vida passada?
Mesmo assim, que perto. Com certeza ele está ouvindo o som do meu coração.
Se esforce pra manter a calma, Alicia.
De algum jeito, fiz uma cara séria e ergui o olhar pra ele.
…Bonito até desse ângulo. O mundo é injusto mesmo.
Ter uma pele tão lisa sendo homem… garotas do mundo inteiro chorariam de inveja.
Enquanto eu ficava encarando o rosto do Duke-sama, ele ficou levemente corado.
Hã? Não acredito. O rosto do Duke-sama ficando vermelho…
Será que estou sonhando?
— Não fica me encarando desse jeito.
— Se não gosta, que tal cobrir meus olhos com a mão?
Disse isso com um sorriso levemente maroto.
Duke-sama fez uma expressão levemente constrangida.
Será que isso é uma virada de mesa?
O cabelo bonito e brilhante, cor do mar, do Duke-sama entrou no meu campo de visão.
— Que cabelo bonito mesmo.
Disse isso e passei a mão de leve pelo cabelo do Duke-sama. Precisei erguer bastante o braço pra isso…
Mesmo assim, que cabelo sedoso. E, ainda por cima, tem um cheiro bom.
Que tipo de cuidado será que precisa pra ter um cabelo assim?
Enquanto eu pensava nisso e tocava no cabelo do Duke-sama, de repente ele segurou minhas bochechas com as mãos.
— Qu’ ‘ocê ‘tá ‘azeno?
Minha boca ficou espremida feito um polvo, e eu não conseguia falar direito.
Que cara constrangedora estão me fazendo fazer.
Se alguém me visse assim, meu sonho de virar vilã desmoronaria sem nem florescer.
Segurei o braço do Duke-sama e tentei afastá-lo de qualquer jeito, mas ele não cedeu nem um pouco.
Que força tremenda. Duke-sama soltou um pequeno suspiro.
…Que significado teria esse suspiro?
— Quero te prender aqui.
A testa do Duke-sama encostou na minha. Ele olhava direto nos meus olhos.
Prender…? Foi a primeira vez na vida que me disseram uma coisa dessas.
Se o Duke-sama não fosse tão bonito, eu já estaria morta.
Será que esse é o verdadeiro sentimento do Duke-sama? Nunca tinha ouvido nada assim antes.
Ou melhor, ser olhada assim de tão perto vai fazer meu coração explodir.
Ele me olhava com olhos de fera, brilhando intensamente. Parecia que eu ia ser devorada.
De qualquer forma… eu queria fazer alguma coisa com essa situação de ficar só levando a pior. Antes disso, meu coração não vai aguentar.
Recuei um pouco a cabeça e balancei com toda a força.
Ai! Claro, não gritei em voz alta, mas gritei dentro de mim.
Duke-sama arregalou os olhos, olhando pro meu rosto. Ele perdeu um pouco o equilíbrio e se apoiou levemente na mesa.
…Uma cabeçada dói tanto assim? Com certeza minha testa também ficou vermelha.
Mas agora não é hora de me preocupar com isso.
Aproximei-me do Duke-sama daquele jeito e devolvi exatamente o que ele tinha feito comigo há pouco.
Segurei a bochecha do Duke-sama com uma das mãos e ergui levemente o canto da boca.
Ainda bem que ele estava apoiado na mesa. Se não fosse assim, minha mão não alcançaria.
— Me prender? Não me subestime. Eu fiquei trancada na cabana por dois anos porque eu tinha um objetivo. Não foi o Otou-sama quem me prendeu.
Disse isso me inclinando pra olhar de perto o Duke-sama.
Então, Duke-sama estreitou os olhos e puxou meu braço daquele jeito. Assim, acabei numa posição de estar abraçada pelo Duke-sama.
O perfume do Duke-sama me envolveu suavemente.
…O cheiro do Duke-sama é mesmo muito bom.
Devia ser um cheiro agradável, que acalma… mas agora não estou nada calma. Meu coração está dançando cheio de energia.
— Desculpa, quase perdi a razão.
A voz cristalina do Duke-sama ressoou nos meus ouvidos.
— …Por quê?
Assim que eu disse isso, ouvi o som de um suspiro profundo do Duke-sama.
— Eu queria que você tivesse mais consciência de que eu estou completamente rendido a você.
Duke-sama disse isso com um tom de quem não sabia mais o que fazer.
Senti meu corpo ficar paralisado.
Ah, o que eu faço, meu coração está batendo alto demais. Não sei se é o som do meu ou do coração do Duke-sama.
Mas sei com certeza que meu coração está prestes a explodir.
— A Alicia leva suas convicções até o fim, não poupa esforços pra alcançar seus objetivos, encara a realidade do mundo de frente, é inteligente, forte, e sempre imponente e bonita.
Duke-sama parou de falar depois disso.
Senti meu corpo esquentar. Com certeza esse calor está sendo sentido pelo Duke-sama também.
Com certeza meu rosto agora está feito uma maçã.
Meu pulso acelerou de um jeito anormal, e o som das batidas do coração ficou mais alto.
As palavras do Duke-sama fizeram o fundo do meu peito queimar como se estivesse em chamas.
— Você é uma mulher e tanto.
Duke-sama sussurrou isso no meu ouvido, por último.
Que frase matadora. Quase perdi as pernas.
Uma garota normal já teria desmaiado. Eu, pra não perder a dignidade como vilã, continuo em pé de algum jeito, mas parece que vou cair a qualquer momento.
Duke-sama me soltou daquele jeito e foi em direção à porta.
Ele me trouxe até aqui e vai embora primeiro?
Bem, na verdade fico feliz que ele saia logo. Eu não queria que ele me visse assim tão vermelha por muito tempo.
Duke-sama olhou pro meu rosto, sorriu satisfeito e malicioso, e saiu.
Será que… eu só fui provocada, no fim das contas?
No instante em que o Duke-sama saiu do quarto, eu me sentei ali mesmo. Não tinha mais força nem pra ficar de pé. Ainda bem que ninguém mais estava naquela sala.
— Alicia?
Um pouco depois, Jill entrou na sala com uma expressão de surpresa.
Pensei em perguntar com ironia se ele já tinha terminado de ler o livro, mas não sobrava nem energia pra dizer isso.
— O que houve? O Duke saiu da sala com uma cara feliz agora há pouco, mas depois disso a Alicia não saiu, então…
Jill disse isso, se inclinando pra olhar de perto meu rosto.
Saiu com uma cara feliz? Será que o Duke-sama sabia que eu ficaria assim e disse aquelas falas de propósito?
No começo eu achava que ele era gentil, mas na verdade ele tem um lado sádico… Finalmente estou vendo a verdadeira natureza do Duke-sama.
— Seu rosto está vermelho… mas não é febre, né?
— …Vou ficar aqui até me acalmar um pouco.
Disse isso e me encostei na parede, ainda sentada.
— Entendido.
Jill assentiu de leve e abriu a janela pra deixar o vento entrar na sala.
Um vento fresco e suave me envolveu. Senti minha temperatura corporal baixar um pouco. Aos poucos, meu coração foi se acalmando.
Jill se sentou ao meu lado e voltou a ler o livro. Parece que ele ainda não tinha terminado de ler, afinal.
Eu e o Jill passamos um tempo naquele espaço agradável, banhados pela luz quente do sol.
—
Nota da autora: peço desculpas por o ritmo de atualização ter ficado mais lento do que antes. Daqui pra frente não vou conseguir publicar vários capítulos por dia, mas pretendo sempre publicar pelo menos um por dia. Agradeço a compreensão de vocês. Muito obrigada sempre por lerem.