Capítulo 139
Ah, eu queria logo voltar a conseguir usar magia.
No dia a dia, quase nunca preciso usar magia… mas mesmo assim, não conseguir usar deixa uma sensação de insegurança. …Uma vilã não pode ficar insegura. Preciso estar sempre cheia de confiança e postura firme.
Fiquei pensando vagamente nisso dentro da carruagem, olhando a paisagem lá fora.
Já estou quase chegando na academia de magia.
Ultimamente, minha felicidade é poder confirmar minha vilania ao encontrar a Liz-san.
— Alicia-sama, nós… gostamos muito de você.
Assim que entrei na academia e me dirigia ao prédio, fui abordada de repente.
…Parece que vou me meter em outra confusão chata de novo.
Parece que o Jill pensava a mesma coisa; ignorei e continuei andando em direção ao prédio.
— Nós odiamos a Liz-san.
— Ela é irritante mesmo, se acha demais só porque é bonitinha.
— Mesmo sendo plebeia, entrar no conselho estudantil, quem ela pensa que é?
— Ela sempre fica com todo mundo do conselho estudantil… será que ela não é caidinha por homem?
Senti um estranhamento com as palavras delas e me virei devagar na direção delas.
Pela roupa que usavam, deviam ser gente de posição social bem alta… Oito olhos me encaravam fixamente.
— A Alicia-sama também acha isso, não acha?
Disse isso, animada, uma aluna de cabelo laranja-claro.
Fico sem saber o que dizer quando pedem minha concordância assim. Franzi a testa, olhando pra aluna.
— Ela entrou no conselho estudantil porque é inteligente, não é?
As quatro arregalaram os olhos diante das minhas palavras.
Eu não acho ela irritante — só não me dou bem com ela porque nossos jeitos de pensar não combinam.
Pelo contrário, sem a Liz-san, minha vilania não se destacaria, então ela é uma peça indispensável no meu plano de vilania.
— M-Mas ela entrou no conselho estudantil porque tem uma habilidade especial.
— Isso mesmo! E ela vive fazendo pose de boazinha, é irritante de ver!
— Eu não consigo aceitar que uma plebeia como ela esteja nesta academia.
— Só porque é meio bonitinha todo mundo fica paparicando ela, é irritante mesmo.
As alunas foram falando mal da Liz-san, uma atrás da outra.
…Não sei se isso é sincero ou se é uma armadilha pra mim, mas é uma bobagem mesmo.
Estou perdendo tempo com elas agora.
— Se têm reclamação, por que não vão dizer diretamente a ela? Se têm tempo pra ficar falando mal assim, gastem esse tempo se aprimorando. Ela é uma existência rara, então de fato talvez tenha entrado no conselho por isso, mas vocês não têm nenhuma habilidade especial assim, não é?
Disse isso cuspindo as palavras com desprezo.
Uma das alunas estremeceu, talvez amedrontada por ter sido encarada por mim.
Afinal, sempre vai ter gente que odeia quem é popular. Se a Liz-san fosse extremamente feia, talvez a história fosse um pouco diferente.
Ignorei as garotas, que me olhavam atônitas, e continuei andando em direção ao prédio.
…Ah, é verdade, esqueci de dizer uma coisa.
Depois de andar um pouco, virei-me devagar e olhei pra elas.
— Este que está ao meu lado também não é nobre. Mas é mais inteligente que vocês. Eu acredito em mérito. Prefiro um plebeu inteligente a um nobre burro.
Disse isso, erguendo levemente o canto da boca.
Elas se intimidaram com minha expressão, recuaram e saíram correndo.
Ah, ganhei mais pontos de vilania. Só sorrir e já fazer todo mundo fugir.
— Alicia, sua boca está sorrindo, viu.
Jill disse isso com um ar levemente incrédulo.
Fiz uma cara neutra na hora. Relaxar rápido assim é um ponto ruim meu.
Enquanto estiver nesta academia, preciso ficar sempre alerta. Nunca sei quem pode estar me observando.
— E, além disso, eu gosto da Alicia, viu. Não num sentido romântico… Eu poderia entregar minha vida pela Alicia a qualquer momento.
Jill disse isso com o rosto sério.
Arregalei os olhos, olhando pro Jill. Isso sim é o que se chama de ficar sem palavras diante de uma frase repentina.
…Como sou uma vilã, não vou dizer "não pense uma coisa dessas, valorize a própria vida" nem nada assim.
Afinal, é a vida dele. Eu não tenho nada a dizer sobre a vontade dele. O valor da vida é algo que varia de pessoa pra pessoa…
Como usar a própria vida não é algo que eu possa mandar. Eu não sou boa em pensar de forma moralista.
— Obrigada. Eu também vou viver de um jeito que não me leve a situações de risco de morte.
Disse isso e afaguei a cabeça do Jill.
— A Alicia é mesmo corajosa nas atitudes, hein… Mas, se for morrer, prefiro que seja só depois de ficar tão inteligente quanto a Alicia.
— …Você já não é mais inteligente que eu?
— Duvido muito.
Jill disse isso com um sorriso amargo.
…Mas eu acho isso de verdade. O conhecimento amplo e a profunda perspicácia do Jill são, sem dúvida, superiores aos meus.
Depois disso, seguimos em direção ao prédio sem trocar muitas palavras.