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I’ll Become a Villainess That Will Go Down in History – Capítulo 138

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Capítulo 138

— Eu propus ao Luke uma divisão do governo do país. Que as cinco grandes famílias governassem juntas, cada uma com sua parte.

Concordei internamente com a ideia do tio Will. Eu acho que é exatamente esse o propósito de existirem as cinco grandes famílias neste país. Senão, seriam só um grupo com poder e riqueza, sem função nenhuma.

— Boa ideia.

Jill disse isso, os olhos brilhando de leve.

Bem, ninguém discordaria dessa ideia mesmo.

— Mas a mãe do Luke se opôs a isso.

— Hã?

— Por que a mãe do rei entra nessa história?

Eu e o Jill arregalamos os olhos.

Não tem como a mãe do rei entender nada de política.

— Por causa de dinheiro?

Jill disse isso com um olhar afiado.

— Mesmo que fosse por dinheiro, os outros deveriam impedir isso.

— Sendo a mãe do rei, ela não podia fazer o que quisesse? Se o rei gostasse da própria mãe…

A voz do Jill foi ficando cada vez mais grave.

Quanto mais ele conhecia a realidade, mais parecia desprezar o rei.

Não que eu não entenda esse sentimento, mas nesse caso o errado não é o rei, e sim a mãe dele.

Bem, sendo o rei do país, entendo que ele precisa dar conta disso direito de qualquer forma.

— O Luke gostava da mãe. Ela amava demais o próprio filho. Mas parece que ela me odiava.

Tio Will disse isso e riu.

Pode ser uma história cruel, mas também é uma história comum.

Ah, estou ficando com vergonha da minha própria pequenez.

— Então foi por isso que ela armou pro vovô?

— …Ela me armou uma cilada tão engenhosa que todo mundo achou que a culpa era minha. Fui expulso do palácio, acusado de planejar o assassinato do rei. E, além disso, arrancaram meus olhos, pra que eu nunca mais pudesse procurar o rei de novo.

Jill franziu o rosto diante dessas palavras do tio Will.

Grandes lágrimas escorriam sem parar dos olhos da Rebecca. Ao redor, de vez em quando, ouvia-se o som de alguém fungando.

…Sendo uma pessoa tão querida assim, será que ninguém o defendeu?

— O Otou-sama…

— Só a mãe do Luke e os servos dela sabem disso.

— O rei não sabe?

— Não sabe.

— Mas é impossível esconder algo tão grande assim.

— Ela planejou tudo meticulosamente. Não seria difícil me apagar sem que ninguém soubesse. E, além disso, eu não sou o rei.

— Você nunca contou a ninguém que era uma acusação falsa?

Percebi que minha própria voz tremia.

— De fato, talvez houvesse alguém disposto a me ajudar. Mas, se alguém tentasse ajudar um criminoso, com certeza seria morto.

— Então, pra onde foram as pessoas que eram próximas do tio Will…?

— De fato, os figurões deste país hoje em dia são só incompetentes mesmo.

— Exilados do país.

Ficamos paralisados com as palavras do tio Will. Quem exilou quem, afinal?

Só existe uma pessoa em quem eu consigo pensar, mas ela não deveria ter tanto poder pra fazer o que quisesse assim.

— Foi aquela mulher quem os exilou?

Jill perguntou isso em nosso lugar. Com certeza todo mundo ali pensava a mesma coisa.

— Isso mesmo.

Tio Will disse isso calmamente.

Naqueles olhos, já não havia mais nem tristeza, nem raiva, nenhum sentimento.

— Isso é inacreditável demais.

— Todos que eram próximos de mim foram exilados pro Reino de Lavarre.

…O Reino de Lavarre. Então é por isso que é uma grande potência.

Logo o Reino de Lavarre, ainda por cima. Será que a mãe do rei é burra?

— Quantas pessoas eram?

— Bem, só três, mas todos excepcionalmente capazes.

— Ou seja, todas as pessoas capazes sumiram do país, só sobrou um rei incompetente, e a situação interna foi piorando cada vez mais.

Jill disse isso, estreitando os olhos. Raiva e ódio transpareciam neles.

Só a fachada do país era mostrada de forma brilhante, enquanto os bastidores iam se tornando uma vida cada vez mais dura.

É natural que o Jill, que cresceu num estado de miséria constante, fique com raiva. Dá até vontade de se vingar.

…E a Liz-san, sem saber de nada disso, disse levianamente que vingança não tem sentido nenhum.

Realmente, a santa é impressionante. Se fosse eu, provavelmente acabaria ajudando nessa vingança.

— Será que o rei não sentiu nada quando o vovô sumiu?

— Não, o Luke me odeia.

— Mas isso só dá pra saber perguntando diretamente a ele, não é?

— …Quando discuti com a mãe do Luke sobre minha proposta, o próprio Luke me disse: "não banque o importante, você nem é o rei".

Ah, então o rei é um baita grudado na mãe mesmo.

— Aos dezessete anos, talvez isso mesmo aconteça…

— Hã?

— Talvez o rei esteja se arrependendo do que disse.

— O rei? Duvido muito.

— Jill, fica quieto.

Disse isso, encarando o Jill de leve.

— Já que o tio Will disse tão a sério que a relação com o rei tinha se rompido, achei que fosse algo bem mais sério.

— Acho que já é sério o suficiente.

Ignorei o comentário do Jill e continuei falando.

— Que tal ir diretamente confirmar com ele mesmo o que ele realmente pensa?

Tio Will arregalou os olhos com minhas palavras.

Jill me olhava com a boca levemente aberta. Rebecca também já tinha parado de chorar completamente e me olhava com os olhos arregalados.

Será que eu disse algo tão estranho assim?

— O tio Will disse antes que não precisava sair do vilarejo da pobreza. Isso é mentira, não é?

— Não…

— Você não quer ver o mundo mais uma vez?

Disse isso, aproximando-me devagar do tio Will.

Parece que nossas posições se inverteram, comparado ao normal.

— Se você realmente não quisesse sair daqui, por que estaria tentando reformar este vilarejo? …Eu me ajoelhei diante da presença real do tio Will.

Disse isso parada na frente do tio Will, sem desviar o olhar em nenhum momento.

Tio Will arregalou os olhos, me encarou fixamente, e abriu um sorriso largo.

Meu coração deu um pulo sem querer diante daquele sorriso. Por mais que seja um "tio", um rosto bonito é forte mesmo.

— É verdade, de fato, agora eu quero sair daqui.

Tio Will disse isso e afagou minha cabeça como sempre.

— Bem, hoje é melhor você voltar pra casa. Vamos conversar de novo amanhã.

Tio Will disse isso com uma voz gentil.

Assenti obediente.

Ainda tinha muita coisa que eu queria saber, mas, por hoje, tinha que ficar por aqui. Senão eu ficaria fazendo o tio Will reviver memórias ruins pra sempre.

Eu e o Jill fomos em direção à barreira.

Nesse momento, Jill olhou pra mim como quem se lembra de algo.

— O quê?

— O que será que aconteceu com a mãe do rei?

— …Não sei. Pra começar, eu nem sabia da existência da mãe do rei até agora.

— É verdade.

Depois disso, Jill não abriu mais a boca até chegarmos em casa. Ficou o tempo todo com uma cara séria, como se estivesse pensando em alguma coisa.


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