Capítulo 166
Jill franziu a testa diante das minhas palavras. Parece que ele não estava entendendo o que eu queria dizer.
De fato, é confuso ouvir isso vindo de mim, que sempre achei que ficar ao lado da super boazinha Liz-san realçava minha vilania.
— Não basta só me destacar em contraste com ela, eu preciso agir por conta própria, fazer mais alguma coisa.
— Acho que a Alicia já está agindo o suficiente.
— O que eu almejo é ainda mais alto.
— Até onde você pretende subir?
— Até onde for possível. Vou até onde eu conseguir chegar.
Jill ficou paralisado por um instante diante das minhas palavras, mas logo depois ergueu o canto da boca num sorriso malicioso.
— …Eu também vou junto.
— Seria reconfortante ter o Jill, mas dessa vez meu plano é fazer sozinha.
— Hã? Você não precisa de mim?
Jill me olhava fixamente, arregalando os olhos.
Pro Jill, que quer ser necessário pra mim, minhas palavras de agora há pouco devem ter sido péssimas…
— Eu quero que o Jill fique aqui, no meu lugar, como vigilante da Liz-san.
— …Não quero.
Ah, que surpresa. Talvez seja a primeira vez que o Jill me disse "não quero".
No fim das contas, ele ainda é criança… Bem, eu também ainda sou criança. Mas isso é só uma decisão egoísta minha. É melhor eu ir sozinha ao Reino de Lavarre. O nível de risco muda bastante entre agir de forma suspeita sozinha ou em dupla.
— O que você está tentando fazer, afinal?
Jill disse isso, me olhando com seriedade.
…Não posso dizer que estou pensando em me exilar por conta própria. Como o Jill tem um instinto afiado, com certeza vai acabar descobrindo meu plano. Preciso agir antes que isso aconteça…
— O que eu devo fazer?
Jill me olhava como quem pede ajuda. O que o Jill vai fazer não é algo que eu deva decidir.
— Jill, seu objetivo não é ficar comigo, e sim se tornar alguém que está no topo, não é?
— Eu quero estar no topo junto com a Alicia.
De alguma forma, senti que encontrei o Jill mais infantil depois de muito tempo. Ultimamente ele estava ficando atrevido e perdendo a fofura. O Jill de agora parece um garoto da idade dele mesmo.
— Eu posso te dar uma oportunidade. Mas quem vai aproveitar essa oportunidade não sou eu, é só você, Jill. Não se preocupe, o lugar que a gente almeja é o mesmo pra nós dois.
— Onde?
— No topo.
Disse isso, apontando o dedo indicador pro teto.
Afinal, a gente sempre está avançando em direção ao topo, então, mesmo separados, algum dia vamos nos encontrar de novo. E, além disso, não é uma separação por morte. É só uma pequena viagem. Bem, não há garantia de que, sendo exilada, eu vá conseguir voltar…
— Fica tranquilo, o Jill está no caminho que eu percorro.
Disse isso e afaguei a cabeça do Jill com carinho.
— …Realmente, não dá pra vencer a Alicia.
Jill disse isso, soltando um suspiro leve, e abriu um sorriso radiante.