Capítulo 189
— Está quase na hora.
Um dos guardas disse isso com uma voz baixa, segurando o braço da Alicia.
A Alicia sorria com um ar de satisfação. Era um sorriso quase como se estivesse embriagada de felicidade por estar sendo exilada.
Ao contrário disso, parecia que ela estava determinada a manter o papel de vilã até o último instante.
A Liz olhava pra Alicia com o rosto contorcido. Ninguém mais tinha notado aquela expressão, mas eu vi com clareza. Aquele foi um instante em que a inveja e o ciúme dela vieram à tona.
Ela não deve suportar o fato de que todo mundo se importa tanto com a Alicia. …Principalmente o Duke.
— Por que será que o Duke não vem aqui?
Henry franziu a testa.
O motivo de o Duke não aparecer na frente da Alicia é óbvio: foi ele mesmo quem ordenou o exílio, então não teria como vir se despedir.
E, além disso, todo mundo acredita que o Duke está com amnésia.
…Não poder estar presente na despedida da mulher que mais ama deve ser bem duro. Ele está fazendo tudo isso pensando na Alicia até esse ponto… A força de vontade dele é impressionante.
— Bom, já ficamos tempo demais por aqui. Então, a todos, agora sim, adeus de verdade.
Fiquei hipnotizado pela força dela, sorrindo com o canto da boca erguido, um sorriso radiante.
Sacrificou um dos próprios olhos, foi xingada por todo mundo ao redor, e ainda assim manteve firme só a própria convicção, sem soltar uma única reclamação — nunca amei tanto essa força dela como agora.
— Alicia… eu… estou… com saudade. Por isso… por isso… eu queria que você não fosse.
Falei isso de cabeça baixa, sem conseguir me conter. Diante da minha voz fraca, todo mundo ficou paralisado, envolto em silêncio.
Eu não tinha a menor intenção de dizer isso. Eu não devia dizer nada que colocasse a Alicia numa posição difícil. Mesmo assim…
— Que bom que você ainda guarda esse lado fofo.
A Alicia soltou o braço com delicadeza do guarda e correu até mim. E me abraçou com toda a força.
Foi naquele instante que percebi que meus olhos estavam se enchendo de lágrimas.
Não acredito que eu, justamente eu, estava chorando…
Fiquei surpreso comigo mesmo, com as próprias lágrimas. Achava que nunca mais fosse chorar de novo. Franzi a testa com toda a força pra impedir que as lágrimas caíssem.
— A, Ali…
— O Jill é o meu maior tesouro.
As palavras dela, ditas perto do meu ouvido, apertaram meu peito ainda mais.
Uma nobre que me chama de tesouro e me abraça, mesmo eu tendo sido, naquele vilarejo da pobreza, um menino imundo e decadente — e eu nunca consegui fazer nada por ela em troca.
Sempre me esforcei tentando ser útil pra Alicia, tentando alcançá-la, mas ela sempre está vários passos à minha frente.
— Jill, obrigada por sempre me ajudar.
Dizendo isso, ela soltou o abraço devagar. Entrou rapidamente na carruagem. O interior da carruagem estava protegido de forma que ninguém de fora pudesse ver.
Aquele jeito de se despedir, tão direto e sem rodeios, era muito a cara da Alicia — e, sem querer, acabei sorrindo.
Que ela fique bem, por favor. Foi só isso que eu desejei, enquanto via a carruagem com a Alicia partir.
Todos ficaram em silêncio, cada um com seus próprios sentimentos, olhando a carruagem ficar cada vez menor ao longe.