Capítulo 190 – Quinze Anos, Filha Mais Velha da Família Williams, Alicia
Desde que reencarnei nesse mundo, esse é o momento em que meu coração mais palpitou de animação.
Finalmente vou pro reino de Lavarre. Dá pra acreditar? Ir a um lugar que, originalmente, diziam ser impossível de alcançar — parece um sonho!
…Mas essa carruagem me incomoda um pouco. Provavelmente o Duke-sama trocou a jaula por uma carruagem pra que eu não sofresse mais nenhum dano, mas, sinceramente, teria sido melhor continuar na jaula mesmo. Combina mais com uma vilã.
Será que a vida do outro lado vai ser tipo uma vida de prisão…?
— Isso também parece interessante.
Sem perceber, senti meus lábios relaxarem num sorriso.
O problema é não deixar ninguém perceber que sou nobre. …Mas, como não existe nenhuma outra nobre sem um dos olhos, acho que isso não vai ser um problema.
Enquanto eu pensava vagamente nessas coisas, a carruagem freou bruscamente do nada, e eu fui jogada pra frente.
Graças ao treino que faço normalmente, consegui parar meu corpo bem antes de bater o rosto. Qualquer nobre comum, com certeza, teria batido a cara em cheio.
O que será que aconteceu? Atropelaram alguém? Apareceram bandidos?
Tentando espiar o que estava acontecendo lá fora, olhei devagar pela janela da carruagem, mas foi então que a porta se abriu de repente, com força.
— Hã?
O que apareceu na minha frente foi o Duke-sama, com o cabelo um pouco desalinhado, suor leve escorrendo na testa, respirando com dificuldade.
…É raro ver o Duke-sama, sempre tão calmo, nesse estado.
Será que ele esqueceu de me falar alguma coisa? Já que veio correndo com tanta pressa, com certeza deve ser algo importante.
O cavalo que o Duke-sama montava também parecia bem cansado.
Por que tipo de caminho será que ele veio, afinal?
— Ahn… aquilo…
No exato instante em que comecei a falar, a mão do Duke-sama envolveu meu pescoço com rapidez, e, antes que eu percebesse, seus lábios macios e quentes já estavam tocando os meus.
Sem tempo nem pra me surpreender, meus olhos se arregalaram por completo, e meu pensamento parou por completo. Aquele beijo, insistente mas ao mesmo tempo gentil, quase me fez afundar de vez.
Nunca imaginei que meu primeiro beijo fosse ser roubado assim, de forma tão repentina.
Os lábios do Duke-sama se afastaram devagar. Mais do que vergonha, o que eu sentia era surpresa — fiquei parada ali, olhando fixamente pra ele.
— Será que um beijo ainda era cedo demais pra uma criança?
Duke-sama disse isso, olhando pro meu rosto, com um sorriso maldoso.
Ah, é verdade, o Duke-sama sempre foi assim. Parece calmo, mas eu tinha esquecido completamente que ele é um príncipe de personalidade bem torta.
Bom, eu já sabia disso, mas de fato ele não é do tipo de príncipe que viria se despedir com pesar e declarar seu amor. Será que ele só veio pra me provocar?
Ainda assim, se ele chegou ao ponto de me beijar, acho que dá pra interpretar que ele sente, sim, ao menos um pouco de saudade da minha ausência.
Hmm, mas ficar só recebendo, sem revidar, é frustrante.
Coloquei minhas duas mãos ao redor do pescoço do Duke-sama, ficando numa distância em que nossos narizes quase se tocavam, e dei um sorriso sedutor.
— O favor do príncipe foi devidamente recebido.
Duke-sama arregalou os olhos por um instante, e logo em seguida abriu um sorriso enorme, todo enrugado no rosto. Aquele sorriso fez meu peito se apertar com força.
— Que princesa atrevida.
Não sou princesa, sou nobre… Desde quando, exatamente, eu virei casada com o príncipe?
— Alteza, já está na hora da partida.
Ouvi a voz um pouco constrangida de um guarda. No mesmo instante, tirei as mãos do pescoço do Duke-sama.
Ah, é verdade, acabei mostrando meu verdadeiro eu na frente do guarda, será que não tem problema?
Bom, oficialmente o príncipe está com amnésia. E, além disso, saindo escondido do castelo pra beijar uma criminosa, isso não seria bem grave…?
Dei uma olhada de relance pro rosto do guarda.
…Ele é, se não me engano, aquele guarda leal ao Duke-sama que estava presente quando fui colocada na carruagem com grades.
— Deixo o resto com você.
Diante das palavras do Duke-sama, ele assentiu profundamente, com olhos sérios.
Parece que ele conhece toda a verdade por trás disso. Que bom, isso me deixa bem mais tranquila.
O Duke-sama realmente não deixa brecha nenhuma. Tudo perfeitamente calculado.
…Será que é porque eu estou envolvida nisso? Bom, melhor não me gabar demais.
— Não fica dando atenção pra outros homens.
Duke-sama segurou minha cabeça com força, com uma mão, dando um sorriso maroto, mas com os olhos sérios.
— Enquanto eu não perder de vista meu objetivo de ir pro reino de Lavarre, não existe a menor chance de eu me distrair com outra pessoa.
Respondi isso com um sorriso radiante, afastei a mão do Duke-sama e fechei a porta da carruagem com delicadeza.
Não é como se essa fosse a última vez, e, como forma de despedida, não foi nada mal.
Pensando nisso, voltei a ser balançada pelo movimento da carruagem.