Capítulo 196
— Aliás, tinha uma história de que uma nobre ia ser exilada, né? Será o que aconteceu com isso?
Um dos dois cocheiros na frente murmurou isso.
…Um boato desses se espalha rápido assim mesmo, hein. Bom, claro, é uma notícia enorme pro reino inteiro.
Será que eu realmente vou conseguir voltar pro Reino de Dulkis em segurança?
— Ah, é a história daquela mocinha das cinco grandes famílias nobres, né? Aposto que o príncipe mole por ela deu um jeito de mantê-la no reino.
Infelizmente pra você, eu estou bem aqui.
— Mas tinha gente que viu ela sendo levada de jaula pro castelo, então dessa vez o crime deve ser bem sério.
— De qualquer forma, mesmo exilada, ela deve viver bem no castelo de lá.
— É mesmo~, os nobres sempre conseguem esconder os próprios crimes, não importa o quê. Que vida boa, hein.
Hmm, acho que vou acabar presa numa cela ou fazendo trabalho forçado, igual todo mundo aqui… afinal, sou uma pessoa exilada.
Claro, não tenho a menor intenção de virar escrava. Meu objetivo é conhecer a essência verdadeira do reino de Lavarre. Pra isso, preciso me infiltrar no castelo de lá… mas como, afinal?
— Quem será que vai transportar a nobre, afinal?
— Deve ser algum cocheiro direto da família Seeker. Mesmo sendo criminosos, não teria como a gente transportar uma nobre.
Ora, deveriam se sentir honrados nesse exato momento. Que alegria, vocês estão, agora mesmo, transportando uma nobre das cinco grandes famílias.
Bom, ninguém acreditaria numa história dessas.
— Pra onde vamos ser levados, afinal?
— Não sei, não~. Só sei que não é um lugar bom, com certeza.
Fil respondeu isso com um tom um pouco mais animado.
— …Espero que seja um lugar não muito longe do castelo.
— Hã?
— Não, nada.
Sem querer, deixei escapar isso num murmúrio.
Bom, por enquanto, vou economizar minhas forças. Fechei os olhos devagar.
—
— Ei, chegamos. Acorda, pirralho.
Diante daquelas palavras ríspidas, abri os olhos devagar.
— Estava dormindo profundamente, hein.
Fil aparece no meu campo de visão, dando um sorriso largo.
Ainda meio grogue, me levantei e saí da jaula.
Onde estamos? Sei que é o reino de Lavarre, mas não tem absolutamente nada que pareça com o reino de Lavarre.
Não tem bandeira nenhuma, nem ninguém que pareça ser do povo de Lavarre…
Fomos todos descidos num lugar escuro, cercado por paredes de tijolo.
…Que cheiro estranho é esse? Um odor forte, ácido, que fere o nariz — sem querer, franzi a testa.
Um mau cheiro diferente do vilarejo da pobreza… De qualquer forma, com certeza é um lugar que nenhum nobre jamais pisaria.
— Onde estamos?
Mil olhou ao redor enquanto segurava a esposa Ruby. Mesmo já sem nada a temer, ele parecia amedrontado.
— Sejam bem-vindos ao reino de Lavarre.
Uma voz baixa e sinistra ecoou de algum lugar no fundo.