Capítulo 195
Fomos colocados numa carruagem com grades.
Realmente, essa carruagem combina mais com o clima de prisioneiro. Só que o risco também aumenta, claro…
Todos entraram na jaula sem resistir, em silêncio. Era uma jaula grande o bastante pra ainda sobrar espaço mesmo com nós cinco dentro.
O mais suspeito de todos é o homem de cabeça raspada. Não saber o que ele está pensando é o mais assustador. Não dá pra prever quando ele vai fazer alguma coisa.
— Não façam bagunça.
O cocheiro disse isso enquanto nos encarava com desconfiança.
Ser olhada assim por um completo estranho, com quem nunca troquei uma palavra — o poder de ser considerada criminosa é impressionante.
— Duvido que ainda tenhamos energia pra fazer bagunça.
Fil disse isso com um sorriso amargo.
Depois de um tempo, a carruagem de repente começou a andar de forma bruta. Meu corpo foi jogado pra frente com um solavanco.
Nunca tinha andado numa carruagem assim… Realmente, cocheiros também têm níveis bem diferentes. Nobres sempre têm cocheiros habilidosos. Só percebi essa obviedade agora, andando numa carruagem de criminosos de verdade.
Mais uma experiência somada ao meu repertório!
Mesmo assim, olhando bem pra eles, parecem pessoas comuns. Não parecem com pessoas que cometeram crimes.
Assassinato às vezes é necessário… Mesmo assim, será que existe tanta diferença assim entre um plebeu matar alguém e um nobre matar alguém?
Ou então… será que eles mataram alguém que definitivamente não podiam ter matado. Mas não parece que eles tenham algum tipo de contato com pessoas assim tão importantes… …Bom, julgar pela aparência é sempre arriscado.
Perguntar quem eles mataram seria invadir demais a privacidade deles, né?
Ah, mas estou tão curiosa. Se eu fosse mesmo uma vilã, provavelmente perguntaria sem constrangimento nenhum. Mas, agora, minha aparência está bem longe de ser de vilã… Sou só um garoto pobre e sem graça de se olhar.
Alguém com essa aparência invadindo os segredos pessoais deles não teria vantagem nenhuma… e, além disso, poderiam achar que sou uma criança abusada demais.
A aparência de nobre é útil de muitas formas, hein, senti isso profundamente enquanto era balançada pela carruagem.
— Ria, quantos anos você tem, afinal?
Foi o Fil quem quebrou o silêncio, claro.
…Bom, dizer minha idade real não deve trazer nenhum problema, né.
— Quinze…
— Quinze!? Pra essa idade, você é bem baixinho, hein.
Ele levantou a voz, surpreso.
Sou mulher, então é natural ser mais delicada.
— Mais nova que minha filha, então.
— …Você tem uma filha.
— Ah, é, tenho sim.
Diante das minhas palavras, o rosto dele ficou um pouco sombrio.
…Será que toquei num assunto proibido? Ter uma filha significa que ele também tem uma esposa, né?
Fiz meu cérebro girar freneticamente. Com certeza tem alguma coisa aí. Vamos procurar o ponto estranho, Alicia!
Perguntei dentro do limite que parecia razoável esperar resposta.
— Só filha?
— É. Uma filha fofa. Meu tesouro, o mais importante que eu tenho.
— …Você não vai mais poder vê-la.
— É verdade.
Ele riu de leve, tristonho, baixando os olhos.
Cometer um crime de assassinato sabendo que jamais voltaria a ver a filha que era o tesouro dele… e ainda por cima, isso se tornou motivo de exílio?
Governo por marionetes? É difícil imaginar que o rei mande exilar essas pessoas por conta própria.
Um reino rico, mas ainda assim com um vilarejo da pobreza que nunca melhora. No incidente do lobo na academia (ver o mistério anterior), surgiu a possibilidade de que o reino de Lavarre estivesse procurando por alguém. E, agora, esses exílios que parecem acontecer com uma frequência preocupante.
…Talvez, em algum lugar que eu não conheço, algo bem maior esteja se movendo.
Não é hora de ficar prestando atenção só na heroína. Ou melhor, quero dar um soco em quem criou um cenário tão complicado assim pro jogo. Um otome game não precisa desse tipo de mundo sombrio!
Sinceramente, eu achava que virar vilã seria bem mais simples, mas o caminho parece bem mais longo do que imaginei…
Mesmo assim, quem será o verdadeiro mandante por trás de tudo isso, afinal?