Capítulo 212
— Espera aqui.
De manhã, um guarda apareceu de repente no meu quarto e me trouxe até aqui.
Não sei bem onde estou, mas já dá pra perceber que o palácio real deste reino é absurdamente grande.
Maior do que o palácio real do Reino de Dulkis, até… De onde será que vem tanta riqueza assim?
Fiquei parada, esperando, em frente a uma porta grande e de aparência bem robusta.
— Por que eu tenho que cuidar de um pirralho desses, afinal!?
O propósito dessa porta é… nulo, na prática.
A voz de dentro do quarto chegava perfeitamente clara aos meus ouvidos. Junto com ela, dava pra ouvir também a voz constrangida do guarda.
— Foi decisão de Sua Majestade, o rei.
— Aquele velho! É liberal demais mesmo! Por que ele foi trazer esse pirralho pra cá?
— Mas, Príncipe Victor! O senhor viu a luta de ontem, não viu? Com certeza esse garoto vai ser útil!
Ah, olha só, o guarda falou uma coisa boa.
Mesmo sendo estranho eu mesma dizer isso, tenho certeza de que vou virar uma peça de valor. Afinal, tenho as habilidades de uma vilã boa o suficiente pra ser exilada… …Bom, isso foi quase todo graças ao poder do Duke-sama, mas tudo bem.
— É por isso mesmo que ele é um problema.
…Ah, achei que fosse um príncipe mais idiota e arrogante, mas parece que não é bem assim.
— O que o senhor quer dizer com isso?
— Pensa bem, um garoto com esse nível de força de combate, andando por aí num coliseu desses? Tem algo estranho aí.
Será que essa porta serve mesmo pra alguma coisa?
Acho que valeria a pena avisar que dá pra ouvir tudo perfeitamente… …Ou será que meus ouvidos são melhores do que os de outras pessoas?
Nunca comparei minha audição com a de mais ninguém, então não sei ao certo.
Ontem também consegui ouvir o que uma pessoa sentada bem longe estava dizendo… afinal, não é só meus olhos, meus ouvidos também são especiais, né?
— O que fazemos?
— É incômodo, mas, se é ordem do meu velho, não dá pra desobedecer.
— …Devo deixá-lo entrar?
— Sim.
Assim que ele terminou de falar, a porta se abriu com um estalo na minha frente. O guarda ergueu o queixo, fazendo sinal pra que eu entrasse.
Ia esticar a coluna reta de forma automática… mas não posso fazer isso. Aqui eu não sou nobre. Esses hábitos automáticos são bem perigosos, hein.
Entrei no quarto arrastando os pés com preguiça, de propósito.
Então é esse o príncipe de cabelo curto. De perto, ele é incrivelmente bonito.
Por que, nesse reino, todos os bonitos têm cílios tão longos assim!? Serão girafas na vida passada!? Isso deixa nós, mulheres, em desvantagem!
Ah, francamente, esse jogo tem mesmo essa mania… É exatamente esse o problema! Não é só transformar todo mundo em bonitão que resolve! É verdade que toda mulher gosta de gente bonita, mas ninguém pediu um exagero desses!
— E aí, pirralho.
O homem, sentado numa cadeira com os pés em cima de uma mesa grande, falou comigo com um tom de pressão, tentando me intimidar.
Com aquela fala dele, toda minha irritação de agora há pouco com os bonitões passou na hora.
Então é assim, um tom autoritário logo de cara. Perfeito, adoro.