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I’ll Become a Villainess That Will Go Down in History – Capítulo 220

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Capítulo 220

— E-ei, sério isso mesmo…

— De onde é que sai músculo num braço tão fino desses?

— Trezentos e noventa e oito, …trezentos e noventa e nove, quatro… centos. Quatrocentos e um.

Junto com o murmurinho crescente ao redor, dava pra perceber um tom de surpresa na voz do Capitão Marius.

Eu continuava fazendo flexão após flexão, olhando pro suor pingando no chão. Sentia, com todo o corpo, dezenas de soldados me observando.

…Está bem puxado. Muito mais pesado pros braços do que eu imaginava. Nunca tinha feito quinhentas de uma vez só antes.

Mas não é algo impossível.

— Quatrocentos e onze, quatrocentos e doze, …quatrocentos e dez, três.

— O ritmo dela não vacila nem um pouco. …Que fibra é essa. Faz sentido o Príncipe Victor ter recomendado ela.

A voz do que devia ser o vice-capitão chegou aos meus ouvidos.

Se eu falhasse aqui, ia jogar lama na cara do Victor. Não posso, de jeito nenhum, fazer alguém perder a própria reputação por minha causa. Meu orgulho não permite isso. Vou manter esse ritmo até o final.

— Será que tem alguém nesse batalhão capaz de fazer quinhentas flexões seguidas…

— Quase ninguém, com certeza.

— Que tipo de ambiente cria um monstro desses, afinal?

Que falta de educação, "monstro". Eu, até pouco tempo atrás, era uma nobre de respeito, viu.

Meus braços começaram a tremer um pouco. Dava pra perceber que minhas palmas estavam bem molhadas de suor. Provavelmente o capitão e o vice-capitão também tinham percebido.

— …Quatrocentos e quarenta e sete, quatrocentos e quarenta e oito.

— Quer diminuir o ritmo?

— Não precisa.

Respondi rapidamente ao homem que devia ser o vice-capitão, e fiz a flexão número quatrocentos e quarenta e nove. Sei que me disseram pra usar tratamento formal, mas, nesse momento, não tinha jeito.

Pra deixar meu nome marcado na história, venho me esforçando dia após dia até finalmente chegar até aqui. Não posso desmoronar num lugar desses, Alicia.

Me encorajei e apertei ainda mais força nos braços.

— Aquela pirralha está acelerando o ritmo.

— Não acredito.

Depois disso ainda vai ter o treinamento normal… será que meu fôlego vai aguentar… mas não posso relaxar agora.

O pano que cobria meus olhos já estava bem úmido. Um pouco desconfortável, mas, por enquanto, só me resta aguentar.

Ninguém deve imaginar que, no fundo, eu queria me tornar uma nobre orgulhosa e solitária.

— Quatrocentos e oitenta e três, oitenta e quatro, oitenta e cinco, oitenta e seis.

— Por que ela está acelerando cada vez mais!?

— Isso já nem é nível de sobre-humano…

Todo o meu treino diário foi pra esse exato momento das flexões!

Não é bem assim, mas preciso pensar dessa forma pra conseguir continuar agora.

O barulho ao redor foi crescendo cada vez mais. No meio disso, começaram a se misturar vozes de apoio.

— Baixinha! Você consegue!

— Vai! Falta pouco!

Difícil de acreditar que, até há pouco, eu era tratada como inimiga.

— Noventa e sete, noventa e oito, noventa e nove, quinhentas…

Ah, terminei. Me deixei cair, estatelada, no chão.

Que me chamem de suja, que digam que perdi toda a dignidade — tanto faz. Afinal, agora estou vestida de garoto mesmo. Preciso descansar um pouco antes de conseguir me levantar.

No exato instante em que terminei as quinhentas flexões, um silêncio tomou conta do ambiente. Depois de um tempo, foram surgindo, aos poucos, vozes por toda parte.

— Com um corpo tão franzino desses…

— E-ela conseguiu terminar, mesmo…

— …Quinhentas de verdade.

— UOOOOOHHH! Baixinha! Você é demais!

— Você tem lá seus méritos, hein! Te reavaliei!

— Baixinha! A partir de hoje, você é uma de nós!

Os gritos de comemoração foram surgindo, um atrás do outro. Parece que fui promovida de "pirralha" pra "baixinha".

Estavam comemorando como se tivessem vencido uma batalha de verdade.

…Ou melhor, por que eles estão mais felizes do que eu mesma? A voz de comemoração deveria ser a minha, não a deles.

— Bom trabalho.

Dizendo isso, o Capitão Marius estendeu a mão pra mim.

Segurei firme aquela mão, e, apoiada por ele, consegui finalmente ficar de pé. Respirei fundo pra regularizar minha respiração.

— Muito… obrigada.

— Nunca imaginei que você tivesse tanto fôlego assim, baixinha.

— Meu nome é Ria…

— A partir de agora vou te treinar ainda mais pesado.

Ignorando completamente o que eu disse, o capitão falou aquilo com uma expressão radiante de alegria.

Bom, "baixinha" ainda é melhor do que "pirralha", e todo mundo parece feliz assim… …acho que não preciso corrigir mais.

— Meu nome é Garius Neel. Sou o vice-capitão deste batalhão. Você aguentou muito bem essas flexões absurdas.

Então, afinal, você era mesmo o vice-capitão.

— Muito obrigada, Vice-capitão Neel.

— Adoraria saber que tipo de treinamento você fez até hoje.

Os olhos do Vice-capitão Neel brilharam.

— Vice-capitão, não me diga que você vai querer fazer a gente também…

— Espera, baixinha, não fala nada!

Percebendo a intenção dele, os soldados levantaram a voz de repente.

O Vice-capitão Neel parece gentil, mas talvez, no fundo, seja bem cruel. Bom, sendo cruel, dá pra ficar mais forte, então acho até melhor assim.

— Ora, então, que tal vocês também fazerem quinhentas flexões agora?

— P-piedade, por favor~

— Parem de brincadeira e comecem logo o treinamento.

O Capitão Marius disse isso com um ar de puro cansaço. As expressões deles mudaram instantaneamente pra postura de soldados.

…Que batalhão impressionante, com uma diferença tão clara entre o momento de descontração e o momento sério.

— Baixinha, você já consegue se mexer?

— Sim!

Respondi isso com energia e entrei de cabeça no treinamento.


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