Capítulo 219
…Quero ir. Sim, quero ir mesmo.
Tem provocação melhor do que essa? Se eu for escondida… vão descobrir, né. Afinal, esse é o palácio de um príncipe.
Será que tem alguma coisa na torre? Alguém trancado lá? Ou será… uma armadilha?
— Ei! Você está me ouvindo!?
Diante daquele grito repentino, voltei a mim de sobressalto.
Um rosto carrancudo apareceu de repente bem na minha frente. …Nossa, que cara mais séria. Franzindo tanto a testa assim, a felicidade fica bem longe.
— Fica aí boiando desde agora há pouco. Se não tem motivação, é melhor voltar correndo pra mamãe.
Faz todo sentido. Quem não tem motivação é dispensável mesmo. Se tiver uma pessoa relaxada assim, a disciplina de todo o grupo desmorona.
— Peço muitas desculpas!
Levantei a voz e fiz uma reverência profunda. É isso mesmo, preciso me esforçar aqui. Com certeza vou subir na vida.
Talvez ele não esperasse que eu fosse me desculpar de forma tão dócil assim — o homem arregalou os olhos. Os outros soldados ao redor também ficaram paralisados.
— …Novato, qual é o seu nome?
— Ria.
— Meu nome é Marius, Reed Marius. Sou o capitão deste batalhão.
— …Esse batalhão?
— Você está aqui sem nem saber a qual batalhão pertence?
O Capitão Marius fez uma expressão de puro desânimo.
Fui jogada aqui de repente pelo Victor. Sem nenhuma explicação.
— Escuta bem, esse é o batalhão especial do Príncipe Victor. Soldados do reino inteiro se esforçam desesperadamente pra conseguir entrar nesse batalhão. …E, não sei por que motivo, o príncipe foi jogar aqui um pirralho pobre e sem nenhuma experiência. Não faço a menor ideia do que ele está pensando.
— Basta eu conseguir ficar aqui pelo meu próprio mérito, não é?
Diante das minhas palavras, o ar congelou.
O rosto do Capitão Marius se contraiu. …Ah, acho que o deixei bravo. Mas irritar alguém sem estar vestida como nobre não faz meus pontos de vilania subirem, que pena.
— Olha só como fala, novata.
Pensando bem, essa talvez seja a primeira vez que converso com um capitão desse jeito. No Reino de Dulkis, eu quase não tinha contato com soldados comuns.
— Você vai fazer duzentas flexões agora mesmo.
— Hã?
Só isso? Só duzentas flexões? Isso nem é um castigo de verdade.
Será melhor eu falar isso… Que um castigo de umas mil flexões seria mais adequado.
— Tá tremendo de medo.
— O capitão também é cruel, mandar duzentas flexões logo na chegada.
— Aposto que ela não aguenta nem uma semana.
— Não, eu digo que são três dias.
— Eu acho que é um dia só.
Os soldados foram falando um atrás do outro.
Cada vez a estimativa fica mais curta. Quanta falta de fibra acham que eu tenho? Que falta de respeito.
— Se falhar, recomeça do zero.
— Ei, não exagera com a novata…
— Duzentas está bom mesmo?
Interrompi o homem de cabelo curto, cor creme, que tentava conter o Capitão Marius.
Falar desse jeito com o capitão… talvez seja o vice-capitão. É mais magro que o capitão, mas tem um bom músculo.
Que estranho, por mais que eu me esforce, simplesmente não ganho músculo nenhum — que inveja.
— Ei, você também para de provocar.
O homem de cabelo curto me repreendeu.
Se eu não provocar, a quantidade não vai aumentar. Duzentas não vai servir nem como castigo de verdade.
— Isso é interessante. Então, quinhentas, sem parar.
— Entendido.
Falei isso e me apoiei no chão, entrando na posição de flexão.
— E também, use um tratamento formal direito.
A voz do Capitão Marius ecoou de cima.
— Entendido, senhor.
Falei isso e comecei a fazer as flexões ali mesmo.