Capítulo 221
Que dia cansativo, hoje…
Nunca imaginei que o treinamento de soldado fosse tão pesado assim. E, ainda por cima, o capitão foi bem espartano comigo.
Consegui aguentar tudo de algum jeito, mas quando ele mandou correr cinco quilômetros quase no limite das forças, no final, cheguei quase a desistir. Consegui terminar a corrida com o pouco fôlego que me restava, mas, só de pensar que isso vai se repetir todo santo dia daqui pra frente…
Eu achava que os treinos que fazia quando era pequena já eram bem intensos, mas nem se compara com isso. Faz sentido, afinal, o batalhão direto do príncipe deve ser algo especial mesmo.
Deitei ao lado do Rai, que dormia tranquilamente. A pelagem negra e felpuda dele é agradável ao toque.
Assim, hoje acho que vou conseguir dormir profundamente.
…Aliás, teve uma época em que eu pensava em me transformar num leão por magia. Naquele tempo eu estava numa espécie de crise, não conseguia usar bem a magia direito.
Não é hora de ficar com nostalgia. Ficar remoendo memórias antigas é coisa pra dez minutos antes de morrer, no máximo.
Pensando isso, fechei as pálpebras.
— Boa noite, Rai.
Murmurei baixinho e caí num sono profundo ao lado dele.
—
Acordei com o canto dos passarinhos, piu-piu. Ao abrir os olhos, o sol da manhã bateu direto neles, sem piedade. Sem conseguir abrir os olhos totalmente, troquei de roupa e saí do casebre com cuidado pra não acordar o Rai.
…Um jeito de acordar bem de mangá, esse.
Ainda faltava tempo até o treino.
— Quero ir até aquela torre.
Enquanto falava isso, percebi que já estava caminhando na direção da torre, sem nem perceber.
Não gosto nem um pouco do fato de que meu comportamento está seguindo exatamente o que o príncipe planejou, mas não quero deixar minha curiosidade sem resposta. Ficar remoendo essa inquietação o tempo todo não combina nem um pouco com a personalidade de uma vilã.
— É mais longe do que eu imaginava, essa torre.
Sendo a mais alta, dá pra ver de qualquer lugar do palácio, se destacando bastante, mas, na hora de realmente ir até lá, a distância é bem considerável.
Bem cedo de manhã, os criados já trabalhavam ocupados.
Será mesmo digno de um reino grande esse tanto de eficiência dos criados, e essa quantidade toda de gente? …Bom, mas eu não conheço como é a manhã na casa do Duke-sama, então não dá pra afirmar com certeza absoluta.
Parei em frente à torre.
— Que altuuuura.
Tenho certeza de que essa é a primeira frase que passa pela cabeça de qualquer pessoa. Só de olhar aquela altura toda, já dá até dor no pescoço.
Entrei na torre e soltei um suspiro pequeno.
Pela primeira vez desde que vim pra este mundo, senti vontade de ter um elevador. Só resta pensar que subir essa torre também é uma forma de treino, senão não dá pra aguentar.
Uma escada em espiral se estendia até o topo, sem parar. Pra chegar ao destino, era preciso fazer um bocado de exercício logo de manhã.
— Já que cheguei até aqui, não tem outro jeito a não ser subir.
Falei isso e dei o primeiro passo.
A mesma paisagem se repetia sem parar, enquanto eu continuava subindo os degraus, mas o fim simplesmente não aparecia.
Deveria já ter subido bastante…
Olhei rapidamente pra baixo. Confirmei que já estava bem distante do chão.
Estou avançando, mas não sinto absolutamente nenhuma sensação de estar chegando ao topo. Como se algo estivesse me impedindo de propósito de chegar lá… me impedindo de propósito.
— Essa torre está com magia.
Murmurei baixinho isso pra mim mesma.