Capítulo 225
— Não sei como o Duke pretende me usar, mas eu não vou mais trabalhar sob as ordens do rei. …Preciso conversar com ele e pensar juntos sobre o futuro deste reino.
O vovô falou isso com olhos sérios.
Será que, mesmo conversando, a voz do vovô vai realmente chegar aos ouvidos de Sua Majestade? O que dá pra fazer, agora, com aquele rei que deixou a própria mãe manipulá-lo a ponto de fazer isso com o vovô?
— Mais do que conseguir o Abel… …vamos pedir pra desfazerem aquela magia da parede de neblina.
— Você consegue convencer o rei?
— Já entendo mais ou menos como ele pensa. Vou dar um jeito.
O vovô respondeu de imediato à minha pergunta.
Quando o vovô diz que vai dar um jeito, tenho a sensação de que realmente vai dar certo. Com ele por perto, nada me assusta.
Duke, o vovô, e a Alicia — enquanto eles estiverem do meu lado, nada me assusta. Sinto que consigo vencer até o mundo inteiro se preciso.
— Jill, avisa o Duke que vamos sair deste vilarejo daqui a uma semana.
— Entendido. …Mas por quê?
— Ainda tenho algumas coisas pendentes pra resolver.
— Então volto aqui daqui a uma semana.
Assim que eu disse isso, o vovô balançou a cabeça devagar, em silêncio. E, então, deixei o vilarejo da pobreza pra trás.
—
Duke, Henry e eu nos reunimos no jardim vazio da academia.
— Duke, o vovô vai sair do vilarejo.
— Entendo.
Duke murmurou isso com um alívio visível, e com uma leve alegria.
Dava pra perceber que ele sempre esteve preocupado com o vovô.
— …Quem é esse "vovô", afinal?
Henry disse isso, inclinando a cabeça.
Ele sempre esteve do lado da Alicia, mas a diferença de informação entre ele e nós é enorme.
Há pouco, quando o Duke revelou que na verdade nunca esteve com amnésia, Henry ficou tão chocado que quase caiu no chão…
Todo mundo sabe que o Duke é completamente rendido à Alicia, então ninguém imaginaria que ele exilaria por conta própria a mulher que ama.
Fico convencido, cada vez mais, de que nunca vou conseguir alcançá-lo.
— O vovô é o vovô do vilarejo da pobreza.
— É meu tio.
— …Hã?
Henry arregalou os olhos diante das nossas palavras. Parece que ele não estava conseguindo acompanhar direito.
— Então, "do vilarejo da pobreza"…
— E-espera um pouco. Hã? Será que é o meu cérebro que está falhando?
— O filho legítimo do antigo rei, o primeiro príncipe. Meu pai é filho de uma amante.
— Eu não tenho absolutamente nenhuma informação sobre isso. Ou melhor, quê? Hã? Vilarejo da pobreza? Hein?
Henry começou a ficar meio bobo de repente.
— Quase ninguém sabe disso.
— Espera, espera, espera, me explica direitinho, com calma. Eu, diferente de vocês, tenho um cérebro normal. Eu ainda estou me recuperando do choque de saber que o Duke fingiu amnésia esse tempo todo.
Henry disse isso, segurando a própria cabeça com uma mão.
…Bom, faz sentido ele reagir assim. O Duke costuma pular explicações.
Depois de pensar um pouco, o Duke explicou tudo de forma clara e organizada. Contou de maneira simples e direta como o vovô acabou sendo mandado pro vilarejo da pobreza.
Enquanto ouvia a explicação do Duke, dava pra ver a cor do rosto do Henry mudando. O Duke falava de forma tranquila, mas o conteúdo era pesado demais.
— Não acredito que aconteceu uma coisa dessas…
Depois de ouvir a história inteira, Henry não disse mais nada, só ficou pensativo, em silêncio.
— Não é hora de ficar remoendo o passado agora. Vamos pensar no que fazer daqui pra frente.
— A-ah, é, tem razão.
Henry respondeu isso, ainda um pouco confuso.
— Então, o que exatamente a gente precisa fazer?
— Quando meu tio vai sair do vilarejo?
— Daqui a uma semana.
— Então precisamos resolver a questão da Liz até lá.
— Vamos linchar a Liz!? Adoro esse tipo de coisa!
De repente, junto com um cheiro doce no ar, uma garota de cabelo rosa apareceu bem na minha frente. Mel sorria, radiante de alegria.
…Ela sempre aparece do nada mesmo.
— Vocês querem ouvir~? Sobre aquele assunto que o mestre me pediu pra investigar.
No final, baixando um pouco a voz, Mel disse isso com um olhar sério.